sexta-feira, 12 de junho de 2026

Análise: Os Trabalhadores do Mar

Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand - A Seita

Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand - A Seita
Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand

Uma das mais recentes apostas da editora A Seita é este Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand, que adapta para banda desenhada o clássico da literatura da autoria de Victor Hugo. Esta obra insere-se na coleção Nona Literatura que a editora portuguesa tem vindo a fortalecer aos poucos, sempre com livros de bela qualidade. 

É o caso desta obra que vos trago hoje, que me deixou extremamente bem impressionado!

Adaptado pelo francês Michel Durand, de quem, confesso, ainda não tinha lido nada, este Os Trabalhadores do Mar é uma obra que impressiona desde as primeiras páginas, não apenas pela sua ambição, mas pela intensidade com que se entrega ao espírito do romance original de Victor Hugo. Sente-se em cada uma das 168 páginas que compõem esta obra, um respeito profundo pelo texto original, mas também uma vontade clara de o reinventar - ou de lhe dar uma nova vida eloquente, se preferirem - através da linguagem própria da banda desenhada. É uma belíssima adaptação!

Antes de mais, importa sublinhar que a força da narrativa pertence, indiscutivelmente, a Victor Hugo. Não conhecia a obra original, mas rapidamente pude constatar que a história, de tom clássico e trágico, bem ao jeito de alguma da melhor literatura da época, é verdadeiramente impressionante. Que bela história, que belo enredo e que bela narrativa. Trata-se de um universo literário denso e apaixonado, uma história de grande fôlego em que a condição humana é testada até aos seus limites. É essa dimensão clássica, quase monumental, que esta adaptação de Michel Durand preserva com notável fidelidade.

Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand - A Seita
Falando-vos um pouco do enredo, sem querer revelar em demasia, a história decorre na ilha de Guernsey e centra‑se na personagem de Gilliatt, um homem solitário, afastado da comunidade local e envolto numa aura de mistério face aos habitantes daquela pequena localidade. Apaixonado por uma jovem da ilha e levado a acreditar na reciprocidade dos sentimentos desta perante si, acaba por aceitar o desafio - aparentemente impossível - de recuperar a máquina de um navio a vapor naufragado e preso de forma cirúrgica entre dois rochedos traiçoeiros, num ambiente completamente inóspito que é dominado pela violência do mar. Convém explicar que para os habitantes de Guernsey, este navio é verdadeiramente importante, pois é a única embarcação a motor  vapor que ali existe, o que permite ao seu dono, Mess Lethierry, prosperar. É por essa importância tão grande da embarcação que o velho Lethierry não se impede de prometer a mão da sua bela filha, Déruchette, ao homem que salvar o motor da embarcação que, aparentemente, se mantém intacto. É por isso que Gilliatt, um homem com pouco a perder e muito a ganhar, se põe a caminho destes rochedos com o objetivo de recuperar a famigerada máquina a vapor. Mais não conto sobre a história em si, já que esta tem alguns plot twists e um belíssimo texto que nos deixam bem agarrados a ela.

De forma mais global, uma coisa é certa: estamos perante uma história arquitetada como uma verdadeira epopeia individual, onde o confronto entre o ser humano e a natureza assume uma dimensão quase mítica. O isolamento, o esforço físico extremo e os constantes obstáculos transformam a jornada de Gilliatt numa prova de resistência, mas também numa viagem interior. Mais do que ser uma simples aventura marítima, esta história tem o condão de nos revelar a grandeza silenciosa de um indivíduo perante um mundo vasto, indiferente e muitas vezes cruel.

Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand - A Seita
É uma bela história, sem dúvida, mas também há que dar mérito à excelente adaptação de Michel Durand que nos dá uma história bem montada, e bem narrada, captando o inteligente e inspirado texto de Victor Hugo e sendo, para além de tudo isto, visualmente impressionante. O autor oferece-nos um elegante traço a preto e branco, que evoca a tradição da gravura, com um uso expressivo de tramas, sob a forma de hachuras, que conferem densidade, textura e profundidade às imagens. É um trabalho meticuloso verdadeiramente impressionante. A história flui depois com naturalidade, tornando-se acessível mesmo para quem não conhece o romance original, como era o meu caso, sem nunca abdicar da sua complexidade emocional.

