terça-feira, 3 de novembro de 2026

Análise: Da Noite para o Dia

Da Noite para o Dia, de Sofia Neto - chili com Carne

Da Noite para o Dia, de Sofia Neto - chili com Carne
Da Noite para o Dia, de Sofia Neto

Editado originalmente no passado mês de maio pela editora Chili com Carne, este Da Noite para o Dia marca o regresso de Sofia Neto ao lançamento de banda desenhada de grande fôlego. Depois do interessante Cicatriz, editado pela Polvo, a autora portuguesa candidatou-se e venceu uma das Bolsas de Criação da DGLAB em 2020 e, agora, podemos conhecer o resultado desse trabalho.

E deixem-me dizer-vos que fiquei muito bem impressionado com este livro, bastante original, com uma história distópica de ficção científica que nos convida a caminhar na incerteza. Desde as primeiras páginas, a obra estabelece uma atmosfera de estranheza e fascínio que nos impele a continuar a leitura, sempre com a sensação de que algo importante está prestes a acontecer, mesmo sem sabermos exatamente qual será o destino da narrativa. O doce embalo de uma história que não sabemos para onde nos está a levar, mas que nos intriga a partir das primeiras páginas, é especialmente gratificante.

Da Noite para o Dia, de Sofia Neto - chili com Carne
A premissa original é, por si só, a grande força do livro. Acompanhamos Ana, uma mulher que possui uma máquina capaz de alterar o comportamento das pessoas sem que estas tenham consciência disso. Tudo o que Ana tem que fazer é colocar uns dispositivos, unidos por fios elétricos, à pele dos seus clientes - ou, melhor dizendo, à pele das pessoas que os clientes de Ana procuram alterar. A partir dessa ideia simples, mas extremamente eficaz, Sofia Neto constrói uma história que cruza ficção científica, thriller, reflexão ética e drama humano, num equilíbrio muito bem conseguido.

O conceito ganha ainda mais interesse pelo modo como é apresentado. Ana aceita pedidos de clientes anónimos que a contratam para provocar mudanças específicas em terceiros, sem conhecer os seus motivos e sem questionar as consequências dos seus atos. Para Ana, é uma rotina quase mecânica, sustentada pela convicção de que aquilo que faz contribui para tornar o mundo um lugar melhor. Contudo, a verdadeira questão não está na tecnologia em si, mas no uso que dela fazemos.

Da Noite para o Dia, de Sofia Neto - chili com Carne
A narrativa torna-se particularmente envolvente quando começamos a perceber que os efeitos do dispositivo estão longe de ser totalmente controláveis, dado que através da máquina que Ana opera, a alteração dos traços de personalidade das pessoas pode desencadear mudanças inesperadas e imprevisíveis, transformando de forma radical aqueles que são afetados pelo dispositivo. Consequentemente, aquilo que inicialmente parece uma ferramenta útil depressa revela contornos inquietantes, obrigando-nos a questionar até que ponto devemos interferir naquilo que define uma identidade. Imaginem que usam uma máquina destas para alterar algo que não gostam na vossa maneira de ser e, sem querer, a máquina muda uma coisa que até gostavam em vós próprios? Além disso, devemos alterar, a gosto, aquilo que não gostamos em nós ou nos outros? 

É precisamente nessa zona cinzenta que a obra se torna mais estimulante. Afinal, quem nunca desejou corrigir um defeito próprio? Ou naqueles que nos rodeiam, tornando-os ainda mais perfeitos aos nossos olhos? Quem nunca imaginou como seria viver sem determinada insegurança ou sem certas limitações? Sofia Neto pega nesse desejo universal e leva-o às suas consequências mais extremas, mostrando que a remoção de um elemento da nossa personalidade pode comprometer outros aspetos que valorizamos em nós mesmos.

Da Noite para o Dia, de Sofia Neto - chili com Carne
Existe também uma dimensão distópica bastante eficaz. Embora a tecnologia apresentada não exista, a verdade é que nunca sentimos - eu, pelo menos, não senti - estar perante algo completamente impossível. Num mundo cada vez mais moldado por algoritmos, redes sociais e sistemas capazes de influenciar comportamentos, a premissa de Da Noite para o Dia surge menos como uma fantasia distante e mais como uma extrapolação plausível do presente. Assustadoramente plausível, diria.

