sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Está fechada a mais recente Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do Público!


Foi com o lançamento de O Piano Oriental, de Zeina Abirached, que a editora Levoir e o jornal Público encerraram, na sexta-feira passada, a última Coleção de Novelas Gráficas.

Zeina Abirached é já bastante conhecida pelos leitores portugueses, tendo por cá editadas as suas obras A Dança das Andorinhas, Ovelha e O Profeta. Todas pela editora Levoir.

Mais abaixo, podem encontrar a nota de imprensa da editora e algumas imagens promocionais deste O Piano Oriental.


O Piano Oriental, de Zeina Abirached

A fechar a IX série da colecção Novela Gráfica a Levoir e o Público editam a obra mais emblemática de Zeina Abirached.
Especialmente em trabalhos como O Piano Oriental, o traço de Zeina ganha uma dimensão abstrata e poética para "desenhar a música" e o som. Ruídos, melodias e o silêncio da guerra são transformados em elementos gráficos palpáveis inseridos nas vinhetas.

Devido ao formato autobiográfico em preto e branco com foco em contextos de conflito (como a Guerra Civil do Líbano), o seu estilo é frequentemente comparado ao de Marjane Satrapi (Bordados e Frango com Ameixas) embora o traço de Abirached se distinga por ser mais estilizado e geometricamente planeado.

O Piano Oriental é uma história inspirada na vida do seu antepassado, inventor de um novo instrumento musical na Beirute dos anos 60. Uma tentativa ousada de aproximar as tradições musicais do Oriente e do Ocidente, este piano de destino desconhecido só chegou a ser fabricado num único exemplar, pouco antes de a guerra civil se abater sobre o Líbano.

Pianista apaixonado, Abdallah Kamanja procura encontrar uma solução mecânica para transformar um piano bem temperado — afinado para tocar música clássica ocidental com um tom ou meio tom entre cada nota — num piano capaz de tocar tanto os modos ocidentais como os árabes e os seus quartos de tom.

Zeina Abirached nasceu em Beirute, Líbano em 1981. Estudou na Academia Libanesa de Belas Artes e depois na École nationale supérieure des Arts décoratifs em Paris. É autora de várias bandas desenhadas, algumas já publicadas em Portugal pela Levoir: A Dança das Andorinhas publicada pela Levoir na coleção Novela Gráfica (2016), Ovelha (2024) e O Profeta (2025).

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Ficha técnica
O Piano Oriental
Autora: Zeina Abirached
Editora: Levoir
Páginas: 212, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 mm
PVP: 16,90€

Arte de Autor edita a segunda parte de "Zheng Shi"!



Já está disponível há alguns dias o segundo e último volume de Zheng Shi, de Jean-Yves Delitte, que se intitula Madame Tsching.

O livro esteve à venda no Amadora BD e, desde então, já pode ser encontrado em livraria.

O primeiro tomo, recordo, já aqui foi analisado.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Zheng Shi #2 - Madame Tsching
Na história das civilizações, a pirataria é um mal que nunca conheceu fronteiras. Embora, no final do século XVIII, pareça ter sido erradicada das águas quentes das Caraíbas — onde se forjou a sua lenda —, continua a ser ainda mais poderosa no Extremo Oriente. 

Até o Império do Meio, cujas belezas e grandiosidade são narradas por inúmeros exploradores, enfrenta este flagelo. Como a autoridade imperial é apenas aparente, regiões inteiras da China sofrem sob o jugo da pirataria — quando não são cúmplices dela. 

Conta-se que uma mulher, tão bela quanto cruel, reina de forma implacável sobre as águas meridionais do Mar da China. Milhares de homens serviriam a sua causa, e centenas de navios permitir-lhe-iam perpetrar as suas atrocidades. Mito ou realidade?

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Ficha técnica
Zheng Shi #2 - Madame Tsching
Autor: Jean-Yves Delitte
Editora: Arte de Autor
Páginas: 4, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 285 x 310 mm
PVP: 19,50€

Análise: Jane nas Nuvens

Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre - Arte de Autor

Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre

A editora Arte de Autor surpreendeu tudo e todos quando, há poucas semanas, fez saber que editaria uma nova coleção, intitulada Curtas de BD, que é composta por quatro livros, cada um com 32 páginas, editados em capa mole, e com a participação de autores sugestivos da banda desenhada como Jordi Lafebre, Pierre-Henry Gomont, Cristina Bueno ou Javi Rey. 

A coleção abre com este Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre, autor que tanto admiro e que do qual ainda está para vir o primeiro livro que não é do meu agrado. Obras como Verões Felizes, Apesar de Tudo, Brigada de Costumes, Lydie, Sou o Seu Silêncio ou Sou um Anjo Perdido ocupam um lugar muito especial na minha coleção de BD.

E este Jane nas Nuvens, embora seja uma obra de pequena dimensão, não me deixou minimamente defraudado. É um daqueles livros que conseguem criar um universo próprio em poucas páginas. A história apresenta-nos Jane Ground, uma jovem inglesa do início do século XIX que vive marcada pela narcolepsia, condição que a faz adormecer nos momentos mais inesperados. Mas longe de se resignar às limitações impostas pela sua doença ou, diria também, pelas convenções do seu tempo, Jane sonha com algo tão improvável quanto fascinante: aprender a voar de balão de ar quente. Para tal demanda, tem ao seu lado o seu amigo de infância, Timothy, alguém que é incapaz de tomar decisões e cuja personalidade é a perfeita antítese da energia destemida da protagonista.

Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Assim sendo, o voo que Jane e Timothy se propõem realizar, funciona sobretudo como uma metáfora da liberdade, da superação e da procura de identidade. Jane deseja, por um lado, elevar-se acima das limitações que a sociedade e o próprio corpo lhe impõem, enquanto Timothy procura libertar-se da insegurança que o acompanha. Se o conseguem ou não, terão que ler o livro. Apesar das escassas 32 páginas, Lafebre consegue criar uma boa história, com princípio, meio e fim(?), personagens memoráveis e ainda uma boa mensagem. 

Ainda assim, o reduzido número de páginas acaba por ser simultaneamente uma virtude e uma limitação. Se estivermos acostumados às narrativas mais longas do autor, é natural que sintamos que o livro termina demasiado depressa. A história está bem construída, funciona enquanto relato autónomo e oferece uma conclusão coerente, sim, mas permanece uma sensação de potencial por explorar. E senti que gostaria de passar mais tempo na companhia destas personagens e de aprofundar algumas das suas inquietações e sonhos.

Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
Se posso dizer algo menos positivo é que achei a personagem de Jane algo parecida com Eva Rojas, de Sou o Seu Silêncio ou Sou um Anjo Perdido. Talvez menos "louca", mas bastante parecida. Evidentemente, Jane possui traços próprios e uma personalidade distinta, mas certas atitudes, expressões e formas de encarar a vida evocam inevitavelmente essa personagem anterior. Não chega a constituir um problema sério, sobretudo porque Eva Rojas é uma das melhores criações de Lafebre, e uma personagem que eu adoro, mas gera uma ligeira sensação de déjà vu.

No plano gráfico, porém, temos um "prato cheio" em termos de qualidade. Os desenhos de Jordi Lafebre continuam absolutamente esplêndidos. Poucos autores contemporâneos possuem uma capacidade tão evidente para transmitir emoções através das expressões faciais das personagens. Bastam duas ou três vinhetas para compreendermos o estado de espírito de Jane ou Timothy, algo que revela um enorme domínio dos recursos narrativos da banda desenhada, por parte de Lafebre.

Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre - Arte de Autor
A expressividade das personagens é acompanhada por um sentido notável de composição visual. Os enquadramentos são cuidadosamente construídos, a planificação mantém um excelente ritmo de leitura e os cenários revelam um impressionante nível de detalhe. As cores merecem igualmente destaque. Lafebre recorre a uma paleta luminosa e acolhedora, capaz de transmitir simultaneamente a tranquilidade dos campos ingleses e a vertigem das alturas.

Neste livro em particular, o autor parece ter experimentado a utilização de algumas ferramentas digitais, mais perceptíveis na folhagem das árvores, na relva e no desenho dos céus e das nuvens, que inicialmente se estranha um pouco, mas que acaba por não funcionar mal.

Em termos de edição, o livro apresenta capa mole, brilhante e sem badanas, e, no miolo, o papel utilizado é brilhante e de boa qualidade. É um tipo de edição bastante incomum para a Arte de Autor, que normalmente edita livros em capa dura e com bastante requinte em termos de materiais, mas que se justifica e é bem-vindo, por ter claramente o intuito de chegar a um outro tipo de público e formar novos leitores. E, relembre-se, para um preço abaixo dos 12,00€, que é raro nos dias atuais, parece-me uma edição bem conseguida. Nota ainda, positiva, para a introdução do título da obra e do nome do autor na lombada. Parece um detalhe - e é -, mas para mim é um detalhe importante, pois permite que, quando arrumado, seja fácil de encontrar o livro em coleções grandes de banda desenhada. 

Em suma, Jane nas Nuvens confirma o enorme talento de Jordi Lafebre enquanto contador de histórias e autor gráfico. A verdade é que estas 32 páginas, que não são assim tão poucas quanto à primeira vista parecem, conseguem contar uma história completa, emocionante e visualmente deslumbrante. Pode deixar um certo sabor a pouco, mas talvez essa seja precisamente a melhor prova do sucesso da obra: quando termina, tudo o que apetece é continuar a voar ao lado de Jane.


NOTA FINAL (1/10):
8.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens dos álbuns. www.instagram.com/vinheta_2020


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Jane nas Nuvens, de Jordi Lafebre - Arte de Autor

Ficha técnica
Jane nas Nuvens
Autor: Jordi Lafebre
Editora: Arte de Autor
Páginas: 32, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 24
Lançamento: Outubro de 2026

As novidades da ASA para 2027!


A editora ASA já fez saber quais as suas novas apostas para o primeiro semestre de 2027!

Foi ontem, numa apresentação reservada aos media e a algumas livrarias, que a editora portuguesa deu a conhecer aquele que me parece um plano ambicioso, quer em termos de novas apostas, quer em termos de coerência editorial.

Sei que me estou a repetir, mas quero voltar a afirmar que a ASA é hoje uma editora que, além de nos trazer as séries clássicas - como Astérix, Lucky Luke, Tintin, Blake e Mortimer - também procurar sedimentar o seu catálogo com obras de grande relevância e com autores de renome internacional.

Não escondo, portanto, que estou super entusiasmado com este primeiro semestre da editora portuguesa!

Sem mais demoras, fiquem a conhecer, mais abaixo, as novidades da editora para 2027.