Cada cena, cada personagem e cada ambiente são ilustrados com uma devoção e detalhe arrebatadores, mas é o mar - elemento central da narrativa, diga-se - aquilo que ganha uma presença quase física nas maravilhosas pranchas que nos são dadas por Durand. As ondas parecem mover-se, os rochedos impõem-se com peso e aspereza, e o ambiente transmite constantemente uma forte tensão entre beleza e perigo. É impossível não sentir o impacto dessa natureza em fúria. As cenas do mar são belas, por um lado, e ameaçadoras, por outro. 

Sem descurar minimamente a beleza poética de cada página deste livro, que é indiscutível, devo admitir, no entanto, que houve certas cenas no mar, na parte em que Gilliatt tenta resgatar a máquina de vapor da embarcação encalhada, em que tive alguma dificuldade em perceber o que estava ali a acontecer. Talvez nessas partes em que o fulgor do mar era demasiadamente grande, o detalhe na ilustração devesse ter sido simplificado de alguma forma, diria.

Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand - A Seita
Mas isto é um detalhe pequeno, ainda assim, pois cada ilustração, seja grande ou pequena, é trabalhada com um cuidado incrível, havendo uma atenção ao detalhe que não se limita ao virtuosismo técnico, mas que revela uma sensibilidade artística profundamente envolvente. Diria mesmo que em vez de ter ficado preso a uma função meramente ilustrativa, Michel Durand foi além disso e estabeleceu aquilo a que podemos considerar como uma boa simbiose com o universo criado por Victor Hugo, conseguindo o feito de deixar a história fluir com naturalidade, tornando-a acessível mesmo para quem não conhece o romance original - como era o meu caso -, mas sem que isso leve a narrativa a abdicar da sua complexidade emocional.

Em termos de edição, estamos perante um trabalho superlativo d' A Seita. O livro é editado em grande formato - o mesmo grande formato dos livros da mesma coleção dos irmãos Brizzi - e a capa dura é baça, com detalhes a verniz. No interior, o papel é brilhante e a encadernação, impressão e acabamentos são bastante bons. No final, há ainda um extenso caderno com 16 páginas de extras, em que podemos encontrar vários esboços de Durand e uma longa e peculiar entrevista com este que é conduzida por Christelle Pissavy-Yvernault.

Sobre a coleção Nona Literatura, tenho que fazer um louvor ao trabalho da editora. Depois dos belos livros de Georges Bess (Drácula, Frankenstein e O Corcunda de Notre Dame) e dos irmãos Brizzi (Dom Quixote de la Mancha e O Inferno de Dante), este Os Trabalhadores do Mar não lhes fica nada atrás e ajuda a sedimentar a relevância e bela curadoria desta coleção d' A Seita.

Em suma, a adaptação de Michel Durand de Os Trabalhadores do Mar impõe‑se como uma obra de rara intensidade e beleza, onde a fidelidade ao espírito de Victor Hugo se alia a uma expressão gráfica profundamente pessoal e arrebatadora. Mais do que uma simples transposição, trata‑se de uma recriação viva e pulsante, em que cada página respira poesia, esforço e grandiosidade. Eis um dos livros mais bonitos do ano e com uma história bem poderosa que se afirma como altamente recomendável!


NOTA FINAL (1/10):
9.7


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Os Trabalhadores do Mar, de Michel Durand - A Seita

Ficha técnica
Os Trabalhadores do Mar
Autor: Michel Durand
Adaptado a partir da obra original de: Victor Hugo
Editora: A Seita
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 340mm
Lançamento: Março de 2026

Hoje há lançamento de mais uma novela gráfica da Levoir!




Decorre hoje, na Feira do Livro de Lisboa, às 18h00, no Auditório Sul, uma apresentação do livro Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé. Depois da apresentação, haverá uma sessão de autógrafos com os autores, que também marcarão presença no evento, juntamente com a editora da Levoir, Silvia Reig.

Este que é o terceiro volume da nova Coleção de Novelas Gráficas da editora, já deverá estar à venda na Feira do Livro no dia de hoje, sendo depois lançado, a nível nacional, na próxima sexta-feira, dia 19 de Junho, com o jornal Público

Falando-vos um pouco da história deste Dez Mil Elefantes, posso adiantar que esta é uma história que nos leva à Guiné Equatorial, durante o período da colonização espanhola, com base numa expedição organizada por Franco em 1944. É uma história que recupera fotografias e cartas de Manuel Hernández Sanjuán, bem como o testemunho de Ngono Mbà, um dos participantes africanos nesta expedição, o que permite cruzar a visão do colonizador e do colonizado.

Ala dos Livros completa a coleção de O Mercenário!



Já está disponível o 14º e último volume da série O Mercenário, de Vicente Segrelles!

