sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Análise: Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2

Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros

Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet

Quando terminei o primeiro volume de Blast, de Manu Larcenet, escrevi que estava rendido à obra, mas também que mantinha alguma prudência na minha avaliação. Sentia que tinha atravessado metade de um rio escuro e turbulento, fascinante em cada página, mas cuja margem de chegada permanecia oculta. A grande questão era simples: conseguiria Manu Larcenet fechar uma história tão ambiciosa sem se perder nas suas próprias sombras? 

Agora que li este segundo volume integral, composto pelos tomos De Cabeça e Oxalá Os Budistas Estejam Enganados, posso dizer que sim. E posso dizer mais do que isso, até: aquilo que já me parecia uma grande obra revelou-se uma obra ainda maior. Com efeito, se adorei o primeiro volume, fiquei ainda mais maravilhado com este segundo, aquele onde chegam as grandes revelações e onde percebemos, finalmente, que nada foi deixado ao acaso.

Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
Originalmente composta por quatro tomos, reunidos em Portugal em dois volumes integrais pela Ala dos Livros, a série encontra aqui a sua densa, triste e pesada conclusão. E aquilo que poderia ter sido apenas uma resolução de pontas soltas, transforma-se numa demonstração impressionante de controlo narrativo, por parte de Manu Larcenet. Quando chegamos ao fim, percebemos que o autor esteve sempre vários passos à nossa frente. E aquilo que poderia parecer disperso ou fragmentado revela-se, afinal, como parte de um trabalho muito maior e cuidadosamente arquitetado.

O cariz policial, que no primeiro volume servia sobretudo de moldura para o relato de Polza, regressa aqui com renovada intensidade. A investigação ganha peso, os interrogatórios tornam-se mais incisivos e os inspetores deixam progressivamente de ser simples ouvintes para assumirem, especialmente no final, um papel cada vez mais ativo. Este reforço da componente policial tem um efeito muito curioso: torna a leitura ainda mais compulsiva. Queremos saber. Aliás, precisamos de saber o que aconteceu com Polza e com Carole, a mulher de cujo assassinato Polza é suspeito. E cada nova revelação que nos vai sendo dada por Larcenet apenas aumenta a nossa ansiedade perante o inevitável desenlace.

Polza continua a contar a sua história aos inspetores. Continua a conduzir-nos através dos escombros da sua vida, ora seduzindo-nos com as suas palavras poéticas, ora chocando-nos com aquilo que nos revela. O discurso do protagonista mantém-se fascinante, poético, delirante e, acima de tudo, perturbador. As suas palavras parecem emergir de uma escuridão tão profunda que o leitor acaba por questionar constantemente aquilo que vê, aquilo que ouve e aquilo em que escolhe acreditar. Se querem obras que vos consumam um pouco do vosso ser, este Blast é uma delas.

Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
O relato dos acontecimentos que levaram Polza até àquela sala de interrogatório continua a ser-nos dado de uma forma impregnada de violência, degradação e sofrimento. Há passagens particularmente difíceis de ler, quer seja pela sua brutalidade gráfica, quer seja pelo peso emocional que transportam. Mesmo assim, parece-me que Larcenet não procura propriamente o choque gratuito. O que faz é, aliás, muito mais desconfortável: obriga-nos a permanecer junto da dor desta personagem. A viver a sua dolorosa experiência de vida. Obriga-nos a observá-la. A compreendê-la. A senti-la. E isso transforma esta leitura numa viagem exigente e, por vezes, quase sufocante.

É precisamente por isso que o aparecimento da personagem de Carole, depois de tantas páginas a falar sobre ela, assume finalmente uma importância tão significativa, pois dá uma certa ternura ao livro e à personagem de Polza. Não diria que a presença de Carole se trate propriamente de luz, porque Blast nunca é uma obra luminosa, mas de uma suave mudança de temperatura emocional, vá. 

E, no entanto, há uma ironia cruel a acompanhar tudo isto. Desde o início sabemos que algo terrível aconteceu. Sabemos qual é o destino de Carole. Conhecemos, pelo menos parcialmente, o resultado final. Mas entre conhecer o resultado e compreender o caminho existe um abismo gigantesco. É precisamente esse abismo que Larcenet explora magistralmente ao longo destas páginas. 

Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
Outra das grandes virtudes deste segundo volume está na forma como reorganiza tudo aquilo que julgávamos saber. Cada revelação lança nova luz sobre os acontecimentos anteriores. E aquilo que, no primeiro livro, parecia uma caminhada turbulenta e imprevisível revela, afinal, um percurso narrativo perfeitamente delineado. A sensação de construção é impressionante, gerando um sentimento muito forte de "recompensa narrativa". E isto já para não falar do segundo final da história - sim, podemos considerar que o final da obra se divide em duas partes.

Uma outra coisa que me agrada bastante em Blast é o facto de a obra desafiar qualquer tentativa de classificação simples. Estaremos perante um policial? Um drama psicológico? Uma crítica social? Uma (retorcida) história de amor? Uma descida ao inferno? Um tratado filosófico sobre a condição humana? Parece justo admitir que esta obra é tudo isso. 

Visualmente, Larcenet continua simplesmente assombroso. O seu preto e branco denso, carregado e visceral traz-nos momentos inesquecíveis e impregnados de expressividade dramática. Há páginas inteiras que parecem respirar angústia. Outras que parecem gritar sem emitir qualquer som. Gosto especialmente do "tempo narrativo" que o autor atribui à obra, com inúmeras vinhetas contemplativas sem texto, que permitem que possamos refletir, absorver, questionar. Até é possível que esta obra que no somatório dos dois livros editados pela Ala dos Livros, tem 800 páginas, pudesse ter sido contada em 200 ou 300 páginas. Possivel, era. Mas, claro, não seria o mesmo livro e perderia todo o seu impacto.

Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros
Os momentos de "blast", que são em menor número neste volume, representados num estilo de ilustração diferente, carregado com cores aplicadas a caneta de feltro, continuam a ser marcantes e incómodos para o leitor.

Em termos de edição, a Ala dos Livros continua o trabalho feito no primeiro volume, que se revela muito elegante, com o livro a apresentar capa dura baça, com detalhes a verniz, papel baço de primeira qualidade no miolo, e um excelente trabalho ao nível da impressão e da encadernação. Nota ainda, muito positiva, para a fita marcadora em tecido que granjeia ainda mais elegância à edição.

É mais um dos grandes livros do ano. E notem que este está a ser um ano espetacular no que ao número de grandes obras de BD diz respeito. 

E é precisamente por isso, e em jeito de conclusão, que Blast se afirma, sem hesitação, como uma das grandes obras-primas da banda desenhada contemporânea. Não é uma leitura relaxante. É torturante. Sombria. Terrível. Por vezes até dolorosa. Mas também é brilhante, inteligente e profundamente humana. É um murro no estômago, um buraco na alma e uma dor persistente no coração. Um daqueles livros raros que não nos deixam sair iguais àquilo que éramos quando os começámos a ler. Depois de terminar esta extraordinária viagem ao lado de Polza, resta apenas fazer aquilo que se faz perante as grandes obras: levantar-nos da cadeira, engolir em seco, acenar com a cabeça e aplaudir. Inesquecivelmente bom.


NOTA FINAL (1/10):
10.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2, de Manu Larcenet - Ala dos Livros

Ficha técnica
Blast - Edição Integral - Volume 2 de 2
Autor: Manu Larcenet
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 408, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 225 x 280 mm
Lançamento: Agosto de 2026

Arte de Autor lança nova coleção de BD!


Já está disponível no Amadora BD o novo livro de Jordi Lafebre, autor de obras tão inesquecíveis como Verões Felizes, Apesar de Tudo, Brigada de Costumes, Lydie, Sou o Seu Silêncio ou Sou um Anjo Perdido. Todos, sem exceção, livros de que gostei muito.

A nova obra chama-se Jane nas Nuvens e tem a particularidade de ser uma curta de BD, com apenas 32 páginas. Inaugura também a nova coleção da Arte de Autor, intitulada Colecção Curtas de BD, que nos trará mais 3 obras curtas de autores consagrados.

