quarta-feira, 4 de novembro de 2026

TOP 10 - Os melhores "Dylan Dog" publicados em Portugal


Aproveitando o facto de Dylan Dog assinalar em 2026 os seus 40 anos de existência - tendo, a esse propósito, recebido uma exposição dedicada no último Amadora BD - aproveito para vos trazer os meus 10 livros preferidos de todos os Dylan Dog que por cá já foram editados. 

Bem, sendo honesto, não foram assim tanto os livros de Dylan Dog por cá publicados. Mas também não são assim tão poucos. São 15, no total. Limitei-me, portanto, a excluir os cinco que menos me agradaram e a colocar, pela ordem dos meus gostos, os restantes 10 livros.

Esta série começou por ser publicada em Portugal pela Levoir, sendo depois publicada pela G. Floy Studio em parceria com A Seita e, mais tarde, totalmente assegurada por esta última.

O que importa reter é que esta é uma série muito do meu agrado. Dylan Dog é uma personagem muito rica e densa, tendo imensas camadas para desvendarmos. Além disso, é uma daquelas séries que está constantemente a surpreender o leitor, pois raramente sabemos aquilo que podemos esperar num livro novo.

Eis, então, sem mais demoras, o meu TOP 10 dos livros de Dylan Dog publicados em Portugal:




10. Trevas Profundas
Argento, Piani e Roi
Editora: A Seita



A primeira coisa que mais salta à vista em Trevas Profundas é o fantástico trabalho de Corrado Roi que dá à obra um charme e uma beleza única. Assim que mergulhei neste livro, fiquei abismado com a maturidade do tema e dos desenhos.

A história recupera a vertente mais pura e visceral do horror que consagrou Dylan Dog. Mergulha-nos numa sucessão de pesadelos, visões inquietantes e acontecimentos perturbadores, construindo uma atmosfera de constante desconforto.

Embora não seja tão emocional ou filosófica como outras obras que vos mostro neste artigo - e não esquecendo que a história, por vezes, se torna um pouco confusa - a obra destaca-se, ainda assim, pela eficácia com que utiliza os mecanismos clássicos do terror. O ambiente opressivo e as imagens memoráveis fazem desta uma leitura intensa e visualmente marcante.




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09. Memórias do Invisível
Tiziano Sclavi e Giampiero Casertano
Editora: A Seita




Embora seja conhecido como um dos mais emblemáticos da série, só recentemente este Memórias do Invisível chegou até nós. Bem, na verdade, o livro até não se encontra ainda em livraria, embora já tenha estado em venda no último Amadora BD e possa ser encomendado diretamente do site da editora A Seita. 

A história aqui presente é bastante original e explora uma das ideias mais fascinantes do horror psicológico: aquilo (e aqueles?) que existe(m) para lá da nossa perceção. Tudo o que, existindo, se revela invisível perante os outros. 

A grande força da obra reside em dois pontos: na atmosfera bastante noir e na forma como a história nos é contada, "enganando-nos" várias vezes e estimulando uma segunda leitura. O argumento desenvolve-se de forma lenta e inquietante, criando uma sensação permanente de incerteza. O resultado é uma aventura elegante, melancólica e profundamente fiel ao espírito clássico da série.



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08. O Número Duzentos
Paola Barbato e Bruno Brindisi
Editora: A Seita



Não se sintam dissuadidos com a lastimável capa deste livro, já que este O Número Duzentos é mais uma boa história do Detetive do Pesadelo e que, por ser um álbum que procura sedimentar o background de Dylan Dog, assume uma maior relevância ainda. A história é bastante bem construída e a arte ilustrativa faz-lhe jus.

Neste livro acompanhamos os primeiros passos de Dylan Dog na sua carreira enquanto investigador do paranormal. Todos os inícios são um pouco atabalhoados e é também dessa forma que o protagonista se inicia nos primeiros casos que lhe aparecem. Um pouco sem saber bem como vai ter sucesso com a sua nova opção profissional. Ficamos também a saber como Dylan Dog conhece Groucho e como este se torna assistente do primeiro. Ou como o herói deixa a polícia e se instala na célebre casa de Craven Road.

