sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Vem aí um novo livro de Blueberry!




A ASA prepara-se para editar, a partir do próximo dia 22 de Setembro, um novo livro dedicado a Blueberry, um dos cowboys mais famosos de sempre do universo da banda desenhada!

Trata-se de uma edição especial, pois este é um livro comemorativo dos 60 anos de Fort Navajo, o primeiro álbum da série originalmente criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud (AKA Moebius).

O livro, que já se encontra em pré-venda no site da editora, conta com várias histórias curtas e ilustrações da autoria de nomes famosos da banda desenhada como Milo Manara, Mathieu Lauffray, Blutch, Jérôme Félix, Enrico Marini, Ralph Meyer, Corentin Rouge, entre muitos outros.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais da edição original.


No Rasto de Blueberry, de Vários Autores

Por ocasião do 60.º aniversário de Blueberry (lançamento do primeiro álbum, Fort Navajo, 1965), série de culto criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, grandes autores prestam homenagem a Mike Steve Blueberry. 

Assim, os autores Anlor, Alberto Belmonte, Dominique Bertail, Michel Blanc-Dumont, Blutch, Olivier Bocquet, Vincent Brugeas, Stefano Carloni, Alexandre Coutelis, Fred Duval, Jérôme Félix, Paul Gastine, Goossens, Mathieu Lauffray, Lu Ming, Jean Mallard, Milo Manara, Enrico Marini,
Mathieu Mariolle, Thierry Martin, Matz, Ralph Meyer, Félix Meynet, Vincent Perriot, Corentin Rouge, Olivier Taduc, Ronan Toulhoat, Jean- François Vivier e Philippe Xavier criaram, cada um, uma história curta ou uma ilustração para homenagear esta grande personagem da BD franco-belga.
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Ficha técnica
No Rasto de Blueberry
Autores: Vários
Editora: ASA
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 24,90€

Análise: Thorgal - Wendigo

Thorgal - Wendigo, de Fred Duval e Corentin Rouge - A Seita

Thorgal - Wendigo, de Fred Duval e Corentin Rouge - A Seita
Thorgal - Wendigo, de Fred Duval e Corentin Rouge

Foi há poucas semanas que chegou às livrarias portuguesas o mais recente livro dedicado à série de fantasia Thorgal, uma saga originalmente criada por Jean Van Hamme e Grzegorz Rosinski. Este livro está inserido em Thorgal Saga, uma série que procura convidar autores a darem o seu cunho pessoal à série, através de um álbum autocontido e, portanto, fora da história da série canónica. O primeiro álbum desta iniciativa que já conta com 6 volumes em França foi o muito belo Adeus Aaricia, de Robin Recht, já por cá editado também pel' A Seita.

Wendigo chega-nos pelas mãos de Fred Duval e Corentin Rouge e a ideia com que fiquei, no final da leitura, é que estamos perante uma aventura sólida que nos entretém, e que é visualmente muito apelativa, mas que acaba por ficar um pouco aquém das expectativas. Pelo menos, das minhas expectativas. Especialmente, se tivermos em conta o anterior Adeus Aaricia

Thorgal - Wendigo, de Fred Duval e Corentin Rouge - A Seita
A história de Wendigo leva-nos até ao território americano e decorre durante a viagem de regresso de Thorgal e da sua família do país de Qa. Pelo caminho, a família vê-se envolvida num conflito entre dois povos indígenas, numa região selvagem onde a violência se intensifica após a invocação da figura mitológica de Wendigo. Com Aaricia grávida e gravemente ferida, Thorgal vê-se obrigado a agir, entrando novamente numa guerra que não é a sua, mas da qual não consegue fugir. 

Até porque para salvar Aaricia, Thorgal terá que embarcar numa missão que faz recordar algumas das aventuras mais clássicas da série. A solução para a saúde da sua amada passa pela obtenção de uma flor rara que cresce no topo de uma gigantesca árvore-mundo. E para alcançar esse objetivo, Thorgal une forças com um dos indígenas da tribo e com uma guerreira viking quem, entretanto, aparece no seu caminho. 

É uma abordagem bastante clássica das histórias da personagem, o que pode agradar aos leitores mais clássicos da série. A ação desenrola-se entre florestas densas e os impressionantes ramos da árvore-mundo, proporcionando vários momentos de tensão e de espetáculo visual.

No entanto, apesar da premissa interessante e do recurso a elementos do folclore ameríndio que são bem-vindos, a verdade é que a história acaba por seguir caminhos demasiado previsíveis. Quase tudo decorre da forma esperada, sem verdadeiras surpresas ou reviravoltas marcantes. 

