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terça-feira, 28 de julho de 2026

Análise: Formosa

Formosa, de Li-Chin Lin - Levoir - Jornal Público

Formosa, de Li-Chin Lin - Levoir - Jornal Público
Formosa, de Li-Chin Lin

A quarta obra editada na mais recente Coleção de Novelas Gráficas da editora Levoir e do jornal Público correspondeu ao livro Formosa, de Li-Chin Lin, que marca a estreia da autora taiwanesa em Portugal. 

Esta é uma obra autobiográfica em que Li-Chin Lin revisita a sua infância e juventude em Taiwan para refletir - e nos fazer refletir - sobre como se constrói a identidade de um indivíduo num contexto marcado pela propaganda política e pelo autoritarismo. 

A obra acompanha, pois, o percurso da autora desde a infância até ao despertar da sua consciência crítica, apresentando simultaneamente um retrato pessoal e uma reflexão sobre a história recente de Taiwan. 

Nascida em Taiwan nos anos 1970, Li-Chin Lin pertence a uma geração educada sob a influência do regime do partido Kuomintang, que promoveu uma forte doutrinação ideológica nas escolas e na sociedade em geral, através do culto da personalidade de Chiang Kai-shek e da transmissão de uma "versão oficial" da história.

Formosa, de Li-Chin Lin - Levoir - Jornal Público
E o que mais me impressionou neste relato foi a dicotomia, o conflito de opiniões e formas de estar, que afetou a Li-Chin Lin nos seus tempos de criança. É que enquanto a escola transmitia uma determinada visão da nação e da história, sempre enaltecendo os enormes feitos da China, a autora crescia num ambiente familiar onde sobreviviam outras memórias e referências culturais japonesas. Os avós falavam japonês, herança do período colonial japonês, o que revelava a coexistência de identidades distintas e frequentemente silenciadas pelo discurso oficial. Segundo o regime, todas as referências e cultura vindas do Japão, antigo colonizador de Taiwan, deveriam ser renegadas pelos taiwaneses, em detrimento do culto de toda a cultura chinesa. Por um lado, Li-Chin Lin ganhava concursos escolares de ilustração com desenhos pró-regime chinês; por outro lado, cedo começou a ter um enorme fascínio pela cultura japonesa, em especial o mangá e o anime. 

A questão da identidade cultural assume, pois, um papel fundamental ao longo da obra, com a autora a demonstrar que a identidade taiwanesa não pode ser reduzida a uma única narrativa. E é algo que ainda importa relembrar a tantas pessoas por esse mundo fora. A convivência entre diferentes línguas, culturas e memórias históricas evidencia a complexidade, em particular, da sociedade taiwanesa. Aliás, se pensarmos bem, o próprio título da obra apresenta um forte significado simbólico, pois "Formosa" foi o nome atribuído pelos navegadores portugueses à ilha de Taiwan no século XVI e, ao recuperar esta designação histórica, Li-Chin Lin sublinha a multiplicidade de influências culturais que moldaram a identidade da ilha.

Formosa, de Li-Chin Lin - Levoir - Jornal Público
Outro tema relevante na obra é a educação como instrumento de controlo ideológico, pois este Formosa evidencia bem a influência que a escola exerce - ou pode exercer - na formação das crianças e na construção da sua visão do mundo. Ao mostrar a repetição constante de símbolos patrióticos e mensagens políticas, a autora revela a forma como o poder utiliza a educação para moldar mentalidades e legitimar a sua autoridade.

Por outro lado, à medida que Li-Chin Lin foi crescendo, e a pensar pela sua própria cabeça - coisa que, vá-se lá saber porquê, os regimes autoritários não costumam apreciar -, começou a detectar várias contradições do regime e as diferenças entre aquilo que lhe era ensinado e a realidade que observava. O próprio e infame episódio na Praça Tiananmen, em 1989, foi um claro exemplo para que Li-Chin Lin começasse a questionar não apenas o regime chinês, mas também os mecanismos de poder e propaganda presentes em Taiwan. Este episódio marca simbolicamente a passagem da inocência para uma consciência política mais madura.

Quanto às ilustrações, devo dizer que foi talvez nesta dimensão da obra que Formosa menos me convenceu. Embora os desenhos, com influência clara no mangá, cumpram eficazmente a sua função narrativa e transmitam com clareza as emoções, ideias e contextos históricos que Li-Chin Lin pretende explorar, o estilo gráfico parece por vezes excessivamente pouco aprimorado e próximo de um esboço. O traço solto e aparentemente inacabado transmite espontaneidade e autenticidade, reconheço, mas nem sempre proporciona uma experiência visual particularmente apelativa. Em vários momentos, a sensação é a de estarmos perante páginas de um caderno de apontamentos transformadas diretamente em banda desenhada.

