segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Amadora BD anuncia programação!



A organização do Festival Internacional de Banda Desenhada - Amadora BD apresentou a sua programação ao nível das exposições e workshops que estarão patentes no certame, naquela que será a 32ª edição e que decorre entre os dias 21 de Outubro e 1 de Novembro.

Para além disso, revelou que a edição deste ano será marcada por uma forte aposta em exposições com uma base curatorial, uma área comercial consolidada e especializada, sessões de autógrafos, lançamentos de livros, encontros com autores nacionais e internacionais e uma programação paralela de oficinas e ateliers temáticos.

A principal novidade, para já, é que o evento mudará de lugar, conforme já aqui foi revelado. Em vez de ocorrer no Fórum Camões, como já era tradição nos últimos anos, o Amadora BD contará com um espaço renovado, com um núcleo central no Ski Skate Amadora Park, e dois núcleos paralelos, na Bedeteca da Cidade e na Galeria Municipal Artur Bual.


AMADORA BD 2021
21 outubro 2021 a 1 novembro 2021


EXPOSIÇÕES

NÚCLEO CENTRAL | SKI SKATE AMADORA PARK




80 Anos de Diana, a Mulher-Maravilha: Guerreira e Pacifista

Oito décadas depois da sua criação pela imaginação do psicólogo estadounidense, William Moulton Marston, a Princesa Diana da Ilha de Themyscira, mais conhecida como Mulher-Maravilha, continua tão ou mais relevante do era quando apareceu, em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. Desde cedo, o aspeto conflituante e paradoxal da sua origem tornou-se numa marca indelével de difícil escrutínio. Diana (uma das maiores guerreiras do universo fictício da DC Comics) era uma Amazona
incumbida, pelos deuses da mitologia grega e pelas suas irmãs, de trazer a paz e fraternidade ao Mundo Patriarcal e de defender os princípios democráticos e pacifistas da cultura helenística e da sociedade feminista da sua terra-natal. Esta natureza dicotómica, que serviu de inspiração a muitos artistas de banda desenhada para explorar a sua personalidade ambivalente e determinação na sua missão utópica, foi essencial para preservar a personagem ao longo de oito décadas. Graças à matriz criada por Marston, vários autores foram (com diferentes graus de sucesso e respeito pela matriz) adicionando camadas à mitologia e à personalidade de Diana. O que era uma estranha mistura de Guerra e de Paz, transformou a Mulher-Maravilha num dos mais poderosos arquétipos do Universo DC, ao lado do SuperHomem e do Batman, perfazendo a Santíssima Trindade da editora de BD dos EUA. A acompanhar esta exposição retrospetiva, marcam presença no Amadora BD 2021 alguns dos mais conceituados ilustradores da DC Comics que se destacam pelo trabalho desenvolvido com a personagem: o catalão Álvaro Martínez Bueno e os portugueses Miguel Mendonça e Daniel Henriques.




75 Anos de Lucky Luke. Os Herdeiros de Morris

No ano em que comemora o seu 75º aniversário, o cowboy mais popular da história da banda desenhada
regressa ao Amadora BD com uma exposição que homenageia os autores que tiveram a “ingrata” missão de suceder ao criador do personagem. Após o falecimento de Morris em 2001, Achdé deu
continuidade ao desenho da série clássica e outros criadores (como Matthieu Bonhomme, Bouzard e Mawil) desenvolveram abordagens mais pessoais do cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra. São estas diferentes visões do icónico personagem que irão estar em destaque nesta exposição que trás ao Amadora BD 2021 Achdé e Mawil.




