quarta-feira, 1 de julho de 2026

Vinheta 2020 tem nova imagem feita por autor nacional!



Assim tem sido desde que comecei este projeto: muda o semestre e muda a imagem do blog Vinheta 2020!

Então, para início deste segundo semestre de 2026, que começa hoje, a nova imagem deste espaço foi gentilmente feita pelo Pedro N., um dos autores do muito - e justamente - aplaudido Tales From Nevermore.

Para a imagem do blog, Pedro N. desenhou de modo verdadeiramente espetacular a incontornável personagem de Sandman, criada por Neil Gaiman.

O autor junta-se assim ao belo conjunto de autores que já ilustraram a imagem do Vinheta 2020: João Mascarenhas, Xico Santos, Diogo Carvalho, Paulo J. Mendes, Jorge Coelho, Henrique Gandum, Daniel Maia, Joana Afonso, Ricardo Santo, Luís Louro, Osvaldo Medina e Telmo Estrelado.

Obrigado, Pedro N.!

Análise: Três Irmãs

Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - A Seita

Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - A Seita
Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska

Uma das novidades mais curiosas - pela originalidade do projeto, diria - foi a recente aposta da editora A Seita numa nova coleção que procura editar obras de autores polacos e que goza de uma parceira entre a editora portuguesa e a editora polaca Timof Comics e o Festival Internacional de Comics de Łódź. A coleção chama-se Bursztyn/Âmbar e já inclui três obras editadas por cá: Heksa: A Bruxa, de Kasia Witterscheim e Xulm; Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski; e este Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska.

Sem qualquer referência sobre a obra ou sobre a autora, foi com curiosidade que parti para esta leitura que nos conta a história de três irmãs que se veem obrigadas a viver sozinhas depois da morte precoce dos seus pais. Uma delas, Olza, é maior de idade, Lena tem 17 anos e a mais nova das irmãs, Dominika, sofre da "Doença de Werdurski", uma doença degenerativa que faz com que a pequena Domi não possa falar, nem andar, tendo que passar a totalidade dos seus dias na cama e a requerer de cuidados continuados. As duas irmãs mais velhas tentam conciliar o trabalho com os cuidados prestados a Domi. A vida não se lhes afigura fácil, mas num dia recebem a notícia que beneficiarão de uma herança de uma tia afastada. Isto permite às irmãs contemplarem a hipótese de colocarem Dominika num centro de reabilitação.

Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - A Seita
Mas esta hipótese não será fácil de alcançar por diversos motivos que não vos revelo, para não vos estragar o prazer da leitura.

Desde o início, a autora mergulha-nos num ambiente de instabilidade e perda, criando uma narrativa que oscila entre a dureza da realidade e a resiliência das personagens, principalmente de Lena. Ao mesmo tempo, mostra-nos como a divergência entre as irmãs mais velhas acaba por afetar as suas vidas, quer a nível amoroso, quer a nível profissional, quer a nível de relacionamento familiar ou quer a nível de projeções futuras. É, aliás, natural que uma situação tão delicada como uma doença degenerativa deste nível faça surgir tensões inevitáveis que se revelam perante a adversidade.

Uma das características mais marcantes do livro é a forma como Poszepczyńska constrói as personagens. Cada irmã possui uma identidade própria, com traços psicológicos bem definidos, o que permite ao leitor compreender as suas escolhas e conflitos internos. Essa individualização reforça a credibilidade da narrativa.

Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - A Seita
Todavia, como ponto menos positivo, senti em vários momentos que certos eventos na história são ali colocados um pouco "à força" - como, por exemplo, a questão da herança - fazendo com que os mesmos sejam meras muletas narrativas, com o propósito único de levar a história para onde a autora pretende. Mas, lá está, são algo forçadas, o que retira alguma credibilidade ao todo. Aliás, a primeira parte da história até me estava a deixar um pouco consternado com a mesma, devo admitir. Felizmente, porém, creio que, algures a meio do livro, a autora agarra melhor o enredo, centrando-se naquilo que importa e acabando por nos dar um livro bom.

Quanto aos desenhos, Anna Poszepczyńska apresenta-nos um estilo de traço bastante moderno e agradável. Por vezes, o desenho pode parecer demasiadamente pouco aprumado, uma vez que é especialmente assente no esquisso - sendo até frequente que várias personagens não apresentem narizes, bocas ou olhos em planos mais afastados - o que até poderia sugerir que estamos mais próximos de um storyboard do que de uma arte final, tal não é a velocidade e simplicidade do traço. Os cenários também se apresentam algo vazios e portadores de poucos detalhes. Contudo, com a colocação das suaves e agradáveis cores nos desenhos, a experiência acaba, ainda assim, por funcionar. 

Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - A Seita
E há que dizer que, em termos de expressividade, Anna Poszepczyńska é exímia na concepção das suas personagens. E isso seria algo obrigatório para que nós, leitores, pudéssemos criar empatia e proximidade com as vivências destas três irmãs. O que acontece facilmente. Cada olhar, cada sorriso, cada expressão de desespero ou esperança é aqui representada de um modo muito convincente.

Este é um daqueles livros que poderia verdadeiramente ter sido "espetacular". Mas pelos motivos que aponto acima, nomeadamente o facto da história poder ter sido mais bem arquitetada ou pela existência de desenhos que poderiam ser mais aprimorados, não o é. É uma daquelas obras que acaba por ser inglória, pois sente-se que havia potencial para criar algo mais grandioso. Embora, claro, seja uma boa leitura que vos recomendo a fazer. E concedo que, especialmente mais para o final, a obra revela-se interessante e valiosa, deixando-nos com uma boa experiência. Gostei particularmente como a autora resolveu e concluiu a história, de modo realista e, ao mesmo tempo, impactante.

A edição é em capa mole baça, com badanas, e bom papel baço no miolo. A encadernação e a impressão também estão bem feitas. No final, há três páginas com esboços e estudos de personagens.

Em suma, Três Irmãs é uma obra tocante e sensível sobre os sacrifícios e as escolhas que fazemos - ou que nos vemos forçados a fazer - para apoiar aqueles que nos são próximos, mesmo que isso, muitas vezes, nos afaste da caminhada que havíamos pensado para nós mesmos. É um livro agradável, que merece ser lido, mesmo que, com um pouco mais de trabalho da autora, pudesse ter ficado ainda melhor.


NOTA FINAL (1/10):
7.8



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Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - A Seita

Ficha técnica
Três Irmãs
Autora: Anna Poszepczyńska
Editora: A Seita
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 170 x 240 mm
Lançamento: Março de 2026



Análise: A Aranha de Mashhad


A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão Desconhecido, de Mana Neyestani

Foi com este A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão Desconhecido, de Mana Neyestani, que a editora Levoir iniciou a sua mais recente Coleção de Novelas Gráficas. Uma boa escolha, parece-me, tendo em conta que já é um autor conhecido dos portugueses - tendo a mesma editora lançado anteriormente as belas obras Uma Metamorfose Iraniana e Os Pássaros de Papel. Mana Neyestani é mais um dos autores que se juntam ao coro de vozes que procuram dar destaque às práticas político-sociais presentes no Irão. 

Depois de, em Uma Metamorfose Iraniana, o autor nos ter dado um sentido e marcante relato biográfico onde ficámos a conhecer a história real que levou ao seu encarceramento de apenas e só porque publicou um cartoon que não caiu nas boas graças de outrem; e de, em Os Pássaros de Papel, o autor ter abordado a situação que se vive nas montanhas do Curdistão iraniano, na fronteira com o Iraque, em que são efetuadas perigosas expedições de transporte por pessoas extremadamente pobres que se veem forçadas, para obter algum dinheiro, a transportar às costas, em "mochilas" verdadeiramente gigantes, muitos materiais contrabandeados; este A Aranha de Mashhad fala-nos da história real de Saïd Hanaï, um homem aparentemente normal e sem quaisquer antecedentes criminais que, certo dia, decidiu eliminar prostitutas em nome da religião, na cidade santa xiita de Mashhad, no nordeste do Irão. Foram 16 as prostitutas assassinadas.

A inspiração do autor surgiu após assistir ao documentário And Along Came a Spider, do jornalista iraniano-canadense Maziar Bahari, que abordava este caso ocorrido entre os anos de 2000 e 2001.

Se o caso é interessante, a abordagem de Mana Neyestani é ainda mais interessante. Em vez de nos contar a história exata do que aconteceu, o autor opta por nos apresentar uma narrativa em formato de entrevista, em que Roya Karimi Majd conduz uma entrevista ao agora presidiário, e condenado à pena de morte, Saïd Hanaï. Trata-se de uma entrevista que procura dar a versão dos factos do assassino, de modo a levar-nos a perceber quais foram, realmente, as suas motivações para, no espaço de pouco mais de um ano, tirar a vida a 16 mulheres.

É-nos dada também a visão dos mesmos factos por parte da mulher e filho de Saïd Hanaï e do juiz Masouri que conduziu o caso judicial. É reproduzida, ainda, o dia na vida de Leila, uma das vítimas, que culminou com o contacto e confronto com Saïd Hanaï. 

O que mais impressiona é que este assassino seja um homem completamente sereno, que não se procura esquivar ou esconder daquilo que fez, mas, ao invés, não tem pruridos em confirmar os seus assassinatos e passar a ideia que os fez por um motivo maior: o de Alá não tolerar a prostituição. No fundo, era como se este homem considerasse que estava a fazer o trabalho certo, a função divina de eliminar as pessoas que, por serem prostitutas, não merecerem viver neste mundo.

