sexta-feira, 17 de abril de 2026

Análise: Carlota Imperatriz - Tomo 1/2

Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme - Ala dos Livros

Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme - Ala dos Livros
Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme

Há muito que eu estava à espera deste livro! Tendo-o já folheado em livrarias na Bélgica ou em Espanha, não tinha dúvidas de que esta obra tinha tudo para me agradar: não só pelo nome dos autores da mesma, Fabien Nury - autor do fantástico Era Uma Vez em França que eu não me canso de recomendar aos editores portugueses - e Matthieu Bonhomme - autor daqueles que considero ser os melhores Lucky Luke de autor, nomeadamente O Homem Que Matou Lucky Luke e Procura-se Lucky Luke; como também pelo charme inerente à história que só de folhear o livro algumas vezes, percebi que havia.

Fiquei, portanto, radiante quando a Ala dos Livros editou este primeiro volume de dois. No lançamento original, a obra foi editada em quatro volumes, mas na edição portuguesa, a mesma sairá em dois volumes duplos, sendo que o segundo é esperado ainda para este ano.

Depois de lido este livro, posso dizer-vos que as razões para o meu interesse na obra eram devidos e até acabei por achar melhor do que aquilo que esperava. E, como já referi, até já esperava algo bastante bom.

Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme - Ala dos Livros
Carlota Imperatriz
é uma obra ambiciosa que nos transporta para o século XIX e para a figura trágica da princesa Carlota da Bélgica, futura imperatriz do México, acompanhando o seu percurso desde a juventude cheia de sonhos até ao início de uma queda inevitável. O tal desconsolo que a vida adulta tantas vezes oferece.

A história começa na Europa, com Carlota, uma jovem princesa muito bem educada, inteligentíssima, bonita, a mostrar-se pouco satisfeita com o papel que lhe é reservado. A sua mão até estava prometida ao futuro rei de Portugal, D. Pedro V, mas o coração e intuição de Carlota levam-na a preferir casar com Maximiliano, da família Habsburgo e irmão de Francisco José I, o Imperador da Áustria. 

Talvez não tenha sido a escolha mais acertada, como a história nos mostrará, mas as escolhas que fazemos durante a mais tenra idade nem sempre se revelam as mais benéficas a longo prazo. O casamento com Maximiliano surge, pois, como uma promessa de grandeza, de poder e de mudança. Mas Carlota é inteligente e rapidamente se apercebe do papel que lhe é exigido, vendo mais longe do que aqueles que a rodeiam, inclusive do seu recém marido que, ao longo do tempo, se vai revelando como um homem não talhado nem para o amor, nem para a família, nem para as ambições políticas que poderia acalentar. 

À medida que a narrativa avança, Napoleão III oferece a Maximiliano a proposta de este se tornar  imperador do México, num país instável que, à época, era marcado por numerosos conflitos internos. Carlota, como sempre, empenha‑se com determinação na aceitação da coroa do marido. Mas ainda que a proposta possa parecer apelativa, também traz consigo várias ameaças devido às bases políticas e frágeis da mesma. 

Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme - Ala dos Livros
Com efeito, e já no México, Carlota e Maximiliano confrontam‑se rapidamente com a dura realidade de encontrarem um país dividido por inúmeras ações de guerrilha e, por isso, dependente do apoio militar francês. Ao início, Maximiliano até tenta agradar a tudo e todos, mas quando, no seu primeiro discurso, se revela como tendo ideais liberais e democráticos, ao mesmo tempo que apela a um exército menos austero e a que cada um possa ter a religião que bem entender, rapidamente consegue desagradar a todos os poderes já previamente instalados no México. Carlota assume, então, e progressivamente, um papel central no governo do país, revelando pragmatismo, energia e uma compreensão profunda do jogo político. Torna‑se evidente que é ela quem sustenta o império e que Maximiliano é apenas um bon vivant, mais preocupado nas suas escapadelas ao bordel ou à caça das suas borboletas, em detrimento das suas responsabilidades de suposto chefe de estado.