A História do Mangá

Originalmente Japonês, o termo “mangá” refere-se a todo o universo da banda desenhada. No entanto, no Ocidente, a designação é utilizada para identificar uma categoria de banda desenhada de características muito próprias: a banda desenhada criada ao estilo japonês. De facto, as primeiras histórias desenhadas em sequência foram criadas no Japão, no século VIII, utilizando rolos de pintura que se iam desenrolando para contar histórias com textos e imagens. Mais tarde, ainda no Japão mas já no século XVIII, a essência da Banda Desenhada ganha forma com o aparecimento dos kibyoshis (livros ilustrados – com o tradicional estilo de pintura e estamparia japoneses – com narrativas cómicas / satíricas ou românticas que misturavam-se desenhos em sequência com palavras para contar histórias). Em meados do século XIX, Charles Wirgman (inglês residente no Japão), cria o jornal satírico The Japan Punch e introduz pela primeira vez balões de fala nas suas histórias em sequência. Influenciados pelas publicações do The Japan Punch, dois artistas japoneses (Kanagaki Robun e Kawanabe Kyosai) criam a primeira revista de mangá em 1874: a Eshinbun Nipponchi. A partir desta data, a presença de artistas europeus no Japão (e a consequente difusão da banda desenhada de origem europeia e estadunidense) contribuiu decisivamente para a formação de uma série de autores nipónicos e “nasce” a banda desenhada japonesa, criada na tradição ocidental, mas sem esquecer as suas características tradicionais: o ocidental e tradicionalmente denominado, “mangá”.



Michel Vaillant: o (próximo) desafio

Michel Vaillant é, desde 1957, um nome incontornável no universo da banda desenhada europeia e no mundo do automobilismo. O seu criador, Jean Graton, concebeu um universo verosímil em torno de uma grande família de construtores automóveis, de que Michel é o seu mais destacado elemento, por ser também o principal piloto da escuderia com o mesmo nome. Por isso, o percurso de Michel Vaillant e de Jean Graton confundem-se e são, muito justamente, inseparáveis. Mas Michel Vaillant é também motivo de grande interesse dos seus novos autores, como Benjamin Beneteau e Marc Bourgne, que
este ano marcam presença no Amadora BD. A presente exposição dá-nos ainda a conhecer as particularidades que justificam a designação, por Miguel Gusmão, do “aportuguesamento” da série durante algum tempo no Estado Novo (de que Major Alvega é o exemplo mais paradigmático). As aventuras de Michel Vaillant passadas no nosso país, como Rally em Portugal, O Homem de Lisboa ou Encontro em Macau (território chinês então sob administração portuguesa), bem como as publicações e as editoras que deram à estampa as suas aventuras (Editorial Ibis, Livraria Bertrand, Distri Editora, Meribérica-Liber, AutoSport e Edições ASA) fazem parte desta exposição que marca o regresso do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora ao modo presencial.



Corvo V: Inimigos Íntimos

Luis Louro – vencedor do Prémio de Melhor Obra de BD de Autor Português, na edição de 2020 do Prémios de Banda Desenhada da Amadora – apresenta-nos nesta exposição o quinto volume das aventuras do seu mais icónico personagem, criado em 1994: o Corvo. O Corvo V – Inimigos Íntimos é uma viagem (intensa e surpreendente) pela (sub)consciência de Vicente e que nos conta como personagens e traumas do passado fizeram nascer o herói mais inconsciente de todos os tempos. (Quase) sempre com a noite da sua Lisboa como cenário, o Corvo combate os seus temíveis inimigos alados e os malfeitores mais inesperados. Será Vicente capaz de encontrar ajuda para enfrentar os seus
próprios demónios? Conseguirá ele escapar à tentação? Vamos finalmente descobrir o segredo das chamuças do Corvo?



Verões Felizes

Todos os anos o mesmo ritual: Pierre (o pai), a sua esposa e as 4 crianças põem-se a caminho do sul… para um verão feliz. Durante este mês, é para esquecer o quotidiano, no entanto, o casal passa por uma crise conjugal e a doença da tia Lili também não ajuda… Momentos preciosos que tornam a vida desta família mais bonita. Rumo ao sul!





