segunda-feira, 4 de maio de 2026

Kingpin prepara-se para editar o celebrado "Rare Flavours"!


Depois do fantástico As Muitas Mortes de Laila Starr, a dupla de autores formada pelo autor Ram V e pelo português Filipe Andrade, está de volta com a sua mais recente obra intitulada Rare Flavours - Uma Viagem aos Sabores de Rubin Baksh, um trabalho muito celebrado no mercado americano, que recebeu várias nomeações aos Prémios Eisners.

O livro terá lançamento oficial no Maia BD (no Fórum Maia), no próximo dia 23 de Maio, e contará com a presença dos dois autores. Haverá ainda uma exposição de originais do livro no Maia BD, com curadoria de Mário Freitas.

Esta é a primeira edição da Kingpin Books neste ano de 2026, o que é sempre algo de louvar.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.



Rare Flavours - Uma Viagem aos Sabores de Rubin Baksh, de Ram V e Filipe Andrade

A história fascinante de Rubin, um rakshasa demoníaco com o desejo terreno de tornar-se o novo Anthony Bourdain. Para alcançar a sua visão, Rubin recruta Mo - um aspirante a cineasta que já viu melhores dias - para documentar a mundialmente famosa cozinha indiana e as gentes por detrás de tal gloriosa comida. 

Mas Mo não sonha que Rubin é bem mais do que aparenta, e que os mortais desempenham um papel muito mais sombrio do que aquele para o que estão preparados.

Depois de “As muitas mortes de Laila Starr”, Ram V e Filipe Andrade estimulam o palato dos leitores com uma história que mistura o sobrenatural, a cozinha indiana e o mundo impiedoso dos chefes de cozinha que se tornam celebridades. 

Uma jornada épica da vida e dos seus significados mais profundos através da comida, e uma reflexão inteligente sobre a importância de abrandar e saborear essa vida.

Nomeado para as principais categorias dos Prémios Eisner norte-americanos.


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Ficha técnica
Rare Flavours - Uma Viagem aos Sabores de Rubin Baksh
Autores: Ram V e Filipe Andrade
Editora: Kingpin Books
Tradução, legendagem, design e edição: Mário Freitas
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 19,5 x 28 cm
PVP: 29,95€

Um Olhar Sobre a Comic Con 2026



Passada uma semana desde a Comic Con 2026, que este ano aconteceu no Europarque, em Santa Maria da Feira - um espaço que considero bastante adequado às necessidades do evento e que, portanto, merece uma nota positiva - trago-vos hoje a minha análise a este evento sui generis para o universo da banda desenhada.

E por muito que estas palavras possam não agradar a muita gente, tenho que vos ser sincero e dizer que a Comic Con Portugal se apresenta como um grande espelho do nosso tempo: um tempo guiado pela superficialidade, pelo ruído constante e pela ilusão de que quantidade é sinónimo de qualidade. O evento vende‑se como celebração da cultura pop, sim, mas rapidamente se percebe que essa “cultura” é reduzida a um conjunto de estímulos rápidos, fotografáveis e esquecíveis. De facto, tudo é pensado para o impacto imediato, para a partilha nas redes sociais, para a validação instantânea e raramente para a reflexão, para o aprofundamento ou para o respeito pelas raízes do que ali deveria ser celebrado: a banda desenhada.

Nesse sentido, e num evento que ostenta o nome "Comic Con" - que poderia ser traduzida como "Convenção de Banda Desenhada" -  a BD deveria ser o eixo central, o coração pulsante de toda a programação. E isso não acontece. Estive lá no sábado, durante várias horas, e pude constatar que a banda desenhada parece mais um item numa checklist de obrigações na programação do evento. Posso até dizer-vos, sem indicar o nome do autor, pois não me cabe a mim fazê-lo, que um dos autores estrangeiros com quem falei me disse mesmo que estava desiludido, pois não apreciava muito este tipo de eventos e que considerava que não deveria chamar-se "Comic Con", mas sim "Cosplay Con". Não poderia estar mais de acordo.