Formosa, de Li-Chin Lin - Levoir - Jornal Público
Senti também uma certa acumulação de texto, imagens, notas e comentários visuais, o que torna certas sequências densas e algo confusas, fazendo com que a leitura seja menos fluida do que seria desejável. Mesmo assim, também tenho que apontar que há certos bons momentos ao nível da ilustração, especialmente quando a autora interpreta, de forma humorística e hiperbolizada, certas cenas ou reações das personagens.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça, bom papel baço, boa impressão e boa encadernação. No final da obra, há ainda dois posfácios da autora. O primeiro é da altura em que a obra foi originalmente lançada, em 2011. Já o segundo posfácio é deste ano e foi feito de propósito para a edição portuguesa, o que é algo especial e revela aqui um cuidado da editora Levoir para valorização da própria obra que publica. Por fim, há duas páginas, denominadas "Pontos de Referência", em que nos é dada uma contextualização histórico-política de Taiwan.

Tenho visto algumas críticas por esse internet fora sobre a introdução do subtítulo "Uma Visão Diferente Sobre a Recente História de Taiwan" na capa do livro. Mesmo sendo algo que não consta na edição original, não me parece que seja negativo, pois ajuda especialmente os que não conhecem a obra ou a autora, ou que não fazem tão diretamente a ponte entre "Formosa" e "Taiwan". Podemos discutir se, em termos de grafismo, este subtítulo poderia ter sido introduzido de uma forma mais harmoniosa - possivelmente, sim - mas não me parece que seja algo tão negativo como certas vozes querem dar a entender. Aliás, neste ponto, estou desejoso de saber como é que as mesmas vozes lidarão com a capa do próximo título da coleção Albert Londres Tem de Desaparecer.

Em suma, Formosa é uma obra de grande relevância literária e histórica sobre Taiwan, que nos é oferecida através de uma narrativa autobiográfica sincera e de uma reflexão profunda sobre identidade, liberdade, educação e memória. Mais do que a história de uma infância em Taiwan, a obra constitui um bom testemunho sobre a importância do pensamento crítico perante qualquer forma de poder autoritário propagandístico. É, portanto, um belo ensaio que merece ser lido.


NOTA FINAL (1/10):
8.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Formosa, de Li-Chin Lin - Levoir - Jornal Público

Ficha técnica
Formosa
Autora: Li-Chin
Editora: Levoir
Páginas: 256, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 cm
Lançamento: Julho de 2026

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Análise: Partir, Ficando

Partir, Ficando, de Christophe Chabouté - Levoir - Jornal Público

Partir, Ficando, de Christophe Chabouté - Levoir - Jornal Público
Partir, Ficando, de Christophe Chabouté

O quarto lançamento da Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público trouxe-nos um dos livros de banda desenhada que mais me impactou durante este ano de 2026. Falo de Partir, Ficando, de Christophe Chabouté. 

Confesso ser fã da obra do autor francês e de já ter adorado os outros álbuns editados em Portugal pela Levoir, nomeadamente, Moby Dick, Táxi Amarelo ou Acender Uma Fogueira, bem como outros livros de Chabouté que li em edições estrangeiras. E a bela mensagem deste Partir, Ficando até me faz colocar este livro, em particular, como o meu preferido, a par de Moby Dick, do autor.

Isto porque este é um daqueles livros que consegue transformar-nos de forma silenciosa. E, sinceramente, e por muito que eu gostava que acontecesse o contrário, a verdade é que são raros os livros que nos conseguem mudar. Ou, pelo menos, impelir-nos a tentar fazê-lo. E isto não acontece por esta ser uma obra que seja particularmente complexa ou ambiciosa na forma como constrói o seu enredo, mas precisamente porque alcança algo muito mais difícil: faz-nos olhar para o mundo - e para nós próprios - de maneira diferente.

Partir, Ficando, de Christophe Chabouté - Levoir - Jornal Público
A premissa da obra é de uma simplicidade quase desarmante. Alexandre é um homem comum, um funcionário de um parque de estacionamento cuja vida decorre ao ritmo monótono e previsível dos dias sensaborões que passam sem deixar marca. 

É um daqueles indivíduos que encontramos todos os dias sem verdadeiramente os ver. Vive sozinho, trabalha sozinho e parece existir num estado de discreta invisibilidade social. Quantas pessoas não conhecemos que encaixam perfeitamente nesta descrição? Mas, durante este ano, nas suas férias, procura fazer algo diferente. E enceta uma viagem ao Alasca, uma fuga para um lugar longínquo daquele em que vive, que lhe permita quebrar a prisão silenciosa da rotina em que se tornou a sua vida. Mas o destino intervém - não vou contar como, terão que ler o livro - e impede-o de partir nessa tão desejosa viagem.

Impossibilitado de viajar, Alexandre aluga um quarto de hotel no lado oposto da praça em que vive. Só para aproveitar as férias já marcadas e, pelo menos, tentar fazer algo diferente. E é este o ponto de rotura, com Chabouté a levar-nos a uma profunda reflexão sobre aquilo que significa realmente viajar.