Estes livros têm a particularidade de serem editados em capa mole - o que é uma raridade para a Arte de Autor - e terem um preço extremamente simpático de pouco mais de 10€.

Parece-me uma aposta bem-vinda por parte da editora.
Este novo livro já pode ser comprado no Amadora BD e deverá começar a chegar às livrarias a partir do próximo dia 27 de Outubro. Também se encontra em pré-venda no site da editora para aqueles que não puderem comprá-lo no festival.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra. 

Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre

Jane Ground é uma jovem na casa dos vinte anos, particularmente destemida, que decide deixar os verdes campos britânicos para voar de balão. Nada assim tão extraordinário, poderão pensar... Só que estamos no início do século XIX e Jane sofre de narcolepsia! Ao adormecer a todo o momento, Jane já entornou chocolate quente em convidadas ilustres e ofendeu um pretendente durante um encontro.
Mas as consequências da sua condição podem ser muito mais graves a centenas de metros do solo. Tal como aconteceu com tantas outras ideias anteriores, os seus pais não têm outra alternativa senão deixá-la avançar, confiando-a aos cuidados do seu amigo de infância, Timothy — e, claro, um bocadinho à protecção de Deus Todo-Poderoso… 

Se Jane é a «Senhora Sonhadora», Timothy é o «Senhor Talvez»: incapaz de tomar qualquer decisão — manteiga ou geleia, noivo ou noiva —, acompanhar Jane simplifica-lhe bastante a vida. Mas a sua companheira parece ter ambições maiores para a dupla, especialmente por estar convencida de que os seus sonhos inspiram as pessoas. Talvez esteja na altura de pensar na cura mútua de ambos... Mas, antes de tudo isto, Jane precisa de conseguir pilotar aquela estranha engenhoca no meio de uma tempestade. Jane? Jane? Zzz...
Jordi Lafebre aproveita este intervalo criativo proporcionado pela nova colecção "Curtas de BD" para deixar para trás a Barcelona dos dias de hoje. As suas personagens, o seu traço e o seu talento para o diálogo revelam-se igualmente irresistíveis na Inglaterra do século XIX — e em apenas 32 páginas!

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Ficha técnica
Jane nas Nuvens
Autor: Jordi Lafebre
Editora: Arte de Autor
Páginas: 32, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 24
PVP: 11,50€

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Análise: Terra ou Lua

Terra ou Lua, de Jade Khoo - ASA - LeYa

Terra ou Lua, de Jade Khoo - ASA - LeYa
Terra ou Lua, de Jade Khoo

Mesmo depois de já ter lido, não centenas, mas milhares de livros de banda desenhada, ainda parece haver, de quando a quando, livros que conseguem surpreender-nos. E quando falo em "surpreender" nem sequer estou a dizer se é pela positiva ou pela negativa - já lá irei. Não. Refiro-me a isso mesmo, a essa capacidade de surpreender, de nos questionar, de não ser mais do mesmo, de ser original. Terra ou Lua, de Jade Khoo, lançado há poucos dias pela editora ASA, é um desses livros. Bem, possivelmente até é o livro que mais me surpreendeu do ano, pois está bem carregado de inúmeras coisas com as quais me fui surpreendendo à medida que avançava na leitura desta primeira de duas partes.

Sim, convém ter isso bem presente, esta é uma obra pensada para ser finalizada através de um segundo tomo, que está previsto sair durante o primeiro semestre de 2027. E talvez por isso, por essa sensação de história inacabada e não resolvida, eu tenha ficado tão surpreendido. Há muitas pontas soltas que, sendo bem tratadas, podem tornar a obra em algo verdadeiramente inesquecível. Um clássico da banda desenhada, mesmo. Mas, caso essas pontas soltas não recebam o tratamento devido, o livro pode não ser tão inesquecível assim. 

Terra ou Lua, de Jade Khoo - ASA - LeYa
Esta é uma daquelas histórias que, levantando inúmeras e inúmeras questões pertinentes e bem-vindas, não resolve ainda nada em concreto. O que quer dizer que, após o lançamento do segundo tomo, quando ficarmos com uma noção completa da obra, é que poderemos ter presente se, de facto, esta é um trabalho espetacular... ou se é "só" uma obra interessante.