André Diniz e Marcello Quintanilha: visões brasileiras

Exposição retrospetiva do autor e ilustrador brasileiro, André Diniz (Rio de Janeiro, 1975), e do autor Marcello Quintanilha (Niterói, 1971). Argumentista e desenhador de Banda Desenhada e autor e ilustrador de livros infantojuvenis, André Diniz já viu o seu trabalho ser alvo de mais de uma dezena de prémios, de entre os quais se destaca o de Melhor Roteirista, Melhor Graphic Novel, Melhor Edição de Quadrinhos, Melhor Site de Quadrinhos, entre outros. Em 2012, conquistou o conceituado prémio HQ MIX, na categoria Melhor Roteirista Nacional, com o álbum Morro da Favela, editado em Portugal pela Polvo, em 2013. Nesse mesmo ano e em exclusivo para Portugal, editou (também pela Polvo), Duas Luas, com desenhos de Pablo Mayer. Marcello Quintanilha é um autodidata, que se tornou autor de banda desenhada ainda adolescente, nos anos 80, ao desenhar personagens e pequenas histórias de terror e de artes marciais para a editora Bloch. Nos anos 1990, passou a publicar as suas BD em revistas como a General, General Visão, Nervos de Aço, Metal Pesado, Zé Pereira e a Heavy Metal. Em 1991, foi premiado no Salão do Humor de Ribeirão Preto. Ainda nesse ano foi premiado na 1ª Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro. E voltou a ser premiado na segunda edição da Bienal, em 1993. Em 1999, pela editora Conrad, lançou o seu primeiro livro de BD: Fealdade de Fabiano Gorila. 




Hoje não, de Ana Margarida Matos

Vencedor do concurso Toma Lá 500 Paus e Faz Uma BD (2021) promovido pela Associação Chili Com Carne, “Hoje Não” é um projeto autobiográfico que acompanha o registo diário desde o dia 16 de janeiro de 2021 até ao dia 26 de junho de 2021. Com o aumento dos números e um novo confinamento a chegar, o livro começa com a premissa de não se voltar a perder a noção do tempo, documentando tudo e qualquer coisa que aconteça no dia e resumindo o mais importante em apenas cinco linhas. Cada página corresponde a um dia onde se capturam os limites da identidade pessoal num momento tão atípico na história da nossa existência, através das rotinas diárias, das recorrentes crises existenciais, do que se vê passarse na sociedade, e de tudo aquilo que torna uma pessoa quem é. A realidade que conhecíamos era apenas uma ilusão, muito persistente. Entretanto, existimos.





Drácula de Bram Stoker, de Georges Bess

Veterano desenhador francês, conhecido sobretudo em Portugal pelas suas colaborações com Jodorowsky, Georges Bess atira-se à espinhosa missão de dar a sua visão em Banda Desenhada de um clássico da literatura que já tinha sido objecto das mais diversas interpretações, o Drácula de Bram Stoker. Recorrendo a um notável jogo de sombras e a uma assombrosa técnica de preto e branco, Bess cria uma versão que é simultaneamente extremamente fiel ao texto original e profundamente pessoal. Uma adaptação singular que transcende o Drácula de Stoker, transformando-o no Drácula de Georges Bess.




Comic Heart. Uma coletiva de autores portugueses.

O selo editorial Comic Heart nasceu do encontro de duas visões que criaram esta que é uma das marcas mais vitais da BD nacional. Bruno Caetano, editor de fanzines e comics, e com anos de experiência e trabalho com os maiores nomes da BD portuguesa (na sua actividade na área da animação) e José de Freitas, um dos mais experientes editores do mercado nacional da BD, que juntaram forças em 2017. Projecto generalista, capaz de editar primeiras obras ou livros de autores consagrados, obras comerciais ou mais alternativas, a Comic Heart já venceu cinco Prémios PNBD e cinco Galardões Comicon.




GALERIA MUNICIPAL ARTUR BUAL

O bom filho à casa torna. Retrospetiva de Jorge Miguel.

Nascido na Amadora, Jorge Miguel construiu a sua carreira na banda desenhada e ilustração. Desde 2012 – fruto da sua colaboração com a editora Humanöides Associés – o trabalho do desenhador é mais conhecido em França e nos E.U.A. do que no seu próprio país pelo que esta primeira exposição retrospetiva, na terra que o viu nascer, vem corrigir essa lacuna. Apresentar as diferentes facetas do trabalho de Jorge Miguel em artes gráficas, banda desenhada, ilustração e pintura é o objetivo desta mostra bem representativa da quantidade e qualidade da obra de Jorge Miguel. Na exposição, destaque para os seus dois últimos trabalhos para o mercado francês: Shanghai Dream (editado em Portugal em 2020) e Sapiens Imperium (a lançar no decorrer do Festival).




Marcello Quintanilha: Chão de Estrelas.