Partir, Ficando, de Christophe Chabouté - Levoir - Jornal Público
A grande força deste Partir, Ficando reside, diria, na capacidade de desmontar uma das ilusões mais modernas da nossa época: a ideia de que a felicidade, a descoberta ou a realização pessoal existem sempre algures longe de nós. Parece que precisamos de ir para longe do sítio em que vivemos para que as viagens que fazemos pareçam mais espetaculares. Além disso, acresce o facto de vivermos numa época em que glorificamos a deslocação constante, a experiência seguinte, o próximo destino, a próxima fotografia. Somos educados para acreditar que a plenitude está sempre noutro lugar. Chabouté responde a essa inquietação com uma pergunta simples: e se estivermos a procurar no sítio errado?

Ao alugar um quarto na mesma rua onde sempre viveu, Alexandre faz algo aparentemente ridículo. A ideia parece quase absurda. Contudo, aquilo que muda não é o espaço geográfico que ocupa, mas a forma como passa a observá-lo. O seu bairro não se transforma; aquilo que se transforma é o seu olhar. A forma como vê o mundo, as pequenas e as grandes coisas à sua volta. E as pessoas que o rodeiam. E é aí que reside a verdadeira aventura.

Poucos autores possuem a capacidade de encontrar poesia onde a maioria das pessoas vê apenas banalidade. Chabouté é um desses raros criadores. Em vez de nos apresentar monumentos, paisagens exóticas ou acontecimentos extraordinários, oferece-nos janelas, passeios, árvores, vizinhos, cafés e ruas comuns. O quotidiano deixa de ser apenas quotidiano e revela-se como um território vasto, misterioso e profundamente humano.

Partir, Ficando, de Christophe Chabouté - Levoir - Jornal Público
Há, portanto, algo quase zen nesta proposta narrativa. O livro parece recordar-nos constantemente que a vida não acontece apenas nos grandes momentos que guardamos na memória. Acontece também - e talvez sobretudo - nos pequenos instantes que normalmente deixamos escapar. 

Por isso mesmo, Partir, Ficando poderá não ter o mesmo impacto junto de todos os leitores. Tenho a convicção de que esta é uma obra que cresce à medida que também nós, leitores, crescemos. Não porque um leitor jovem seja incapaz de a compreender, mas porque certos temas exigem experiência de vida para serem verdadeiramente sentidos. É difícil medir a riqueza de uma rotina quando ainda não se viveu dentro dela. É difícil compreender a solidão urbana quando ainda não se experimentou o peso dos dias semelhantes uns aos outros. E é difícil reconhecer a beleza escondida nos detalhes quando ainda se procura incessantemente o brilho das grandes novidades.

Por tudo isto, considero este um livro maduro, destinado a um público mais vivido. Os leitores mais maduros - e, sobretudo, aqueles que já acumularam algumas derrotas, desilusões, recomeços e aprendizagens - encontrarão aqui uma ressonância especial. Quem nunca acreditou que precisava de mudar de cidade, de trabalho, de país ou de vida para finalmente encontrar aquilo que procurava? Quem nunca confundiu movimento com transformação?

Partir, Ficando, de Christophe Chabouté - Levoir - Jornal Público
E atenção que, a este respeito, Chabouté nunca cai na armadilha de oferecer respostas fáceis ou mensagens motivacionais simplistas. A obra não nos diz que devemos abandonar os nossos sonhos de viajar. Nem, tampouco, sugere que o mundo exterior não vale a pena ser descoberto. O que faz é muito mais subtil: lembra-nos que nenhuma paisagem distante resolverá aquilo que não conseguimos resolver dentro de nós.

Já falei muito sobre o argumento do livro, mas ainda falta mencionar o belíssimo desenho de Chabouté. Não há aqui grandes novidades, exceptuando a presença de cor em determinados momentos da história - que normalmente é a preto e branco puro - bem como a reprodução das páginas do caderno de viagem do protagonista. De resto, o preto e branco de Chabouté continua a ser verdadeiramente fantástico. Não é apenas bonito... também é expressivo. Há páginas inteiras em que uma sombra comunica mais do que muitos diálogos. Há silêncios que pesam, respiram e emocionam. Poucos desenhadores compreendem tão bem que o vazio também conta uma história.

Quanto à edição da obra, o livro conta com a habitual capa dura baça. No miolo, o papel também é baço e de boa qualidade. A encadernação e impressão também estão boas. Há ainda um prefácio da minha autoria.

Em suma, Partir, Ficando é uma banda desenhada de uma beleza rara, profundamente humana, melancólica, contemplativa e poética. Uma obra que fala de viagens, mas que, afinal, fala de presença. Que fala de distância, mas que, afinal, fala de proximidade. Algumas viagens terminam no exato momento em que regressamos a casa. Mas esta viagem que Chabouté nos propõe, começa precisamente em casa. E é talvez nesse ponto que reside a grandeza desta obra. Na forma discreta como altera a nossa percepção do mundo. Sem ruído. Apenas recordando-nos algo que sempre soubemos, mas que tantas vezes esquecemos: que a vida não é feita apenas dos lugares onde vamos, mas da atenção com que escolhemos habitar os lugares onde já estamos. É um dos livros do ano!