Mas comecemos com o que é mais óbvio: a qualidade do desenho. 

O estilo de ilustração da autora francesa, que bebe diretamente da inspiração em Miyazaki, remetendo-nos para vários dos filmes de animação do estúdio Ghibli, é um verdadeiro deleite para os olhos. A luz, as cores, as personagens, os cenários, o céu, as aves, a natureza, as casas - com especial destaque para telhas e tijolos, que são apresentados com um detalhe incrível - são desenhados e coloridos de tal forma, que parecem levar-nos para um universo poético do qual não queremos sair. É verdadeiramente impressionante. O desenho é espetacular, mas as cores aplicadas por aguarelas são qualquer coisa de fantástico.

Terra ou Lua, de Jade Khoo - ASA - LeYa
Sobre o desenho, tenho apenas uma queixa. E não é uma queixa por capricho ou ideologia... é uma queixa por ruptura na compreensão da história. Por alguma razão, a autora decidiu ilustrar as caras das personagens de uma forma algo andrógena. O protagonista da história, Othello, mesmo sendo um rapaz, apresenta a fisionomia facial de uma rapariga, tal como acontece com o seu melhor amigo, Ange. Já as raparigas do ciclo de amigos do protagonista, pelo menos uma delas, Pissenlit, bem como a mãe de Othello, parecem do sexo oposto. Parecem homens. Ora, tendo em conta a capacidade de ilustração de Jade Khoo, não me parece que isto seja uma incapacidade de desenho da autora. Parece-me, isso isso, uma opção pensada e assumida. Ou um capricho. Ora, se isto for aproveitado para a história, pois, como veremos à frente, trata-se de uma rgumento que se vai abrindo às camadas, tudo bem. Agora, se esta androgenia das personagens não servir nada à história, então parece-me uma coisa sem sentido. Naturalmente que cada autor desenha como quer... mas a bem da credibilidade, não faz sentido. Pelo menos, quanto a mim. 

Mas se já falei bastante sobre o desenho, o que dizer da história?

Confesso-vos que como é uma narrativa repleta de camadas e de novas coisas que nos vão sendo dadas aos poucos, em novas camadas, é-me difícil desenvolver muito o assunto sem que vos crie algum tipo de spoiler. Coisa que não quero. Portanto, vou tentar ser um pouco lato e dizer que a história acompanha o tal rapaz, Othello, que certo dia - e de forma aparentemente acidental - contribui para a morte do seu pai. O que o leva a um orfanato onde a vida não lhe é facilitada pelas outras crianças. Passam alguns anos até que recebe a visita do seu amigo de infância Ange, com quem partilha um profundo interesse ornitológico, ou seja, pelo estudo das aves, que o permite sair do orfanato para um estádio na Sociedade de Ornitologia, onde reencontra Solveig, Han e Pissenlit. 

Terra ou Lua, de Jade Khoo - ASA - LeYa
E é então que descobrimos que talvez estas crianças nem se encontrem no planeta Terra... ou encontrarão? Desculpem, mas tenho que ficar por aqui. Caso contrário, ponho-me a contar a história e a fazer revelações por mim indesejadas. Posso acrescentar, no entanto, que há também uma relevância para a história na origem de Othello. Tudo aquilo que ele julga saber sobre os seus pais - que entretanto, aquando do incidente que vitimou o seu pai, se encontravam de costas voltadas - pode não ser a verdade. Mais do que tentar descobrir onde está ou em que mundo vive, Othello parece estar a tentar descobrir quem é e até que ponto é responsável pelos acontecimentos que marcaram a sua infância.

Não deixa igualmente de ser significativo que a autora coloque as aves no centro de grande parte da narrativa. Mais do que um mero interesse científico das personagens, a ornitologia parece funcionar como uma ponte entre vários dos temas do livro: a liberdade, a deslocação, o equilíbrio ecológico e a procura de um lugar a que possamos chamar casa.