Marcello Quintanilha nasceu no Rio de Janeiro (Brasil) e iniciou a sua carreira em 1988 assinando, desde então, bandas desenhadas em publicações como O Estado de São Paulo, Le Monde, Heavy Metal, Internazionale, entre outras. Diretor de animação, colabora regularmente como ilustrador em jornais e revistas (como La Vanguardia, El País ou Playboy) e assina igualmente desenhos da série Sept Balles pour Oxford. É autor dos álbuns Fealdade de Fabiano Gorila, Tungstênio (obra também adaptada ao cinema), Talco de Vidro, O ateneu, Hinário Nacional, Luzes de Niterói, Folia de Reis lançados em Portugal pela editora Polvo Em 2021 lança Escuta, Formosa Márcia (Polvo Editora) e marcará
também presença na atual edição do Festival Amadora BD.




BEDETECA DA AMADORA | BIBLIOTECA MUNICIPAL FERNANDO
PITEIRA SANTOS



Desvio, de Bernardo P. Carvalho e Ana Pessoa
Obra vencedora do Prémio para Melhor Ilustrador Português, da edição de 2020 dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora, promovidos pelo Amadora BD.
É verão. Os pais foram de férias e os seus amigos também… A namorada pediu-lhe um tempo e Miguel tem a casa só para si. Vê televisão, joga computador, lê o livro de código e o mundo parece suspenso no meio do calor. “Tudo o que quero é que nada aconteça. Que tudo permaneça como está. O planeta muito quieto. Com a sua lei da gravidade, as suas regras de trânsito.” Onde irá dar este desvio?









SINOPSES | WORKSHOPS

- Workshop de Papier Mâché, pela artista plástica Ana Sofia Gonçalves
Neste workshop, vamos criar uma forma em três dimensões através da técnica de papier mâché, com jornal e fita cola. Um workshop para dar uso à imaginação e descobrir uma técnica diferente de construção e modelação de volumes tridimensionais.

- Workshop de Ilustração 3D, pela artista plástica Ana Sofia Gonçalves.
Este workshop procura simular a tridimensionalidade através da ilustração e de técnicas de ilusão de ótica, com recurso a colagens de materiais e suportes diversificados.

- Workshop “O teu fanzine”, pela ilustradora Patrícia Guimarães 
O fanzine, enquanto publicação não profissional, (livre de restrições criativas ou editoriais), foi sempre objecto de experimentação. Um veículo para abordar vários temas, comunicar ideias, contar histórias, resultando em exemplares muito diferentes e inventivos. Nesta oficina vamos criar um fanzine e explorar um pouco essa liberdade criativa quer em termos de formato, quer em termos de conteúdo.

- Workshop “Que Monstro é esse?”, pela ilustradora Patrícia Guimarães
A Banda Desenhada é a arte de contar histórias através da imagem e da palavra. Na véspera do “Dia das Bruxas / Halloween” vamos descobrir a vida secreta das figuras fantásticas que assombram o nosso imaginário. Como será a bruxa quando ninguém a está a ver? Será que gosta de ouvir heavy metal ou bossa nova? E o zombie? Será que passa os dias sem fazer nada, ou entretém-se a jardinar? Vamos imaginar um outro lado destes monstros? Partindo de um conjunto de personagens e objectos, vamos dar asas à imaginação e criar a nossa banda desenhada!

- Workshop I – MANGÁ: uma introdução à banda desenhada japonesa, pela ilustradora Daniela Viçoso
A banda desenhada japonesa (ou mangá) tem vindo a ficar cada vez mais conhecida fora do Japão, e aqui não é exceção. A BD japonesa corresponde a um mercado variadíssimo e contém em si múltiplos estilos, públicos alvo, linguagens visuais e narrativas. Neste workshop será dada uma pequena introdução à mesma, passando pela sua história e culminando num exercício prático.

- Workshop II – O festival dos youkai, pela ilustradora Daniela Viçoso
Youkai são criaturas sobrenaturais do folclore japonês, semelhantes a espíritos, fantasmas, monstrinhos e demónios. Tomam muitas formas e assumem muitas caras, sendo alguns muito assustadores! Neste
workshop vamos aprender um pouco sobre alguns youkai mais famosos e aprender a desenhá-los.

