sexta-feira, 15 de maio de 2026

Escorpião Azul reedita "Jardim dos Espectros"!



Já está disponível a nova edição da obra Jardim dos Espectros, de Fábio Veras, editada pela Escorpião Azul!

Esta é uma obra de belíssima qualidade, já aqui analisada por mim, e que se encontrava esgotada.

A nova edição apresenta uma nova ilustração de capa e uma dimensão ligeiramente superior.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Jardim dos Espectros, de Fábio Veras

Núvia é o jardim que acolhe centenas de almas que já pertenceram a este mundo.

Mas por alguma razão, este local, que fora o mais visitado da cidade, é agora tabu na boca da população. O que fora um jardim alegre e cheio de vida, é agora palco de acontecimentos invulgares. 

Hoje poucos ousam entrar. Mas um forasteiro, assim como é tratado, parece não temer os segredos tão bem escondidos por entre os ramos das árvores. 

Saberá mais do que aparenta?




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Ficha técnica
Jardim dos Espectros
Autor: Fábio Veras
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 64, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 17 x 24 cm
PVP: 19,00€

Arte de Autor e A Seita editam livro sobre Hugo Pratt!



As editoras Arte de Autor e A Seita acabam de editar um livro sobre Hugo Pratt, o célebre autor da ainda mais célebre série de BD Corto Maltese.

Da autoria de Angel de La Calle, que esteve recentemente em Portugal no Coimbra BD, este não é um "livro de banda desenhada", mas sim um livro "sobre banda desenhada". Algo que, felizmente, temos vindo a ver mais assiduamente em Portugal, com a edição de alguns livros que teorizam a banda desenhada.

Certamente é compra obrigatória para todos os que, como eu, são apaixonados pela criação de Hugo Pratt.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Hugo Pratt: A Mão de Deus, de Angel de La Calle

“[Jorge Luis] Borges ensinava uma coisa muito importante: contar mentiras como se elas fossem a verdade. Dele, aprendi a contar a verdade como se fosse a mentira”.
Hugo Pratt

O veneziano Hugo Pratt passou à história da cultura como criador da personagem Corto Maltese, o pirata romântico e navegante solitário e complexo. Mas mais do que isso, Pratt foi um autor que transformou o clássico em moderno e revolucionou a linguagem da banda desenhada.

Nesta obra, o autor e investigador Ángel de la Calle, analisa detalhada e criticamente as diferentes fases da vida e obra de Pratt, desde a sua infância em Veneza, a adolescência na Etiópia, o início da sua carreira como autor de BD no pós-guerra, a empreitada argentina, até à consagração como um autor tão mítico quanto a sua maior criação, o marinheiro Corto Maltese, sem esquecer as suas últimas obras, desmontando o mito construído por Pratt em torno da sua biografia e revelando os segredos do seu traço único.

Uma viagem fascinante, muito bem documentada e melhor ilustrada - com mais de uma centena de imagens, muitas delas publicadas pela primeira vez em Portugal - pela vida de um dos nomes maiores da Literatura Desenhada (expressão que ele preferia a banda desenhada) do século XX, enriquecida com um posfácio do especialista brasileiro Gabriel Nascimento, que revela a verdade sobre os filhos brasileiros de Pratt.

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Ficha técnica
Hugo Pratt: A Mão de Deus
Autor: Angel de La Calle
Ilustrações: Hugo Pratt
Editoras: Arte de Autor e A Seita
Páginas: 160, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 19,90€

Análise: Ginseng Roots

Ginseng Roots, de Craig Thompson - ASA - LeYa

Ginseng Roots, de Craig Thompson - ASA - LeYa
Ginseng Roots, de Craig Thompson

Tendo já lido muitos, muitos livros de banda desenhada - afinal, são Muitos Anos a Virar Páginas... - há algo que digo muitas vezes: em termos de BD, existem três tipos de livros: aqueles que nos conquistam pela história; aqueles que nos conquistam pela forma/desenho; e aqueles, mais raros, que nos conquistam por inteiro, em todas as vertentes. Ginseng Roots, de Craig Thompson, publicado há dias pela ASA, pertence inequivocamente a esta última categoria. Trata-se de uma obra profundamente pessoal, extremamente ambiciosa e generosa ao mesmo tempo, convidando o leitor a mergulhar não apenas na vida do autor, mas também num universo cultural vasto e inesperado.

