quinta-feira, 30 de abril de 2026

Bomba! Devir lança coleção "DC Pocket"!



A Devir acaba de anunciar que já no próximo mês de Maio nos vai trazer a sua nova coleçºao de banda desenhada que se intitula DC Pocket e traz-nos alguns clássicos da DC em formato reduzido! E também, já agora, em preço reduzido, visto que cada um destes livros custará apenas 10,00€. 

A abrir esta coleção estão os títulos Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo, e Batman - Cavaleiro Branco, de Sean Murphy, ambos já por cá publicados pela Levoir.

Acredito que esta coleção faz sentido, pois tem um caráter quase pedagógico de apresentar aos novos leitores alguns clássicos da DC e em preço reduzido. É claro que já estou a imaginar algum "choro" por serem obras já anteriormente publicadas em Portugal. No entanto, há que ter visão periférica e perceber a quem se destina a esta série, diria.

E, claro, se for possível a publicação futura de algum livro ainda não editado cá, melhor.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora.


DC POCKET

A Devir lança em Portugal, em maio de 2026, os primeiros títulos da coleção de enorme sucesso internacional DC Pocket, uma linha editorial que reúne algumas das histórias mais emblemáticas da DC Comics num formato compacto, integralmente a cores, portátil e acessível, pensada para responder a novos hábitos de leitura.

JOKER de Brian Azzarello e Lee Bermejo, é um romance gráfico intenso e sombrio que apresenta o Joker numa abordagem crua e realista. Com uma narrativa direta e uma arte marcante, é um clássico contemporâneo da DC, pensado para leitores que procuram histórias mais adultas e psicológicas.
132 páginas • 10,00€


BATMAN: CAVALEIRO BRANCO de Sean Murphy é uma reinterpretação moderna e aclamada do universo Batman. Numa história completa e independente, os papéis invertem-se quando o Joker recupera a sanidade e questiona publicamente os métodos do herói, levantando um debate atual sobre justiça, responsabilidade e poder em Gotham.
232 páginas • 10,00€

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ala dos Livros publica novo volume de Wild West!



Já se encontra nas livrarias o novo volume da série Wild West, dos autores Thierry Gloris e Jacques Lamontagne, intitulado A Lama e o Sangue.

Continuamos a acompanhar as personagens de Wild Bill, Calamity Jane e Charlie Utter, enquanto Bass Reeves recebe destaque neste quarto volume de Wild West.

Esta é uma série que, na sua edição original, já conta com cinco volumes, estando previsto que a mesma seja concluída com a publicação futura do sexto volume.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse desta obra publicada pela Ala dos Livros, e com algumas imagens promocionais da mesma.

Wild West #4 - A Lama e o Sangue, de Thierry Gloris e Jacques Lamontagne

Ainda na pista do assassino, Wild Bill, Calamity Jane e Charlie Utter descobrem que o misterioso assassino, quando criança, foi provavelmente escalpelado por nativos americanos que também assassinaram os seus pais. 

Enquanto isso, Graham, o empregador do trio e chefe da Union Pacific, acolhe os Soldados Búfalo, soldados negros que contratou para proteger a ferrovia dos ataques indígenas. Uma minoria oprimida para subjugar nativos americanos?

A América, a terra da liberdade, não trata todos os seus filhos de forma igual... Mas a situação irá tornar-se ainda mais complexa quando os trabalhadores da via férrea dinamitarem um cemitério sagrado indígena...

Entre ficção, história e uma exploração intransigente do mito americano, a conclusão do incrível segundo díptico do Velho Oeste, carregado por um conjunto de personagens lendários.

Bass Reeves é a quarta lenda do Oeste na série Wild West, editada em Portugal pela Ala dos Livros.


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Ficha técnica
Wild West #4 - A Lama e o Sangue
Autores: Thierry Gloris e Jacques Lamontagne
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 17,50€

Análise: Um Feiticeiro de Terramar

Um Feiticeiro de Terramar, de Fred Fordham - Relógio D' Água

Um Feiticeiro de Terramar, de Fred Fordham - Relógio D' Água
Um Feiticeiro de Terramar, de Fred Fordham

Foi durante este mês de Abril que a editora Relógio D'Água editou a adaptação para banda desenhada de Um Feiticeiro de Terramar. A obra original é da autoria de Ursula K. Le Guin e o autor responsável por esta adaptação para a 9ª arte é Fred Fordham, que já nos havia dado as obras Mataram a Cotovia e Admirável Mundo Novo. Ambas adaptações para BD de obras de literatura e ambas editas por cá pela Relógio D' Água.