- Oficina It’s a Book" ABC de Máscaras", pela ilustradora Carolina Celas 
Assustadoras, Brilhantes, Caricatas, Descomunais, Enfadonhas, Felizes, Grandes, Hipnóticas, Improváveis, Janotas, Lingrinhas, Monstruosas, Narigudas, Obscuras, Populares, Queridas, Radiantes,
Sábias, Tradicionais, Únicas, Versáteis, Xistosas, Zelosas Assim é o ABC das máscaras e assim vamos criar máscaras nesta oficina, através de recortes coloridos e geométricos.

Lançamento: Giant




A Ala dos Livros acaba de lançar um dos livros muito aguardados do ano! Trata-se de Giant, de Mikaël. 

É uma obra que já folheei vezes e vezes e que sempre me deixou uma enorme vontade de a ler mas que, até agora, e lamentavelmente, ainda não tive oportunidade de o fazer.

As ilustrações parecem fenomenais, conforme podemos ver pelas imagens promocionais que partilho abaixo, juntamente com a sinopse da obra.

Faço um destaque ainda para a boa opção da editora em lançar esta obra, constituída por dois tomos, um só volume integral.

Tenho grandes esperanças nesta obra!
Giant, de Mikaël
Nova Iorque, início dos anos 1930. Fazer-se passar por um outro homem tem um preço: o da verdade. A verdade que, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser revelada…

Na Nova Iorque da Grande Depressão, imigrantes provenientes de todas as partes do globo arriscam a vida na construção do mítico Rockefeller Center. Giant, um misterioso colosso irlandês, é um dos inúmeros trabalhadores que, com os seus compatriotas imigrantes, labuta arduamente na construção da Grande Maçã. 

Mas, contrariamente aos demais, Giant parece mais interessado em fugir de um passado que o persegue e atormenta. E quando duas vidas se cruzam, nem tudo é que parece.
Giant, que a Ala dos Livros publica em edição integral, que reúne os dois volumes originais, é um comovente relato sobre a imigração e as origens do “sonho americano”. 

Uma apaixonante narrativa, que se desenrola na sombra dos arranha-céus da grande cidade que nunca dorme, conduzida pelo grafismo impressionante de Mikaël (Prémio de BD RTL Junho 2017 por Giant – tomo 2; Prémio Albéric-Bourgeoisau do Festival Québec-BD 2019 por Giant – tomo2)

«Gosto sinceramente que me contem uma boa história. E que a contem bem. E o Mikaël sabe fazê-lo.»
Jean-Louis Tripp
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Ficha técnica
Giant
Autor: Mikaël
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 25,00€

Lançamento: Apocalipse: O Livro da Revelação de São João




Depois do fantástico Drácula, de Georges Bess, é altura de recebermos um novo volume para a coleção Nona Literatura, composta por adaptações para BD de alguns textos universais, em que a editora A Seita tem vindo a apostar. Desta feita, é a vez de Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, dos autores Alfredo Castelli e Corrado Roi. Nome consagrados do fumetti italiano.

Nota para o facto desta edição ter duas capas diferentes - a dita "normal" e a exclusiva da loja Wook - e um prefácio extenso, complementado por um guia de leitura do Apocalipse, e um dossier final que examina a iconografia do Apocalipse ao longo dos séculos, desde a mais antiga Alta Idade Média, ao mundo actual.
Abaixo, fiquem com a nota de imprensa da editora, com algumas imagens promocionais e, no fim, com a imagem da capa exclusiva da loja Wook.


Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi

O Apocalipse, ou Livro das Revelações, é o último e o mais visionário livro do Novo Testamento. Atribuído ao evangelista São João, este capítulo fulcral da Bíblia é adaptado à banda desenhada de forma simultaneamente rigorosa e inovadora por dois mestres dos fumetti italianos, Alfredo Castelli e Corrado Roi, não só traduzindo em imagem o texto alegórico de São João, como analisando a importância deste texto bíblico ao longo dos tempos, através da influência que o Apocalipse teve sobre personalidades tão diversas como Isaac Newton, Aleister Crowley e Jorge Luís Borges.

Uma adaptação espectacular e visionária, que encontra na arte de Corrado Roi a sua representação mais eficaz e surpreendente, e que é o segundo volume da Colecção Nona Literatura, o selo d’A Seita consagrado à adaptação de grandes textos literários à banda desenhada.

