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quinta-feira, 6 de março de 2025

Análise: Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer

Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, de Julian Voloj e Wagner Willian - Levoir e jornal Público

Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, de Julian Voloj e Wagner Willian - Levoir e jornal Público
Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, de Julian Voloj e Wagner Willian

Dentro das obras que constavam no cardápio da última Coleção de Novelas Gráficas que a Levoir lançou com o jornal Público, este Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, da autoria de Julian Voloj e Wagner Willian, despertou-me especial interesse por assinalar a vida de Bobby Fischer, um dos mais conhecidos jogadores de xadrez de sempre. Confesso que conhecia Fischer apenas pela sua reputação de "génio do xadrez" e não tanto pela sua vida pessoal e, portanto, estava especialmente interessado em mergulhar nesta leitura.

Finda a mesma, devo dizer que estamos perante um bom livro que, com maior aprumo nas ilustrações, poderia almejar outros voos.

Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, de Julian Voloj e Wagner Willian - Levoir e jornal Público
A trajetória de Bobby Fischer é especialmente fascinante por dois motivos: pelo seu talento inigualável no xadrez, claro, mas também pela complexidade da sua personalidade. E o argumentista Voloj consegue explanar isso bem, numa história que explora a ascensão meteórica e o declínio do lendário jogador de xadrez, oferecendo um retrato profundo e instigante acerca da sua vida e das forças que o moviam. A obra destaca, portanto, não apenas as conquistas de Fischer, mas também as suas contradições, as suas paranoias e o seu isolamento, proporcionando uma visão completa da sua trajetória.

E uma das coisas que mais me agrada neste livro é a forma como o argumentista estrutura a narrativa, utilizando o próprio jogo de xadrez como metáfora para os momentos-chave da vida de Fischer. Os paralelos entre as peças do tabuleiro e os acontecimentos cruciais da história do protagonista são engenhosamente traçados, conferindo à obra um carácter simbólico que enriquece a experiência do leitor. Além de que toda esta analogia deixa presente a ideia de que Fischer via a sua existência como uma partida de xadrez, onde cada decisão poderia significar vitória ou derrota.

Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, de Julian Voloj e Wagner Willian - Levoir e jornal Público
A história começa por nos apresentar Bobby ainda em criança, que tinha um particular fascínio pelo xadrez. Fascínio esse que a sua mãe foi apoiando, juntamente com Carmine Nigro, o Presidente do Clube de Xadrez de Brooklyn, até à ascensão de Fischer ao topo do mundo do xadrez. 

O livro também dá especial destaque ao célebre confronto contra o russo Boris Spassky, em 1972, que transcendeu o desporto e que se tornou num assunto político da Guerra Fria, em que os Estados Unidos e a União Soviética pareciam competir em qualquer que fosse o assunto. Fischer tornou-se, então, uma peça central no tabuleiro geopolítico da época, sendo instrumentalizado tanto pelos Estados Unidos como pela União Soviética. Essa dimensão política da obra adiciona camadas de complexidade à narrativa, mostrando que a genialidade de Fischer vinha acompanhada por uma pressão constante. De todos os lados!

E talvez tudo isso somado, e não só, tenha levado ao declínio de Fischer que se tornou recluso de si mesmo, solitário e paranoico. Sofrendo de doença mental, e numa fase mais avançada da sua vida, Bobby acabou por se tornar polémico com declarações antissemitas e antiamericanas, especialmente após os atentados do 11 de Setembro de 2001, quando celebrou os ataques. E isso fez com que o mesmo ficasse ainda mais isolado, com a imagem pública completamente deteriorada, levando-o a viver exilado até obter cidadania islandesa em 2005. Tal como no xadrez, Fischer teve dificuldades em aceitar a derrota na sua vida e lidar com as consequências das suas escolhas. 

Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, de Julian Voloj e Wagner Willian - Levoir e jornal Público
O livro também acerta ao evitar uma visão maniqueísta do protagonista. Fischer não é tratado nem como um herói, nem como um vilão, mas sim como uma figura trágica, presa entre a sua genialidade e os seus demónios internos e problemas mentais. Essa abordagem acaba por humanizar a personagem, permitindo que o leitor compreenda as suas motivações e conflitos sem que a sua grandiosidade no xadrez seja ofuscada.