E mesmo em termos amorosos, Maximiliano não dá a devida atenção a Carlota, fazendo dela uma mulher que não se sente desejada e que, consequentemente, começa a nutrir sentimentos por Félix Éloin, o braço direito do seu marido. A tensão vai crescendo muito, fazendo com que fiquemos verdadeiramente agarrados à narrativa.

O livro está bem carregado de trunfos. E um deles reside no belo argumento de Fabien Nury. O trabalho que o autor faz ao cruzar factos históricos com ficção é absolutamente impressionante. Aquilo que podia ser um relato seco e sensaborão de acontecimentos históricos - lembram-se daquelas aulas de História que vos deixavam a dormir? - transforma‑se num drama cheio de intrigas, conspirações e conflitos permanentes, onde a leitura flui de forma quase viciante.

Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme - Ala dos Livros
Com uma conceção de personagens deliciosamente corrompidas e cínicas que poderia remeter-nos para os romances de um Eça de Queiroz ou de um Guy de Maupassant, Nury constrói uma narrativa carregada de traições, ódios, amores impossíveis, tensões sociais por resolver e uma violência que nem sempre é física: muitas vezes é psicológica, silenciosa e devastadora, com as personagens a revelaram comportamentos perfeitamente desprezíveis umas para as outras. Nenhuma personagem é simplista na concepção: todas (até Carlota) têm sombras, dúvidas e motivações que as tornam credíveis e, ao mesmo tempo, memoráveis.

Por esse motivo, considero que a forma como o autor joga com os factos reais, as suposições e a imaginação está extremamente bem conseguida. É evidente que a base histórica, assente em factos concretos do passado, é sólida, mas os “espaços em branco” são depois preenchidos com enorme inteligência narrativa - e até alguma audácia - criando as tais ligações emocionais que os manuais de História raramente conseguem oferecer. Bem que Fabien Nury poderia ser o meu professor de História favorito!

Carlota, enquanto personagem, é, sem dúvida, uma protagonista fascinante. Uma mulher forte no exercício do poder, determinada e lúcida, mas ao mesmo tempo profundamente frágil na sua vida emocional. Essa contradição é uma das maiores forças do livro e torna‑a uma personagem muito trágica e humana. E isso também contribui para que o livro tenha um ritmo tão forte que é difícil parar de ler antes de chegar ao fim.

Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme - Ala dos Livros
E depois há o desenho de Matthieu Bonhomme, que é simplesmente soberbo. A sua linha clara, de grande precisão e perfeita legibilidade, confere ao álbum uma elegância visual excecional, ao mesmo tempo que serve eficazmente a narrativa, contribuindo imenso para o tom cinematográfico da obra. Cada vinheta parece pensada ao milímetro, com as personagens a serem visualmente muito expressivas. De todas elas, tenho que destacar Carlota: belíssima, sensual, poderosa e vulnerável... tudo ao mesmo tempo! Bonhomme consegue transmitir emoções complexas com um simples olhar ou uma subtil mudança de postura.

Os cenários também merecem aplausos. Dos interiores sofisticados dos palácios europeus às paisagens mexicanas mais áridas e luminosas, tudo está representado com grande cuidado e atenção ao detalhe, reforçando o contraste entre mundos e culturas. Também as cores do livro, asseguradas por Isabelle Merlet no primeiro tomo e por Delphine Chegru no segundo, são muito belas e elegantes, contribuindo para que o resultado visual da obra seja o de um trabalho que sabe ser clássico e moderno ao mesmo tempo. 

Já tinha admirado muito os desenhos de Bonhomme nos seus Lucky Luke de autor, mas devo admitir que talvez o seu trabalho me tenha impressionado ainda mais neste Carlota Imperatriz, talvez pela presença de maiores detalhes em cada uma das suas ilustrações. De facto, quer numa, quer noutra obra, Matthieu Bonhomme revela-se notável, sendo justamente considerado como um dos grandes desenhadores da banda desenhada europeia contemporânea. 

A edição da Ala dos Livros também nos oferece a qualidade expectável: o livro apresenta capa dura brilhante, bom papel baço no interior e uma excelente encadernação e impressão. A separar os dois tomos encontramos a ilustração que foi a capa do segundo tomo, o que me parece bem-vindo para que nada nos falte.

