sexta-feira, 24 de abril de 2026

Ala dos Livros lança segundo volume de "A Sombra das Luzes"!



A Ala dos Livros acaba de lançar o segundo volume da série A Sombra das Luzes, da autoria de Alain Ayroles e Richard Guérineau!

Este segundo tomo denomina-se Rendas e Colares de Conchas e esta é uma série cujo primeiro ciclo termina no tomo 3. Do primeiro volume, relembro, já aqui falei.

Estou bastante curioso para ver aonde esta história nos pode levar.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
A Sombra das Luzes - Tomo 2 – Rendas e Colares de Conchas, de Alain Ayroles e Richard Guérineau

Após “O Burlão nas Índias”, Alain Ayroles volta a repetir a proeza com elegância! Dando continuidade à tradição epistolar de Ligações Perigosas, orquestra um vertiginoso jogo de vigarices, num século XVIII brilhantemente retratado pelo desenhador Guérineau.

Ayroles e Guérineau continuam a pintar com desenvoltura o retrato aterrorizante de um libertino do século XVIII. As reviravoltas prosseguem nas terras exóticas da Nova França, onde o selvagem não é quem pensamos que seja.

Ladeado pelo iroquês Adario e o seu criado filósofo, Saint-Sauveur chega à Nova França, onde uma nova aposta lhe permitirá exibir os seus talentos mortais. Mas não se pode brincar com os corações impunemente, e as maquinações do libertino vão transformar-se em catástrofe. Trocando as meias de seda por perneiras de pele de veado, o cavaleiro terá que vagar pelas florestas e afastar os seus preconceitos: os selvagens têm inteligência!

A série “A Sombra das Luzes”, de que a Ala dos Livros apresenta agora aos leitores portugueses o segundo tomo, está prevista para 3 volumes.


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Ficha técnica
A Sombra das Luzes - Tomo 2 – Rendas e Colares de Conchas
Autores: Alain Ayroles e Richard Guérineau
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 255 x 340 mm
PVP: 25,00 €






"O Fantasma da Ópera" recebe adaptação para BD!




A adaptação de O Fantasma da Ópera - um romance original de Gaston Leroux - para banda desenhada é-nos dada pelos irmãos Brizzi, cujas belíssimas adaptações de O Inferno de Dante e Dom Quixote de La Mancha para banda desenhada já por cá foram editadas também. E recomendam-se!

Esta é uma edição d' A Seita e da Arte de Autor e já está disponível desde 16 de Abril. A edição inclui um ex-libris, limitado ao stock existente.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da obra e com algumas imagens promocionais.

O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi

Baseado no romance de Gaston Leroux

Estão a ocorrer eventos sobrenaturais na Ópera: o grande lustre desaba durante uma representação, matando um espectador; um assistente de palco é encontrado enforcado... A direcção é obrigada a encarar os factos: um fantasma, ou um homem maquiavélico chamado Erik, está a assombrar o teatro. Alguns afirmam ter visto o rosto deformado deste indivíduo, que parece ser desumano. Pouco depois, os directores da Ópera recebem uma exigência de 20.000 francos por mês de um certo "Fantasma da Ópera", que também insiste que o camarote número 5 lhe seja reservado.

Nos bastidores da ópera, o Visconde Raoul de Chagny está apaixonado por Christine, uma jovem cantora de ópera. Mas não suporta ouvi-la a falar com outro pretendente misterioso, com uma voz melancólica e fantasmagórica...

Depois do sucesso das suas adaptações do Inferno de Dante, Dom Quixote de Cervantes, Paul e Gaëtan Brizzi voltam a aventurar-se num clássico da literatura. O Fantasma da Ópera transporta-nos para Paris em 1890. A Paris do século XIX, o cenário da Ópera Garnier e esta história fantástica combinam-se para criar uma encantadora novela gráfica, uma série de imagens deslumbrantes.


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Ficha técnica
O Fantasma da Ópera
Autores: Gaëtan e Paul Brizzi
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 340 mm
PVP: 29.00€



Análise: O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo

O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard - ASA - LeYa

O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard - ASA - LeYa
O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard

Editado ainda no presente mês de Abril, chegou-nos pelas mãos da editora ASA este O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard. Originalmente, o livro foi lançado em 2024 e chega a Portugal no exato ano em que se assinalamos o 80º aniversário da obra O Principezinho, de Antoine de Saint‑Exupéry, um dos meus livros preferidos (de sempre!).

Este O Príncipe dos Pássaros de Alto não se trata de uma adaptação de O Principezinho para banda desenhada, convém dizer, mas antes de uma obra de cariz biográfico baseada num período concreto da vida de Antoine de Saint‑Exupéry, o autor dessa obra-prima da literatura.

Mais concretamente, este livro acompanha Saint‑Exupéry durante a sua estadia no Quebeque, Canadá, na primavera de 1942, no exato momento em que o escritor e aviador se encontrava exilado na América do Norte. Enquanto a guerra devastava a Europa - e a França especialmente - Saint‑Exupéry percorria o Canadá francófono para dar palestras, reunir‑se com intelectuais e conviver com a elite cultural local, assumindo publicamente o papel de escritor consagrado e figura moral da resistência francesa.

