quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Penguin prepara-se para editar BD multipremiada!




A editora Penguin prepara-se para editar, no próximo dia 19 de outubro, a obra Os Meus Fantasmas, da americana Tessa Hulls!

Esta é uma volumosa banda desenhada autobiográfica, com 400 páginas, que foi vencedora de variados prémios e muito bem recebida pela crítica, quando foi originalmente editada em 2024.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Deixo-vos ainda com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.





Os Meus Fantasmas, de Tessa Hulls

Vencedor do Prémio Pulitzer, do prémio Eisner e do National Book Critics Awards

Comic do Ano: Time · The Guardian · NPR · Library Journal · Kirkus Reviews · New York Public Library · Indigo

Uma comovente e arrebatadora memória gráfica que atravessa três gerações de mulheres chinesas, explorando, com uma extraordinária sensibilidade, o amor, o luto, o exílio e a identidade.

Na sua aclamada estreia literária, Tessa Hulls acompanha o eco da história da China ao longo de três gerações de mulheres da sua família.

A avó de Tessa, Sun Yi, era jornalista em Xangai quando a vitória comunista de 1949 alterou para sempre o rumo da sua vida. Forçada a fugir para Hong Kong com a filha pequena, escreveu um livro de memórias sobre a perseguição de que foi alvo e a sua luta pela sobrevivência que se tornou um enorme sucesso editorial. Pouco tempo depois, sofreu um colapso mental do qual nunca recuperou.

Durante a sua infância, Tessa vê a mãe e a avó debaterem-se com o peso de traumas e doenças mentais. Determinada a escapar ao medo sufocante da mãe, Tessa parte para os lugares mais remotos do mundo. Mas, ao completar trinta anos, percebe que a sua vida errante se parece mais com uma fuga do que com a liberdade. Decide então regressar e enfrentar a história que moldou a sua família.
Fruto de uma investigação exaustiva e ilustrado com extraordinária sensibilidade, Os Meus Fantasmas é o regresso de Tessa Hulls às suas origens: uma viagem intensa e profundamente comovente ao coração de uma família, que expõe o medo e o trauma que assombram gerações, e o amor que as mantém unidas.

Os elogios da crítica:

«A memória gráfica de Tessa Hulls traça, com uma perspicácia emocional avassaladora, a linha entre a história da China sob o regime de Mao Tsé-Tung — um período de mortandade e agitação política quase inimagináveis — e os fantasmas do passado da sua família que ela acabou por desenterrar… O livro de Hulls é um retrato impressionante desta linhagem de trauma.
Ganha vida através dos seus desenhos assombrosamente vívidos, nos quais o passado é frequentemente uma presença surrealista e espectral que invade constantemente o presente.» 
San Francisco Chronicle

«Uma história multigeracional repleta de drama, intriga e desgosto… Um triunfo da narrativa em banda desenhada.»
Seattle Times

«Embora Os Meus Fantasmas pertença a uma longa tradição de não ficção gráfica que define subgéneros, incluindo Persépolis, a voz narrativa de Hulls é cativante de uma forma singular porque combina a sua excentricidade de cartoonista com o olhar de uma artista plástica para a composição das páginas, além de uma total disposição para mergulhar em temas densos sem procurar desfechos fáceis.»
Los Angeles Review of Books

«Pormenorizado, vulnerável e pungente.»
Booklist

«Do início ao fim, este livro é uma revelação… Uma obra que brilha com discernimento, perspicácia e uma recusa em contentarse com respostas simples.»
Kirkus Reviews

«A estreia desta memória gráfica épica e elegantemente desenhada de Tessa Hulls debate-se com os longos tentáculos do trauma, acompanhando três gerações da sua família desde a China de Mao até Hong Kong nos anos sessenta e, eventualmente, até à atualidade no norte da Califórnia… O resultado é uma obra reveladora, tão multifacetada como a história que explora.»
Publishers Weekly

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Ficha técnica
Os Meus Fantasmas
Autora: Tessa Hulls
Editora: Penguin
Páginas: 400, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 203 x 249 mm
PVP: 28,85€

Análise: A Armação

A Armação, de Daniel Silvestre - Levoir

A Armação, de Daniel Silvestre - Levoir
A Armação, de Daniel Silvestre

O 10º lançamento da Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público trouxe-nos a edição de uma obra de autoria portuguesa, facto que é de louvar e que já não acontecia, se a memória não me atraiçoa, desde a primeira coleção em que se editou Beterraba: A Vida numa Colher, de Miguel Rocha.  

O livro em questão é este A Armação, de Daniel Silvestre, uma obra que eu já conhecia bastante bem, ainda do tempo em que a mesma foi premiada na categoria de Melhor Publicação Independente nos Prémios de Banda Desenhada da Amadora, em 2024. 