Nascido em 1947, Alfredo Castelli é um prolífico escritor, investigador, argumentista e especialista em banda desenhada. A sua estreia no género dá-se aos 19 anos, com a criação de Scheletrino, uma tira humorística publicada como suplemento da revista Diabolik. No ano seguinte, escreve e edita aquele que foi o primeiro fanzine italiano sobre BD, Comics Club 104. À sua actividade como argumentista para diversas editoras e publicações, junta também a escrita de guiões para séries televisivas da RAI e para desenhos animados.
Para a revista Il Corriere dei Ragazzi cria inúmeras histórias e personagens, como Gli Aristocratici e Allan Quatermain, que irá servir de modelo para a criação de Martin Mystère, e em que já é bem evidente o gosto de Castelli por histórias muito bem documentadas que misturam o género fantástico, e as teorias da conspiração, com a aventura e a História. Para a Bonelli, Castelli escreve argumentos para Zagor, Ken Parker e Mister No, mas é a criação em 1982 de Martin Mystère, o detective do impossível, que o tornou num dos mais importantes argumentistas italianos em actividade.

Um dos mais populares, talentosos e activos desenhadores italianos de fumetti, Corrado Roi encontrou nas aventuras de Dylan Dog o palco de eleição para o seu estilo sombrio e estilizado. A sua estreia na Bonelli faz-se em meados da década de 80 nas séries Mister No e Martin Mystère, antes de se afirmar na série Dylan Dog, de que desenhou dezenas de histórias, incluindo a história em três partes Os Inquilinos Arcanos, e Trevas Profundas, duas das suas histórias do detective do pesadelo que tiveram direito a edição nacional.

Para além da sua colaboração na série Dylan Dog, que inclui as capas da colecção Grande Ristampa, Roi ilustrou também um volume anual de Tex, e diversas histórias de Nathan Never, Julia, Mágico Vento e Dampyr, para além da mini-série UT, o seu projecto mais pessoal, escrito a meias com Paola Barbato, argumentista com quem já colaborou por diversas vezes na série Dylan Dog.

Apocalipse volta a reunir Roi com Castelli num volume que inclui também um prefácio inicial que dá pistas para a leitura e interpretação da obra bíblica, e um dossier final que analisa e documenta o Apocalipse do ponto de vista iconográfico, e das várias adaptações de todos os tipo de que foi alvo.


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Ficha técnica
Apocalipse: O Livro da Revelação de São João
Autores: Alfredo Castelli, e Corrado Roi
Editora: A Seita
Páginas: 112, a preto e branco (e 16 páginas a cores)
Encadernação: Capa dura
PVP: 20,00€













sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Análise: Soldados de Salamina



Soldados de Salamina, de José Pablo García

A Porto Editora não tem tido uma grande consistência, em termos de assiduidade, no lançamento de banda desenhada. O que é uma pena pois olhando para a grandeza do grupo estou certo que se houvesse uma verdadeira aposta em BD, a Porto Editora poderia, sem dúvida, conquistar a sua fatia de mercado, por um lado, e, por outro, presentear-nos - a nós, leitores - com mais possibilidades de oferta de bons títulos.

Seja como for, há cerca de um ano, em 2020, apostou neste Soldados de Salamina que resulta como adaptação para banda desenhada do romance de Javier Cercas que, sendo originalmente lançado em 2001, depressa conquistou louvores junto da crítica. Esta adaptação para banda desenhada é assegurada por José Pablo García.


A história incide na guerra civil espanhola quando, nos finais deste conflito, e perto da fronteira entre Espanha e França, é levado a cabo o fuzilamento de alguns prisioneiros franquistas. Mas, por incrível que possa parecer, um destes prisioneiros consegue escapar com vida deste fuzilamento. E, para além de ter sorte e engenho para escapar a esta morte anunciada, também tem a sorte de ser ajudado por um jovem republicano que, tendo-o na mira da sua arma, opta por deixar o prisioneiro escapar. O prisioneiro em questão é Rafael Sánchez Mazas que era, na altura, uma autêntica celebridade espanhola, sendo o fundador da Falange e um futuro ministro de Franco. Mas quem seria aquele jovem republicano que, tão descaradamente, deixou o seu prisioneiro fugir? E quais foram os seus motivos?