Este é um livro em que o autor revisita a sua infância e juventude no interior dos Estados Unidos, especialmente no Wisconsin, onde cresceu numa família rural de origem humilde. A obra mistura memórias pessoais com investigação jornalística, diria, tendo como eixo central o cultivo do ginseng, essa planta medicinal valiosa que marcou profundamente a economia local e a vida da família de Craig Thompson. Craig e os seus dois irmãos, Phil e a sua irmã (cujo nome não é mencionado e que, curiosamente, nem sequer apareceu no longuíssimo livro autobiográfico Blankets), passavam o verão a trabalhar nos campos de cultivo de ginseng, arrancando ervas daninhas, apanhando pedras, enfim... fazendo um trabalho que era difícil, mas que permita a Craig e a Phil amealharem algum dinheiro, que depois passaram a investir na aquisição de revistas de banda desenhada. Naturalmente, ao longo do livro, Thompson explora como o trabalho árduo nos campos moldou a sua visão de mundo e a sua própria identidade.

Ginseng Roots, de Craig Thompson - ASA - LeYa
O autor vai depois alternando entre o passado e o presente, refletindo sobre a sua relação com a família, bem como sobre os valores religiosos e culturais que o influenciaram. A narrativa revela tensões entre a infância de trabalho físico exigente e o desejo de seguir uma vida artística. Ao revisitar essas memórias, Thompson tenta reconciliar o jovem que foi com o adulto que se tornou, explorando sentimentos de culpa, gratidão e distanciamento.

Paralelamente, o livro expande-se para uma análise global do comércio do ginseng, mostrando como essa raiz conecta diferentes países, sobretudo os Estados Unidos e a China. Thompson investiga as cadeias de produção, os impactos económicos e sociais e até as histórias de exploração de trabalhadores. Assim, o relato pessoal ganha uma dimensão mais ampla, associando a experiência individual a questões de globalização, trabalho e intercâmbio cultural.

E é difícil dissociar Ginseng Roots da obra mais conceituada do autor, Blankets. Enquanto Habibi é uma obra completamente diferente de Blankets, Ginseng Roots, com todo o seu cariz autobiográfico, acaba quase por ser um "Blankets - Parte 2", mesmo tendo a questão do ginseng como tema de fundo. E essa parte de ser uma obra autobiográfica chega quase a ser ensaísta, já que Craig Thompson parece refletir sobre Blankets, mostrando a forma como os seus pais e os seus irmãos reagiram a esse livro, o sucesso que o mesmo lhe granjeou e como isso o deixou, consequentemente, num buraco criativo para outras obras, com menor sucesso, que veio a publicar posteriormente. Há aqui um diálogo íntimo com o passado, mas também uma tentativa honesta de compreender o impacto da criação artística no seio familiar. Esta auto-análise é aqui feita sem pudores, de forma corajosa. E isso, meus caros, não é algo que encontremos todos os dias em banda desenhada.

Ginseng Roots, de Craig Thompson - ASA - LeYa
Se tantas temáticas juntas num só livro poderiam torná-lo numa “caldeirada” algo desconexa, Craig Thompson tem o condão de unir muito bem os pontos e, tal como as cerejas, muitas vezes damos connosco a ver um tema a ser trocado por outro de um modo espontâneo, sem que isso perca interesse. Pelo contrário, ganha mais interesse. Esta fluidez narrativa é uma das grandes forças da obra, permitindo uma leitura envolvente e naturalmente ritmada.