Este é um belo livro, carregado de poesia, com um ambiente muito próprio que, em boa altura, a Levoir decidiu editar por cá, assegurando, desta forma, que o livro pode chegar a um público maior do que aquele que, naturalmente, conseguiu impactar na sua primeira edição independente.

A Armação, de Daniel Silvestre - Levoir
Partindo das memórias do seu avô, José Silvestre, o autor constrói uma narrativa profundamente humana e enraizada num Portugal que já desapareceu. A história centra-se numa viagem ocorrida nos anos 30 do século XX. José, então com apenas dez anos, é encarregado de transportar sozinho um enorme peixe de 150 Kgs entre Porto Novo e Torres Vedras, recorrendo apenas à ajuda de um burro, que transporta o enorme peixe às costas. 

O grande mérito do livro está precisamente na forma como transforma um acontecimento aparentemente banal numa experiência carregada de significado. A viagem física do jovem José acaba por se transformar, também, numa viagem emocional, onde os receios, as fantasias e a imaginação de uma criança desempenham um papel central na narrativa. Este peixe colossal que o jovem José transporta assume, portanto,  uma dimensão quase mítica, como se fosse uma criatura saída de um conto popular ou de uma lenda transmitida entre gerações. O real e o imaginado cruzam-se constantemente de forma muito natural, o que me remeteu para um dos meus filmes preferidos, Big Fish, de Tim Burton. 

Ao mesmo tempo, este A Armação funciona como um retrato atento da vida dos pescadores portugueses durante a primeira metade do século XX. Sem nunca cair num tom excessivamente documental, Daniel Silvestre consegue transmitir a dureza das condições de vida, a precariedade económica e o esforço físico exigido por um quotidiano que hoje parece distante, mas que moldou (e ainda molda?) gerações inteiras de pescadores.

A Armação, de Daniel Silvestre - Levoir
É uma história que avança sem pressas, permitindo que o leitor absorva o ambiente, as paisagens e os estados de espírito das personagens. Essa abordagem mais contemplativa encaixa particularmente bem na temática da obra. Afinal, A Armação fala de um tempo em que as distâncias eram percorridas a pé, em que o trabalho começava cedo e em que cada tarefa exigia uma dedicação difícil de imaginar nos dias de hoje, em que nos preocupamos em ter uma vida mais despreocupada - se é que esta minha última afirmação faz algum sentido.

Por outro lado, A Armação uma obra bastante curta, já que conta apenas com 20 páginas de banda desenhada. E, talvez por isso, nos deixe com a sensação de "saber a pouco". Parece que estamos perante uma história e um universo que mereciam mais páginas. Mesmo assim, é um trabalho que consegue cumprir bem os seus pressupostos narrativos e, acima de tudo, revela uma coisa muito clara: Daniel Silvestre tem um potencial enorme para, assim que lançar uma obra de grande fôlego, marcar profundamente a banda desenhada portuguesa. Se com esta obra curta já o consegue fazer - em parte - imagine-se numa obra de grande fôlego!

A Armação, de Daniel Silvestre - Levoir
Visualmente, o livro é igualmente muito bem conseguido. O traço de Daniel Silvestre revela-se elegante, expressivo e extremamente seguro de si mesmo. Nota-se que estamos perante um ilustrador experiente, com uma grande capacidade para representar tanto figuras humanas como espaços naturais e ambientes rurais.

Além disso, um dos aspetos mais interessantes do desenho é a sua versatilidade. Daniel Silvestre consegue introduzir alterações significativas na composição das páginas, nos enquadramentos e até no grau de realismo de determinadas sequências, sem que a obra perca a sua identidade visual. Existe sempre uma coerência gráfica - por ventura, suportada pela paleta de cores, em tons de azul - que mantém a leitura fluida e harmoniosa. A atmosfera visual consegue ser melancólica, poética e evocativa. Sou, portanto, um claro admirador do trabalho de ilustração do autor, já que também em Os Lusíadas, também editado pela Levoir, fiquei rendido aos desenhos de Daniel Silvestre.

Em termos de edição, o livro está muito bem conseguido. Além da capa dura baça, bom papel baço e boa encadernação e impressão, já habituais nesta coleção da Levoir, a edição da obra prima especialmente pelo grande conjunto de extras que traz consigo. Há um extenso texto do autor, quase em tons de ensaio, que explica muito bem o processo de criação da obra, os seus intentos e as suas dificuldades. Há ainda um conjunto de desenhos, esboços e estudos gráficos que são muito belos e que tornam este longo texto do autor em algo mais airoso do ponto de vista visual. São mais de 30 páginas a falar sobre o processo criativo do autor, o que faz com que a experiência de leitura vá bastante além da própria obra.