Num primeiro trimestre editorial em que as obras apresentadas por um grande número de editoras têm tido uma qualidade absurdamente alta, dizer-vos que este Carlota Imperatriz ocupa um lugar cimeiro nas minhas preferências do ano até agora, não é coisa pouca. É um livro que me prendeu do início ao fim, deixando‑me rendido pela força da narrativa e pela beleza do desenho. A história envolve, o desenho encanta e a tragédia ecoa bem alto, deixando-nos a contar os dias até que a Ala dos Livros edite o próximo e último livro desta mini-série. Até agora... estou a adorar!


NOTA FINAL (1/10):
9.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Carlota Imperatriz - Tomo 1/2, de Fabien Nury e Matthieu Bonhomme - Ala dos Livros

Ficha técnica
Carlota Imperatriz - Tomo 1/2
Autores: Fabien Nury e Matthieu Bonhomme
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 243 x 317 mm
Lançamento: Março de 2026

Arte de Autor edita a obra premiada "O Jardim, Paris"!



Já se encontra em livraria uma das novidades da editora Arte de Autor, que dá pelo nome de O Jardim, Paris e é da autoria da francesa Gaëlle Geniller.

A obra em questão ganhou o prémio Melhor ilustração no Festival Lucca de 2022, o que não admira, tendo em conta as belíssimas ilustrações que já dá para observar nas imagens promocionais que partilho mais abaixo.

Deixo-vos, também, com a sinopse da obra.


O Jardim, Paris, de Gaëlle Geniller

Década de 1920. Rose é um rapaz e, como todas as raparigas que conhece desde que nasceu no cabaré gerido pela mãe, sonha em dançar. Com este segundo livro, a autora de 24 anos, Gaëlle Geniller, estreia-se em força.

"O Jardim" é um cabaré parisiense que goza de crescente sucesso, gerido por uma mulher. Todas as mulheres que lá trabalham têm nomes de flores e o ambiente é familiar. 

Rose, um rapaz de 19 anos, nasceu e cresceu neste estabelecimento. Ele também anseia ser dançarino e atuar no palco, perante uma plateia, como as suas amigas. 

Rapidamente, ele se tornará a principal atracção do cabaré.

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Ficha técnica
O Jardim, Paris
Autora: Gaëlle Geniller
Editora: Arte de Autor
Páginas: 224, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 17 x 24 cm
PVP: 28,50€

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Análise: Elric (Volumes 1 e 2)


Elric (Volumes 1 e 2), de Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Julian Telo

Foi com algum estrondo e pompa que a Arte de Autor editou, há algumas semanas a obra Elric, a adaptação para banda desenhada de Elric de Melniboné, uma obra original de Michael Moorcock. Apanhando os leitores portugueses desprevenidos, a editora optou por editar, de uma só vez, os dois primeiros tomos da série, O Trono de Rubi e Stormbringer, respetivamente, cujo primeiro ciclo tem quatro tomos.

Criada nos anos 60, a saga de Elric de Melniboné, é um dos pilares da fantasia épica moderna e do subgénero sword and sorcery, na tradição de Conan, O Bárbaro e comparável em relevância - com as devidas distâncias - com a saga de O Senhor dos Anéis, de Tolkien.

Elric é o último imperador da antiga e decadente ilha/império de Melniboné, uma civilização outrora dominante que governou o mundo com crueldade, magia e pactos com forças sobrenaturais. Diferente de seus antepassados, Elric é fisicamente frágil, albino e doente, dependendo de poções e feitiços para sobreviver. Intelectual e introspectivo, Elric rejeita a brutalidade tradicional do seu povo, o que o coloca em conflito com a própria herança cultural e política que deveria defender, sendo que o seu oponente máximo passa a ser o seu primo Yyrkoon que, colidindo com estas supostas fraquezas do protagonista, tenta reclamar para si mesmo o direito ao trono rubi. E tudo fará ao seu alcance para conseguir este objetivo pessoal.

O que desperta a ira adormecida de Elric que se vê forçado a restaurar a sua autoridade e a forjar pactos com Arioch, o mais poderoso dos Senhores do Caos. A história destes primeiros dois volumes decorre muito em torno deste conflito entre Elric e Yyrkoon.