Existe uma dimensão quase metanarrativa nesta obra, que dialoga com a história editorial da série e com a relação construída entre personagem e leitores. Embora possa ser apreciada isoladamente, ganha maior profundidade para quem conhece bem o universo de Dylan Dog, tornando-se, a meu ver, uma leitura particularmente gratificante para fãs de longa data.

Análise completa, aqui.


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07. A Sombra do Morcego
Roberto Recchioni, Werther Dell’Edera e Gigi Cavenago
Editora: A Seita



Contra as expectativas mais conservadoras e negativas de muitos leitores que, como eu, se habituaram a ver nascer crossovers fracos que procuravam apenas vender livros apoiando-se em franquias de sucesso, Dylan Dog - Batman: A Sombra do Morcego é uma bela surpresa. Não só demonstra a viabilidade de cruzamentos improváveis, como também eleva o género de crossover ao propor algo mais do que uma simples junção de mundos: uma verdadeira história com substância, atmosfera e arte. 

A narrativa tira partido das diferenças fundamentais entre as duas personagens: de um lado, o racionalismo e a disciplina do Cavaleiro das Trevas; do outro, a abertura ao mistério e ao sobrenatural característica do detective do pesadelo.

O grande mérito da obra está na forma como respeita ambas as mitologias sem sacrificar nenhuma delas. O diálogo entre os mundos da DC Comics e da Sergio Bonelli Editore produz situações envolventes, mantendo intacta a identidade das personagens. Mesmo que possa não ser perfeita, é uma leitura recomendada tanto para fãs de longa data de Dylan Dog e/ou Batman quanto para novos leitores. 

Análise completa, aqui.


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06. O Velho que Lê
Fabio Celoni, Tiziano Sclavi, Angelo Stano
Editoras: G. Floy Studio e A Seita




Com O Velho que Lê, Fabio Celoni oferece-nos uma das histórias mais imaginativas e poéticas do universo de Dylan Dog. 

Tudo começa com o desaparecimento de um homem obcecado por livros, conduzindo o detective para um território onde realidade, literatura e fantasia se confundem constantemente.

A narrativa funciona como uma celebração do poder das histórias e da imaginação humana. Entre homenagens literárias, cenários fantásticos e momentos de genuíno terror, vemo-nos convidados a refletir sobre o papel dos livros na construção da memória e da identidade. 

O resultado é uma aventura singular, que alia inteligência, emoção e beleza visual e que presta uma bela homenagem aos livros e à infinidade de riquezas que deles podemos retirar.





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05. Até que a Morte vos Separe
Mauro Marcheselli, Tiziano Sclavi, Bruno Brindisi
Editoras: G. Floy Studio e A Seita



Este livro é absolutamente belo e asume-se como uma das leituras mais importantes para compreender a personalidade da personagem de Dylan Dog e o seu permanente sentimento de melancolia. 

Até que a Morte vos Separe revisita a relação entre Dylan Dog e Lillie Connolly, o grande amor da sua vida. A história explora os acontecimentos que moldaram emocionalmente o protagonista, oferecendo uma perspetiva mais íntima sobre o seu passado e sobre as feridas sentimentais que o acompanham ao longo da série.

Ao mesmo tempo romance trágico e narrativa de horror, esta obra consegue equilibrar emoção e drama de uma forma exemplar. A relação entre Dylan e Lillie adquire uma dimensão quase mítica, tornando-se um símbolo de perda e de amor impossível. Belíssimo livro!



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04. O Imenso Adeus
Marcheselli, Sclavi e Ambrosini
Editora: A Seita


O Imenso Adeus é uma autêntica maravilha de ler e de acompanhar, e um regalo aonde mergulhar de tempos a tempos, pressupondo novas leituras no futuro. Portanto, é um daqueles para figurar numa boa estante de BD. Já é frequente e natural que os livros de Dylan Dog tenham algum tipo de introspeção sobre a vida mas aquilo que O Imenso Adeus faz, parece ir ainda mais longe. Um leitor com uma forte sensibilidade e - atrevo-me a dizer - maturidade, vai adorar este livro, pois poucas histórias captam tão bem a dimensão melancólica de Dylan Dog. 