Se a narrativa é um dos pontos altos da obra, a arte de Wagner Willian, embora eficiente nos seus rudimentos, poderia ser mais refinada. Fica claro que os desenhos de Willian são interessantes e que cumprem o seu propósito, mas parecem simplificados em demasia. Não "estragam", mas também não trazem pontos adicionais à obra. E tendo em conta que estamos perante uma história que é rica em simbolismos e detalhes, fica claro que uma abordagem ilustrativa mais detalhada poderia ter potencializado ainda mais o impacto da obra.

Apesar dessas limitações visuais, o uso do preto e do branco na ilustração é uma escolha acertada, pois além de reforçar o título e o próprio universo do xadrez, a ausência de cores ajuda a criar uma atmosfera sombria e introspectiva, alinhada ao tom da história. 

À semelhança do que acontece nos outros livros da Coleção de Novelas Gráficas da Levoir, a edição do livro é em capa dura baça, com bom papel baço no interior e uma boa encadernação. 

No conjunto, Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer é uma leitura envolvente e instigante, que captura com maestria os altos e baixos da vida de um dos maiores jogadores de xadrez da história. A analogia entre o xadrez e a sua trajetória de vida é um dos maiores trunfos da obra e embora o desenho pudesse ser mais refinado, a força da narrativa compensa essa limitação, garantindo uma experiência marcante para quem se interessa por Fischer e pelo fascinante universo do xadrez.


NOTA FINAL (1/10):
8.2



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Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer, de Julian Voloj e Wagner Willian - Levoir e jornal Público

Ficha técnica
Preto e Branco: Ascensão e Queda de Bobby Fischer
Autores: Julian Voloj e Wagner Willian
Editora: Levoir
Páginas: 184, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 177 x 249 mm
Lançamento: Outubro de 2024

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Análise: Os Grandes Nomes do Macabro

Os Grandes Nomes do Macabro, de Joan Boix - Levoir

Os Grandes Nomes do Macabro, de Joan Boix - Levoir
Os Grandes Nomes do Macabro, de Joan Boix

Uma das obras lançadas na última Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público, foi este Os Grandes Nomes do Macabro, que reúne vinte histórias de terror do autor Joan Boix, um dos célebres nomes da banda desenhada espanhola clássica.

Esta antologia conta com histórias que foram originalmente publicadas entre as décadas de 1970 e 1980 em revistas como Dossier Negro, S.O.S. e Creepy.

E alguns dos contos presentes neste livro são adaptações de obras de célebres escritores como Franz Kafka, H.P. Lovecraft, Edgar Allan Poe, Gustavo Adolfo Bécquer, Arthur Conan Doyle, Victor Hugo, Fitz-James O'Brien, Robert Block e Hudson Irish. Outros, são narrativas originais de Boix.

Os Grandes Nomes do Macabro, de Joan Boix - Levoir

Na parte das adaptações, é de salientar que Boix demonstre habilidade na forma como transpõe para  a banda desenhada a essência das obras literárias originais. Especialmente se tivermos em conta que algumas destas histórias são muito curtas em dimensão. Não obstante, Boix revela boa capacidade de síntese para conseguir oferecer um vislumbre e/ou homenagem às obras originais.

Algo bastante positivo é que as histórias da autoria de Boix não ficam nada atrás em termos qualitativos e até conseguem, em alguns casos, apresentar conceitos e enredos mais inovativos do que o expectável para o género. Os temas explorados são os clássicos do género do terror: uns com a presença de criaturas fantásticas e assustadoras, outros com assassinatos, que procuram, acima de tudo, instigar o leitor a refletir sobre a natureza humana e sobre os seus medos mais profundos. Há sempre uma moral em cada uma das histórias. A presença de mulheres sensuais em alguns destes contos também adiciona uma camada de complexidade e beleza visual à narrativa, levando a ponderações sobre o desejo e sobre a moralidade.