Embora conhecesse a obra Um Feiticeiro de Terramar e a autora Ursula K. Le Guin de nome, nunca tinha lido esta obra, nem nada da autora, pese embora o seu nome e o seu reconhecimento dentro da literatura de fantasia seja muito grande.

Um Feiticeiro de Terramar acompanha a infância e formação de Ged, um rapaz nascido na ilha de Gont que descobre possuir um grande talento natural para a magia. Inicialmente orgulhoso e impulsivo, Ged aprende feitiçaria com um mago local. Devido ao seu enorme potencial para as feitiçarias, Ged acaba por trocar os ensinamentos desse mago local por aqueles lecionados na Escola de Magos da ilha de Roke. Aí, estuda as leis profundas da magia, sobretudo a importância do verdadeiro nome das coisas. O que achei curioso é que a magia e controlo dos elementos da natureza, como o estado do tempo ou os comportamentos dos animais, por exemplo, advenha desse conhecimento da linguagem mágica, ou seja, da palavra que controla cada coisa que o mágico pretende controlar. Se um mágico procura controlar, por exemplo, um corvo, tem que saber a palavra mágica própria para que consiga controlar esse animal. É por isso que há muito que estudar e aprender naquela escola que, com as devidas distâncias, até nos pode remeter para a Hogwarts, de Harry Potter.

Um Feiticeiro de Terramar, de Fred Fordham - Relógio D' Água
Apesar do ensino rigoroso que é dado nesta Escola de Magos, o orgulho de Ged leva-o a cometer um ato proibido, pois ao tentar mostrar a sua superioridade sobre outro estudante, Ged liberta uma sombra maligna no mundo. E é a partir desse exato momento que a história se transforma numa jornada pessoal. Essa sombra passa a persegui‑lo, representando tanto um perigo real quanto o reflexo dos seus próprios medos e falhas. Ged vagueia pelo reino de Terramar, um local repleto de numerosas ilhas e muita água, tentando de alguma forma combater esta sombra das trevas que, sem querer, acabou por libertar. Mas qual será então o verdadeiro poder de um feiticeiro? O de fazer feitiços ou o do auto-conhecimento? Terão que ler a obra para responder a esta questão.

A adaptação de Fred Fordham traz consigo um tom meditativo, simbólico e íntimo bem explanado pela linguagem visual contida e poética das ilustrações. O traço de Fordham é deliberadamente simples e suave, evitando o excesso de detalhe. Esta escolha estética está intimamente ligada à filosofia da própria história, que valoriza o equilíbrio, a humildade e a moderação. De facto, os desenhos limpos e suaves de Fordham, bem como vários enquadramentos amplos, contribuem para uma leitura contemplativa, em perfeita sintonia com o carácter introspectivo da viagem de Ged.

Um Feiticeiro de Terramar, de Fred Fordham - Relógio D' Água
O uso da cor é outro elemento que merece menção. Predominam tons terrosos, azuis suaves e uma paleta contida, que evoca simultaneamente a naturalidade do arquipélago de Terramar e a sobriedade do universo mágico. Não tenho dúvidas de que é neste Um Feiticeiro de Terramar que Fordham se revela inspirado como nunca. Do ponto de vista visual, e tendo em conta os livros Mataram a Cotovia e Admirável Mundo Novo, é este o seu melhor trabalho. Ainda que, como um todo, eu tenha preferido o belíssimo Mataram a Cotovia.

Sendo Um Feiticeiro de Terramar uma obra com vários momentos de ilustração que achei arrebatadores, nem tudo é perfeito. É verdade que, por vezes, as personagens são pouco expressivas. Noutros casos, podem ser dificilmente reconhecíveis, o que fragiliza o fio condutor da narrativa. Também há alguns problemas com as cores das ilustrações quando os ambientes ilustrados são mais escuros, como no caso em que a ação decorre no interior de casas ou nas alturas em que o relato acontece de noite. Isto torna certas ilustrações algo ilegíveis, de tão escuras que ficam. Primeiro, ainda achei que a "culpa" de isto acontecer era da edição da Relógio D'Água, que tinha deixado as páginas muito escuras. No entanto, fui procurar páginas de edições estrangeiras e cheguei à conclusão de que acontecia o mesmo fenómeno. Ou seja, as imagens acabam por ser bastante escuras em vários momentos, o que é uma pena.