Em termos visuais, o livro também me agradou bastante devido à sua personalidade muito própria. A utilização de uma paleta dominada pelos cinzentos e pelos azuis reforça a atmosfera fria e melancólica da narrativa, encaixando bem na premissa da história. É verdade que os cenários são demasiadamente despidos em várias vinhetas, mas também é verdade que a autora faz um belo trabalho na forma como ilustra as expressões das personagens. Aqui e ali podemos encontrar uma expressão ou linguagem corporal menos bem conseguida, mas, regra geral, a maneira como Sofia Neto desenha as personagens é deveras interessante.

Apreciei também os momentos de silêncio, sem texto, que nos convidam a pausar um pouco o ritmo da nossa leitura para bem absorver o que as personagens estão a experienciar.

Por tudo isto, é difícil compreender a reduzida visibilidade que Da Noite para o Dia parece ter recebido. Estamos, na minha opinião, perante uma das obras mais interessantes da banda desenhada portuguesa publicada em 2026, um livro inteligente, visualmente apelativo e capaz de gerar verdadeira reflexão. É pena que a sua distribuição e divulgação não estejam à altura da qualidade do trabalho realizado. Encontrei, por acaso, este livro no stand da Kingpin Books, no último Amadora BD. Caso contrário, não saberia, sequer, da existência da obra. Quer dizer, tinha ouvido falar de uma exposição sobre a obra que a autora fez no início do ano. Mas, tirando isso, este livro tem estado invísível das lojas e dos canais de divulgação. 

Da Noite para o Dia, de Sofia Neto - chili com Carne
Compreendo com a Chili com Carne opere em mercados alternativos - e nada há de errado nisso - mas, caramba, quando não é possível encontrar, sequer, uma imagem promocional de uma página do livro na internet - o que me obriga a partilhar convosco, neste texto, fotos toscas do interior do livro tiradas por mim - ou quando não é enviada ou disponibilizada qualquer informação, sinopse ou ficha técnica sobre o livro junto dos divulgadores, algo de errado, ao nível da edição e promoção, está a ser feito pela obra. Se uma obra é publicada - atente-se no verbo "publicar" - é para chegar ao público. Se a ideia é que a obra fique privada, mais vale não a publicar. Até porque - here we go, again - estamos a falar de uma obra que nasce a partir de um apoio público. Mas, enfim, já que a editora não fala do livro, não o publicita e não o comunica, ao menos que este meu texto ajude mais pessoas a conhecer um livro tão interessante como este. Acredito que o melhor serviço que eu possa prestar a esta obra é precisamente recomendá-la.

De resto, em termos de edição, o livro apresenta capa mole baça, com detalhes a verniz. Um dos lados apresenta badana. No interior, o livro tem bom papel braço e uma boa impressão e encadernação. Como nota menos positiva, destaco a ausência de qualquer informação na lombada do livro, que faz com que, quando arrumado numa estante (seja de uma loja/livraria ou de uma coleção privada) o livro fique muito mais difícil de encontrar. Difícil de encontrar parece ser, pois, a ideia inerente à edição desta obra.

Em suma, em Da Noite para o Dia Sofia Neto constrói uma narrativa simultaneamente intrigante, perturbadora e profundamente humana, alicerçada numa premissa de ficção científica tão original quanto credível. A obra merecia, sem dúvida, uma divulgação muito mais ampla, porque tem qualidade mais do que suficiente para encontrar um público vasto. E, uma vez terminada a leitura, fica a sensação de que acabámos de descobrir uma das mais interessantes bandas desenhadas portuguesas do ano.


NOTA FINAL (1/10):
9.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens dos álbuns. www.instagram.com/vinheta_2020


-/-

Da Noite para o Dia, de Sofia Neto - chili com Carne

Ficha técnica
Da Noite para o Dia
Autora: Sofia Neto
Editora: Chili com Carne
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 18 x 24 cm
Lançamento: Maio de 2026

Gradiva edita nova obra de banda desenhada!


É oficial que as informações ditas "oficiais", que ditavam o fim da Gradiva enquanto editora de banda desenhada, eram tudo menos "oficiais". 

E o lançamento de 1177 a.C. - Uma História Gráfica do Ano em que a Civilização Colapsou, é mais uma das provas disso.