Os Grandes Nomes do Macabro, de Joan Boix - Levoir
Se é verdade que algumas das histórias nos levam a uma bem-vinda reflexão, também é verdade que algumas delas se apresentam demasiado superficiais em termos de desenvolvimento, o que é explicável pelo facto de alguns contos serem curtos em demasia, deixando, por isso, algumas pontas soltas no enredo. É claro que isto pode ser atribuído à dimensão curta das histórias, que nem sempre permite uma exploração mais profunda dos temas propostos. 

Ainda assim, a combinação de narrativas adaptadas e originais oferece uma variedade que mantém o interesse do leitor ao longo da obra, concedo.

Esta foi, quanto a mim, a obra mais "fora da caixa" desta última Coleção de Novelas Gráficas. E não o refiro como sendo uma coisa boa nem negativa. Mas sim por me parecer uma proposta deveras diferente dos demais títulos incluídos na coleção. Talvez por isso, tenha agradado muito a alguns leitores e, ao mesmo tempo, desagradado muito a outros. Sendo demasiado "fora da caixa" ou não, aceita-se a aposta da editora pela celebração do trabalho de um autor clássico que vale a pena conhecer.

Os Grandes Nomes do Macabro, de Joan Boix - Levoir
As belas ilustrações de Boix são, por ventura, o grande destaque deste livro. Com um traço realista a preto e branco puro, que me remeteu para autores como Mandrafina ou, especialmente, para os recentes Drácula e Frankenstein de Georges Bess, Joan Boix assume-se como um virtuoso no desenho, com as suas ilustrações detalhadas, elegantes e expressivas a complementarem perfeitamente o tom sombrio das histórias, criando uma experiência imersiva para o leitor. 

A edição da Levoir, à boa maneira dos outros livros da coleção, apresenta capa dura baça com bom papel baço no miolo. A impressão e a encadernação também são boas. A edição inclui ainda um dossier de extras da autoria de Antoni Arigita, que nos oferece uma biografia detalhada de Joan Boix. Este complemento enriquece a compreensão do leitor sobre a trajetória do autor e o contexto em que as suas histórias foram produzidas, proporcionando uma visão mais ampla da contribuição do autor espanhol para o género do terror em banda desenhada.

Em suma, Os Grandes Nomes do Macabro é uma interessante antologia de vinte histórias curtas de terror, que destaca o desenho virtuoso de Joan Boix e o seu talento tanto como adaptador, como criador original. Adicionalmente, além de demonstrar o cariz eclético da Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do Público, é uma obra especialmente direcionada para os fãs do terror e do fantástico.


NOTA FINAL (1/10):
7.6


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Os Grandes Nomes do Macabro, de Joan Boix - Levoir

Ficha técnica
Os Grandes Nomes do Macabro
Autor: Joan Boix
Editora: Levoir
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
Lançamento: Setembro de 2024

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Análise: O Caso Alan Turing

O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge - Levoir

O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge - Levoir
O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge

O Caso Alan Turing foi o último livro a ser publicado na mais recente Coleção de Novelas Gráficas da editora Levoir. Sendo da autoria de Arnaud Delalande e Éric Liberge, mergulha-nos na história de Alan Turing, figura (agora) célebre que teve um contributo incomensurável para a decifração das mensagens codificadas pelo exército nazi durante a Segunda Guerra Mundial, o que, em consequência, foi decisivo para a vitória dos Aliados no conflito militar. 

Relembro até que esta história já foi retratada em cinema, com o filme The Imitation Game, com o ator Benedict Cumberbatch e, mesmo em banda desenhada, embora de forma mais livre, apareceu na muito recomendada banda desenhada Champignac - Enigma, de Béka e David Etien.

O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge - Levoir
Este O Caso Alan Turing é uma obra que combina narrativa gráfica e biográfica para retratar a vida do matemático britânico Alan Turing. A história centra-se no recrutamento de Turing pelos serviços secretos britânicos para decifrar os códigos da máquina Enigma, utilizada pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Este desafio monumental não só contribuiu decisivamente para a vitória dos Aliados, mas também lançou as bases da revolução informática. Talvez por esse motivo, se diga com propriedade que Alan Turing é o pai da computação moderna.

A narrativa mergulha-nos na vida de Turing, desde a sua tenra infância e juventude, e destaca a genialidade do mesmo, bem como a sua dedicação incansável ao trabalho, mesmo enfrentando obstáculos pessoais e profissionais. 

