quinta-feira, 23 de abril de 2026

Levoir regressa ao lançamento de BD!



Sai hoje, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, com o jornal Público, o primeiro livro de banda desenhada que a Levoir lança em 2026! 

Com edição conjunta com a editora A Seita, trata-se da obra Trilogia Shakespeariana, de Raoul Traverso e Gianni De Luca, um clássico da banda desenhada italiana que adapta para banda desenhada três das mais célebres obras de William Shakespeare: Romeu e Julieta, Hamlet e A Tempestade.

O livro tem o preço de 16,90€ e pode ser comprado nas bancas, juntamente com o jornal Público.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa e algumas imagens promocionais do livro.
Trilogia Shakespeariana, de Raoul Traverso e Gianni De Luca

Shakespeare um Homem do seu tempo para todos os tempos. Passados 50 anos da sua publicação original, a Levoir, A Seita e o jornal Público uniram-se para apresentar aos leitores portugueses a obra de Gianni De Luca, Trilogia Shakespeariana, que será publicada a 23 de Abril, Dia do Livro e em que se assinalam os 410 anos da morte do célebre autor de língua inglesa William Shakespeare.

Gianni de Luca nasceu em Gagliato, na Calábria, foi desenhador, ilustrador, pintor e gravador, considerado um dos maiores mestres italianos da banda desenhada, dotado de uma elegância gráfica que caracterizou toda a sua obra e capaz de uma pesquisa estilística contínua que, ao experimentar novas soluções gráficas, o tornou um dos artistas italianos mais inovadores de sempre no cenário internacional.

De Setembro de 1975 a Dezembro de 1976, o semanário Il Giornalino publicou A Tempestade, Hamlet e Romeu e Julieta, em BD. De Luca não esteve sozinho, as adaptações são assinadas por Sigma, pseudónimo de Raoul Traverso. Por serem histórias mundialmente conhecidas, não há surpresas… a não ser quando se trata da forma.

Shakespeare é extremamente difícil de transpor para a BD, uma vez que as suas obras decorrem todas nos mesmos cenários e foram concebidas para cenários minimalistas, sem cenários de fundo. Tudo assenta no poder da palavra e do gesto. Basta pensar no famoso solilóquio de Hamlet no início do terceiro ato, mas De Luca encontrou uma solução gráfica, simples e revolucionária, para representar o passar do tempo, na sua banda desenhada o tempo não é representado através de uma divisão em vinhetas, mas sim pelo reaparecimento das personagens em posições diferentes.

No livro, De Luca e Sigma transpõem três das mais populares obras do génio inglês: A tempestade, Hamlet e Romeu e Julieta. Em cada uma delas, a força inovadora da arte de Gianni De Luca salta aos olhos e mostra com clareza porque o autor se tornou um dos mestres da potente escola italiana de fumetti, sendo citado por grandes nomes como Frank Miller, Bill Sienckewicz e Dave McKean como fonte de inspiração.

A Levoir em conjunto com a Academia Público apresenta um curso sobre a Trilogia Shakesperiana ministrado pelo Professor Mário Avelar.


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Ficha técnica
Trilogia Shakespeariana
Autores: Raoul Traverso e Gianni De Luca
Editoras: Levoir e A Seita
Páginas: 144, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
PVP: 16,90€

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Oficina do Livro lança BD de autoras portuguesas!




A editora Oficina do Livro (uma chancela do grupo LeYa) prepara-se para editar a primeira obra de banda desenhada das autoras portuguesas Diana Rodrigues e Marina Costa.

Falo-vos de Mãe e Peras - Ser Mãe Custa, que deverá chegar às livrarias nos próximos dias, bem a tempo do Dia da Mãe, que se aproxima. O que revela um bom sentido de oportunidade por parte da editora, que louvo.

Até porque me parece que este livro pode muito bem ser um belo presente para todas aquelas que são mães. E não só.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Mãe e Peras - Ser Mãe Custa, de Diana Rodrigues e Marina Costa

Entre birras no corredor do supermercado, perguntas existenciais às três da manhã e a misteriosa arte de encontrar meias desaparecidas, há uma verdade universal que ninguém ousa dizer em voz alta: ser mãe custa. Custa tempo, sono, paciência... e, às vezes, custa mesmo dinheiro. 

Neste livro, Diana Rodrigues, a voz bem-disposta e mordaz por detrás da página Mãe e Peras, transforma o caos do quotidiano materno numa sequência de ilustrações e episódios onde o riso é a melhor estratégia de sobrevivência.
Com humor afiado, ternura desarmante e uma honestidade que nos faz suspirar «é mesmo isto!», encontramos nestas páginas o lado menos filtrado da maternidade: as culpas, os falhanços épicos, os pequenos triunfos invisíveis e aquele amor gigante que compensa (quase) tudo. Porque ser mãe custa. Mas, felizmente, também rende gargalhadas, memórias e histórias que merecem ser contadas. Uma leitura para mães reais que tantas vezes já pensaram: «Só pode estar a gozar comigo».

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Ficha técnica
Mãe e Peras - Ser Mãe Custa
Autoras: Diana Rodrigues e Marina Costa
Editora: Oficina do Livro
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 23,5 x 16,5 cm
PVP: 19,90€

Passatempo Especial VINHETAS D'OURO 2025 - já temos vencedor!



Já temos o vencedor do passatempo especial, a propósito da Gala dos VINHETAS D'OURO 2025!


