Mas hoje, com a morte de Hermann, abro uma exceção.
E abro-a não pela qualidade do trabalho do autor, que é indiscutível, mas pela importância que uma das suas bandas desenhadas, em concreto, teve na minha vida, muito contribuindo para a minha formação enquanto leitor de banda desenhada. Falo do livro Comanche - Os Guerreiros do Desespero.
Permitam-me uma breve nota sobre esse livro. Não posso precisar muito bem qual era a minha idade na altura em que recebi esse livro, mas diria que foi algures entre os meus 6 e 7 anos. Era o meu aniversário e uma amiga da minha mãe levou-me a uma loja - a papelaria/loja Estudantina, em Queluz, para quem conhecer - e disse-me para escolher um brinquedo. Ora, eu sempre gostei muito de brinquedos, como carros, playmobil, legos, etc e a loja tinha uma boa oferta nesse âmbito.
Lembro-me que o que eu achava fantástico com 6 ou 7 anos em Comanche era que tudo aquilo me parecia muito adulto, verossímil e bem próximo dos filmes de cowboys que, por vezes, apanhava o meu pai a ver na televisão. Parecia um "filme" em banda desenhada, portanto.
Ainda hoje, sempre que pego neste Comanche - Os Guerreiros do Desespero, de Greg e Hermann, sinto uma nostalgia especial de um tempo que não volta mais, mas que permanece intacto nas minhas memórias especiais.
Saber hoje que, durante o dia de ontem, perdemos Hermann, um autor tão relevante para mim, deixa-me triste. É verdade que o autor se encontrava doente há algum tempo e, tendo uma idade avançada, não era esperado que a sua vida fosse muito mais longa. Também é verdade que, de há uns anos a esta parte, a qualidade do seu trabalho tinha vindo, gradualmente, a descer. Mas isso não invalida que se lamente a sua perda. Ou que esqueçamos obras tão relevantes para a banda desenhada como Comanche, Bernard Prince, Jeremiah, ou muitos outros livros one shot que, felizmente, foram bastante publicados em Portugal. Destaco os mais recentes trabalhos por cá editados como Duke, Brigantus ou, já em 2026, Old Pa Anderson | Redenção. Entretanto, o autor chegou mesmo a terminar o seu mais recente trabalho, intitulado Cartagena, que tem data marcada de saída para o próximo mês de abril em França e que eu espero que venha a ser publicado em Portugal.
Deixo a minha homenagem e agradecimento a Hermann.
Que descanse em paz.



Uma grande perda , sem dúvida. Nunca foi um dos meus autores de referência mas recordo-me de o ler com entusiasmo nos “calhamaços” da revista Tintim. Mais um dia clássicos que se vai. Fica a obra.
ResponderEliminar