Eis mais uma série de BD finalizada! Cada vez mais, o fantasma das séries incompletas que assolou a nossa edição... é uma coisa do passado! 

No caso concreto, esta série recebeu uma edição verdadeiramente luxuosa e carregada de extras apetecíveis para qualquer fã.

Por tudo o que foi alcançado, deixo os meus louvores à editora Ala dos Livros.

Deixo-vos, mais abaixo, com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

O Mercenário #14, de Vicente Segrelles

Nestas páginas, narradas em prosa e com 24 ilustrações a página inteira, descobriremos o que aconteceu ao pérfido Claust, qual será o fim do País das Nuvens Permanentes e o que acontecerá aos nossos amigos do Mosteiro da Cratera.

Uma história emocionante, ao sabor das histórias antigas e um grande fim para uma colecção com mais de 35 anos de existência, que marca a história da Banda Desenhada de fantasia e da ilustração.

Como suplemento, em homenagem à origem desta banda desenhada, este álbum inclui ainda uma história curta de dez páginas com o título “A Evidência”.

Obra-prima da banda desenhada de fantasia, “O Mercenário” é uma série essencial que ressurge numa edição última, revista e aumentada.

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Ficha técnica
O Mercenário #14
Autor: Vicente Segrelles
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 64, a cores
Encadernação: 235 x 310 mm
PVP: 23,90€

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Análise: O Cheiro Dele Depois da Chuva

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera

Vou começar por dizer uma coisa: quando soube que a Arte de Autor iria editar este livro em Portugal, senti um arrepio. Deixem-e recuar um pouco no tempo e falar-vos duma história pessoal.

No ano passado, em pleno Amadora BD, recebi um telefonema da minha mulher a dizer para ir para casa, pois o nosso cão Quixote, o meu melhor amigo dos últimos anos, estava a finar-se. Já sabíamos que ele estava doente, com um cancro nas supra-renais já diagnosticado, que era tratado com cuidados paliativos, mas a verdade é que, até àquele dia, a sua vida era feita de forma tão normal quanto possível, sem que ele estivesse em sofrimento. Mas, infelizmente, os cães têm este defeito - talvez o único? - de terem vidas curtas quando comparadas com as nossas. O nosso Quixote acompanhou-nos, a mim e a minha mulher, e às duas filhas que entretanto chegaram, durante 14 anos e meio, tendo estado sempre presente nos momentos-chave dessa década e meia. Perdê-lo custou muito, como devem imaginar.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
Portanto, quando soube de lançamento deste livro, sobre a relação de um homem com o seu cão, fiquei com uma enorme vontade de o ler, por um lado, e com receio de mergulhar nesta leitura, por outro. 

Esta banda desenhada da autoria de José Luis Munuera resulta da adaptação da obra original de Cédric Sapin-Defour que, em França, alcançou o feito de mais de um milhão de exemplares vendidos.

Este O Cheiro Dele Depois da Chuva é um relato profundamente íntimo e sensível sobre a relação que o autor construiu com o seu cão, Ubac. Mais do que uma simples história sobre um animal de estimação, o livro mergulha na forma como essa ligação se torna central na vida do autor, influenciando o seu quotidiano, os seus pensamentos e até a sua identidade. 

É uma história simples e escorreita, que não procura ser lamechas, mas antes demonstrar a beleza da presença e das pequenas rotinas partilhadas, revelando como o vínculo entre um humano e um animal pode ser tão intenso quanto qualquer relação humana.

À medida que Ubac envelhece, a narrativa ganha uma tonalidade mais melancólica, explorando de forma honesta e poética a inevitabilidade da perda. O autor aborda o luto com grande sensibilidade, captando a dor, mas também a gratidão por tudo o que foi vivido. 

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
José Luis Munuera - de quem a Arte de Autor já por cá publicou Um Conto de Natal, Bartleby, o Escriturário, A Corrida do Século e Peter Pan de Kensington - dá-nos aqui aquele que, quanto a mim, passa a ser o melhor livro do autor publicado em Portugal. Talvez por ser uma história simples, mas carregada de emoção e contemplação, sem que isso seja um pretexto para uma dramatização em excesso.

Acompanhamos a vida de um homem de meia idade, Cédric, um professor de educação física, que vive sozinho, de forma desprendida, e que decide adotar um Cão da Montanha de Berna, a quem dá o nome de Ubac. A partir daí, a história de Cédric deixa de ser vivida de forma tão solitária e Ubac passa a estar nos momentos mais importantes da sua vida. Daí a conhecer uma mulher por quem se apaixona, por fazer alterações drásticas na sua profissão e localidade onde vive, é apenas um pequeno passo natural.

