quinta-feira, 11 de junho de 2026

Análise: O Cheiro Dele Depois da Chuva

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera

Vou começar por dizer uma coisa: quando soube que a Arte de Autor iria editar este livro em Portugal, senti um arrepio. Deixem-e recuar um pouco no tempo e falar-vos duma história pessoal.

No ano passado, em pleno Amadora BD, recebi um telefonema da minha mulher a dizer para ir para casa, pois o nosso cão Quixote, o meu melhor amigo dos últimos anos, estava a finar-se. Já sabíamos que ele estava doente, com um cancro nas supra-renais já diagnosticado, que era tratado com cuidados paliativos, mas a verdade é que, até àquele dia, a sua vida era feita de forma tão normal quanto possível, sem que ele estivesse em sofrimento. Mas, infelizmente, os cães têm este defeito - talvez o único? - de terem vidas curtas quando comparadas com as nossas. O nosso Quixote acompanhou-nos, a mim e a minha mulher, e às duas filhas que entretanto chegaram, durante 14 anos e meio, tendo estado sempre presente nos momentos-chave dessa década e meia. Perdê-lo custou muito, como devem imaginar.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
Portanto, quando soube de lançamento deste livro, sobre a relação de um homem com o seu cão, fiquei com uma enorme vontade de o ler, por um lado, e com receio de mergulhar nesta leitura, por outro. 

Esta banda desenhada da autoria de José Luis Munuera resulta da adaptação da obra original de Cédric Sapin-Defour que, em França, alcançou o feito de mais de um milhão de exemplares vendidos.

Este O Cheiro Dele Depois da Chuva é um relato profundamente íntimo e sensível sobre a relação que o autor construiu com o seu cão, Ubac. Mais do que uma simples história sobre um animal de estimação, o livro mergulha na forma como essa ligação se torna central na vida do autor, influenciando o seu quotidiano, os seus pensamentos e até a sua identidade. 

É uma história simples e escorreita, que não procura ser lamechas, mas antes demonstrar a beleza da presença e das pequenas rotinas partilhadas, revelando como o vínculo entre um humano e um animal pode ser tão intenso quanto qualquer relação humana.

À medida que Ubac envelhece, a narrativa ganha uma tonalidade mais melancólica, explorando de forma honesta e poética a inevitabilidade da perda. O autor aborda o luto com grande sensibilidade, captando a dor, mas também a gratidão por tudo o que foi vivido. 

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
José Luis Munuera - de quem a Arte de Autor já por cá publicou Um Conto de Natal, Bartleby, o Escriturário, A Corrida do Século e Peter Pan de Kensington - dá-nos aqui aquele que, quanto a mim, passa a ser o melhor livro do autor publicado em Portugal. Talvez por ser uma história simples, mas carregada de emoção e contemplação, sem que isso seja um pretexto para uma dramatização em excesso.

Acompanhamos a vida de um homem de meia idade, Cédric, um professor de educação física, que vive sozinho, de forma desprendida, e que decide adotar um Cão da Montanha de Berna, a quem dá o nome de Ubac. A partir daí, a história de Cédric deixa de ser vivida de forma tão solitária e Ubac passa a estar nos momentos mais importantes da sua vida. Daí a conhecer uma mulher por quem se apaixona, por fazer alterações drásticas na sua profissão e localidade onde vive, é apenas um pequeno passo natural.

É possível que quem leu ou viu Marley e Eu, de John Grogan, encontre alguns pontos em comum com este O Cheiro Dele Depois da Chuva. Todavia, são histórias algo diferentes na abordagem. Este livro de que vos falo tem um tom mais contemplativo, quase poético, que não convida tanto às gargalhadas nem às lágrimas, como o famosíssimo Marley e Eu, embora, ainda assim seja pontuado por alguns momentos mais divertidos ou mais emocionantes.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
Munuera parece particularmente inspirado, oferecendo-nos um trabalho que nos faz sentir a ideia da obra original, através de um belo texto em monólogo - possivelmente captando o texto original de Cédric Sapin-Defour - e de ilustrações cativantes e poéticas, que além de nos contarem a história, nos fazem senti-la através dos silêncios, dos enquadramentos e dos ritmos visuais lentos - mas nunca enfadonhos - que surgem em cada página.

O traço de Munuera assume aqui um papel determinante. Com uma linha equilibrada, semi-realista e subtil, o autor consegue captar tanto a expressividade das personagens quanto a atmosfera dos espaços naturais que atravessam a obra. Há uma contenção muito eficaz no desenho: nada é excessivo, mas tudo está carregado de intenção, permitindo que o leitor projete as suas próprias emoções nas cenas.