Gala essa que pode ser vista, relembro, aqui ou na página de facebook do Vinheta 2020.


Desta vez, houve vários participantes a acertar em 9 respostas certas, pelo que o modo de desempate teve que ser a ordem de resposta, ou seja, quem respondeu a 9 respostas em primeiro lugar. E, portanto, o vencedor deste ano é:


Scrat27


Muitos parabéns!


Agradeço agora que o vencedor envie os seus contactos de envio para vinheta2020@gmail.com


E obrigado a todos pelas participações!


Fiquem atentos a novos passatempos!

Análise: O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata

Lançado pel' A Seita ainda durante o último Amadora BD, este O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai é o segundo volume da série, deixando-a deste modo finalizada. Mas sendo formalmente um segundo volume, diria que este livro funciona menos como continuação narrativa e mais como um aprofundamento conceptual, revelando um autor plenamente consciente do peso moral do universo que criou.

Tal como no primeiro livro, estamos no Japão do período Edo, num mundo aparentemente estabilizado após décadas de guerra, mas moralmente corroído. É verdade que os conflitos entre clãs podem ter abrandado, mas não é menos verdade que esses mesmos conflitos deixaram um rasto de homens quebrados, promessas adiadas e uma honra que acaba por não ser virtude, mas antes um instrumento de controlo social.

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
O conceito central não muda face ao livro anterior: para escapar à morte imediata no campo de batalha, são muitos os samurais que assinam notas promissórias comprometendo-se a pagar uma avultada quantia, mais tarde, para que a sua vida lhes seja poupada. Hanshiro é o homem encarregado de cobrar essa dívida, bem como o protagonista das quatro histórias que compõem este livro. 

Curiosamente - e talvez de forma algo inesperada, uma vez que o primeiro volume é mais celebrado no universo da banda desenhada - acabei por preferir este livro ao primeiro. Não porque seja mais espetacular ou mais chocante, mas porque Hirata parece aqui ter a personagem mais bem delineada. Hanshiro deixa de ser apenas o dispositivo moral da narrativa e passa a revelar uma identidade mais sólida, ainda que construída a partir do silêncio e da ambiguidade. 

E, claro, também me pareceu que a simples razão de este livro ter apenas quatro histórias - e não as sete do volume anterior - permite que cada uma dessas histórias possa ser mais bem desenvolvida e explanada, fazendo com que acabem por ser mais impactantes para o leitor.

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
Comparando os dois volumes, nota-se portanto que o primeiro tinha uma força mais conceptual, quase de manifesto, e este segundo parece mais introspetivo e mais seguro da sua própria "voz". 

As quatro histórias são independentes entre si, funcionando como verdadeiras crónicas morais. Cada uma apresenta novas figuras como samurais desonrados, camponeses esmagados pelos desenvolvimentos político-sociais da época ou guerreiros que simplesmente, no calor da batalha, escolheram viver. Todas estas personagens têm que arcar com o peso das suas escolhas, o que atribui à obra - e à própria personagem de Hanshiro - um papel algo moralista. 

Apreciei especialmente a forma como a obra desmonta o bushido, o código dos guerreiros japoneses, sem nunca o ridicularizar, ao mostrar que, na prática, o código de honra poderia perfeitamente ser manipulado para justificar violência desmedida, sacrifício inútil ou culpa perpétua. A "honra" surge-nos, pois, como uma construção social frágil e não como um valor absoluto.

O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita
Em termos de desenho, a obra mantém o traço rigoroso a preto e branco, já demonstrado no volume anterior. Por esse motivo, recupero aquilo que, na altura, escrevi na análise que fiz ao primeiro volume da obra: "o desenho é verdadeiramente magnífico, com Hirata a revelar-se um autêntico mestre na ilustração realista das personagens, dos seus combates, dos ambientes e, acima de tudo, das poses que transmitem inequivocamente o ambiente épico e bélico que as histórias de samurais normalmente conseguem criar no nosso imaginário. O traço a preto e branco do autor apresenta alguma sujidade que, quanto a mim, dá o ambiente certo a este tipo de histórias duras e implacáveis onde a morte espreita ao virar da página. Há ilustrações que são de tirar o fôlego!"

Como ponto menos positivo no desenho de Hirata, reconheço que quando há muitas personagens do mesmo género e mais ou menos com a mesma idade, acaba por haver uma certa dificuldade em perceber-se quem é quem, o que retira uma certa fluidez narrativa à leitura. Mas também não é nada que seja muito gritante ou muito presente.

Em termos de edição, a obra apresenta capa mole, com badanas, um bom papel baço no miolo, e uma boa encadernação e impressão. No final, há ainda um glossário de termos onde são explicadas algumas expressões e conceitos culturais presentes na história.

Em suma, O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai é uma obra dura, adulta e profundamente pessimista, mas também extraordinariamente honesta. Se o primeiro volume desta obra do mestre Hiroshi Hirata teve um impacto inegável, há que reconhecer que é neste segundo volume que o autor parece ter encontrado o equilíbrio certo entre personagem, tema e forma. 


NOTA FINAL (1/10)
8.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Preço da Desonra - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata - A Seita

Ficha técnica
O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai
Autor: Hiroshi Hirata
Editora: A Seita
Páginas: 360, a preto e branco (com 8 páginas a cores)
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 15,5 x 22,5 cm