quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

É oficial! Armazém Central vai mesmo ser integralmente lançado em Portugal!

Capa da versão original da Casterman

Muito se falou sobre a opção da editora Arte de Autor em começar a editar a série Armazém Central, de Loisel e Tripp, a partir do volume 4, e não a partir do primeiro número da série.

Relembro que os volumes 1, 2 e 3 já tinham sido lançados em Portugal, há uns anos, pela editora ASA.
Na altura, como referi na análise a Armazém Central #4 e #5, disse que compreendi a necessidade da editora portuguesa em auscultar o mercado português. Dado que ainda é uma série com 9 volumes e pressupõe, certamente, uma aposta de alguma relevância para a editora.

Mas ontem, a editora desfez as dúvidas: Armazém Central vai ser integralmente editado em Portugal! E como se isso não fosse já uma notícia formidável para os amantes desta fantástica série de banda desenhada (com um lugar nas minhas 10 séries preferidas de banda desenhada, relembro), a Arte de Autor até apresentou uma cadência de lançamentos que me parece digna de louvor. Assim, o volume Armazém Central 1 – Marie deverá ser publicado já em Março, enquanto que os os volumes duplos 2-3 e 6-7 estão previstos para o 2º semestre de 2021. Ora, se tivermos em conta que a série é composta por 9 álbuns, penso que será legítimo apostar que, na primeira metade do próximo ano, será publicado o último volume duplo da série. A série integral (com 9 números, divididos em 4 álbuns duplos e 1 álbum a solo) ficará publicada pela editora em cerca de 2 anos! Impressionante, de facto!

Para que os leitores compreendam como se divide esta maravilhosa coleção de BD, faço aqui uma esquematização das obras a lançar e do timming para tal:

Armazém Central 1 - Marie - A publicar em Março de 2021
Armazém Central 2 e 3 - Serge e Os Homens - A publicar no segundo semestre de 2021
Armazém Central 6 e 7 - Ernest LatulippeCharleston - A publicar no segundo semestre de 2021
Armazém Central 8 e 9 - As MulheresNotre-Dame-des-lacs - A publicar (suponho, sem confirmação da editora, no primeiro semestre de 2022)



Mas houve mais informações pertinentes a serem partilhadas ontem. Tal como já aqui tinha anunciado, no À Conversa Com: Arte de Autor, o primeiro semestre irá trazer-nos as obras O Castelo dos Animais 2 – As Margaridas do Inverno (já disponível), Duke 5Spaghetti Bros 2 e Apesar de Tudo.

Também ficou esclarecido que a série Léna, de Pierre Cristin e André Juillard, será publicada numa edição integral que reúne os 3 títulos publicados.

Para além do já mencionado lançamento dos dois álbuns duplos Armazém Central 2-3 e 6-7, também as séries Corto Maltese e Verões Felizes deverão ser lançadas no segundo semestre de 2021. 

Se a editora não lançasse nem mais uma obra do que estas que se propõe lançar, eu já diria, olhando para todos estes títulos, que era o ano mais forte da editora desde a sua criação. Mas claro, poderão aparecer novidades, especialmente no segundo semestre de 2021. É uma questão de ficarmos atentos.

sábado, 23 de janeiro de 2021

Hoje é lançado um primeiro vídeo sobre os VINHETAS D'OURO...


Hoje foi lançado o primeiro vídeo sobre os VINHETAS D'OURO, sim!

Já viste?  


Caso o vídeo não abra, em cima, clica aqui.

Mas não diz muita coisa... ou dará algumas pistas? "Gala"? Mas não estávamos todos confinados?

O que estará para vir?

Fiquem atentos às próximas novidades...

Até lá, podem rever os nomeados para as diferentes categorias, aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Análise: Oliver Twist

Oliver Twist, de Phillipe Chanoinat e David Cerqueira - Levoir

Oliver Twist, de Phillipe Chanoinat e David Cerqueira - Levoir
Oliver Twist, de Phillipe Chanoinat e David Cerqueira 

Oliver Twist é o 4º álbum da Coleção Clássicos da Literatura em BD que a editora Levoir lançou recentemente em parceria com a RTP. 