Mas nesta fase da sua vida, já bem longe do combate e dos céus de guerra que marcaram a sua vida, Saint‑Exupéry sente‑se dividido entre o privilégio do exílio e a culpa de não estar a lutar. A narrativa acompanha essa dicotomia que lhe gera mal‑estar interior, mostrando um homem cansado, inquieto e por vezes irascível, que tenta dar sentido à sua presença num território seguro, enquanto milhões vivem sob a violência do conflito. Paralelamente, a relação conturbada com Consuelo, a sua mulher, revela‑se complexa e instável, marcada tanto pelo apoio mútuo como por tensões emocionais profundas.

O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard - ASA - LeYa
O autor canadiano Philippe Girard opta por uma abordagem que não é puramente biográfica nem estritamente histórica. Mais do que relatar factos que comprovadamente aconteceram na vida de Saint-Exupéry, como palestras, encontros com a elite franco‑canadiana e outros compromissos públicos, o autor procura insinuar o estado interior de um homem suspenso entre a culpa do exílio e a impossibilidade física de intervir na guerra. 

Essa escolha, porém, tem um custo: o livro apresenta‑se como o retrato de uma fase curta e algo circunscrita da vida de Saint‑Exupéry, o que lhe confere um carácter fragmentário. A sensação é a de que Philippe Girard se baseia sobretudo em entrevistas, textos públicos e episódios documentados, e que os articula numa narrativa que, embora coerente, nem sempre parece totalmente orgânica ou profunda.

Essa fragilidade estrutural revela-se também em alguns saltos temporais que se revelam algo abruptos, causando alguns momentos de descontinuidade e uma ligeira perda de intensidade dramática.

E sou-vos sincero: a minha profunda paixão (ou será mesmo amor?) pela obra O Principezinho até pode ter jogado contra mim nesta leitura, reconheço. É que O Principezinho acaba por ter uma presença relativamente reduzida neste O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo. Obviamente, a "culpa" disso não é do autor, nem da obra... é minha, por ter, por ventura, acalentado esse desejo.

É claro que existem referências subtis - embora facilmente detectáveis - e piscadelas de olho e alusões simbólicas a O Principezinho, mas Girard recusa fazer dessa obra o eixo central da sua narrativa. E, atenção, está no seu pleno direito! E essa contenção até tem a sua elegância, mas acabou por gerar em mim alguma frustração, pois ainda que não fosse uma biografia completa de Saint-Exupéry ou uma ode a O Principezinho, considero que esperava um mergulho mais profundo na génese literária dessa obra maior.

O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard - ASA - LeYa
Além de que essa ausência se traduz também numa menor carga poética do que seria expectável. A história opta por um tom desencantado, quase árido, centrado numa existência marcada pelo tédio, pela melancolia e pelo sentimento de inutilidade. Mesmo aceitando essa opção estética, fica a sensação de que poderia haver mais espaço para a poesia, para a imaginação e para a leveza que tanto caracterizam Saint‑Exupéry como figura literária.

Há, por vezes, alguns momentos mais poéticos, sim, mas, quanto a mim, insuficientes em número e em carga emotiva. Não obstante o que acabo de referir, reconheço que também é justamente esse afastamento do mito que permite que alguns dos momentos mais fortes do livro emerjam noutro plano: o da intimidade conjugal. A relação entre o protagonista e Consuelo, a sua esposa, é um dos pontos fortes da obra, retratando com intensidade a relação do casal e mostrando como, especialmente no meio artístico, é comum que os relacionamentos amorosos sejam mais na base do contrato social e do apoio mútuo quase profissional entre ambos, do que propriamente no amor propriamente dito. 

Em termos de desenho, Girard adopta uma linha clara eficaz e legível, bastante simples, quase linear, com alguns momentos de beleza evidente. A composição é sóbria - talvez em demasia? -, favorecendo a leitura fluida. No entanto, essa mesma contenção acaba por se tornar, a certa altura, previsível, e a repetição de enquadramentos e soluções visuais começa a fazer‑se sentir.

As cores são garridas e de personalidade vincada, o que contribui de forma positiva para a experiência do leitor e, ao mesmo tempo, ajuda a encobrir a presença de um maior número de cenários vazios do que seria recomendável.

É um daqueles livros um pouco "enganadores" em termos visuais que, à primeira vista, impressionam, mas que, ao longo da leitura integral, perdem algum do seu impacto gráfico pela falta de variação. Reafirmo que há alguns bons momentos na vertente visual, mas isso não foi suficiente para que tenha ficado especialmente apaixonado pelo desenho do autor.