Esta é a ignição para que, passados sessenta anos, um romancista, Javier Cercas, o autor do romance, que se encontrava em crise criativa, decida começar a investigar aquilo que se passou neste episódio de Rafael Sánchez Mazas. O autor é pois personagem ativa desta obra.

Acaba por ser um romance duplo porque temos, por um lado, a reconstituição histórica de Rafael Sánchez Mazas e, por outro lado, a demanda de Javier Cercas, que procura obter informações fidedignas que possam fazê-lo escrever o seu livro baseado em Mazas. Para tal, acompanhamos as suas pesquisas e as numerosas conversas que vai tendo com pessoas que privaram com Mazas, de forma a construir uma cronologia dos eventos que sucederam naquela ação de fuzilamento. 


Se, por um lado, considero interessante toda esta parte de mostrar ao leitor quais foram as dificuldades, viagens, conversas que enfrentou para descobrir a verdade, quase que como um making of da produção do livro; por outro lado, também considero que isso torna o livro com demasiado conteúdo adicional que, eventualmente, acaba por se tornar algo repetitivo e monótono. No entanto, também é verdade que o livro tem a capacidade de informar o leitor sem ser demasiado informativo, isto é, sem nos bombardear com demasiada informação. Embora me pareça que, ainda assim, certas conversas que Cercas vai tendo com outras personagens poderiam não ter aparecido, de forma a que algumas informações não se tornassem tão redundantes.

A história aparece dividida em 3 partes: a primeira parte coloca-nos na investigação inicial de Javier Cercas e nas primeiras conversas e pesquisas que ele leva a cabo para encontrar a história de Mazas. A segunda parte, é a parte mais histórica e factual, e conta-nos o percurso de vida de Rafael Sánchez Mazas. A terceira parte – a mais bem conseguida, a meu ver – revela-nos quem foi, afinal, esse soldado republicano que optou por salvar a vida de um inimigo.


O livro traz consigo uma moral e uma reflexão acerca do heroísmo. De quem são os verdadeiros heróis e que actos podem fazer de nós, comuns mortais, verdadeiros heróis. Por vezes, é apenas o momento e o estado de espírito momentâneo do indivíduo que o leva a fazer algo extraordinário.

A leitura deste livro remeteu-me para dois autores de banda desenhada espanhola: Antonio Altarriba que, em A Arte de Voar e em A Asa Quebrada, ambos publicados em Portugal pela Levoir, também tratam o tema da guerra civil espanhola; e, duma forma global, Paco Roca, devido à proximidade no estilo de ilustração. Contudo, e apesar deste Soldados de Salamina ser um bom livro, fica uns furos abaixo destes autores que nomeio. A meu ver, a história não é tão boa como a dos dois livros de Altarriba que referi acima e as ilustrações de José Pablo García neste Soldados de Salamina também não são tão agradáveis como as de Paco Roca. Ainda assim, calculo que ambos os autores tenham sido referências para o autor.


O estilo de traço em linha clara de José Pablo García torna as suas páginas bastante agradáveis de acompanhar. Não são ilustrações de uma técnica ou virtuosismo muito demarcados, mas são as ideiais para nos contar este relato em forma de crónica jornalística. As peripécias do autor no tempo presente são sempre mais coloridas e suaves e as cenas do passado de Mazas apresentam, normalmente, uma paleta de cores em tons de azul. Funciona bastante bem, quanto a mim.

A edição da Porto Editora é impecável. Excelente encadernação, capa dura que, com os detalhes da chuva com acabamento em verniz, fica espetacular. O papel é brilhante e de boa qualidade. Destaque para o facto do segundo capítulo ter um papel diferente – mais amarelado – em relação aos restantes capítulos.

Em conclusão, Soldados de Salamina é um livro bem conseguido, com um carácter histórico-informativo, que nos conta um relato real sobre Rafael Sánchez Mazas e como – e porquê? – o mesmo conseguiu escapar com vida de uma operação de fuzilamento. Recomenda-se principalmente para os adeptos da história recente de Espanha. 


NOTA FINAL (1/10):
8.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Ficha técnica
Soldados de Salamina
Autor: José Pablo García
Editora: Porto Editora
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Abril de 2020