Um desses obstáculos prendeu-se com a sua homossexualidade que, então, era vista como um entrave à aclamação dos seus feitos pelos demais. E tanto assim o foi que, infelizmente, foi especialmente por essa homossexualidade que Alan Turing se viu irremediavelmente perdido num mundo onde não havia espaço para a sua maneira de estar perante a vida e perante o amor. Assim, após a guerra, em vez de ser celebrado como herói, Turing enfrentou uma constante perseguição devido à sua orientação sexual, culminando numa condenação por "indecência grave" e sendo submetido à castração química. Esses eventos trágicos levaram ao seu suicídio em 1954, uma perda gritante para a ciência e para a humanidade. O que é bastante triste de, no tempo atual, poder testemunhar. Que mundo este que criámos em que as escolhas sexuais de um indivíduo eclipsam e anulam a sua genialidade e todas as coisas boas que se tem para dar à humanidade. Enfim.

O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge - Levoir
Mas o livro não é apenas sobre a questão da sexualidade. Mostra-nos também o percurso universitário e profissional de Alan Turing e a forma inteligente como o mesmo pensava. O enredo é, pois, enriquecido com flashbacks que exploram a infância e a juventude de Turing, oferecendo uma compreensão mais profunda das motivações e desafios internos que moldaram a sua personalidade e trajetória. Turing era um autêntico génio e a sua forma de pensar permitiu criar as bases para a própria computação moderna que haveria de surgir mais tarde.

Por isso, a obra também procura destacar o reconhecimento póstumo de Turing. Décadas após a sua morte, vários cientistas de renome, incluindo Stephen Hawking, solicitaram ao governo britânico um pedido formal de desculpas pela maneira como Turing foi tratado. Embora inicialmente recusado, em 2013 a Rainha Isabel II concedeu-lhe mesmo um perdão real, reconhecendo a sua inestimável contribuição durante a guerra e o seu papel como pioneiro da computação moderna.

O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge - Levoir
Há um esforço do argumentista Arnaud Delalande (do qual, já temos publicada, pela Verbo, a obra Francisco) em tornar simples a linguagem e os processos de raciocínio de Turing em algo fácil de apreender. Ainda assim, por vezes a leitura deste livro torna-se desafiante, com balões carregados de texto e informações complexas, mas acho que, de um modo geral, a simplificação do tema foi bem conseguida - na medida do possível - e consegue combinar uma pesquisa meticulosa com uma narrativa envolvente. 

O estilo artístico de Éric Liberge é bastante original, oscilando entre o realismo e os elementos mais abstratos que refletem o estado emocional de Turing. As ilustrações capturam com precisão a atmosfera da época, desde os ambientes claustrofóbicos dos centros de decifração até aos momentos mais introspectivos do protagonista. O autor mistura dentro da mesma vinheta vários estilos, entre o desenho à mão e a introdução de diversos recursos digitai, como tramas, que, quanto a mim, oscilam entra a obtenção de resultados muito interessantes, em alguns casos, e uma artificialidade não tão bem-vinda noutros.

O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge - Levoir
A edição da Levoir apresenta capa dura baça e bom papel baço no miolo. O trabalho de encadernação e impressão também é consistente. Nota positiva para a inclusão de um extenso dossier de extras com 10 páginas que nos oferece mais informações sobre os eventos retratados na obra e sobre o longo processo de reconhecimento de Alan Turing.

Permitam-me uma nota sobre a capa do livro que me parece muito mal conseguida. Percebo a ideia de utilizar códigos para compor a silhueta de Alan Turing, mas parece-me que o exercício gráfico ficou aquém do desejável fazendo a capa parecer mais como uma mancha gráfica sem nexo do que outra coisa qualquer. A "culpa" desta opção não será da Levoir, que se limitou a seguir a capa original da segunda edição francesa da obra. Mesmo assim, parece-me óbvio que a capa da primeira edição da obra, que coloco aqui ao lado, resultava não dez, mas vinte vezes melhor. Não só em termos estéticos, como em termos de legibilidade.