Por falar em autores, é verdade - e não me canso de reconhecê‑lo - que a Comic Con Portugal tem apresentado, ano após ano, o melhor lineup de autores de banda desenhada em território nacional. E este ano não foi exceção. Nenhum outro evento consegue - pelo menos no tempo atual - ter um cartaz que se aproxime (sequer) deste que, mesmo com a lamentável ausência de Frank Miller, incluiu, relembro, nomes importantes como Jason Aaron, Scott Snyder, John Romita Jr., Miguelanxo Prado, Bastien Vivès, Alicia Jaraba, Victor Pinel ou Jérôme Lereculey. Neste ponto, há que reconhecer que o trabalho da Organização é muito bem conseguido. Todos estes autores fizeram sessões de autógrafos e tiveram apresentações que lhes foram dedicadas. Algumas dessas apresentações, no grande auditório, estiveram bem compostas, mas outras estiveram verdadeiramente vazias. E isso é lamentável quando vemos pessoas a fazer filas para receber um tote bag de uma marca qualquer que nada tem que ver com banda desenhada. 

E talvez a "culpa" disto não seja inteiramente da Organização, reconheço. Talvez seja reflexo de todos nós e da sociedade que criámos. Aliás, isto é transversal a muitas outras coisas: quantas pessoas não vão a festivais de música sem terem real interesse nas bandas que lá tocam? Às vezes nem as conhecem. Estão no seu direito, claro, mas isso, quando amplificado, causa uma sensação de vazio no que está a ser apresentado. E cabe às Organizações dos eventos - diria eu que, tal como John Lennon, sou um sonhador - ser a garantia de um bom e relevante cuidado na qualidade da programação. E está visto que esse eco dos tempos superficiais em que vivemos se alastrou até aos eventos da banda desenhada, em particular este, o que faz com que a presença destes autores de renome mundial, já por mim referidos, pareça quase um paradoxo dentro do próprio evento. Os autores estão lá, sim, mas não no epicentro do evento. São convidados de luxo, mas sem o espaço estrutural que permita verdadeira proximidade entre as suas obras e os leitores.

Para os amantes da banda desenhada, este evento tem apenas isto: um excelente cartaz de autores, apresentações sobre a obra dos mesmos e a possibilidade de um autógrafo. Mas, de resto, o espetáculo é dominado por marcas, franchises e ativações publicitárias. E tudo isto com um preço nada "levezinho".

É particularmente frustrante verificar a ausência de um espaço digno para editoras venderem banda desenhada de forma consistente e valorizada. Num país onde o mercado já é pequeno e frágil, a Comic Con poderia - e deveria - funcionar como uma oportunidade única de contacto direto entre autores, leitores e livros. E bem sei que não são as editoras portuguesas que não querem lá ir. São os preços avultados que a Organização lhes pede para aí venderem os seus livros. Isto leva a quê? Bem, leva a que, compreensivelmente, os editores não tenham presença no evento. Posso dizer-vos que procurei  na área comercial do evento, os livros de alguns dos autores que estavam presentes e não encontrei quase nenhum livro. Havia lá a Wook e a FNAC a venderem alguns livros, sim, mas era uma oferta parca e, por incrível que pareça, com mais livros de literatura fantástica do que de banda desenhada. Em vez de espaços de editoras a vender livros de banda desenhada, o que encontrei foram stands esmagados por merchandising genérico.

Também não há qualquer tipo de exposição de trabalhos o que, volto a dizer, daria mais força ao evento. E para aqueles que consideram que "as exposições não encaixam bem neste tipo de eventos", tenho que discordar. Aliás, lembro-me que numa das edições da Comic Con no Meo Arena, julgo que em 2022, havia uma exposição da Nickelodeon dedicada aos desenhos animados do canal televisivo. Ora, isto só comprova que, havendo interesse, haveria possibilidade de o fazer. Em vez disso, temos coisas efémeras, descartáveis e montadas para ser percorridas em segundos e fotografadas antes de se seguir para a próxima fila ou para o próximo palco ruidoso. 

Os cosplayers, omnipresentes, são o verdadeiro símbolo do evento. Parece ser esse o enfoque da Comic Con. E atenção que nunca me vão ouvir dizer mal do cosplay. Nada tenho contra esta prática e até a acho totalmente legítima e criativa. No entanto, acho que a mesma acaba por ser instrumentalizada pelo próprio evento, enquanto mera decoração ambulante. Mais uma vez, a aparência sobrepõe-se ao conteúdo, com a fantasia/máscara/roupa da personagem a importar mais do que a obra.


Não é minha intenção denegrir minimamente a Comic Con com esta minha análise. Moderei duas conversas com dois autores, que acredito terem sido muito interessantes, e só tenho a agradecer à Organização - e em especial à generosa Maria José Pereira - pelo convite. Se faço estes reparos, é porque me parece que a Comic Con, com a dimensão que tem, poderia ser muito mais e muito melhor para o universo da banda desenhada. Nem digo que deixe de ter aquilo que já tem... mas que dê mais (muita mais) importância à banda desenhada, à criação da mesma, e ao próprio livro de banda desenhada.