A cor, trabalhada por Sedyas, reforça essa capacidade evocativa. As tonalidades são ricas sem nunca se tornarem excessivas, criando ambientes que oscilam entre o conforto e a melancolia. Há uma sensibilidade cromática que acompanha o estado emocional da narrativa, sublinhando as transições do tempo e, sobretudo, da vida.

A estrutura da obra, dividida em sete partes que percorrem treze anos de convivência entre Cédric e Ubac, é particularmente feliz. Cada segmento funciona quase como um fragmento autónomo, que vai assinalando momentos relevantes na vida do protagonista. E convém aqui explicar que esses momentos relevantes até podem não ser "grandes acontecimentos". Por vezes, até são os gestos aparentemente insignificantes, como um passeio, um olhar ou uma rotina partilhada, aquilo que constrói verdadeiramente uma relação. E é precisamente nessa atenção ao detalhe que a obra encontra a sua verdade, mostrando como os laços mais fortes se tecem a partir de pequenas repetições.

O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor
A questão do apego e da perda entre dono e cão surge de forma inevitável, claro, mas não é um assunto que seja explorado em termos dramáticos até à exaustão. Para quem já passou pela perda de um companheiro de quatro patas, o impacto pode ser verdadeiramente intenso. Ainda assim, importa sublinhar que a obra nunca resvala para o sentimentalismo fácil. É comovente, sim, mas mantém sempre uma elegância emocional que a distingue de narrativas mais "manipuladoras". 

É difícil explicar racionalmente porque nos ligamos tanto a um animal, mas a obra consegue tornar essa ligação compreensível através da experiência sensível que nos oferece. E quando chega o momento da despedida, o vazio que fica é grande, mas também é grande a sensação de plenitude de uma vida cheia que tivemos e que devemos guardar, com carinho, nas nossas memórias. 

Há também uma dimensão universal que atravessa toda a obra. Embora se centre numa relação muito específica, ela acaba por falar de algo maior: o amor, o tempo, a memória e a inevitabilidade da perda.

A edição da Arte de Autor é em capa dura, de textura aveludada e com detalhes a verniz. No miolo, o livro apresenta bom papel baço, boa impressão, boa encadernação e bons acabamentos. Há ainda um posfácio do autor do romance original, Cédric Sapin-Defour, que enaltece a adaptação para banda desenhada de José Luis Munuera.

Em suma, O Cheiro Dele Depois da Chuva deixa-nos com a sensação de termos lido algo verdadeiramente especial. Uma história de amor profundamente tocante, que aquece e aperta o coração ao mesmo tempo. Sensível sem ser piegas, sincera sem ser adornada, bela sem ser demasiado plástica, esta obra é um belo livro que nos lembra do quão importantes são as relações que temos com os nossos amigos de quatro patas.


NOTA FINAL (1/10):
9.4


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Cheiro Dele Depois da Chuva, de José Luis Munuera - Arte de Autor

Ficha técnica
O Cheiro Dele Depois da Chuva
Autor: José Luis Munuera
Adaptado a partir da obra original de: Cédric Sapin-Defour
Editora: Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 cms
Lançamento: Maio de 2026

Já estão abertas as inscrições para o curso da história da BD portuguesa online. E é gratuito!!!



Eis uma bela notícia, que merece todos os meus louvores!

A UNAVE - Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro, em conjunto com a FCCN, unidade da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), responsável pelo desenvolvimento e gestão da plataforma NAU, estão a disponibilizar dois cursos sobre banda desenhada, intitulados A Banda Desenhada portuguesa do Zé Povinho ao 25 de Abril e A Banda Desenhada portuguesa da Revolução aos Dias de Hoje!

Trata-se de dois xMOOCs (Extended Massive Open Online Courses), dois cursos online massivos, abertos a todos, estruturados com conteúdos organizados, vídeos e atividades, que qualquer pessoa pode frequentar gratuitamente e ao seu próprio ritmo.

Os cursos são dados por João Miguel Lameiras, Mestre em História da Arte pela Universidade de Coimbra e Especialista em BD e ilustração. Um amigo a quem dou os parabéns e desejo a melhor das sortes nesta sua nova aventura.

Na verdade, a ideia inicial até era criar apenas um curso, mas logo se chegou à conclusão de que o conteúdo era grande o suficiente para que se fizessem dois cursos em vez de um. 