Mais incrível ainda - especialmente aos olhos de um ocidental - é que a mulher e filho de Saïd Hanaï considerem que aquilo que este homem fez, não só é tolerável como até digno de louvores. E embora Saïd tenha sido preso e condenado, os locais passaram mesmo a olhar para ele como um exemplo a seguir e alguém que procurava fazer do mundo um lugar melhor. E mais limpo. Mesmo que, para isso, matasse quase duas dezenas de mulheres. É isto que um estado que faz brainwashing com os seus cidadãos, através de uma religião austera e castradora, faz à mentalidade e cultura vigentes. É triste de ler, mas é importante que livros como este A Aranha de Mashhad continuem a chamar a atenção do mundo para o atraso cultural que o Irão (ainda) vive.

O final, de cariz poético e político, é verdadeiramente espetacular. Funciona como um cartoon certo para concluir uma história tão impactante e triste como aquela que nos é dada neste livro. Talvez a causa do Irão seja mesmo uma causa perdida... pelo menos durante as próximas décadas, pois é difícil perceber como é que se altera um quadro de valores tão profundamente enraizado na população do país.

O estilo de desenho de Mana Neyestani mantém-se fiel àquilo que já conhecemos. Apresenta uma linha expressiva, a preto e branco, que recorre a hachuras e que é simultaneamente simples e carregada de tensão emocional. As personagens aparecem muitas vezes com feições exageradas ou ligeiramente distorcidas, criando um efeito que sublinha a opressão das situações retratadas. Funciona muito bem, na minha opinião.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça, bom papel baço e um bom trabalho a nível de impressão e encadernação. O livro abre com uma introdução do próprio Mana Neyestani e fecha com um epílogo onde se dão breves notas adicionais sobre o assassino Saïd Hanaï, a jornalista Roya Karimi Majd e o próprio Maziar Bahari, autor do documentário original e que aqui também aparece como personagem, sendo a pessoa responsável por filmar a entrevista a Saïd Hanaï.

Em suma, A Aranha de Mashhad é mais um belo livro de Mana Neyestani que consegue fazer-nos parar para refletir sobre as atrocidades que, dia após dia, continuam a ser feitas no Irão, ao mesmo tempo que vai um pouco mais longe e nos mostra que mudar a mentalidade profundamente doutrinada presente no Irão, em que os direitos humanos são menos importantes do que as escrituras religiosas sobre uma personagem fictícia como Alá, é algo virtualmente impossível. Pelo menos, para já.


NOTA FINAL (1/10):
8.7



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Ficha técnica
A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão Desconhecido
Autor: Mana Neyestani
Editora: Levoir
Páginas: 164, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240m
Lançamento: Maio de 2026

Análise: O Fantasma da Ópera

O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor

O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi

Começo com uma afirmação muito clara e simples: cada vez, estou mais maravilhado com o trabalho dos irmãos Brizzi nas suas adaptações para banda desenhada de clássicos da literatura mundial. O Inferno de Dante tinha sido impressionante; Dom Quixote de La Mancha encheu-me as medidas; mas este O Fantasma da Ópera, recentemente publicado pelo esforço conjunto das editoras A Seita e Arte de Autor, é o melhor dos três! E sabendo que mais livros desta dupla virão no futuro - sendo que o próximo, a ser editado unicamente pela Arte de Autor, será Macbeth - não posso deixar de ficar feliz e com altas expectativas.

A história de O Fantasma da Ópera, originalmente escrita por Gaston Leroux e já amplamente adaptada a vários meios, é bastante conhecida: estamos no final do séc. XIX e a ação decorre na grandiosa Ópera de Paris, onde começam a suceder-se alguns acontecimentos inexplicáveis que despertam o medo e a curiosidade das pessoas afetas à opera, alimentando a crença generalizada na existência de um fantasma que habita os bastidores do teatro. A partir daqui, a história arranca para uma narrativa carregada de dramatismo e suspense.

O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
No centro do enredo, encontra-se Christine Daaé, uma jovem cantora que ascende inesperadamente no mundo da ópera, quando tem que substituir Carlotta, a atriz/cantora estrela da peça em cena. As coisas correm tão bem na atuação de Christine, que esta passa a ser adorada pela audiência e começa a acreditar que um misterioso “anjo da música” a está, de algum modo, a guiar até ao sucesso. No meio disto tudo, reenconta-se com Raoul, um velho amigo de infância, que está apaixonado por si.