NOTA FINAL (1/10):
10.0

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Partir, Ficando, de Christophe Chabouté - Levoir - Jornal Público

Ficha técnica
Partir, Ficando
Autor: Christophe Chabouté
Editora: Levoir
Páginas: 152, a preto e branco, com algumas vinhetas a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
Lançamento: Julho de 2026


sexta-feira, 17 de julho de 2026

Já está nas bancas a nova Novela Gráfica da Levoir e do Público!




Sai hoje, com o jornal Público, o 5º livro da Coleção de Novelas Gráficas da editora Levoir!

Desta feita, trata-se da obra Formosa, da autora Li-Chin, que é uma estreia em Portugal. Estou bastante curioso com esta obra, pois reconheço que sei pouco ou nada sobre a mesma.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa sobre o livro e com algumas imagens promocionais do mesmo.


Formosa, de Li-Chin

Depois da publicação de A Aranha de Mashaad; Dostoiévski: O sol negro, Dez Mil Elefantes, Partir, ficando, chega Formosa o quinto volume da colecção novela gráfica editada pela Levoir e o jornal Público com saída a 17 de Julho.
Li-Chin Lin nasceu em Taiwan em 1973. Deixou a ilha para estudar arte em França, na École Supérieure de l’Image, em Angoulême, e depois matriculou-se na escola de animação Poudrière, em Valence. Depois de realizar curtas-metragens de animação, dedicou-se à banda desenhada em 2002.

Li-Chin publicou em várias fanzines e produziu dois livros infantis. Esta é a sua primeira novela gráfica, trabalho autobiográfico, onde aborda com franqueza e muito distanciamento a sua infância, dividida entre a cultura da sua família (os seus avós falam japonês, uma recordação dos colonizadores e uma língua odiada pelo regime), os seus desejos (a atração pelo mangá) e a doutrina oficial. Ela mostra como o regime ditatorial do Kuomintang, que governa a ilha com mão de ferro praticamente sem interrupção desde a chegada de Chiang Kai-shek, pratica uma doutrinação diária da população taiwanesa em geral e das crianças em particular.

Confrontada desde muito jovem com as contradições do regime, Li-Chin Lin pertence à geração marcada pela revolta de Tiananmen, que será levada a questionar o culto à personalidade de CKS e o partido único. 

O seu olhar sempre rebelde sobre a corrupção e as ambiguidades que corroem a sociedade taiwanesa combina-se com um desenho influenciado pelos códigos do mangá e uma imaginação gráfica desenfreada.

Formosa foi o nome dado no século XVI pelos portugueses à bela ilha de montanhas cobertas de verde situada junto da costa sul da China. Taiwan, por seu lado, é o nome chinês da ilha que desde 1949 a República Popular da China considera uma província rebelde.

Taiwan não pertence a nenhum país. 

É um Estado com governo democrático próprio, moeda e constituição, operando como um país autónomo desde 1949, é um dos principais focos de tensão entre Pequim e Washington. 

A China reivindica soberania sobre a ilha e nunca excluiu o recurso à força para alcançar aquilo que descreve como a "reunificação".

A reunificação de Taiwan à China é imparável. – Xi Jinping (Presidente da China).

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Ficha técnica
Formosa
Autora: Li-Chin
Editora: Levoir
Páginas: 256, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 cm
PVP: 16,90€

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Chega hoje às bancas novo livro de Chabouté!



Sai hoje com o jornal Público, o novo livro da Coleção de Novelas Gráficas da editora Levoir que dá pelo nome de Partir, Ficando e é da autoria de Christophe Chabouté, de quem sou um grande admirador!

Este é um livro poético e com uma história lindíssima, que nos deixa a refletir, e que aconselho a toda a gente!

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da obra e com algumas imagens promocionais sobre a mesma.


Partir, Ficando, de Chabouté

O mais recente trabalho de Christophe Chabouté, Partir, ficando chega aos leitores portugueses através da colecção novela gráfica que a Levoir e o Público editam a 3 de Julho.

Chabouté tem várias obras editadas pela Levoir, nomeadamente: Acender uma Fogueira, Moby DicK (2 volumes) e Táxi Amarelo.

Christophe Chabouté é o vencedor da 13.ª edição do Prémio Landerneau BD do Espace Culturel E. Leclerc pela sua novela gráfica Partir, ficando.

Nascido na Alsácia em 1967, vive atualmente na ilha de Oléron. Publicou as suas primeiras ilustrações em 1993, Récits, um álbum coletivo sobre Arthur Rimbaud. A sua cor preferida é o preto e branco. Deixa ao leitor a liberdade de acrescentar a sua própria cor. O preto e branco é simplesmente o seu modo de expressão. Na sua cabeça, está escrito que as histórias que conta são a preto e branco para se libertar de constrangimentos estéticos e narrativos. Só utiliza a cor se esta acrescentar significado à história, o que acontece em Partir, ficando.
O Alasca, a última fronteira... Esta região selvagem e hostil, o sonho de todo o viajante aventureiro... Sonhei em partir para o fim do mundo, percorrer os seus vastos espaços. Mas fui obrigado a ficar. Então parti sem partir... Apanhei peixes-trombeta, patos-listrados e lebres-de-gola. Segui os rastros e as pegadas da fauna local. Consegui capturar um animal desconhecido.