Naturalmente, vou inscrever-me nestes cursos e convido todos os meus leitores a fazê-lo também. Informação grátis e bem estruturada sobre banda desenhada? Contem comigo, claro.

Mais abaixo, deixo-vos com os links para os dois cursos, para que se possam inscrever de forma gratuita. 

Relembro que as inscrições se mantêm abertas até o próximo mês de dezembro.






O meu Olhar sobre o Festival de Beja 2026



Decorreu no fim de semana passado mais uma edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que voltou a dar-nos um evento caloroso para fãs da 9ª Arte. Como sempre costumo dizer: trata-se da "Concentração Anual de Bedéfilos de Portugal". Para mim, ainda é o melhor subtítulo para classificar este evento.

O Festival regressou com a mesma identidade que o tornou um caso único em Portugal, mesmo que esta edição tenha deixado a sensação subtil de alguma diminuição na presença de grandes nomes internacionais e de público.




Senti, de facto, que havia menos público durante esta edição do evento. Não é justo dizer que o evento estivesse vazio - as mesas estavam quase sempre bem preenchidas e o pequeno auditório também - mas, de um modo geral, parecia haver menos gente a circular pelo evento, especialmente na área dedicada às exposições e ao mercado da BD, que muitas vezes pareceu excessivamente grande para o interesse e presença dos poucos visitantes que por ali cirandavam.

Esta quebra em termos de público pode justificar-se de vários modos, mas quer parecer-me que está relacionada com o slot de calendário, um pouco sobrecarregado, que este evento passou a ocupar. É certo e sabido que a haver "proprietário" desta janela temporal, tendo em conta que falamos do segundo evento mais antigo de banda desenhada em Portugal - daqueles que ainda existem -, deveria ser o Festival de Beja a ocupar esta vaga no calendário. Contudo, com a criação do Maia BD, que ocorre com meras duas semanas de intervalo e com a Feira do Livro de Lisboa, que ocorre em simultâneo com o Festival de Beja, quem perde é este último. Falei com muitas pessoas que me disseram que não iriam a Beja, pois já tinham ido à Maia, ou porque tinham coisas a ver na Feira do Livro de Lisboa. 




Olhando para o calendário, parece-me óbvio que a data do Festival deveria ser alterada. E até tenho uma sugestão: que tal no primeiro ou segundo fim de semana de Setembro? Nessa altura, a grande maioria das pessoas já chegou de férias e já está mais disponível; ainda é verão e há bom tempo; não há nenhum evento grande de BD durante essa altura (o Amadora BD só ocorre na última semana de Outubro) e ainda é a rentrée literária, o que possibilitaria ao festival ter vários lançamentos de livros. Além de que, convém não esquecermos, quando o festival regressou após a pandemia de Covid-19, foi mesmo nessa altura que aconteceu essa edição de regresso. É a minha sugestão e a minha proposta. Bem sei que é fácil dar sugestões e que, no final, são as decisões camarárias que imperam para que se faça - ou não - eventos pagos pelos Municípios. Mas não deixa de ser, acredito, uma opção a ter em conta esta de mover a data do Festival de Beja para o início de Setembro. Fica, novamente, a sugestão.




Em termos de lineup de autores internacionais, o Festival deste ano também se mostrou menos forte do que em edições anteriores. Sem desprimor para os nomes internacionais que marcaram presença - todos eles com trabalho digno de admiração - diria mesmo que o grande nome foi o de Thomas Ott, o autor suíço das duas obras publicadas em Portugal A Floresta e O Número 73304-23-4153-6-96-8

Foi um prazer assistir à conversa com o autor, moderada por João Miguel Lameiras, ou assistir à curiosa e impressionante técnica de raspagem que o autor utiliza nas suas ilustrações.




Ora, tirando esta questão da menor afluência de público ou de uma presença menos robusta de autores de renome internacional, como já aconteceu em muitas edições passadas, tudo o resto funcionou bastante bem. À boa maneira de Beja.

As exposições eram boas e variadas e as apresentações eram interessantes. 

Apreciei especialmente o concerto desenhado protagonizado por Vasco Colombo e pela banda Club Makumba - o novo projeto musical de Tó Tripps desde o fim dos Dead Combo. Posso dizer-vos que já vou a Beja há alguns anos e nunca tinha visto um concerto desenhado tão bom como este. É até capaz de ter sido o ponto alto deste festival, marcando uma simbiose entre música e desenho dificilmente alcançada noutras tentativas.