É possível que quem leu ou viu Marley e Eu, de John Grogan, encontre alguns pontos em comum com este O Cheiro Dele Depois da Chuva. Todavia, são histórias algo diferentes na abordagem. Este livro de que vos falo tem um tom mais contemplativo, quase poético, que não convida tanto às gargalhadas nem às lágrimas, como o famosíssimo Marley e Eu, embora, ainda assim seja pontuado por alguns momentos mais divertidos ou mais emocionantes.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
Munuera parece particularmente inspirado, oferecendo-nos um trabalho que nos faz sentir a ideia da obra original, através de um belo texto em monólogo - possivelmente captando o texto original de Cédric Sapin-Defour - e de ilustrações cativantes e poéticas, que além de nos contarem a história, nos fazem senti-la através dos silêncios, dos enquadramentos e dos ritmos visuais lentos - mas nunca enfadonhos - que surgem em cada página.

O traço de Munuera assume aqui um papel determinante. Com uma linha equilibrada, semi-realista e subtil, o autor consegue captar tanto a expressividade das personagens quanto a atmosfera dos espaços naturais que atravessam a obra. Há uma contenção muito eficaz no desenho: nada é excessivo, mas tudo está carregado de intenção, permitindo que o leitor projete as suas próprias emoções nas cenas.

A cor, trabalhada por Sedyas, reforça essa capacidade evocativa. As tonalidades são ricas sem nunca se tornarem excessivas, criando ambientes que oscilam entre o conforto e a melancolia. Há uma sensibilidade cromática que acompanha o estado emocional da narrativa, sublinhando as transições do tempo e, sobretudo, da vida.

A estrutura da obra, dividida em sete partes que percorrem treze anos de convivência entre Cédric e Ubac, é particularmente feliz. Cada segmento funciona quase como um fragmento autónomo, que vai assinalando momentos relevantes na vida do protagonista. E convém aqui explicar que esses momentos relevantes até podem não ser "grandes acontecimentos". Por vezes, até são os gestos aparentemente insignificantes, como um passeio, um olhar ou uma rotina partilhada, aquilo que constrói verdadeiramente uma relação. E é precisamente nessa atenção ao detalhe que a obra encontra a sua verdade, mostrando como os laços mais fortes se tecem a partir de pequenas repetições.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
A questão do apego e da perda entre dono e cão surge de forma inevitável, claro, mas não é um assunto que seja explorado em termos dramáticos até à exaustão. Para quem já passou pela perda de um companheiro de quatro patas, o impacto pode ser verdadeiramente intenso. Ainda assim, importa sublinhar que a obra nunca resvala para o sentimentalismo fácil. É comovente, sim, mas mantém sempre uma elegância emocional que a distingue de narrativas mais "manipuladoras". 

É difícil explicar racionalmente porque nos ligamos tanto a um animal, mas a obra consegue tornar essa ligação compreensível através da experiência sensível que nos oferece. E quando chega o momento da despedida, o vazio que fica é grande, mas também é grande a sensação de plenitude de uma vida cheia que tivemos e que devemos guardar, com carinho, nas nossas memórias. 

Há também uma dimensão universal que atravessa toda a obra. Embora se centre numa relação muito específica, ela acaba por falar de algo maior: o amor, o tempo, a memória e a inevitabilidade da perda.

A edição da Arte de Autor é em capa dura, de textura aveludada e com detalhes a verniz. No miolo, o livro apresenta bom papel baço, boa impressão, boa encadernação e bons acabamentos. Há ainda um posfácio do autor do romance original, Cédric Sapin-Defour, que enaltece a adaptação para banda desenhada de José Luis Munuera.

Em suma, O Cheiro Dele Depois da Chuva deixa-nos com a sensação de termos lido algo verdadeiramente especial. Uma história de amor profundamente tocante, que aquece e aperta o coração ao mesmo tempo. Sensível sem ser piegas, sincera sem ser adornada, bela sem ser demasiado plástica, esta obra é um belo livro que nos lembra do quão importantes são as relações que temos com os nossos amigos de quatro patas.


NOTA FINAL (1/10):
9.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor

Ficha técnica
O Cheiro Dele Depois da Chuva
Autor: José Luis Munuera
Adaptado a partir da obra original de: Cédric Sapin-Defour
Editora: Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 cms
Lançamento: Maio de 2026