Thorgal - Wendigo, de Fred Duval e Corentin Rouge - A Seita
E esse acaba por ser, quanto a mim, a principal fragilidade do álbum. É que sendo uma obra integrada na linha de "livros de autor", esperava-se uma abordagem mais ousada, capaz de explorar aspetos menos conhecidos das personagens ou apresentar uma leitura diferente deste universo. Algo como Robin Recht fez - e bem - no já anteriormente mencionado Adeus Aaricia. Fred Duval opta, pelo contrário, por construir uma aventura muito convencional, que poderia facilmente integrar a série principal sem causar qualquer estranheza. Parece-me até que Fred Duval não entendeu bem a razão de ser desta "coleção de autor" preferindo fazer uma história que funciona mais como hommage, sem recriar algo de verdadeiramente novo.

Isto não significa que a leitura seja desinteressante, atenção. Pelo contrário, a narrativa mantém um ritmo eficaz e consegue prender a atenção ao longo das suas páginas. O "problema" não está na qualidade da execução, mas sim na falta de ambição em relação às possibilidades oferecidas por este formato mais livre e experimental.

Se o argumento deixa algumas reservas, o mesmo não pode ser dito do trabalho gráfico de Corentin Rouge. O desenhador confirma mais uma vez o enorme talento que tem demonstrado em trabalhos anteriores. As personagens são extremamente expressivas, transmitindo emoções de forma imediata e convincente. E também os momentos de ação constituem outro dos grandes destaques da obra. As cenas de combate, perseguição e sobrevivência apresentam uma excelente dinâmica visual. Rouge consegue criar movimento dentro de cada prancha, envolvendo o leitor nos acontecimentos e aumentando a intensidade das sequências mais espetaculares. E há várias delas. Sou um grande admirador do trabalho deste autor, reconheço!

Thorgal - Wendigo, de Fred Duval e Corentin Rouge - A Seita
Ainda assim, fiquei com a sensação de que o estilo gráfico de Corentin Rouge funciona melhor em universos mais contemporâneos. Obras como Sangoma  - Os Condenados da Cidade do Cabo, Islander ou Rio parecem, quanto a mim, adequar-se de forma mais natural às características do seu traço, que é muito direto, energético e centrado na ação. Em contextos históricos ou de fantasia, como acontece em Thorgal, o resultado continua a ser bastante bom, mas talvez menos surpreendente. Não se trata de uma questão de qualidade de desenho, porque essa está presente em abundância ao longo de todo o álbum. Simplesmente, a vertente mais poética, contemplativa e mítica que se associa ao universo de Thorgal parece não beneficiar tanto deste estilo mais moderno, desnudo e cinematográfico de Rouge. Ainda assim, reitero que Corentin Rouge é um ilustrador fenomenal, do qual sou um totalmente fã. 

Nota ainda, muito positiva, para a fantástica ilustração da capa que é impactante, elegante e imediatamente apelativa. É uma daquelas capas que, quer parecer-me, capta o olhar de qualquer transeunte de uma livraria, ao transmitir na perfeição o ambiente de aventura e mistério presente na obra. 

A edição da editora A Seita é muito bem conseguida. O livro apresenta capa dura baça, com detalhes a verniz e com uma textura aveludada, suave ao toque, que tanto aprecio, e um excelente papel brilhante no miolo. A impressão, a encadernação e os acabamentos também têm uma qualidade que impressiona. Por fim, o caderno de extras também está fantástico, reunindo oito ilustrações verdadeiramente espetaculares e ainda um texto de cada um dos autores.

Em suma, Thorgal - Wendigo revela-se uma leitura competente, bem desenhada e agradável, que tem o potencial para aguardar aos fãs mais antigos da série, mesmo que, a meu ver, dificilmente possa figurar entre os livros mais memoráveis do universo de Thorgal, sobretudo por optar por uma fórmula demasiado segura quando poderia ter arriscado muito mais. É, acima de tudo, para isso que servem - ou deveriam servir - "os álbuns de autor"... para que se possa arriscar mais a todos os níveis.


NOTA FINAL (1/10):
8.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Thorgal - Wendigo, de Fred Duval e Corentin Rouge - A Seita

Ficha técnica
Thorgal - Wendigo
Autores: Fred Duval e Corentin Rouge
Editora: A Seita
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 325 mm
Lançamento: Maio de 2026

Penguin aposta em novo autor português!!!


A editora Penguin, que aparentemente está a deixar cair o nome da chancela Iguana para usar apenas a nomenclatura "Penguin", prepara-se para editar, a partir do próximo dia 7 de Setembro, Mar de Rosas, a primeira obra de grande fôlego do autor português Tomás Sousa!

Posso dizer-vos que já conheço um pouco do trabalho do autor, especialmente pela sua história curta A Paragem (Cadernos da Tentáculo 2), que até lhe valeu uma nomeação para o VINHETA D'OURO para Melhor Curta de Autor Nacional no ano passado, e que sou um admirador do seu traço e do seu trabalho.