Em suma, O Caso Alan Turing não é apenas uma biografia ilustrada, é uma reflexão profunda sobre temas como o dever, o amor não correspondido, a diferença, a solidão e a busca pela identidade. Através da vida de Turing, os autores exploram como a sociedade pode falhar em reconhecer e valorizar indivíduos que não se encaixam em normas estabelecidas, mesmo quando as suas contribuições são inestimáveis.


NOTA FINAL (1/10):
8.2



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O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge - Levoir

Ficha técnica
O Caso Alan Turing
Autores: Arnaud Delalande e Éric Liberge
Editora: Levoir
Páginas: 104, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
Lançamento: Novembro de 2024

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Análise: Tati e o Filme Sem Fim

Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot - Levoir e jornal Público

Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot - Levoir e jornal Público
Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot

De todos os livros que a mais recente Coleção de Novelas Gráficas da editora Levoir e do jornal Público apresentaram, este Tati e o Filme Sem Fim, dos autores franceses Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot, foi uma das obras que, logo à partida, mais interesse fez florescer em mim. Por vários motivos: por eu não conhecer a obra - nunca tinha ouvido falar da mesma, sequer; por eu ser um apaixonado pelo cinema e por Jacques Tati; e pela capa do livro que, carregada de poesia e muito bem conseguida em termos visuais, me agarrou desde o primeiro instante que a observei.

E depois de lido este livro que tenta ser uma biografia da vida e obra do célebre cineasta francês Jacques Tati, devo dizer que considero que esta foi uma boa aposta por parte da editora Levoir.

Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot - Levoir e jornal Público
E começo por aí. Tenho lido e ouvido algumas críticas à qualidade global dos títulos daquela que foi a 8ª Coleção de Novelas Gráficas da editora. Todas as críticas têm a sua razão de ser e acho que, quando bem fundamentadas, são mais que bem-vindas. E, claro, também é natural que se prefira determinados títulos em detrimento de outros. Tudo certo. Mesmo assim, há algo que me parece bastante claro: é que muita gente ainda não percebeu a real função e potencial da Coleção de Novelas Gráficas da Levoir. Acham, imagino, que o objetivo desta coleção seja o de nos trazer a nós, leitores consumados de BD, obras de fama e celebração mundial. Mas não é. O objetivo, isso sim, é levar BD a pessoas que normalmente não leem banda desenhada. Se com a publicação de banda desenhada, a coleção também arrasta leitores consumados de BD, ótimo. Mas não é a eles que esta coleção se dirige. Leiam a entrevista de Silvia Reig, editora da Levoir, no meu livro Muitos Anos a Virar Páginas se ainda vos restam dúvidas quanto a isto. 

"Ah e tal... mas nas primeiras coleções de Novelas Gráficas da Levoir eram lançadas obras celebradas mundialmente." Certo. Mas isso aconteceu no início da coleção, quando era necessário criar um branding para a mesma. Esta é a lição número 1 de Marketing na construção de um determinado produto. Em primeiro lugar, há que chegar às pessoas, fazendo com as mesmas se interessem pelo nosso produto. Implica, claro está, um esforço adicional por quem lança o produto. Em segundo lugar, há que manter o público conquistado e tentar aumentá-lo, se possível. Para isso, é necessário que o produto/serviço mantenha qualidade. E, no caso da Coleção de Novelas Gráficas, é exatamente isso que tem sido feito. É verdade que, com o passar do tempo, a editora começou a lançar alguns títulos menos conhecidos por cá, mas a sua tentativa sempre foi a de tentar trazer obras com qualidade, fossem elas mais ou menos conhecidas. Coisa que é mais que legítima! E acho que muita gente se esquece disso. Desculpem o desabafo, mas apeteceu-me fazê-lo.

Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot - Levoir e jornal Público
Voltando a Tati e o Filme Sem Fim, esta é, pois, uma obra que encaixa perfeitamente no espírito desta coleção: tem qualidade, não é especialmente conhecida e trata um tema que tem o potencial de chegar a mais gente que, de outra forma, poderia não se interessar por um livro de banda desenhada. Neste caso, falo de amantes de cultura e do cinema em particular.