Esta é uma coleção de banda desenhada que foi pensada e direcionada, não para o habitual leitor de banda desenhada, mas antes para um público mais jovem e com menos hábitos de consumo de bd. E isso é, tal como já referi na análise à obra A Volta do Mundo em 80 Dias, que abriu esta coleção, algo que merece todas as minhas vénias. Penso que todas e quaisquer formas de levar a banda desenhada a mais gente são sempre bem-vindas. 

E por esse motivo, de ser uma banda desenhada algo "simples", os cinco livros que já saíram até agora apresentam uma qualidade mediana. Quer no texto, quer na adaptação das obras originais, quer na arte ilustrativa não temos aqui uma grande produção. Parece que todos os elementos se alinham para (apenas) nos contar a história original de forma eficiente. 

Oliver Twist, de Phillipe Chanoinat e David Cerqueira - Levoir
E, este Oliver Twist, adaptado para banda desenhada por Phillipe Chanoinat e David Cerqueira, é um claro exemplo disso. Se me perguntarem se este livro cumpre os seus pressupostos básicos de contar convenientemente a obra original de Charles Dickens em banda desenhada, a minha resposta será: “Sim, cumpre”. Mas devo dizê-lo que o faz de uma forma bastante medíocre. 

A história já é muito bem conhecida, julgo, mas faço aqui uma brevíssima sinopse. Oliver Twist não tem pai nem mãe e, por isso, foi criado num orfanato. Quando, na altura da refeição, tem a ousadia de pedir mais ração do que aquela que lhe é dada, causa choque em todo o orfanato e isso faz com que a sua aventura arranque. Primeiro, fica a cargo de um dono de uma agência funerária. Mas aí é vítima de maus tratos e, eventualmente, acaba por fugir e rumar a Londres, onde conhece o velho Fagin e o seu bando de rapazes que vivem dos assaltos que fazem na cidade. Mas é quando acidentalmente conhece o Sr. Brownlow, que a sua vida começa a melhorar - ainda que tenha os seus sobressaltos. Uma história triste e simples onde parece haver uma redenção para aqueles que, mesmo perante situações adversas, conseguerm não ceder a uma vida criminosa. 

O trabalho de Phillipe Chanoinat, que adaptou a obra original para banda desenhada, é razoável. Dividiu satisfatoriamente a história e soube contar o mais importante. No entanto, é verdade que alguns textos utilizados são “mais do mesmo” e tornam redundante a leitura. Fico com a ideia que foi feito um resumo da história e depois, quando se estava a planificá-la, surgiu a questão: “Então e o que é que colocamos nesta vinheta?”. E que foi nessa altura que Chanoinat decidiu enrolar um pouco o que havia sido dito na vinheta anterior. Não é algo que esteja constante em toda a obra, mas é algo que acontece várias vezes. E isto também acaba por fazer com que, por vezes, haja texto a mais. Seria possível contar a mesma história com menos palavras. Ainda assim, tenho que dar mérito à forma como o discurso é proferido. Fico com a ideia que ou são utilizadas passagens da obra original ou, então, Chanoinat soube utilizar aquele tipo de discurso clássico, que hoje em dia parece bastante desfasado do tempo, mas que destila humor e mensagens subliminares nas entrelinhas, típico de Dickens. 