Este é um projeto enorme e impressionante nos seus intentos, que exigiu anos de muito trabalho por parte do autor, incluindo uma documentação muito grande, através de muitas entrevistas, estudos e até viagens à China ou à Coreia para melhor aprofundar o tema do ginseng. E esse esforço sente-se em cada página, tornando a leitura não só enriquecedora, como também profundamente informada.

O próprio título do livro é muito bem conseguido, pois tendo o assunto das raízes de ginseng como temática central, o verdadeiro feito do livro é a capacidade transparente do autor em mergulhar nas suas próprias raízes, recuando até à sua infância e às experiências vividas nesse tempo, para conseguir traçar um retrato, com um “porquê” e um “como”, da forma como se tornou no homem que é hoje. 

Tendo essas duas vertentes - autobiográfica e da história do ginseng - como pontos centrais, o livro não se fica por aí, abordando outros assuntos interconexos como a história dos nativos americanos, as técnicas agrícolas, o marketing adjacente aos produtos agroalimentares, a geopolítica económica que daí chega e o próprio impacto cultural de tudo isto. Craig Thompson leva esta missão a cabo de um modo quase frenético, o que até pode ser extremo para alguns leitores, mas que reforça a densidade e a riqueza do conjunto.

Ginseng Roots, de Craig Thompson - ASA - LeYa
Em termos visuais, esta é uma obra absolutamente fantástica! Com um estilo de desenho próximo daquilo que o autor nos deu nas suas obras mais conceituadas, aqui a variação, que funciona muito bem, acontece com o recurso às tonalidades vermelhas em cima do preto e branco. O resultado é simultaneamente elegante e expressivo, criando uma identidade visual muito própria.

O que sempre achei incrivelmente fantástico no desenho do autor é o detalhe que ele coloca em cada vinheta, por mais pequena que a mesma possa ser. Cada cenário, cada ambiente, cada cena, está repleta de pequenos pormenores que, juntos, contribuem para uma arte maior. Talvez seja (também) por isto que Craig Thompson tenha tantos admiradores - grupo no qual me incluo sem qualquer hesitação.

Qualquer que seja a cena retratada, um lamacento campo de cultivo, uma viagem de carro, uma cidade repleta de gente, uma paisagem árida, um templo chinês... o detalhe é impressionante. 

Tal como impressionante também é o uso inteligente e muito original da planificação que o autor faz. Várias vezes, partes do cenário de uma vinheta fundem-se com outras vinhetas, fazendo com que cada página seja única e surpreendente. Parece nunca faltar inspiração à forma elegante, bela e singular como o autor pensa cada uma das páginas dos seus livros. E em Ginseng Roots isso é particularmente notável. É daqueles livros em que podemos (devemos?) perfeitamente utilizar vários minutos a observar cada uma das ilustrações e páginas, absorvendo cada traço e cada composição.

Ginseng Roots, de Craig Thompson - ASA - LeYa
Se este tipo de trabalho fosse feito num livro de 48 páginas já seria algo impressionante. Agora, num livro com mais de 400 páginas, chega a revelar uma dedicação extrema do autor à sua arte. Cabe-nos a nós, leitores, desfrutar e aplaudir tal abnegação. É, sem dúvida, um livro lindo e profundamente marcante.