Caso contrário, ficará sempre a sensação amarga de uma oportunidade desperdiçada. A Comic Con Portugal podia ser o grande motor da banda desenhada no país, um ponto de encontro real entre autores, editoras e leitores. Em vez disso, prefere cavalgar a onda da superficialidade contemporânea, apostando no espetáculo fácil e no consumo imediato. Pode ser um grande evento, mas continua muito longe de ser um grande evento de banda desenhada e isso, num contexto cultural tão frágil como o nosso, é mais do que uma falha: é uma escolha.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Bomba! Devir lança coleção "DC Pocket"!



A Devir acaba de anunciar que já no próximo mês de Maio nos vai trazer a sua nova coleçºao de banda desenhada que se intitula DC Pocket e traz-nos alguns clássicos da DC em formato reduzido! E também, já agora, em preço reduzido, visto que cada um destes livros custará apenas 10,00€. 

A abrir esta coleção estão os títulos Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo, e Batman - Cavaleiro Branco, de Sean Murphy, ambos já por cá publicados pela Levoir.

Acredito que esta coleção faz sentido, pois tem um caráter quase pedagógico de apresentar aos novos leitores alguns clássicos da DC e em preço reduzido. É claro que já estou a imaginar algum "choro" por serem obras já anteriormente publicadas em Portugal. No entanto, há que ter visão periférica e perceber a quem se destina a esta série, diria.

E, claro, se for possível a publicação futura de algum livro ainda não editado cá, melhor.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora.


DC POCKET

A Devir lança em Portugal, em maio de 2026, os primeiros títulos da coleção de enorme sucesso internacional DC Pocket, uma linha editorial que reúne algumas das histórias mais emblemáticas da DC Comics num formato compacto, integralmente a cores, portátil e acessível, pensada para responder a novos hábitos de leitura.

JOKER de Brian Azzarello e Lee Bermejo, é um romance gráfico intenso e sombrio que apresenta o Joker numa abordagem crua e realista. Com uma narrativa direta e uma arte marcante, é um clássico contemporâneo da DC, pensado para leitores que procuram histórias mais adultas e psicológicas.
132 páginas • 10,00€


BATMAN: CAVALEIRO BRANCO de Sean Murphy é uma reinterpretação moderna e aclamada do universo Batman. Numa história completa e independente, os papéis invertem-se quando o Joker recupera a sanidade e questiona publicamente os métodos do herói, levantando um debate atual sobre justiça, responsabilidade e poder em Gotham.
232 páginas • 10,00€

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ala dos Livros publica novo volume de Wild West!



Já se encontra nas livrarias o novo volume da série Wild West, dos autores Thierry Gloris e Jacques Lamontagne, intitulado A Lama e o Sangue.

Continuamos a acompanhar as personagens de Wild Bill, Calamity Jane e Charlie Utter, enquanto Bass Reeves recebe destaque neste quarto volume de Wild West.

Esta é uma série que, na sua edição original, já conta com cinco volumes, estando previsto que a mesma seja concluída com a publicação futura do sexto volume.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse desta obra publicada pela Ala dos Livros, e com algumas imagens promocionais da mesma.

Wild West #4 - A Lama e o Sangue, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

Ainda na pista do assassino, Wild Bill, Calamity Jane e Charlie Utter descobrem que o misterioso assassino, quando criança, foi provavelmente escalpelado por nativos americanos que também assassinaram os seus pais. 

Enquanto isso, Graham, o empregador do trio e chefe da Union Pacific, acolhe os Soldados Búfalo, soldados negros que contratou para proteger a ferrovia dos ataques indígenas. Uma minoria oprimida para subjugar nativos americanos?

A América, a terra da liberdade, não trata todos os seus filhos de forma igual... Mas a situação irá tornar-se ainda mais complexa quando os trabalhadores da via férrea dinamitarem um cemitério sagrado indígena...

Entre ficção, história e uma exploração intransigente do mito americano, a conclusão do incrível segundo díptico do Velho Oeste, carregado por um conjunto de personagens lendários.

Bass Reeves é a quarta lenda do Oeste na série Wild West, editada em Portugal pela Ala dos Livros.


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Ficha técnica
Wild West #4 - A Lama e o Sangue
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 17,50€