A esse propósito, relembro que o lançamento deste livro vem sublinhar uma certa tendência recente nacional (e não só) em lançar-se banda desenhada sobre figuras incontornáveis do cinema, já que, no ano passado, a Ala dos Livros lançou As Guerras de Lucas e a ASA lançou Quentin Por Tarantino, que faz parte de uma trilogia do autor Amazing Améziane dedicada a célebres realizadores de cinema, sendo os outros dois livros dedicados a Francis Ford Coppola e a Martin Scorsese - e que se espera que a ASA também lance num futuro próximo.

Jacques Tati nasceu no início do século XX, em Le Pecq, França, e transformou-se num icónico cineasta, ator e comediante francês, conhecido pelo seu estilo único de humor visual e minimalismo narrativo. Ganhou fama internacional com os seus filmes que satirizam a modernidade e o comportamento humano, muitas vezes centrados na desajeitada e encantadora personagem Monsieur Hulot, interpretada pelo próprio Tati. Obras como "As Férias do Sr. Hulot" (1953), "Meu Tio" (1958), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, ou "Playtime" (1967) são marcos do cinema e são reconhecidos pela sua estética inovadora, coreografia precisa e críticas bem-humoradas à sociedade moderna. 

Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot - Levoir e jornal Público
E é a vida de Tati, desde a sua infância, passando pelos principais momentos da sua carreira, que o argumentista Arnaud le Gouëfflec procura passar para o enredo do livro, indo aos primórdios da vida do cineasta quando, na sua juventude, sonhava ser palhaço. Jacques Tati começou por trabalhar enquanto moldureiro, tendo a sua própria visão do cinema sido influenciada por esta atividade profissional. Afinal de contas, a maneira como filmamos pode ser semelhante à maneira como emolduramos uma imagem. Tal como esta ponte feita entre um facto na carreira do autor e a justificação adjacente para esse mesmo facto, o livro é pródigo em explicar-nos o porquê de certas características na postura e obra original de Tati. E, nesse ponto, Tati e o Filme Sem Fim acaba por ser uma obra bastante bem conseguida e com valor acrescentado.

Este "poeta do quotidiano", que captava tão bem as situações mundanas da vida humana, acabou por trilhar uma obra cinematográfica de especial relevância. Especialmente se tivermos em conta que apenas fez seis filmes que foram suficientes para que a crítica e público mundial lhe atribuíssem o título de Mestre do cinema.

Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot - Levoir e jornal Público
A maneira como a história de Tati nos é contada por Arnaud le Gouëfflec tem méritos e deméritos. É muito interessante que o autor crie uma ambiente narrativo que nos faz viajar entre cenas, como se estivéssemos dentro de um filme de Tati. Por outro lado, isso também acaba por deixar o fio condutor narrativo mais frágil e desconexo entre si. O que faz com que, por vezes, se torne numa leitura algo maçuda, carregada de informação pertinente, sim, mas que nos é dada em tom quase académico. Acredito que se a narração - e a ponte entre a mesma e os diálogos - tivesse sido melhor limada, o livro seria mais marcante ainda.

Já as ilustrações de Olivier Supiot, são bastante belas e conseguem, mesmo através de um traço simples, quase infantil, embora elegante, colocar-nos no universo de Tati, refletindo a atmosfera dos cenários que o cineasta usava nos seus próprios filmes. São também várias as opções, técnicas e abordagens visuais que Supiot nos oferece, o que funciona bem para melhor demarcar os vários filmes em que o leitor deste livro é convidado a "entrar". A maneira como as cores são aplicadas também confere uma aura artística e poética ao todo, por vezes a fazer lembrar a pintura. Noutros casos, há vinhetas em que o desenho parece mais esbatido e apressado. Não obstante, outros exemplos há onde o leitor é convidado pelo autor a perder-se na observação de determinadas ilustrações.

A edição da Levoir é em capa dura baça, com bom papel baço no miolo do livro e um bom trabalho em termos de encadernação e impressão. No final, é oferecida ao leitor uma filmografia de Tati.