No final, A Armação afirma-se como uma obra sensível, inteligente e visualmente muito bonita. Sem recorrer a artifícios ou espetacularidades, Daniel Silvestre consegue construir uma homenagem emocionante à memória familiar e, simultaneamente, um retrato de um Portugal desaparecido. É um livro que confirma o enorme talento - e ainda maior potencial, diria - do autor português. A não perder!


NOTA FINAL (1/10):
8.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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A Armação, de Daniel Silvestre - Levoir

Ficha técnica
A Armação
Autor: Daniel Silvestre
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
Lançamento: Setembro de 2026

Amadora BD 2026 - Eis o Programa Completo!


A pouco mais de uma semana de arranque daquele que é o maior evento de banda desenhada do país, o Amadora BD, já são conhecidas as exposições, os autores, o programa de apresentações, os workshops e até os horários dos autógrafos.

O lineup do Amadora BD é, por regra, forte em nomes internacionais, mas tenho que dizer que nesta edição de 2026, o cartaz me parece especialmente bom, incluindo nomes internacionais tão aclamados como Josep Homs, Guy Delisle, Craig Thompson, Ryan North, Marcello Quintanilha, Bruno Brindisi, Zanzim ou Alexis Nesme. Além destes, poderemos contar ainda com a presença dos autores internacionais Jolan Thomas, Li Chin-Lin, Iban Coello, Mansoureh Kamari, Thomas Gilbert, Henrique Magalhães, Pere Ortín, Ramon Esono Ebale, Marcin Bałczewski, Mateusz Skutnik, Wojciech Stefaniec, Mana Neyestini, Shaghayegh Moazzami, Sidney Gusman, Jefferson Costa, e Andrea Artusi. O que faz um total de 24(!) autores estrangeiros! Não sei se é record no Amadora BD, mas é bem possível que o seja.

Além dos autores estrangeiros, teremos a presença de tantos outros autores nacionais que ou apresentarão as suas novas obras ou estarão a assinar as já existentes.

São boas e belas razões para marcar presença no próximo Amadora BD que decorre dos dias 15 a 25 de Outubro. Este ano, o belo cartaz do evento tem ilustração de Luís Louro.

Mais abaixo, deixo-vos com todas as informações sobre as exposições que estarão patentes, o programa de apresentações e conversas, os horários dos autógrafos e o programa de workshops.

Vemo-nos por lá.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Série "Congo" está de regresso para o seu terceiro volume!



A espera foi longa, mas a notícia é ótima: a série Congo, dos irmãos portugueses Duarte e Henrique Gandum, está de volta para o seu terceiro volume, intitulado Reino de Sangue!

Depois de um segundo volume que superou largamente o primeiro, depois do spinoff Amélia - Uma História do Congo e de uma reedição do primeiro volume - algo bastante raro de se ver por cá, mas que demonstrou bem o compromisso dos autores perante a sua obra e o seu público - Congo está de volta!

É esperado que o livro seja lançado no próximo Amadora BD, no dia 25 de Outubro. Mesmo assim, já é possível comprar o livro - e com desconto! - através do site oficial da editora Mudnag. Chamo a atenção para o facto de o livro estar disponível em duas capas diferentes, o que também é mais um mimo para os leitores da série.
Estou muito curioso para ler esta nova aventura de Congo.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Congo #3 - Reino de Sangue, de Duarte e Henrique Gandum

Congo, 1880. 

Meses após os acontecimentos que levaram ao desaparecimento de Afonso Ferreira, os portugueses sobreviventes refugiam-se numa aldeia congolesa. À sua volta, as operações lideradas pelo coronel belga Jacques De Vries e pelo major britânico Edward Jackson expandem-se, fortalecidas à custa de um povo submetido ao terror e à escravidão.

Durante a construção de uma linha férrea, foi libertado um vasto ecossistema de criaturas primitivas, que agora se espalham pela floresta africana desconhecida.

A Mudnag Edições apresenta o seu mais recente livro intitulado "CONGO: Reino de Sangue", o terceiro volume da saga de BD Congo de Duarte e Henrique Gandum. O novo volume será publicado em duas edições distintas, a edição com badanas, e a edição limitada "Capa Clássica" cujo design tem um registo semelhante às primeiras edições da saga. A história dá continuidade aos acontecimentos do segundo volume "CONGO: No Caminho das Trevas", lançado em 2019, e ao spin-off "Amélia - Uma História do Congo", lançado em 2021.


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Ficha técnica
Congo #3 - Reino de Sangue
Autores: Duarte e Henrique Gandum
Editora: Mudnag Edições
Páginas: 76, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 210 x 297 mm
PVP: 17,00€