É lógico que, desde que a Gradiva foi adquirida pela Guerra e Paz, são apenas três os livros editados pela editora: O Nome da Rosa - Volume 2, Zits - Apocalipse e agora este 1177. a.C. É pouco, claro, e, em termos de quantidade de edições, nada tem a ver com aquilo que acontecia há cerca de três ou quatro anos, mas o que é facto é que a editora se vai mantendo ativa.

Este livro em questão, da autoria de Eric H. Cline, Glynnis Fawkes, é uma BD de cariz didático que procura traçar o porquê do colapso das civilizações do Mar Egeu e Mediterrâneo Oriental, no ano de 1177 a.C.
Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.


1177 a.C. - Uma História Gráfica do Ano em que a Civilização Colapsou, de Eric H. Cline, Glynnis Fawkes

«1177 a. C. é uma obra espetacular – habilmente adaptada, lindamente ilustrada e com cores cativantes da autoria de Glynnis Fawkes… [Ela] não se limita a dar vida à história, faz com que esta salte das páginas de uma forma acessível e envolvente.»
Alison Bechdel, autora de Fun Home, o bestseller do The New York Times
1177 a. C., de Eric H.Cline, procura explicar um dos maiores mistérios da História: o colapso das civilizações do Mar Egeu e do Mediterrâneo Oriental, que pôs fim à Idade do Bronze Tardia. Nesta adaptação gráfica a cores, ilustrada por Glynnis Fawkes, acompanhamos Pel, membro dos Povos do Mar, e Shesha, uma escriba egípcia, numa viagem pelos grandes reinos da época.

Entre batalhas, terramotos, secas, fome, invasões e rebeliões, os dois jovens procuram compreender por que razão sociedades tão poderosas desapareceram. Pelo caminho, cruzam-se com príncipes assassinados, navios naufragados e as redes comerciais que ligavam o mundo antigo.

Uma aventura em banda desenhada, historicamente rigorosa e acessível a leitores de todas as idades, que transforma a investigação arqueológica numa narrativa envolvente e revela como as sociedades perecem ou sobrevivem perante grandes catástrofes.

-/-

Ficha técnica
1177 a.C. – Uma História Gráfica do Ano em que a Civilização Colapsou
Autores: Eric H. Cline, Glynnis Fawkes
Editora: Gradiva
Páginas: 256, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 17,78 x 24,40 cm
PVP: 30,00€

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Análise: Domingos

Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa - Ala dos Livros

Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa - Ala dos Livros
Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa

Não é algo que aconteça sempre, mas é algo que, felizmente, acontece por vezes: há livros que nos tocam, que nos comovem, que nos fazem olhar para dentro, que nos fazem viajar para longe, para o nosso passado e para os locais ainda mais recônditos de nós mesmos. E mesmo que, no processo de leitura, continuemos imóveis, sentados num sofá ou numa cadeira, enquanto seguramos um livro nas mãos, é espantoso como aquele conjunto de folhas impressas nos permite viajar para tão longe.

Domingos, recentemente publicado em Portugal pela Ala dos Livros, é um desses livros. Sem que nos peça licença, leva-nos a viajar à nossa própria vida, ao nosso passado, mesmo que, na verdade, o relato contido nesta obra assente na vida familiar de Sidney (Domingos) Gusman, o famoso editor brasileiro, que, através de uma viagem ao seu passado mais distante, nos leva a conhecer a sua família, com especial destaque no seu pai, Domingos, que dá nome à obra. Jefferson Costa junta-se à empreitada para ilustrar estas belas personagens que dificilmente esqueceremos.

Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa - Ala dos Livros
Muito mais do que uma banda desenhada autobiográfica, esta é uma obra feita de memória, afetos e ausências, um testemunho profundamente humano sobre a relação entre um filho e um pai. No final, não sentimos apenas que conhecemos a história de Sidney e de Domingos... sentimos que revisitámos também os nossos próprios domingos, as nossas próprias perdas e os momentos que julgávamos esquecidos.

Domingos é uma figura aparentemente comum, mas cuja existência ganha uma dimensão universal através do olhar amoroso do filho. Sidney Gusman transforma a sua recordação pessoal numa história capaz de tocar qualquer leitor, porque fala-nos de algo que todos conhecemos: o tempo que passa, as mudanças que registamos - voluntária ou involuntariamente - e as ligações que nos definem e que perduram. 