Um dos elementos centrais da narrativa também é stormbringer, a espada negra e senciente de Elric, que acaba por ser trazida à sua mão impiedosa para que Elric combata o seu primo. A arma concede-lhe força, saúde e poder, mas cobra-lhe, claro, um preço terrível, visto que a espada se alimenta das almas dos mortos, frequentemente de aliados e de inocentes. 

O que é especialmente interessante na obra - se bem que isso não seja ainda totalmente explorado nestes primeiros dois volumes - é a profundidade da personagem de Elric, cuja tragédia pessoal se intensifica à medida que as suas decisões, mesmo quando bem-intencionadas, resultam em sofrimento e destruição. Isto faz com que Elric se torne numa figura sombria e solitária. Mas como é uma personagem com uma consciência moral mais desenvolvida do que a dos muitos heróis de fantasia do seu tempo - e da atualidade? - acho que podemos considerar que Elric é uma personagem profundamente moderna e ambígua.

É importante referir que esta adaptação da obra original para banda desenhada não se limita a transpor literalmente os romances de Moorcock, com o argumentista Blondel a optar por reorganizar, condensar e dramatizar o material original, criando uma narrativa fluida e moderna, pensada como banda desenhada desde a raiz. Tenha-se em conta que o próprio Michael Moorcock declarou publicamente que esta é a melhor transposição de Elric que já viu, elogiando tanto o tom trágico como o rigor conceptual da adaptação.

Apreciei especialmente que a obra não tente apenas utilizar a temática sword and sorcery para se focar num conjunto infindável de batalhas, sem grande substância de enredo. Pelo contrário, a narração dos acontecimentos dedica tempo ao enquadramento do universo e à construção da personagem principal, explorando cuidadosamente as suas várias facetas e permitindo ao leitor compreender as suas motivações e evolução ao longo da história.

Relativamente aos desenhos, que são assegurados pelos autores Didier Poli, Robin Recht (autor do belíssimo Thorgal - Adeus Aaricia)   Julien Telo, esta é uma obra soberba que dificilmente não apelará à grande maioria dos leitores portugueses. 

Com desenhos grandiosamente arrebatadores, os ilustradores conseguiram trazer para a nossa visão um mundo frio e cruel, digno das maiores sagas épicas. Os cenários são de cortar a respiração, as personagens são marcantes, expressivas e cheias de personalidade, e as cenas de ação revelam não só dinamismo, mas também uma clara consciência da escala épica e megalómana que uma obra deste género exigiria. Nota‑se, igualmente, um cuidadoso trabalho de pesquisa associado à conceção tanto das personagens como dos ambientes retratados. Fica no ar a ideia de que cada decisão, por ínfima que fosse, foi devidamente ponderada entre os vários autores que colaboraram na obra.

Há, pois, uma dimensão épica nos desenhos que não só encaixa perfeitamente no tema da obra, como revela bem o talento do esforço colaborativo dos desenhadores Didier Poli e Robin Recht. E mesmo quando, a partir da página 12 do segundo volume, Didier Poli decidiu abandonar o projeto, a transição é praticamente imperceptível, visto que Julien Telo assumiu o seu lugar de forma extremamente fiel, assegurando uma continuidade visual que em nada compromete a qualidade artística da obra. Nota ainda, positiva, para o trabalho de Jean Bastide e Scarlet Smulkowski nas cores que contribuem para o espetáculo visual da obra.

Em termos de edição, ambos os livros apresentam um trabalho cuidado e especial. Têm capa dura, com a textura aveludada, que tanto aprecio, e detalhes a verniz. No miolo, o papel é bom, tendo a quantidade certa de brilho, e o trabalho de impressão e encadernação também é de qualidade superior. Como extras, o primeiro livro tem um prefácio do próprio Michael Moorcock e o segundo tem um prefácio de Alan Moore. Além disso, o primeiro volume tem um caderno adicional de extras muito bom, que inclui textos explicativos sobre o processo de criação da banda desenhada e das personagens, que são acompanhados por esboços e estudos de personagem. Há ainda uma página que nos permite perceber como foi o processo colaborativo entre Didier Poli, Robin Recht e Jean Batisde. Muito interessante. E, no final, ainda há uma galeria com oito ilustrações de homenagem, feitas por vários autores. O segundo volume não tem um dossier tão extenso de extras, mas mesmo assim ainda apresenta 5 páginas de esboços.