A obra desenvolve-se em torno da memória, da perda e da dificuldade em deixar partir aquilo que foi importante. A presença constante das saudades e dos arrependimentos confere à narrativa um tom profundamente nostálgico e emocional.

Longe das aventuras mais movimentadas da série, esta é uma história que privilegia a introspeção e o impacto emocional. O horror surge de forma discreta, quase simbólica, enquanto os sentimentos das personagens ocupam o centro da narrativa. O resultado é uma das histórias mais sensíveis e humanas do universo de Dylan Dog, revelando toda a vulnerabilidade do detective do pesadelo.

Análise completa a este livro, aqui.




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03. Morte em 16 por 9
Roberto Recchioni e Corrado Roi
Editora: A Seita



Morte em 16 por 9 representa, quanto a mim, um dos pontos altos da fase mais recente de Dylan Dog. A história conduz o leitor por um universo de arte, obsessão e decadência psicológica, onde as fronteiras entre criação artística, loucura e destruição se tornam progressivamente indistintas. A atmosfera é opressiva, erótica e perturbadora, envolvendo o protagonista numa espiral de emoções contraditórias e visões inquietantes.

A história questiona a relação entre o artista e a obra, entre a dor e a inspiração, explorando temas como o trauma e a memória. É uma narrativa moderna, madura, sofisticada e profundamente psicológica, que muito me agradou.

Na verdade, Morte em 16 por 9 revelou-se para mim uma experiência extraordinária, pois é uma obra despudoramente sensual, sombria, poética e profundamente cinematográfica, capaz de combinar erotismo, horror, romance e introspeção numa narrativa coerente e emocionalmente poderosa. Roberto Recchioni oferece um dos argumentos mais envolventes que li recentemente na série, enquanto Corrado Roi assina um verdadeiro recital gráfico. Fantástico!

Análise completa a este livro, aqui.


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02. Mater Morbi
Roberto Recchioni, Massimo Carnevale
Editora: Levoir


Este livro tem uma importância especialmente relevante para mim, pois foi com ele que me iniciei na leitura de Dylan Dog. Já tinha alguns livros do meu irmão, em português do Brasil, mas nunca tinha pegado em nenhum deles. E foi com este Mater Morbi que conheci Dylan Dog e que fiquei automaticamente apaixonado pela série. 

Em Mater Morbi, Dylan Dog confronta um inimigo diferente de todos os outros: a doença personificada. Através da figura enigmática de Mater Morbi, a narrativa explora a fragilidade do corpo humano, o sofrimento físico e o medo universal da morte. O resultado é uma história profundamente simbólica que utiliza os mecanismos do terror para abordar questões existenciais de enorme relevância.

Mais do que uma aventura de horror, esta é uma reflexão sobre a vulnerabilidade humana. O sofrimento, a dependência, a dor e a degradação física são tratados com uma sensibilidade rara, transformando a leitura numa experiência inquietante e emocionalmente intensa. É uma das obras mais maduras e filosóficas de toda a série, demonstrando a capacidade de Dylan Dog para transcender os limites do género. Obrigatório.



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01. A Saga de Johnny Freak
 Marchelessi, Sclavi, Venturi e Casertano
Editora: Levoir


Se fiquei logo fã da série assim que li Mater Morbi, com este A Saga de Johnny Freak - que, na verdade, é composto por duas histórias - fiquei ainda mais impactado. 

Aliás, poucas histórias de Dylan Dog conseguem atingir o impacto emocional deste. Longe dos monstros e dos fantasmas habituais da série, a narrativa mergulha no drama de um jovem deformado e marginalizado, vítima da crueldade dos outros e da indiferença da sociedade. Através da investigação de Dylan, somos conduzidos para uma história profundamente humana, em que o verdadeiro horror não nasce do sobrenatural, mas da capacidade humana para o abandono, a violência e a exclusão. Que conceito tão simples e tão poético ao mesmo tempo!

O que torna esta obra extraordinária é, pois, o equilíbrio entre tragédia e compaixão. Tiziano Sclavi constrói uma narrativa devastadora sem nunca cair no melodrama, fazendo de Johnny uma personagem inesquecível. É uma história sobre solidão, inocência e sofrimento, mas também sobre empatia. Havendo muitos livros que adoro de Dylan Dog, este é o meu preferido de todos eles.

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