Nota positiva, também, para a presença, pela primeira vez, de uma área dedicada aos editores independentes. Um género de artist alley, denominada Interstício. Esta área estava localizada num terraço situado no primeiro andar, logo por cima das arcadas onde estão as "mesas de confraternização" - gosto de lhes chamar assim. 

Diria que é uma iniciativa bem-vinda, embora me tenha parecido que talvez pudesse estar mais assinalada em termos de sinalética. Pareceu-me um pouco perdida, embora a porta para este espaço até estivesse sempre aberta. Mesmo assim, também é verdade que este é o primeiro ano em que há esta iniciativa e, continuando a acontecer nas próximas edições, os visitantes passarão a saber melhor que este espaço ali se encontra.




De resto, e para além de tudo o que já referi, falar do Festival de Beja é falar de um dos eventos mais consistentes e queridos do panorama da BD nacional - um ponto de encontro que, ano após ano, continua a afirmar-se não pela quantidade, mas pela qualidade humana e artística.

Mais uma vez, saí com aquela sensação difícil de explicar, mas fácil de reconhecer: a de ter participado em algo genuíno. Beja não é um festival de multidões nem de grandes máquinas promocionais. É, acima de tudo, um espaço de partilha. Um espaço onde o essencial permanece intacto.




Uma palavra de reconhecimento impõe-se por isso, e mais uma vez, a Paulo Monteiro. Embora o festival resulte do esforço de uma equipa alargada, é impossível não associar a sua identidade à visão e dedicação de Paulo. O seu trabalho contínuo, ao longo de anos, moldou este evento com um cuidado raro e uma entrega que se sente em cada detalhe. Há ali uma dimensão pessoal que transforma o festival em algo mais do que uma simples programação cultural.




Este ambiente é particularmente importante para os autores, sejam eles emergentes ou já estabelecidos. Em Beja, ninguém está inacessível e todos fazem parte da mesma comunidade. É essa horizontalidade que cria um sentimento de pertença tão raro em eventos culturais desta dimensão. 

No que toca às exposições e à programação, manteve-se o cuidado e a diversidade que caracterizam o festival. Houve propostas para diferentes gostos e sensibilidades, com uma curadoria atenta tanto ao panorama nacional como a vozes internacionais. 




O auditório voltou a ser um dos centros vitais do festival. Como é habitual, as sessões estiveram bem compostas, muitas vezes com sala cheia, o que demonstra uma audiência atenta e interessada. 

Nota positiva para o facto das apresentações terem passado, na sua maioria, de 15 para 20 minutos. Pode não parecer uma grande diferença, mas é algo que contribui para aprofundar as conversas.




Em suma, o que permanece de Beja são os momentos informais: os almoços demorados, as conversas inesperadas, os reencontros e as primeiras amizades. É nesses instantes que o Festival de Beja revela a sua verdadeira essência. Mais do que um evento, é um ponto de encontro - um lugar onde a banda desenhada serve de pretexto para algo maior. E mesmo com pequenas oscilações, naturais ao longo dos anos, o Festival de Beja continua a ser um espaço absolutamente singular no panorama português.



Devir vai lançar novo Batman!



A Devir prepara-se para lançar, a partir do próximo dia 15 de junho, um novo livro de Batman!

Desta vez, estamos perante Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin.

Trata-se de uma reimaginação da personagem de Batman, num conceito que nos apresenta o Cavaleiro das Trevas - e toda a sua envolvente - de uma forma diferente.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin

O Cavaleiro das Trevas Absoluto

Um gangue de assassinos mascarados aterroriza as ruas de Gotham.

Um vigilante luta pela cidade, mas não é o Batman que conhecemos. O Universo Absoluto nasceu da batalha apocalítica da Liga da Justiça contra Darkseid e deu origem a um novo leque de realidades que reimaginam os seus heróis favoritos como nunca antes os viu.

Em Absolute Batman, conheça um jovem Bruce Wayne sem a Mansão Wayne, sem Alfred ao seu lado e pronto a dar uma machadada ao crime enquanto Cavaleiro das Trevas.

Uma criação de Scott Snyder e do artista Nick Dragotta, que inclui o artista convidado Gabriel Hernández Walta, numa história de origem imperdível.

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Ficha técnica
Absolute Batman: O Zoo
Autores: Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin
Editora: Devir
Páginas: 190, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 20,00€