Com esta bela história, Chabouté mostra-nos uma forma de nos reapropriarmos da realidade, do mundo que nos rodeia, desligando-nos da rotina. A sua personagem pára, deixa o tempo passar à sua volta e começa a observar: olha para tudo, para as pessoas, as formas, as cores… e também escuta. Como alguém que descobre o mundo pela primeira vez, demora-se e maravilha-se com cada detalhe que o rodeia, mesmo os mais pequenos e insignificantes — à primeira vista.
“Grande contador de histórias, Chabouté oferece-nos com este álbum pranchas mágicas. Uma obra-prima em preto e branco com toques de cor.” La Croix

Títulos da colecção já publicados: A Aranha de Mashaad; Dostoiévski: O sol negro e Dez Mil Elefantes.

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Ficha técnica
Partir, Ficando
Autor: Christophe Chabouté
Editora: Levoir
Páginas: 152, a preto e branco, com algumas vinhetas a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
PVP: 16,90€

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Análise: A Aranha de Mashhad


A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão Desconhecido, de Mana Neyestani

Foi com este A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão Desconhecido, de Mana Neyestani, que a editora Levoir iniciou a sua mais recente Coleção de Novelas Gráficas. Uma boa escolha, parece-me, tendo em conta que já é um autor conhecido dos portugueses - tendo a mesma editora lançado anteriormente as belas obras Uma Metamorfose Iraniana e Os Pássaros de Papel. Mana Neyestani é mais um dos autores que se juntam ao coro de vozes que procuram dar destaque às práticas político-sociais presentes no Irão. 

Depois de, em Uma Metamorfose Iraniana, o autor nos ter dado um sentido e marcante relato biográfico onde ficámos a conhecer a história real que levou ao seu encarceramento de apenas e só porque publicou um cartoon que não caiu nas boas graças de outrem; e de, em Os Pássaros de Papel, o autor ter abordado a situação que se vive nas montanhas do Curdistão iraniano, na fronteira com o Iraque, em que são efetuadas perigosas expedições de transporte por pessoas extremadamente pobres que se veem forçadas, para obter algum dinheiro, a transportar às costas, em "mochilas" verdadeiramente gigantes, muitos materiais contrabandeados; este A Aranha de Mashhad fala-nos da história real de Saïd Hanaï, um homem aparentemente normal e sem quaisquer antecedentes criminais que, certo dia, decidiu eliminar prostitutas em nome da religião, na cidade santa xiita de Mashhad, no nordeste do Irão. Foram 16 as prostitutas assassinadas.

A inspiração do autor surgiu após assistir ao documentário And Along Came a Spider, do jornalista iraniano-canadense Maziar Bahari, que abordava este caso ocorrido entre os anos de 2000 e 2001.

Se o caso é interessante, a abordagem de Mana Neyestani é ainda mais interessante. Em vez de nos contar a história exata do que aconteceu, o autor opta por nos apresentar uma narrativa em formato de entrevista, em que Roya Karimi Majd conduz uma entrevista ao agora presidiário, e condenado à pena de morte, Saïd Hanaï. Trata-se de uma entrevista que procura dar a versão dos factos do assassino, de modo a levar-nos a perceber quais foram, realmente, as suas motivações para, no espaço de pouco mais de um ano, tirar a vida a 16 mulheres.

É-nos dada também a visão dos mesmos factos por parte da mulher e filho de Saïd Hanaï e do juiz Masouri que conduziu o caso judicial. É reproduzida, ainda, o dia na vida de Leila, uma das vítimas, que culminou com o contacto e confronto com Saïd Hanaï. 

O que mais impressiona é que este assassino seja um homem completamente sereno, que não se procura esquivar ou esconder daquilo que fez, mas, ao invés, não tem pruridos em confirmar os seus assassinatos e passar a ideia que os fez por um motivo maior: o de Alá não tolerar a prostituição. No fundo, era como se este homem considerasse que estava a fazer o trabalho certo, a função divina de eliminar as pessoas que, por serem prostitutas, não merecerem viver neste mundo.

Mais incrível ainda - especialmente aos olhos de um ocidental - é que a mulher e filho de Saïd Hanaï considerem que aquilo que este homem fez, não só é tolerável como até digno de louvores. E embora Saïd tenha sido preso e condenado, os locais passaram mesmo a olhar para ele como um exemplo a seguir e alguém que procurava fazer do mundo um lugar melhor. E mais limpo. Mesmo que, para isso, matasse quase duas dezenas de mulheres. É isto que um estado que faz brainwashing com os seus cidadãos, através de uma religião austera e castradora, faz à mentalidade e cultura vigentes. É triste de ler, mas é importante que livros como este A Aranha de Mashhad continuem a chamar a atenção do mundo para o atraso cultural que o Irão (ainda) vive.