Se há algo de que me posso queixar - embora não seja uma queixa muito intensa - é que, por vezes, talvez o tema do ginseng seja um pouco explorado de forma intensiva pelo autor. Percebo o cuidado de Craig Thompson em nos dar um retrato tão fiel quanto possível - e isso é sempre bem-vindo - mas, a certa altura, achei que algumas coisas eram um pouco redundantes. Talvez o livro pudesse ser ainda melhor se tivesse algumas dezenas de páginas a menos ou caso uma ou outra entrevista tivesse sido deixada de fora. Ainda assim, nada disto belisca a grandiosidade da obra. Só a afasta, quanto a mim, de ser perfeita - mesmo que ande lá perto. Bem perto.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça, com lombada arredondada, bom papel baço no interior, e um bom trabalho a nível de impressão, encadernação e acabamentos. Originalmente, a obra foi editada em 12 fascículos, sendo depois editada como um todo, num só volume. E é essa a opção editorial assumida pela ASA. A correta, claro. No final, o livro apresenta 10 páginas onde estão inseridas muitas notas do autor sobre diversas ilustrações ou factos que nos deu ao longo do livro, o que ainda aumenta o cariz enciclopédico da obra. Há ainda um curioso e raro agradecimento especial à ASA, e à equipa portuguesa, por parte de Craig Thompson. Devo dizer que esta não é uma obra fácil para editar, pois tem inúmeras legendas, inúmeras informações, tipos de letra diferentes, notas de rodapé e até algum texto a fazer parte da própria arte, pois é ilustrado pelo autor. Apesar dessa aparente dificuldade, há que dizer que o trabalho de edição da ASA neste livro está muito bem conseguido. Posso dizer-vos que, em mais de 400 páginas repletas de informação, não encontrei nenhum erro de sintaxe ou ortografia. Coisa que, infelizmente, vejo acontecer em obras mais "fáceis" de editar.

Em suma, tal como as raízes do ginseng crescem lentamente, escondidas sob a terra, alimentando-se do tempo e da paciência, também nós carregamos dentro de nós raízes invisíveis, como memórias, afetos, e experiências, que nos definem de forma silenciosa. Ginseng Roots é, acima de tudo, uma escavação dessas camadas profundas da identidade, um gesto de coragem e de pertença. Mais do que nos oferecer um bom livro - certamente um dos melhores do ano editorial português - Craig Thompson, oferece-nos um espelho onde podemos reconhecer as nossas próprias origens e, quem sabe, encontrar um sentido mais claro para o caminho que ainda temos pela frente. Porque, no fundo, todos procuramos compreender de onde vimos na esperança de melhor perceber para onde vamos.


NOTA FINAL (1/10):
9.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Ginseng Roots, de Craig Thompson - ASA - LeYa

Ficha técnica
Ginseng Roots
Autor: Craig Thompson
Editora: ASA
Páginas: 448, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 24,2 x 18 cm
Lançamento: Maio de 2026


Vem aí o segundo volume de "Slava"!



A ASA prepara-se para editar, a partir do próximo dia 2 de Junho, o segundo volume do tríptico Slava, de Pierre-Henry Gomont.

Sobre o primeiro volume, que me deixou boas impressões, já aqui falei, relembro.

Ainda que o livro só nos chegue já nos primeiros dias de Junho, já pode ser encontrado em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais da edição original francesa.


Slava #2 - Os Novos Russos, de Pierre-Henry Gomont

Anos 90, no coração da Rússia. 

Desde a sua violenta discussão com Slava, Lavrine não deu sinal de vida. 

Se este último não é encontrado, é porque foi abandonado por Troubetskoï numa aldeia isolada, amputado de dois dedos e sem um tostão. Atolado na sua solidão, Lavrine é uma sombra do que era. Embora consiga, para sobreviver, enganar as almas caridosas que lhe oferecem ajuda, o seu coração já não está nisso. Perdeu o apetite pelo lucro e pela fraude que sempre lhe serviram de razão de viver... 

Será que encontrará, nestes erros e nas águas turvas da dúvida, o fôlego que lhe falta para finalmente se revelar a si mesmo?
Quanto a Slava, ele mantém com mais zelo e assiduidade a sua paixão clandestina por Nina do que a conclusão das transações que iniciou com Troubetskoï para salvar a mina. É que ele precisa redobrar a sua engenhosidade para evitar que Arkady, o noivo da sua impetuosa amante, descubra o romance deles...


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Ficha técnica
Slava #2 - Os Novos Russos
Autor: Pierre-Henry Gomont
Editora: ASA
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 29,7 x 24,4 cm
PVP: 20,90€