Em suma, Tati e o Filme Sem Fim é uma escolha interessante e bem-vinda da Levoir para esta sua mais recente Coleção de Novelas Gráficas, sendo um livro que consegue transmitir a sensibilidade e a visão artística de Jacques Tati, proporcionando ao leitor uma experiência imersiva no seu mundo criativo, que certamente encantará os admiradores do cineasta e despertará a curiosidade de novos públicos para a sua obra.


NOTA FINAL (1/10):
8.4


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Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot - Levoir e jornal Público

Ficha técnica
Tati e o Filme Sem Fim
Autores: Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot
Editora: Levoir
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 198 mm x 266 mm
Lançamento: Outubro de 2024


sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Análise: Chumbo

Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público

Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público
Chumbo, de Matthias Lehmann

Uma das obras lançadas na mais recente Coleção de Novelas Gráficas da Levoir e do Público que mais curiosidade estava a despertar em mim, era este Chumbo, do autor brasileiro Matthias Lehmann, que tem sido aclamada por público e crítica e que a Levoir optou por editar para o mercado nacional em dois volumes.

Depois de lida esta obra de grande fulgor, com quase 400 páginas, em que o autor nos leva numa grandiosa viagem que perpassa os últimos 60 anos da história político-social do Brasil, enquanto nos aproxima de uma saga familiar em duas gerações, posso dizer que fiquei encantado e muito bem impressionado! Eis o livro que, a par com o igualmente impressionante Kobane Calling, de Zerocalcare, está entre as duas melhores obras lançadas pela Levoir em 2024.

Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público
Este é, afinal de contas, um daqueles livros que nos dá muito, quer em quantidade, quer em qualidade, deixando-nos mais ricos após finalizarmos a sua leitura. E embora haja aqui uma forte componente histórica, em que o autor, que é filho de pai francês e de mãe brasileira, nos mergulha de forma profunda, apreciei especialmente o facto do foco da obra ser a caminhada da família Wallace que, pela sua influência, timing e longevidade, percorre uma fase tão relevante do Brasil como os chamados "anos de chumbo", em que a ditadura instalada em terras de Vera Cruz tomava conta dos desígnios do país. 

A história arranca com uma primeira parte a focar-se na personagem de Oswaldo Wallace, o patriarca da família, que, curiosamente, é inspirado no avô do autor. Estamos na época em que Getúlio Vargas se encontra no poder. Oswaldo, por sua vez, é dono de uma influente mineradora que o faz tomar contacto com as mais eminentes personalidades do topo social da sociedade local. À medida que nós, leitores, vamos acompanhando a mão firme com que Wallace desenvolve os seus negócios, vamos igualmente mergulhando na vida da sua mulher e dos seus filhos, que são cinco, com especial destaque para os dois irmãos Ramires e Severino que as circunstâncias da vida e os próprios valores pessoais basilares de cada um, colocam em polos opostos. Com efeito, os dois irmãos não poderiam ser mais diferentes: Severino é jornalista e escritor, opondo-se ao regime militar e desenvolvendo um pensamento comunista. Já Ramires, apresenta-se com ideias mais conservadoras e próximas do militarismo então reinante. As circunstâncias da vida de ambos vão, depois, colocá-los muitas vezes frente e frente e, em casos mais raros, a remar no mesmo sentido. Pelo meio, ainda acompanhamos a vida das suas três irmãs que também seguem caminhos diferentes entre si.

Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público
Se no início da obra acompanhamos os anos em que era o conservadorismo militar que governava o país, numa segunda fase, assistimos à tomada do poder por parte do comunismo que, indubitavelmente, agitou as estruturas mais conservadoras da sociedade brasileira. É verdade que, por vezes, o livro se pode tornar algo denso, com muita informação a ser-nos dada em barda e com muitas personagens que, a certo momento, poderemos confundir entre si. Além disso, também senti que, em alguns casos, o autor deu muito destaque a algumas personagens secundárias que, depois, acabaram por ficar esquecidas com o desenrolar da história. Mas, lá está, isto são coisas menores numa obra tão grandiosa que, quanto a mim, todos deverão ler.

