terça-feira, 18 de agosto de 2026

Análise: Lunáticos

Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski - A Seita

Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski - A Seita
Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski

O terceiro livro de origem polaca que a editora A Seita lançou em pouco tempo foi este Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski. Esta obra surge como mais um fruto da recente iniciativa da editora portuguesa de editar por cá algumas bandas desenhadas polacas, ao mesmo tempo que também tem lançado algumas obras nacionais na Polónia. Trata-se de um intercâmbio cultural que me parece bastante bem-vindo.

E comparando este Lunáticos com os anteriormente publicados Heksa - A Bruxa, de Katarzyna Witerscheim, e Três Irmãs, de Anna Poszepczyńska - se é que este tipo de comparações é justa -, parece-me que é legítimo verificar que esta será a obra mais interessante e mais bem equilibrada das três. Ainda que todas elas mereçam atenção.

Lunáticos é inspirado na obra clássica No Orbe de Prata, um trabalho de ficção científica publicado pelo polaco Jerzy Żuławski, em 1903. Considera-se até mesmo uma das obras fundadoras da ficção científica polaca.

Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski - A Seita
Pelo que pude investigar, esta adaptação da obra para banda desenhada é bastante livre, procurando ser um trabalho de abordagem e teor mais contemporâneos, mesmo que, a obra original, com mais de 100 anos, ainda se mantenha atual nos tempos em que vivemos.

A ação decorre no ano de 1913, quando cinco exploradores partem da Terra rumo à Lua, iniciando a primeira expedição lunar e acreditando que poderão encontrar uma atmosfera habitável no lado oculto da lua. O chamado The Dark Side of The Moon, vá, o mesmo nome de um dos álbuns mais respeitados da música que nos foi dado pelos britânicos Pink Floyd. Mas cedo se perde a comunicação com a tripulação, fazendo com que ninguém na Terra saiba se os astronautas estão vivos ou não. E nós, leitores, acompanhamos aquilo que acontece com eles.

Confesso-vos que, não sendo o maior fã de histórias que se passam no espaço, devo dizer que fiquei bastante agradado e, até, em alguns casos, surpreendido com este livro. Um dos aspetos mais interessantes de Lunáticos reside precisamente na forma como evita transformar-se numa narrativa convencional de sobrevivência. Daquelas que já todos vimos, vezes sem conta. Embora existam momentos de tensão e adversidade com que a tripulação terá que lidar, claro, diria que a verdadeira preocupação dos autores parece estar na evolução das personagens, das suas ideias e das suas crenças. Há, pois, toda uma dimensão filosófica que me surpreendeu pela positiva. A necessidade humana de encontrar significado mesmo nos ambientes mais hostis continua a ser algo do qual, aparentemente, não conseguimos fugir enquanto espécie. E isso torna o exercício narrativo da obra em algo interessante.

Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski - A Seita
Narrativamente, Lunáticos desenvolve-se, muitas vezes, de forma contemplativa. Há sequências que privilegiam a observação, a introspeção e a construção atmosférica em detrimento da ação. Esta opção exige alguma disponibilidade por parte do leitor, é certo, mas acaba por contribuir para que o livro seja mais maduro na sua abordagem. Não estamos, pois, perante uma obra que procure oferecer entretenimento rápido, mas antes ser uma experiência que convide à reflexão.

Além disso, parece haver também uma certa sensação de "terror cósmico". Porque embora Lunáticos não seja propriamente uma obra de terror, per se, existe uma constante sensação de desconforto. A vastidão do espaço, a fragilidade humana e a estranheza do ambiente lunar contribuem para uma atmosfera de inquietação que atravessa todo o livro.

Em termos visuais, o livro também consegue ser bastante bom. Se a bela capa já me tinha deixado interessado no livro, devo dizer que quer os desenhos das personagens, quer, principalmente, os desenhos do espaço sideral e de paisagens da lua, me encheram as medidas. Este é um daqueles livros em que é bonito olhar demoradamente para várias ilustrações. Ilustrações essas que nos transportam para ambientes grandiosos com um forte sentido de estranheza e isolamento. A Lua surge representada como um espaço simultaneamente belo e inquietante, reforçando constantemente a sensação de afastamento em relação ao mundo conhecido.

Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski - A Seita
A composição das pranchas demonstra igualmente uma grande maturidade. Adam Fyda sabe quando deve privilegiar grandes panorâmicas e quando deve aproximar-se das personagens. O próprio grafismo da obra nos separadores entre capítulos é bastante apelativo. E também o trabalho de cores é muito belo. Considerei apenas que, em vários momentos, gostaria que o livro fosse maior em formato, pois certas vinhetas ficam demasiadamente pequenas, perpassando para o leitor uma certa sensação de claustrofobia.

De resto, a edição d' A Seita é em capa dura, com detalhes a verniz, e bom papel baço no interior. O trabalho de impressão e encadernação também está bem feito.

Em suma, a capacidade para articular imaginação científica, reflexão filosófica e excelência gráfica transforma este Lunáticos numa obra particularmente interessante para leitores que procuram algo mais do que uma simples aventura espacial. Esta é uma banda desenhada que honra o legado de uma obra de ficção científica com mais de 100 anos e que demonstra que muitos dos grandes temas da ficção científica continuam tão relevantes hoje como há mais de cem anos. Gostei!


NOTA FINAL (1/10):
8.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Lunáticos, de Adam Fyda e Marek Ospalski - A Seita

Ficha técnica
Lunáticos
Autores: Adam Fyda e Marek Ospalski
Adaptado a partir da obra original de: Jerzy Zulawski
Editora: A Seita
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 260 mm
Lançamento: Maio de 2026

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Levoir lança BD sobre o criador de "O Principezinho"!