Como cereja em cima do bolo, os livros vinham acompanhados por uma pasta em veludo vermelha, com uma tira de cetim, o que ainda ofereceu uma dose extra de charme e requinte à edição. Não é comum vermos algo assim - para ser sincero, acho que nunca o tinha visto. E, por isso, dou os meus parabéns à editora pela ousadia e sofisticação.

Devo dizer que, tendo em conta que existe um integral do primeiro ciclo publicado em França, talvez eu tivesse preferido que a editora portuguesa tivesse optado por editar a obra desse modo, reunindo num volume integral os quatro tomos que compõem o primeiro ciclo de Elric.  Mas também compreendo que, com o preço da edição francesa a 55,00€, o preço da edição portuguesa - por motivos de quantidade da tiragem, tradução, etc - deveria ser anda maior, o que poderia tornar a compra incomportável para muitas carteiras portuguesas. Aceita-se, pois, a opção da Arte de Autor, que permite diluir o esforço financeiro dos leitores ao dar-lhes a oportunidade de comprar cada um dos tomos abaixo dos 20€. 

Em suma, Elric é uma obra imponente e cheia de personalidade que sabe impressionar o leitor menos impressionável, nunca perdendo o sentido de grandiosidade sombria que a define. Com personagens duras, moralmente dúbias e por vezes abertamente maléficas, e um mundo onde a tragédia e o excesso fazem parte do quotidiano, esta BD é uma recomendação fácil para qualquer fã do género fantástico. Melhor ainda: é também leitura obrigatória para quem vibra com o imaginário do power metal, feito de heróis condenados, atmosferas épicas e sentimentos levados ao limite. Não terá sido o próprio power metal influenciado pela obra original de Moorcock? Em Elric tudo é grande, majestoso, intenso, excêntrico e megalómano...  e isso joga claramente a favor da obra!


NOTA FINAL (1/10):
9.5



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020




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Fichas técnicas

Elric #1 - O Trono de Rubi
Autores: Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Jean Bastide
Adaptação a partir da obra original de Michael Moorcock
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores - inclui extenso caderno de extras
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
Lançamento: Março de 2026

Elric #2 - Stormbringer
Autores: Julien Blondel, Didier Poli, Robin Recht e Julien Telo
Adaptação a partir da obra original de Michael Moorcock
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores - inclui extenso caderno de extras
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
Lançamento: Março de 2026

Vem aí o Coimbra BD 2026 e já se conhece toda a sua programação!




A temporada dos eventos dedicados a banda desenhada de 2026 já se havia iniciado com o LouriBD e com o IlustraBD e é agora intensificada no final do mês de abril com dois eventos a ocorrerem em simultâneo: o Coimbra BD e a Comic Con.

Começo-vos por falar do primeiro, que já apresentou o seu extenso e relevante programa.

O Coimbra BD decorre de 24 a 26 de Abril no Convento de São Francisco, em Coimbra.

É um evento que tem vindo a crescer e a afirmar-se enquanto festival de referência para o meio, com a presença de autores internacionais e com um conjunto alargado de atividades que ocupam o belo espaço do Convento São Francisco. Já que falo em espaço, este é o evento que inequivocamente tem a melhor localização de todas.

Quanto a autores internacionais, o Coimbra BD contará com a presença dos autores Ángel de la Calle (autor de Hugo Pratt – A Mão de Deus), Marcello Quintanilha (autor de variadíssimas obras como Escuta, Formosa MárciaTungsténioTalco de VidroFolia de Reis, entre outras), Pierre-François Radice (autor de Al Capone) e Anna Poszepczyńska (autora de Três Irmãs, obra a ser editada no evento pel' A Seita).

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da organização, com o programa detalhado das atividades e com os horários das sessões de autógrafos.

Não deixem de comparecer!