Um Feiticeiro de Terramar, de Fred Fordham - Relógio D' Água
Mesmo assim, nas vezes em que a ação decorre ao ar livre - e felizmente isso acontece na maioria das páginas da obra - Fred Fordham oferece-nos magníficas vistas, com vários momentos e imagens que ficam na nossa mente muito depois de fecharmos o livro. Imagino que, se daqui a alguns anos, alguém me falar deste livro, prontamente se formará na minha mente uma imagem do nosso Ged envolvo por verdejantes montes e/ou azuladas ondas marinhas. É um daqueles livros em que, em termos visuais, quando funciona, funciona muitíssimo bem... mas quando não funciona, também o faz de forma inglória.

De resto, a edição da Relógio D'Água apresenta-se sólida. A capa é mole, baça e com badanas. No interior, o papel utilizado é brilhante e de boa qualidade. A encadernação também está bem feita. Quanto à impressão - e tal como referi no parágrafo anterior - a mesma me parece boa, pois o facto de haver páginas demasiado escuras está mais relacionado com a obra original do que com a impressão portuguesa da obra.

Em suma, a adaptação de Um Feiticeiro de Terramar para banda desenhada é um exemplo notável de como um clássico literário pode ser transposto para outro meio sem perder identidade nem profundidade. O resultado é um livro belo, equilibrado e profundamente humano, que confirma Terramar como um espaço de reflexão sobre identidade, responsabilidade e maturidade. É uma obra que confirma que a fantasia pode ser silenciosa, séria e profundamente humana.


NOTA FINAL (1/10):
8.3


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Um Feiticeiro de Terramar, de Fred Fordham - Relógio D' Água

Ficha técnica
Um Feiticeiro de Terramar
Autor: Fred Fordham
Adaptação a partir da obra original de Ursula K. Le Guin
Editora: Relógio D'Água
Páginas: 288, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Lançamento: Abril de 2026

Blacksad está de volta!




A pouco e pouco, a Ala dos Livros vai-se aproximando da conclusão da sua edição de luxo da série Blacksad!

A editora acaba de lançar o quarto volume da série, intitulado O Inferno, O Silêncio, que é um dos meus preferidos! Se bem que, tenho que reconhecer, eu gosto muito de todos os álbuns e sou um grande fã desta série criada por Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido.

Com a publicação deste quarto volume, fica apenas a faltar a publicação do quinto, Amarillo. Recordo que a série ainda conta com o díptico Então, tudo cai (6+7) que embora a editora já tenha publicado em formato normal, talvez venha a ser inserido nesta edição de luxo, reunindo os volumes 6 e 7 num só volume e apresentando as características físicas dos restantes livros. Mas cada coisa a seu tempo.

Digo-vos ainda que esta edição de luxo, para além de ter lombada em tecido (com cada um dos volumes a contribuir para uma ilustração conjunta na lombada), ainda inclui a História das Aguarelas, onde Junanjo Guarnido nos leva numa viagem explicada, em género de making of, a todo o processo de criação da obra. É uma edição verdadeiramente espetacular, garanto-vos. 

Daqueles livros que uma boa estante de banda desenhada deve possuir.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Blacksad #4 - O Inferno, O Silêncio, de Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido

Nova Orleães, década de 1950, onde as celebrações do Carnaval estão ao rubro. 

Graças a Weekly, um produtor de jazz chamado Faust conhece Blacksad. Faust pede a este último que assuma um caso: um dos seus músicos, o pianista Sebastian, desapareceu. Não há notícias dele há meses, pondo em risco a editora particular que só tem aquela estrela. Faust teme que Sebastian tenha, com demasiada frequência, caído no vício da droga. O seu pedido é ainda mais urgente, pois Faust sabe que tem cancro.

Blacksad aceita a missão e, aos poucos, descobre que Faust não lhe contou tudo. Percebe que está a ser manipulado, mas decide, mesmo assim, encontrar Sebastian para perceber os motivos do seu desaparecimento. Mas o que ainda não sabe é que está prestes a viver a sua investigação mais angustiante, em mais do que um sentido.

Blacksad é uma série de culto, cujo protagonista principal é um gato que se movimenta num universo antropomórfico e cuja acção decorre nos Estados Unidos, nos anos de 1950, num ambiente que evoca o romance negro e a literatura americana. Com os desenhos fulgurantes - e cores sublimes - assinados por Juanjo Guarnido, a força de Blacksad reside também na qualidade das suas histórias, que contam com o argumento de Juan Diaz Canales. Inicialmente publicado em 2005, este é o quarto volume desta série de culto, publicada em Portugal pela Ala dos Livros.

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Ficha técnica
Blacksad #4 - O Inferno, O Silêncio
Autores: Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 104, a cores
Encadernação: Capa dura com lombada em tecido
Formato: 235 x 310 mm
PVP: 29,90€