O final, de cariz poético e político, é verdadeiramente espetacular. Funciona como um cartoon certo para concluir uma história tão impactante e triste como aquela que nos é dada neste livro. Talvez a causa do Irão seja mesmo uma causa perdida... pelo menos durante as próximas décadas, pois é difícil perceber como é que se altera um quadro de valores tão profundamente enraizado na população do país.

O estilo de desenho de Mana Neyestani mantém-se fiel àquilo que já conhecemos. Apresenta uma linha expressiva, a preto e branco, que recorre a hachuras e que é simultaneamente simples e carregada de tensão emocional. As personagens aparecem muitas vezes com feições exageradas ou ligeiramente distorcidas, criando um efeito que sublinha a opressão das situações retratadas. Funciona muito bem, na minha opinião.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça, bom papel baço e um bom trabalho a nível de impressão e encadernação. O livro abre com uma introdução do próprio Mana Neyestani e fecha com um epílogo onde se dão breves notas adicionais sobre o assassino Saïd Hanaï, a jornalista Roya Karimi Majd e o próprio Maziar Bahari, autor do documentário original e que aqui também aparece como personagem, sendo a pessoa responsável por filmar a entrevista a Saïd Hanaï.

Em suma, A Aranha de Mashhad é mais um belo livro de Mana Neyestani que consegue fazer-nos parar para refletir sobre as atrocidades que, dia após dia, continuam a ser feitas no Irão, ao mesmo tempo que vai um pouco mais longe e nos mostra que mudar a mentalidade profundamente doutrinada presente no Irão, em que os direitos humanos são menos importantes do que as escrituras religiosas sobre uma personagem fictícia como Alá, é algo virtualmente impossível. Pelo menos, para já.


NOTA FINAL (1/10):
8.7



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Ficha técnica
A Aranha de Mashhad - Viagem a um Irão Desconhecido
Autor: Mana Neyestani
Editora: Levoir
Páginas: 164, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240m
Lançamento: Maio de 2026

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Análise: Dez Mil Elefantes

Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé - Levoir - Público

Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé - Levoir - Público
Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé

Dez Mil Elefantes é a terceira obra da mais recente Coleção de Novelas Gráficas publicada pela Levoir e pelo jornal Público.

Da autoria do espanhol Pere Ortín e do guineense Nzé Esono Ebalé, a obra parte de um episódio histórico concreto para construir uma narrativa que oscila entre o estilo documental e o estilo poético. 

A narrativa acompanha a expedição liderada pelo cineasta espanhol Manuel Hernández‑Sanjuán à então Guiné Espanhola, entre 1944 e 1946, em pleno regime franquista. A missão era, aparentemente, registar a vida colonial, mas rapidamente se percebe que esse olhar estava condicionado por interesses propagandísticos, procurando mostrar uma realidade filtrada e ideologicamente moldada. Coisas típicas dos estados colonialistas, como sabemos.

Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé - Levoir - Público
E é através da voz de Ngono Mbá, um dos carregadores guineenses que integrou esta expedição, que a história nos é contada na primeira pessoa. Esta escolha narrativa é logo interessante à partida, pois desloca o ponto de vista habitual - que, normalmente, é centrado no colonizador - para quem viveu a experiência do outro lado da lente. Ngono observa, comenta e interpreta aquilo que vê, oferecendo-nos um testemunho simultaneamente curioso, ingénuo e profundamente revelador.

A narrativa documenta, pois, essa viagem insólita, cruzando o olhar europeu, carregado de paixão pelo exotismo e de uma sempre crescente ambição, com a realidade concreta, mais simples, do território africano e das suas populações. O próprio sonho de Hernández‑Sanjuán - o de ver dez mil elefantes juntos - surge como uma metáfora dessa busca romantizada e, ao mesmo tempo, irrealista, espelhando o desencontro entre o imaginário colonial e o mundo real que o colonizador tentava captar.

Dez Mil Elefantes é uma proposta diferenciada e audaz por parte da Levoir que, com esta obra, nos oferece algo diferente daquilo a que estamos habituados a encontrar por cá, em termos de banda desenhada. Como tal, é possível que muita gente não goste, mas também é possível que muitos adorem este livro. Haverá quem não se identifique com a sua abordagem experimental, mas também quem a considere absolutamente fascinante. E isso é, em suma, a grande valência desta Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público: a de nos fazer conhecer novas obras e estilos, levando-nos para lá da nossa zona de conforto e convidando-nos a explorar linguagens, temas e sensibilidades diferentes, contribuindo, deste modo, para um panorama editorial mais diverso e enriquecedor. Goste-se mais ou menos.

Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé - Levoir - Público
Um dos aspetos mais interessantes da obra reside na forma como nos mostra, ainda que muitas vezes nas entrelinhas, que o colonialismo é, por natureza, uma construção artificial. Um sistema imposto, que ignora deliberadamente as culturas locais e que procura reescrever a realidade em função dos interesses de quem domina. Essa dimensão está sempre presente na obra, mesmo sendo verdade que nunca é explicitamente verbalizada pelo narrador.