Agora, o autor lança-se com este Mar de Rosas, que é apelidado como uma "fotonovela", coisa que despertou o meu interesse, já que parece tratar-se de uma história de amor carregada de intriga.

Estou mesmo muito curioso para o que pode vir deste livro.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Mar de Rosas, de Tomás Sousa

Uma história de amor proibida, uma heroína muito boa, uma vilã muito má e uma teia de intrigas digna de novela.

Numa família abastada prestes a enfrentar o caos, Rosalinda fará tudo para casar com Sebastião e garantir a herança — até afastar Celeste, a jovem apaixonada por ele. Quando o patriarca morre e o casamento ameaça ruir, intrigas, chantagem e ambições desmedidas rebentam à superfície.
Entre uma irmã determinada a proteger o legado, outra dividida entre o mundo e o convento, e um advogado cúmplice que acaba por recuar, a teia de Rosalinda implode. 

Presa e traída, jura regressar… mas até os cúmplices têm limites.

Uma banda desenhada inspirada nas antigas fotonovelas, onde nem os anúncios (ou reclames, como se dizia antigamente) faltam.




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Ficha técnica
Mar de Rosas
Autor: Tomás Sousa
Editora: Penguin
Páginas: 192, a cores
Encadernação: Capa mole
Formato: 171 x 239 mm
PVP: 20,45€

Nova Novela Gráfica da Levoir e do Público já está nas bancas!


Sai com hoje com o jornal Público, a obra Estamos Todas Bem, de Ana Penyas! E este é um dos livros que mais está a despertar a minha curiosidade, por toda a relevância e destaque que ganhou no país vizinho quando, em 2018, foi o livro vencedor do Premio Nacional del Cómic, em Espanha.

Relembro que esta é também a 8ª obra - de um total de 12 - já publicada da Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais da obra.

Estamos Todas Bem, de Ana Penyas

O Público e a Levoir apresentam a obra biográfica da primeira Mulher galardoada com o Prémio Nacional do Comic em Espanha. 

A 28 de Agosto será editado Estamos todas bem, a premiada obra da espanhola Ana Penyas.

Através das memórias das suas avós, a autora, oferece um olhar íntimo sobre as vidas de duas mulheres sob o franquismo e nas primeiras décadas da democracia espanhola, e explora a experiência de toda uma geração de mulheres cujas vidas quase não foram contadas.

Misturando passado e presente, Estamos todas bem ilustra, através de fotografias, colagens e ilustrações gráficas, o quotidiano daquela época com uma visão decididamente feminista.

Ana Penyas contrasta o passado com o presente da rotina diária de Maruja: a solidão, o envelhecimento e a consequente dificuldade de se deslocar num ambiente pouco favorável aos peões como o retrata nas primeiras páginas. A longa caminhada de regresso a casa a partir do parque, que antes demorava apenas alguns segundos, leva-lhe agora vários minutos. As memórias misturam-se com os acontecimentos actuais através de imagens e vozes.

Um livro simplesmente espantoso em que Penyas mostra ser uma narradora muito subtil, permitindo que os seus desenhos revelem ao leitor exactamente o que este deseja descobrir.

Depois de uma história verdadeira passada no Irão dos ayatollahs (A Aranha de Mashaad), da vida do grande escritor russo (Dostoiévski o sol negro), da história da colonização espanhola na Guiné Equatorial (Dez Mil Elefantes),
de uma viagem ao Alasca que foi sem ser (Partir, ficando), da história de Taiwan (Formosa) ou de um thriller inspirado em acontecimentos reais (Albert Londres tem de desaparecer) surge ainda no âmbito do 80.º aniversário da publicação de O Principezinho em França, (Saint-Exupéry e a origem do Principezinho).

Penyas nasceu em Valência (Espanha), em 1987. É licenciada em Design Industrial e em Belas-Artes pela Universidade Politécnica de Valência.

Recebeu uma menção especial no Ibero-America Ilustra 2015 e venceu o VII Catálogo Ibero Catálogo Ibero-Americano de Ilustração, em 2016. Em 2017, recebeu o Prémio Internacional de Banda Desenhada Fnac-Salamandra, graças ao qual publicou a sua primeira banda desenhada, Estamos todas bem. Em 2018, foi galardoada com o Prémio de Revelação de Autor Nacional da Feira da Banda Desenhada de Barcelona e com o Prémio Nacional de Banda Desenhada pela mesma obra.

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Ficha técnica
Estamos Todas Bem
Autora: Ana Penyas
Editora: Levoir
Páginas: 120, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 170 mm
PVP: 16,90€