Com o tempo, descobre-se que o Fantasma é, na verdade, um génio musical com aparência deformada que vive isolado da sociedade. Ele apaixona-se obsessivamente por Christine e decide ajudá-la a tornar-se uma grande estrela. No entanto, quando Christine se apaixona por Raoul, o "fantasma" sente-se traído e passa a agir de uma forma cada vez mais possessiva e ameaçadora. Este conflito causado por este triângulo amoroso, que orbita entre o amor, a rejeição e o desejo de aceitação, acaba por conduzir a um clímax intenso e emotivo que define o carácter trágico da obra. Penso que a maioria dos que me leem saberá qual o clímax em questão, mas sob pena de haver alguém que não conheça a história original, não revelo mais nada sobre a mesma, para não criar qualquer tipo de spoiler.

Em termos de história, a adaptação de Paul e Gaëtan Brizzi mantém-se bastante fiel ao espírito e à narrativa original. Os irmãos Brizzi conseguem preservar a essência do conto de Leroux, respeitando tanto o seu tom sombrio como os elementos românticos que tornam a história intemporal. A narrativa, muito clássica na sua génese, está verdadeiramente espetacular nesta versão e nota-se o cuidado dos autores em transpor para o formato da banda desenhada toda a profundidade do texto original.

O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Confesso que fiquei verdadeiramente maravilhado com mais esta adaptação de um clássico da literatura para banda desenhada por parte dos irmãos Brizzi. Há uma sensibilidade muito própria na forma como os autores tratam o material original, equilibrando respeito e criatividade de forma exemplar.

E, claro, os desenhos são, sem dúvida, um dos pontos mais fortes desta obra. As ilustrações, a duas mãos, voltam a ser majestosas, num traço a lápis que, mesmo sendo bastante despido de truques, apresenta um aprimoramento tal, que nos deixa embasbacados perante tão belos desenhos. As personagens, num estilo realista, apresentam uma expressividade incrível, também. Os seus olhares, os seus gestos e as suas posturas transmitem emoções profundas, permitindo ao leitor conectar-se de forma imediata com as várias personagens desta história. Há uma humanidade muito bem captada em cada figura. 

Além de tudo isso, e ainda em matéria de desenho, também fiquei muito bem impressionado com o charme irresistível que os autores colocam nas roupas das personagens e nos próprios cenários. Os figurinos evocam a elegância da época e contribuem para a imersão na história, reforçando o carácter sumptuoso da obra. Um verdadeiro prato cheio que me encheu as medidas.

O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Permitam-me apenas uma pequena crítica, com base no meu gosto: apenas a ilustração da capa me deixou de pé atrás. Não é que o desenho não seja bom...claro que é. Mas não acho que a ilustração da capa faça justiça aos desenhos constantes no interior do livro: Christine é bem mais bonita do que a rapariga deslavada da capa, deixem que vos diga. E a presença da máscara do fantasma na capa, também poderia ter sido mais bem introduzida. Ao contrário de outros livros, cujas capas vendem vem o livro, não me parece que isso aconteça desta vez. Mas, admito, é uma questão de gosto pessoal. E o que importa é que o resto da obra é absolutamente fabuloso.

Em termos de edição, o livro é editado em grande formato, em capa dura baça. No interior, o papel é brilhante e de ótima qualidade. O trabalho a nível de impressão, encadernação e acabamentos é de bela qualidade, também. No final, há um belo caderno de extras, com 16 páginas, com esboços e ilustrações. Desta vez, as editoras Arte de Autor e A Seita optaram por não editar a obra com uma capa exclusiva para a loja online Wook. Houve uma coisa, não muito relevante, mas que me fez um pouco de "comichão": a existência de, por vezes, algumas margens de vinhetas que pareciam mal delimitadas. Na verdade, essa sensação resulta da utilização de legendas, sem linhas, que são colocadas muito perto da margem das vinhetas. É um micro-detalhe que não põe em causa a experiência de leitura, mas que, infelizmente, notei em bastantes momentos da leitura. Além disso, esta opção é dos autores e da edição original, e não da edição portuguesa.

Em suma, esta adaptação de O Fantasma da Ópera confirma de forma inequívoca o talento extraordinário de Paul e Gaëtan Brizzi na transposição de grandes clássicos para banda desenhada. Entre a fidelidade ao espírito original da obra, a força intemporal da história e a excelência de um desenho verdadeiramente majestoso, que nos deixa de queixo caído por inúmeras vezes, estamos perante uma edição que não só honra o legado literário como eleva a fasquia deste tipo de adaptações. Aliás, se todas as adaptações de clássicos da literatura para banda desenhada fossem deste gabarito, eu estaria sempre na fila da frente para as ler de enfiada!


NOTA FINAL (1/10):
9.8


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor

Ficha técnica
O Fantasma da Ópera
Autores: Gaëtan e Paul Brizzi
Adaptado a partir da obra original de: Gaston Leroux
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 340 mm
Lançamento: Março de 2026