O olhar de Ngono é simultaneamente curioso e crítico, revelando tanto o fascínio pelo desconhecido como a estranheza perante os comportamentos dos colonizadores. A sua vontade de aprender a ler e a escrever funciona, aliás, como símbolo de uma tentativa de apropriação e compreensão de um mundo que lhe é imposto.

Como ponto menos positivo, há vários momentos em que a história parece fragmentar-se em pequenos episódios algo soltos, criando uma certa desconexão entre os mesmos. A opção por uma narração contínua em monólogo, sem recurso a diálogos convencionais, reforça a ideia de testemunho, mas também torna a leitura mais monocórdica e, por vezes, ligeiramente cansativa. Acredito que a experiência poderia ter sido melhorada, se existissem momentos de diálogo entre as personagens.

Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé - Levoir - Público
Mesmo assim, a inclusão de cartas e outros elementos gráficos ao longo da narrativa contribui para quebrar esta linearidade e introduzir variações no ritmo da leitura, reconheço. 

Em termos visuais, Dez Mil Elefantes é uma obra extremamente rica e surpreendente. Nzé Esono Ebalé apresenta um trabalho profundamente autoral, combinando diferentes técnicas, que vão desde o desenho com esferográfica até colagens e inserções fotográficas. Tudo isto confere ao livro uma identidade estética muito própria, com cada página a parecer oferecer-nos algo novo, desafiando constantemente o nosso olhar.

A escolha da caneta esferográfica, associada à infância e à escassez de recursos do autor, não é apenas um gesto técnico, mas também simbólico. O resultado são imagens carregadas de textura e expressividade, com uma sensibilidade africana evidente. Este livro não precisava de ser sobre África para que sentíssemos, de algum modo, esse espírito africano só por olharmos para as ilustrações. 

A forma como as cores são utilizadas também se revela particularmente original e a planificação é muitas vezes ousada, com soluções visuais que enriquecem a experiência e sublinham o tom híbrido entre documento e interpretação artística.

À boa maneira daquilo que podemos esperar dos livros desta Coleção de Novelas Gráficas, o livro apresenta capa dura baça, com bom papel baço no miolo. A impressão e encadernação também são boas. No final, encontramos um epílogo escrito por Pere Ortín, que nos dá mais informações acerca do seu processo de trabalho nesta obra. 

Em suma, Dez Mil Elefantes é uma obra exigente, mas recompensadora. Não é uma leitura imediata nem confortável, mas precisamente por isso se torna relevante e marcante. Ao mesmo tempo que revisita um passado colonial pouco explorado, fá-lo com uma linguagem inovadora e uma perspectiva crítica subtil. Uma boa e original proposta da Levoir.


NOTA FINAL (1/10):
8.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé - Levoir - Público

Ficha técnica
Dez Mil Elefantes
Autores: Pere Ortín e Nzé Esono Embalé
Editora: Levoir
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 mm
Lançamento: Junho de 2026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Levoir lança nova série de mangá!



Hoje, para além da terceira obra da Coleção de Novelas Gráficas, também pode ser adquirida em banca, juntamente com o jornal Público, o primeiro número da série As Gotas de Deus, da autoria dos japoneses Tadashi Agi e Shin Okimoto.

Esta é uma série que já havia sido anunciada em 2023 e que chega finalmente aos leitores portugueses. Trata o tema do vinho, o que pode apelar a um público mais maduro e, diria mesmo, não tão propenso a ler mangá.

Confesso que estou curioso para saber a periodicidade com que a Levoir vai editar esta série, uma vez que a série original conta com 44 volumes e que, pelo menos por agora, a editora e o jornal apenas estão a anunciar o lançamento dos dois primeiros volumes.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais do livro.

As Gotas de Deus #1, de Tadashi Agi e Shin Okimoto

A série emblemática dedicada ao vinho e aos seus mistérios As Gotas de Deus, foi um best seller no Japão e em França. Portugal é o terceiro país onde se publica esta série. A Levoir e o jornal Público lançam a 19 de Junho o 1º volume desta colecção.

Capaz de satisfazer tanto iniciados como conhecedores, esta colecção vai dar aos leitores um motivo perfeito para dar o salto e mergulhar neste universo tão delicioso como é o vinho. Tadashi Agi, é o pseudónimo de Yuko e Shin Kibayashi, uma dupla de irmãos japoneses que escrevem histórias de mangá, são dois profundos conhecedores e apreciadores de vinho e donos de uma garrafeira com mais de 3000 garrafas.

Em 2009 a revista Decanter Magazine elegeu os irmãos Kibayashi entre as 50 pessoas mais influentes na indústria do vinho e a publicação foi considerada a mais influente dos últimos 20 anos.

De 2004 a 2014 a série foi publicada na revista Weekly Morning, dando ainda origem a duas sequelas mais curtas. O sucesso foi tal que o mangá seria adaptado à televisão por duas vezes, a segunda das quais já em 2023, numa co-produção francesa, japonesa e americana, cujas duas temporadas podem ser vistas em Portugal no serviço de streaming Apple TV, dando ainda origem a uma série de animação japonesa, que estreou em Abril de 2026

Filho de um enólogo conhecido, Shizuku Kanzaki é funcionário de uma empresa japonesa de bebidas com foco na venda de cervejas e não tem qualquer amor ao vinho.