Oliver Twist, de Phillipe Chanoinat e David Cerqueira - Levoir
Com efeito, é na arte ilustrativa que este livro mais desilude. David Cerqueira - que tem origens portuguesas - até parece demonstrar, por vezes, talento enquanto ilustrador. De vez em quando, de forma muito espaçada, infelizmente, até há um desenho, uma expressão, uma utilização de perspetiva mais arrojada neste Oliver Twist que me levam a crer que o autor tem talento. Contudo, ao longo de quase toda a obra, o desenho é muito pobre. Os cenários são muito simplórios e despidos, as expressões faciais parecem demasiado esbatidas, a fisionimia das personagens é atabalhoada e os detalhes parecem ter sido feitos à pressa. Numa vinheta em que Oliver Twist aparece descalço, o autor apenas desenhou o dedo grande e os restantes dedos são meros rabiscos. E exemplos como este, acontecem ao longo de toda a obra. O que causa um resultado insuficiente. Ou o traço do autor era mais abstracto ou, não o sendo, este tipo de pormenores deveria ter recebido melhor tratamento. E depois, as cores aplicadas por Siel e o próprio trabalho de arte final, também deixam muito a desejar. As cores têm pouquíssima profundidade e a aplicação de sombras também não faz convientemente o seu trabalho. Até o espaço entre vinhetas a preto, em detrimento da cor branca, sugere uma tentativa (vã) de dar alguma sofisticação à obra. Parece uma banda desenhada que foi feita com um deadline apertado ou, então, uma obra que é fruto de desinspiração dos autores. 

Quanto à edição da Levoir, mantém a qualidade dos restantes livros da coleção: capa dura, papel de boa qualidade e um dossier de extras que permite ao leitor aprofundar os seus conhecimentos sobre a obra original e sobre o seu autor. Tudo bem feito e nada a objetar. 

Concluindo, posso dizer que embora o anterior número desta coleção, Odisseia, também não me tenha deixado muito satisfeito, este Oliver Twist é, até à data, o título mais fraco desta coleção. E, no final, fico com a ideia que ou olhamos para este livro como um trabalho amador e, nesse caso, sentimos afinidade com algumas coisas que aqui são bem feitas; ou olhamos para este trabalho reconhecendo-o como um trabalho de profissionais e aí, a opinião não pode, creio eu, ser muito positiva. Podem dizer-me: “Ah, mas, como bem sabes, isto não se destina a um público batido em BD. Isto é para miúdos”. Claro que sim. Mas caramba, mesmo assim, deixa muito a desejar. 


NOTA FINAL
6.2 


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Oliver Twist, de Phillipe Chanoinat e David Cerqueira - Levoir

Ficha técnica
 
Oliver Twist
Autores: Philippe Chanoinat e David Cerqueira 
Adaptado a partir da obra original de: Charles Dickens 
Editora: Levoir 
Páginas: 64, a cores 
Encadernação: Capa dura 
Lançamento: Novembro de 2020

O Vinheta 2020 faz um ano!!!

 
Spirou, por Osvaldo Medina

E já recebi uma bela surpresa! Esta fantástica ilustração foi feita pelo talentoso autor português - do qual eu sou confesso fã - Osvaldo Medina (autor de Kong the King, A Fórmula da FelicidadeFranco: Caos e Ordem, Mucha, Hawk, entre muitos outros).

Partiu de mim o desafio ao autor. E ele, pronta e generosamente, concordou, presenteando-me com esta bonita ilustração de Spirou. Muito obrigado, caro Osvaldo!

De agora em diante, e para que a imagem do Vinheta 2020 vá tendo alguma dinâmica com o passar do tempo, desafiarei ilustradores portugueses a contribuirem para este espaço com uma ilustração sua de um herói de BD. Desta forma, o banner do blog vai sendo alterado de ano a ano... ou de seis em seis meses. Logo decidirei.

E, quem sabe, no espaço de alguns anos terei uma bela galeria de imagens. Porque a verdade é que há muitos ilustradores talentosos em Portugal.

"Joker", por Telmo Estrelado
Já agora, permitam-me informar que a ilustração do Joker que, durante um ano, foi a imagem do banner do Vinheta 2020 foi desenhada pelo meu bom amigo Telmo Estrelado.

Falando agora deste primeiro ano do Vinheta 2020, e olhando para trás, permitam-me ainda agradecer pelas milhares de visitas que os meus leitores me proporcionaram. 

Agradeço também aos editores que acreditaram neste projeto e me foram fornecendo livros, fazendo com que as análises aqui publicadas fossem muito atuais e abrangentes. 

Agradeço também aos outros bloggers que escrevem sobre BD em Portugal. A postura deles sempre foi positiva e inclusiva para comigo. 

Um abraço a todos e que este seja o primeiro de muitos anos. 

Vida longa à banda desenhada em Portugal!