A história é extremamente densa, mas isso nunca me fez achá-la exagerada por todas as nuances que apresenta. Parece - e é - uma obra slice of life sobre a adolescência; parece - e é - uma obra de ficção científica em subgénero distópico; parece - e é - uma obra sobre os dramas da existência familiar; parece - e é - uma história com elementos de fantasia. Ao mesmo tempo que ainda nos dá mensagens ecológicas e poéticas sobre a nossa vida, fazendo vários "avisos à navegação" sobre a forma como habitamos o planeta Terra. 

Terra ou Lua, de Jade Khoo - ASA - LeYa
"Mas que guisado confuso", dirá o meu leitor mais cético. Assim parece, reconheço, mas também tenho que conceder que, pelo menos até agora, durante este primeiro tomo, é um autêntico gozo ler este livro. Surpresa após surpresa, coisa interessante após coisa interessante. Para onde nos está Jade Khoo a levar? Saberemos melhor no segundo episódio se é para um local fantástico ou não. Mas, para já, a viagem, por assim dizer, está a ser muito agradável. 

E o mais impressionante é que, apesar da quantidade de conceitos, personagens e mistérios que introduz, Jade Khoo raramente perde o controlo do ritmo. A leitura avança de forma natural, alternando momentos contemplativos com novas revelações, sem nunca se tornar excessivamente expositiva.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça e bom papel brilhante no miolo. A encadernação e impressão também são de boa qualidade. Uma nota, menos positiva, tem que ser dada sobre a legendagem: bem sei que a a editora tentou aproximar-se da font utilizada na edição original. Mas acabou por escolher uma font em que a letra "i" é serifada, o que causa uma experiência de leitura menos fluída. Um erro à maçarico, diria.

Em suma, posso dizer-vos que há livros que vivem das respostas que dão ao leitor e há livros que vivem das perguntas que lhe colocam. Como é o caso de Terra ou Lua. Ao longo de centenas de páginas, Jade Khoo semeia dúvidas, hipóteses e inquietações, convidando-nos a avançar sempre mais um capítulo na esperança de compreender o mundo que temos diante dos olhos. É um exercício arriscado, porque a recompensa foi adiada para um segundo volume, o que me obriga a olhar com alguma contenção para esta obra. Mas é também a prova da capacidade da autora para criar fascínio. Quando terminamos este livro não temos quaisquer respostas. Mas temos - eu, pelo menos, tenho! - uma vontade enorme e imediata de ler esta continuação. E isso, convenhamos, não deixa de ser um feito. Fiquei a "chorar por mais", reconheço.


NOTA FINAL (1/10):
9.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Terra ou Lua, de Jade Khoo - ASA - LeYa

Ficha técnica
Terra ou Lua
Autora: Jade Khoo
Editora: ASA
Páginas: 296, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 29,1 x 22 mm
Lançamento: Setembro de 2026

Eis a estreia de Verónica Louro enquanto autora de BD!



A Seita e a Arte de Autor preparam-se para editar o livro Smoke & Mirrors que marca a estreia da jovem Verónica Louro enquanto autora completa de banda desenhada!

Verónica é filha do incontornável Luís Louro, o que me faz crer que o seu contacto próximo com o pai, juntamente com as belas páginas promocionais deste livro que já tive a oportunidade de observar, pode significar que estamos perante um bom livro de estreia. A ver vamos.

O livro já deverá estar à venda durante o Amadora BD. nos respetivos stands da Arte de Autor e d' A Seita.

Para já, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Smoke & Mirrors, de Verónica Louro

Dizem que todos temos fantasmas e Mallory não é excepção. Quando a noite cai e a escuridão aumenta, Frank não acende uma vela, mergulha no breu e procura respostas que teimam em não chegar. 

A sua vida está prestes a ficar mais complicada: será que vai conseguir decifrar o enigma e descobrir o assassino? 

Neste jogo de espelhos não há fumo sem fogo... posto.

Verónica Louro estreia-se como autora de banda desenhada. E completa: argumento, desenho e cor, demonstrando neste Smoke & Mirrors uma maturidade impressionante.

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Ficha técnica
Smoke & Mirrors
Autora: Verónica Louro
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 64, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 20 x 28 cm
PVP: 17,00€