Infelizmente, o seu pai morre e, quando pensava poder gozar tranquilamente da sua herança, Shizuku descobre que tem um irmão adoptivo, um renomado jovem crítico de vinhos, Toomine Issei. Pior ainda, o testamento do pai desafia-os a descobrir os doze melhores grands crus, assim como o melhor de todos, As Gotas de Deus. Shizuku vê-se assim envolvido na descoberta de um novo género, por entre vinhos, castas e sabores…

Para quem já ama o vinho, é uma declaração de amor à sua cultura mais profunda. Para quem ainda não o descobriu, é um convite sem barreiras de entrada. E para todos, é a prova de que a grande literatura — mesmo em formato de banda desenhada — fala sempre do mesmo: de quem somos, do que herdamos e do que escolhemos tornar nosso. 
– Bento Amaral

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Ficha técnica
As Gotas de Deus #1
Autores: Tadashi Agi e Shin Okimoto
Editora: Levoir
Páginas: 240, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 130 x 180 mm
PVP: 14,90€











Já está nas bancas a 3ª Novela Gráfica da Levoir e Público!



Sai hoje com o jornal Público, a nova obra da Coleção de Novelas Gráficas da Levoir

Desta vez, estamos perante a obra Dez Mil Elefantes, dos autores Pere Ortín e Nzé Esono Embalé. Autores estes que, na sexta-feira passada, marcaram presença na Feira do Livro de Lisboa para apresentação e sessão de autógrafos.

Esta é uma história que nos fala do colonialismo espanhol em África. Em concreto, na Guiné Equatorial. A técnica de desenho, sento feita em esferográfica, é peculiar, o que me está a deixar com vontade de ler este livro nos próximos dias.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.
Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Embalé

Depois do Irão dos ayatollahs e da Rússia de Dostoiévski, este terceiro volume da colecção "Novela Gráfica" leva-nos à Guiné Equatorial, durante o período da colonização espanhola, com Dez Mil Elefantes, de Pere Ortin e Nzé Esono Ebalé, dois autores em estreia nesta colecção.

O volume 3 da colecção novela gráfica, Dez Mil Elefantes é uma espectacular banda desenhada sobre o passado colonial espanhol na Guiné Equatorial, prémio Baudet d’Or Argumento de Pere Ortín. Um livro diferente que a Levoir e o Público editam a 19 de Junho. Esta obra já foi editada na Alemanha e vai ser editado em França pela Dupuis.
O jornalista, escritor e guionista espanhol Pere Ortín, argumentista desta obra tem uma vasta experiência no mundo da reportagem, tendo já realizado trabalhos em vários países africanos.

Pere Ortín deparou-se com a história por acaso já na década de 90, numa das suas primeiras visitas à Guiné Equatorial. Mais tarde, chegou a conhecer o próprio Manuel Hernández Sanjuán e herdou do cineasta os negativos de todo o material produzido naquela expedição. Desde então, o jornalista não parou de investigar o tema, passando a história para a banda desenhada com a ajuda de Nzé Esono Ebalé.

Nzé Esono Embalé é um ilustrador, artista multidisciplinar e ativista da Guiné Equatorial que assinou alguns dos seus trabalhos como Ramón Esono ou Jamón y Queso.
Os seus trabalhos têm sido exibidos em todo o mundo. Tornou-se conhecido em 2017 quando foi preso durante seis meses, acusado de ter injuriado e difamado o ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, na sua banda desenhada La pesadilla de Obi, um verdadeiro ataque à liberdade de expressão que levou organizações de defesa dos direitos humanos de todo o mundo a mobilizarem-se para exigir a sua libertação.

Entre 1944 e 1946, sob o regime de Franco, o cineasta madrileno Manuel Hernández Sanjuán e a sua equipa viajaram para a Guiné para retratar a vida colonial daquela insólita Espanha Negra no coração de África. A história da sua expedição é narrada neste livro por Ngono Mbá, um dos carregadores que participou na estranha viagem que deveria «documentar» as verdades inventadas do regime: essa memória não memorizada que continua a ser, ainda hoje, o passado colonial espanhol.
"Foi todo feito com caneta esferográfica. Eu queria incorporar a minha infância no desenho artístico, a minha falta de bens materiais, já que a caneta esferográfica era a única coisa que eu tinha na altura", refere. 

Desta escolha pouco ortodoxa de material de desenho, resultam páginas profundamente originais, com uma sensibilidade africana evidente, até na forma como a cor da pele dos brancos é representada.

Mas, além de um mergulho num passado colonial doloroso e pouco falado, este livro é também uma homenagem do desenhador à sua mãe."
- Nzé Esono Embalé

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Ficha técnica
Dez Mil Elefantes
Autores: Pere Ortín e Nzé Esono Embalé
Editora: Levoir
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 mm
PVP: 16,90€