Apesar das várias reservas com que o livro me deixou, reconheço-lhe alguns bons feitos, nomeadamente quanto ao desfecho do mesmo, que se revela surpreendentemente eficaz. O final consegue reunir e amplificar os motivos que vinham sendo discretamente preparados ao longo da narrativa, oferecendo uma espécie de síntese emocional e simbólica que recontextualiza tudo o que foi lido antes. Essa apoteose final não apaga todas as fragilidades do percurso, mas eleva significativamente o conjunto.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça e um bom papel baço no interior. A encadernação e a impressão também se apresentam bem feitas.

Em suma, este é um livro que ficou um pouco aquém das minhas expectativas - que eram altas, admito. O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo é uma obra imperfeita, por vezes aquém do seu potencial, mas honesta na sua ambição: pensar Saint‑Exupéry não como lenda, mas como homem. Alguém cansado, contraditório, e ainda assim criador, mesmo quando tudo à sua volta parecia pedir silêncio. 


NOTA FINAL (1/10):
6.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo, de Philippe Girard - ASA - LeYa

Ficha técnica
O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo
Autor: Philippe Girard
Editora: ASA
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 32 x 23,8 cms

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Análise: A Nossa Voz!

A Nossa Voz!, de Nora Dåsnes - Nuvem de Letras - Penguin Random House

A Nossa Voz!, de Nora Dåsnes - Nuvem de Letras - Penguin Random House
A Nossa Voz!, de Nora Dåsnes

Foi durante o passado mês de Março que a Nuvem de Letras publicou o livro A Nossa Voz!, de Nora Dåsnes, autora norueguesa da qual a editora já havia editado, em 2024, o livro Um coração, Dois Caminhos.

Desta vez, voltamos a acompanhar as personagens de Bao, Tuva e Linnéa, três colegas de escola que partilham uma amizade e uma consciência social acima da média. 

Nossa Voz! conta-nos as peripécias que estas crianças enfrentam quando se veem confrontadas com a decisão de cortar as árvores de um espaço verde junto à sua escola. É nessa pequena floresta onde costumam brincar, que está planeada a construção de um parque de estacionamento. Para muitos adultos, trata‑se de uma decisão prática e inevitável, mas para os jovens aquele espaço tem um valor afetivo, ambiental e simbólico muito maior.

A Nossa Voz!, de Nora Dåsnes - Nuvem de Letras - Penguin Random House

Inicialmente, os protagonistas, e em especial Bao, sentem-se impotentes, pois as suas opiniões não são levadas a sério pelos adultos à sua escola. Seja pelos seus familiares ou pelos professores. Afinal de contas, para resolver o problema do estacionamento, o corte daquelas árvores parece uma decisão lógica para todos os adultos. 

Mas as crianças não desistem e começam a informar‑se, a conversar entre si e a perceber que, unidas, podem tentar mudar a situação. 

Este livro destinado a um público mais infanto-juvenil, mostra o nascimento de uma consciência cívica que surge a partir do momento em que percebemos que todos nós - até mesmo as crianças e os jovens - temos direito a opinar, a defender aquilo que consideramos justo e a participar no construto de homens e mulheres a que chamamos "sociedade".

A partir daí, os jovens organizam um protesto pacífico para salvar as árvores, usando cartazes, palavras de ordem e ações criativas para chamar a atenção da comunidade. 

A Nossa Voz!, de Nora Dåsnes - Nuvem de Letras - Penguin Random House
Ao longo desse processo, enfrentam dúvidas, medos e alguns conflitos, mas também descobrem a força da amizade, da cooperação e da persistência. O protesto torna‑se um verdadeiro exercício de cidadania ativa.

O estilo de desenho de Nora Dåsnes é simples e um pouco naif, mas eficiente na forma como reproduz a componente visual da obra. Não ousando transcender-se muito na abordagem que faz, consegue, a espaços, ter alguns momentos mais belos. Mesmo assim, também é verdade que a linguagem corporal das personagens, bem como algumas expressões faciais das mesmas talvez tivesse merecido um maior aprumo por parte da autora Nora Dåsnes. Não obstante, acaba por ser um livro coeso no plano visual, cumprindo os seus intentos.

A edição da Nuvem de Letras, uma chancela do grupo Penguin, é em capa mole, com badanas, apresentando bom papel baço e um bom trabalho ao nível da encadernação e impressão.

Em suma, Nossa Voz! é um livro especialmente destinado às crianças e jovens, que aborda de forma acessível temas como ambientalismo, participação cívica, democracia e ativismo juvenil. A obra transmite uma mensagem clara: mesmo sendo jovens, todos têm uma voz que merece ser ouvida e podem contribuir para proteger o ambiente e influenciar decisões que afetam o seu futuro. Ótimo presente para se oferecer aos mais novos neste Dia Mundial do Livro. Fica a dica.


NOTA FINAL (1/10):
8.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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A Nossa Voz!, de Nora Dåsnes - Nuvem de Letras - Penguin Random House

Ficha técnica
A Nossa Voz!
Autora: Nora Dåsnes
Editora: Nuvem de Letras
Páginas: 240, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 150 x 210 mm
Lançamento: Março de 2026