Foi na passada sexta-feira que a editora Levoir e o jornal Público fizeram chegar às bancas portuguesas a sua nova entrada na Coleção de Novelas Gráficas.

Desta feita, é a vez da obra Saint-Exupéry e a origem do Principezinho, dos autores Pierre-Roland Saint-Dizier e Cédric Fernandez, que, naturalmente, fala sobre Antoine Saint-Exupéry, o criador do célebre O Principezinho, ainda um dos meus livros favoritos! Relembro que, sobre o mesmo tema - embora com uma abordagem diferente, parece-me - a ASA editou recentemente o livro O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard.

Recordo ainda que este Saint-Exupéry e a origem do Principezinho foi originalmente editado em três tomos e que a Levoir opta, e bem, por editar a obra num só volume.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Saint-Exupéry e a origem do Principezinho, de Pierre-Roland Saint-Dizier e Cédric Fernandez

Para comemorar os 80 anos da publicação d’O Principezinho em França, a obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry, a Levoir e o jornal Público editam Saint-Exupéry e a origem do Principezinho com data de publicação a 14 de Agosto.

Novelas já editadas nesta colecção: A Aranha de Mashaad; Dostoiévski: O sol negro, Dez Mil Elefantes, Partir, ficando, Formosa e Albert Londres tem de desaparecer.

Depois de ter lecionado durante dois anos no Gabão, Pierre-Roland Saint-Dizier tornou-se jornalista, profissão que exerce há vinte e cinco anos. Argumentista de banda desenhada há cerca de quinze anos, juntou-se com Cédric Fernandez para homenagearem o autor da obra O Principezinho.

Saint-Exupéry e a origem do Principezinho é uma banda desenhada que narra a vida audaciosa e o percurso do homem e do escritor. A obra conta como era a vida do seu autor antes deste sucesso mundial, que só se concretizou após a sua morte, e como o conto filosófico surgiu na sua mente.

Foi nas noites solitárias — entre as suas missões no Saara, na Argentina e nos Estados Unidos — que nasceu, em 1943, O Principezinho, que viria a trazer, em plena guerra, um pouco de luz, inocência e maravilha...

Saint-Exupéry foi explorador na companhia Aeropostal, arriscou a vida a sobrevoar desertos, resgatou outros pilotos retidos como reféns pelos tuaregues, atravessou oceanos em aviões pouco seguros, procurou companheiros acidentados nos Andes, participou na Segunda Guerra Mundial..., resume Fernández, que espera que o leitor aprecie o prazer que representou para ele e Pierre-Roland Saint-Dizier a realização desta obra.

O dossier no final do livro contém imagens da vida de Saint-Exupéry nos Estados Unidos.



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Ficha técnica
Saint-Exupéry e a origem do Principezinho
Autores: Pierre-Roland Saint-Dizier e Cédric Fernandez
Editora: Levoir
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
PVP: 16,90€

sexta-feira, 31 de julho de 2026

O Vinheta 2020 vai de férias!


Durante os próximos dias, o Vinheta 2020 estará de férias, em boa companhia, e a ler tanta BD quanto possível.

Não quer dizer que não faça um ou outro post, mas não estranhem se a atividade aqui e nas redes sociais reduzir muito.

Boas férias a todos e às vossas famílias!

Até já,

Vinheta 2020

Liliana Maia autoedita a sua nova obra BD!



A autora portuguesa Liliana Maia, já com alguma experiência no lançamento de BD de foro mais independente, acaba de lançar o seu novo livro, intitulado BD Compilações I, em regime de autoedição.

Esta obra reúne quatro histórias e, a julgar pelo seu nome, pode ser o primeiro de outro(s) volume(s) vindouros. A autora faz saber que é ela que assume todo o processo de criação, não só da obra, em termos artísticos, como também da própria produção gráfica do livro enquanto objeto físico.

Destina-se a um público mais juvenil, mas leitores adultos também são bem-vindos.

Faço ainda uma nota, de louvor, para o facto de a autora oferecer 10% do valor de cada livro vendido para a causa da ACNUR organização da ONU para os Refugiados.
Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


BD Compilações I, de Liliana Maia

A primeira história chama-se Vilca, dois personagens Paulo e Raquel lutam pela libertação de Vilca a sua terra contra a raça malévola os Folda em que era suposto consolidarem a sua relação um com o outro mas acabam por se separar depois de Paulo renunciar ao cargo de governador da cidade.
41 páginas

A segunda história chama-se Maria, quase uma caso de bulling, em que uma fada ajuda Maria a voltar para o grupo onde Paula sente ciúmes dela. 
10 páginas

A terceira história chama-se Rangale, a história de um grupo de veados que avista um bébé abandonado na estrada e é a razão de dois caçadores não os abaterem e resolverem colocá-los numa reserva natural, o Parque Natural de Bongotá. 
19 páginas

A quarta e última história é Felo um curandeiro que tira uma curso de medicina em Sebol a cidade e decide percorrer os arredores de Sebol para curar quem precise da sua ajuda em cima do seu camelo fornecido por Ledas. 
20 páginas.


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Ficha técnica
BD Compilações I
Autora: Liliana Maia
Auto-Edição
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 16,5 x 24 cm
PVP: 32,00€ (portes de envio incluídos) -  10% das vendas vão para a causa da ACNUR organização da ONU para os Refugiados
Encomendas através do seguinte contacto: lilianamaia346@gmail.com