A premissa é simples e, precisamente por isso, poderosa. Domingos nasceu num domingo e partiu deste mundo também num domingo. Entre esses dois momentos desenrola-se uma vida feita de incontáveis domingos partilhados com o filho e restante família. É a partir dessa coincidência simbólica que a obra constrói a sua arquitetura emocional e a sua espinha dorsal narrativa, transformando um dia da semana num espaço de memória onde se acumulam afetos, alegrias, silêncios e despedidas.

Cada domingo equivale, pois, a um breve capítulo sobre esse dia vivenciado. E, naturalmente, encontramos episódios marcantes, mas também encontramos alguns dias aparentemente banais, como almoços em família, conversas informais, jogos de futebol vistos juntos, momentos de descanso e pequenas rotinas domésticas. Mesmo assim, Domingos demonstra de forma magistral que são precisamente esses instantes comuns que acabam por moldar uma vida. As grandes emoções não surgem de acontecimentos extraordinários, mas da soma das pequenas experiências que criam a identidade de uma família.

Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa - Ala dos Livros
Aliás, a frase "life is what happens to you, while you're busy making other plans", - tantas vezes atribuída, erradamente, a Jim Morrison ou a John Lennon (este, pelo menos, ainda a cantou na sua canção Beautiful Boy) mas que, na verdade, é da autoria de Allen Saunders, um cartoonista - encaixa que nem uma luva neste livro. É que costumamos ter grandes planos, grandes falhas, grandes momentos, grandes desilusões, grandes vitórias e grandes derrotas... mas, se pensarmos bem, quando começamos a ver de perto o ocaso da vida - da nossa ou daqueles que nos são mais próximos - é nos pequenos momentos da vida que sentimos que vivemos realmente. Uma tarde de futebol com aqueles de quem gostamos, um pequeno sucesso profissional que partilhamos com alguém especial, um jogo que fazemos em criança, um pequeno gesto que fizeram por nós quando mais precisávamos, um cheiro, um sabor, uma canção, um filme, um golo, um sorriso. É nesses pequenos momentos da vida que a mesma mais nos marca e é exatamente isso que Domingos capta na perfeição. Estes foram os momentos de Sidney. Os meus, foram outros. Os daqueles que me leem, foram ainda outros. Mas, sendo todos diferentes, pois cada um de nós tem a sua própria caminhada, há um denominador comum em todos eles: são momentos que nos marcam, são momentos que não mais nos deixam. Tenhamos nós 20, 40, 60, 80 ou 100 anos.  

Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa - Ala dos Livros
Outra das coisas que apreciei no livro é a forma como Sidney nos revela um Domingos que não nos é dado como um herói perfeito, mas como alguém com as suas qualidades, fragilidades, teimosias e contradições. Essa honestidade torna o retrato ainda mais comovente, porque revela um ser humano real, reconhecível e profundamente próximo do leitor. Aliás, considero até que o argumento de Sidney Gusman impressiona precisamente por esta sinceridade. Em vez de procurar dramatizar excessivamente os acontecimentos, o autor opta por uma abordagem contida, deixando que as emoções se manifestem de forma natural. O resultado é um equilíbrio invulgar entre delicadeza e intensidade, capaz de gerar momentos de enorme impacto sem nunca cair no sentimentalismo artificial. Domingos está longe de ser uma obra piegas, ainda que nos toque no coração.

Por sua vez, os desenhos de Jefferson Costa encaixam bem no tipo de obra que temos em mãos. As suas ilustrações, mesmo sendo um pouco toscas, possuem uma boa expressividade - o que era essencial para esta obra - e conseguem captar tanto os gestos mais subtis como os estados emocionais mais profundos. As cores são belas, ora sendo suaves, ora sendo garridas, e o traço do autor brasileiro transmite calor humano, enquanto a composição das páginas cria uma boa fluidez narrativa, ainda que, por vezes, os cenários me pareçam algo despidos em demasia. 

Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa - Ala dos Livros
Mesmo assim, o mais importante a afirmar no contributo de Jefferson Costa para esta obra é que este revela compreender perfeitamente o ritmo da memória, conseguindo traduzir visualmente aquilo que tantas vezes escapa às palavras: as sensações, os ecos do passado e a melancolia doce das lembranças felizes. O texto de Sidney Gusman é bom, mas sai bastante beneficiado com os desenhos de Jefferson Costa.

A edição da Ala dos Livros está bastante bela e diferenciada em relação à edição original brasileira da Pipoca e Nanquim. Desde logo, porque tem uma capa completamente nova. A ilustração remete-nos para um álbum de fotografias, o que me parece uma boa escolha, já que esta é uma obra que não cessa de nos dar as memórias da família de Sidney. O acabamento da capa tem uma textura específica e um brilho próprio que fazem lembrar, lá está, os próprios álbuns de família que muitos de nós temos em nossa casa. E isto tudo, faz com que o objeto-livro tenha funcionado muito bem. De resto, o livro apresenta bom papel baço no interior e um excelente trabalho ao nível da impressão, encadernação e acabamentos. Há ainda um caderno de extras com 12 páginas que inclui fotografias de Sidney e da sua família, bem como esboços de página e outras informações sobre a obra. O livro abre com um prefácio do próprio autor e termina com um posfácio de Filipe Melo.

Em suma, Domingos é um livro maravilhoso. Quando uma obra nos toca assim tanto, nos comove e surpreende como este Domingos faz, é especialmente difícil atribuir-lhe uma nota ou um classificação, pois o nosso juízo fica, de certa forma, toldado pela emoção. Não obstante, uma coisa é certa para mim: este livro entra diretamente para um lugar de honra junto dos meus livros mais queridos de banda desenhada. É um livro que fala de um pai, mas que acaba por falar de todos os pais. Fala de uma família, mas acaba por falar de todas as famílias. E fala de domingos, esses dias aparentemente comuns, mas que, vistos à distância, se transformam nos lugares onde guardamos aquilo que a vida tem de mais precioso: a memória daqueles que amámos.


NOTA FINAL (1/10):
9.6


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens dos álbuns. www.instagram.com/vinheta_2020


-/-


Domingos, de Sidney Gusman e Jefferson Costa - Ala dos Livros

Ficha técnica
Domingos
Autores: Sidney Gusman e Jefferson Costa
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 208, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm


Gorila Sentado inaugura novo projeto!



Se há editoras que não parecem cansar-se de nos surpreender, a Gorila Sentado é uma delas!

A editora independente portuguesa acaba de inaugurar um novo projeto editorial em que os leitores podem subscrever e receber em sua casa, todos os meses, uma correspondência muito especial, que conta com uma página de banda desenhada, uma carta, autocolantes e outras surpresas. Mas, claro, tudo dentro da mesma história e universo narrativo.

Acaba por ser uma nova e diferente forma de ler BD.

Dou os parabéns à editora, na pessoa de Daniel da Silva Lopes, pela sua criatividade e vontade de fazer diferente!

Mais abaixo, deixo-vos mais informação sobre esta iniciativa.

Letters From Beyond

Letters from Beyond é um novo projeto independente da Gorila Sentado que procura explorar outras formas de contar histórias através de objetos físicos enviados pelo correio diretamente para casa dos leitores.

O projeto acompanha o Dr. Alexandre Kael, uma personagem já apresentada no projecto Pyramid. Kael é um cientista que ficou preso num mundo desconhecido durante a destruição da Terra. Através de páginas de banda desenhada, cartas, desenhos, autocolantes e outros fragmentos ou pormenores, os leitores vão descobrindo aos poucos o universo de Kael e os acontecimentos que marcaram a sua vida.

A ideia é simples: todos os meses, um pequeno fragmento deste mundo chega à caixa de correio dos participantes. O conteúdo varia de envio para envio, tornando cada entrega uma nova descoberta e uma forma diferente de acompanhar a narrativa.

Mais do que uma subscrição tradicional, Letters from Beyond é uma experiência de storytelling físico, que procura recuperar o prazer de receber algo pelo correio sem ser sempre contas e contas e na verdade descobrir uma história para lá das páginas de uma publicação convencional.

O projeto começou agora mesmo a enviar as primeiras cartas e está agora à procura de novos leitores que queiram fazer parte desta experiência. Para leitores nacionais o preço é apenas de 3€ já com portes incluidos.