É-me difícil falar mais da história deste livro, pois sinto que este é um daqueles casos em que a história é tão completa/complexa que ou falamos de tudo e mais alguma coisa, destruindo, com isso, o prazer de leitura daqueles que lerão a obra depois deste meu texto, ou então parece que não contamos nada de especial, pois os acontecimentos estão demasiada e organicamente bem encadeados entre si. Como acontece com a vida real. Mesmo assim, posso dizer-vos que aquilo que se retira da leitura desta grandiosa obra é o detalhado retrato, repleto de nuances e idiossincrasias, que o autor consegue fazer de toda a sociedade brasileira. Com as coisas boas e com as coisas más, como um bom retrato que se preze deve possuir.

Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público
Nota ainda, positiva, para as personagens imaginadas pelo autor que são profundas e bidimensionais, tornando-se mais verossímeis. Todas elas têm algumas qualidades, mas todas elas têm profundos vícios e defeitos que fazem com que a imersão do leitor seja ainda maior.

O traço a preto e branco puro do autor - que até marcou presença no último Amadora BD para o lançamento desta obra - apresenta-se bastante "cartoonesco" e rico em detalhes, que dão riqueza visual à obra. Este não é um daqueles livros em que nos basta olhar para três ou quatro páginas para percebermos "ao que vamos". Não, porque o autor tenta constantemente recriar-se, através de uma muito inventiva planificação, que desconstrói alguns dos cânones clássicos da banda desenhada, enquanto que, noutros casos, os desenhos também se apresentam diferentes, através de grandes ilustrações de página dupla que contrastam com outras páginas onde as vinhetas são mínimas em dimensão. Não se pode dizer que, apesar do volumoso número de páginas, Lehmann não se esforce - com sucesso - para que a leitura não fique repetitiva. Dou destaque a uma longa cena muda, sem o recurso a qualquer balão de fala, onde o autor nos apresenta o romance vivido por Severino. Verdadeiramente brilhante!

Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público
Muito relevante também é a forma como o autor reproduz visualmente este período histórico brasileiro, com a introdução de cartazes publicitários, artigos de jornal e documentos históricos que, naturalmente, aumentam o cariz documental da obra e a sua dinâmica visual.

Em termos de edição, relembro a opção da editora Levoir por dividir a obra original em dois volumes. Algo que, bem sei, desagradou a muita gente. Podemos fazer um esforço para compreender que a editora tenha optado por dividir a obra em duas partes de modo a não tornar o livro demasiadamente extenso para a coleção que, relembro, não costuma ter livros tão volumosos em número de páginas - e, mesmo assim, recordo que, na mesma coleção, a Levoir editou, há uns anos, e num só volume, a obra O Idiota, de André Diniz, que tinha mais páginas do que este Chumbo. Não obstante essa tentativa de compreensão da nossa parte, e tendo em conta que a editora tem estado a editar algumas obras fora da coleção das novelas gráficas, como Dissident Club, Kobane Calling ou A Árvore Despida, com um preço diferente e mais elevado do que os da coleção, parece-me que teria sido mais apropriado que a editora lançasse Chumbo num só volume e fora da coleção. Mesmo que o preço da mesma fosse mais elevado, a edição e a fidelidade perante a obra original acabaria por sair beneficiada. Mas são opções. Compreendo que, por outro lado, a introdução desta obra na coleção também aumentou a qualidade e appeal comercial da mesma.

De resto, os dois livros apresentam capa dura baça, bom papel baço no interior e boa impressão e encadernação. No final do segundo volume, há um texto adicional do autor Matthias Lehmann. Nota positiva para a segunda capa do livro que, quanto a mim, até é bem mais apelativa do que a capa do primeiro volume, igual à versão original da obra.

Em suma, Chumbo é mais outra das grandes obras de banda desenhada editadas em Portugal durante o ano de 2024 que, provavelmente, se assume com um dos melhores anos de sempre no nosso país, no que à quantidade de obras com enorme qualidade intrínseca diz respeito. Chumbo é pesado como chumbo em termos de qualidade e deve ser lido por todos!


NOTA FINAL (1/10):
9.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público

Fichas técnicas
Chumbo - Parte 1
Autor: Matthias Lehmann
Editora: Levoir
Páginas: 224, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
Lançamento: Setembro de 2024

Chumbo, de Matthias Lehmann - Levoir e jornal Público

Chumbo - Parte 2
Autor: Matthias Lehmann
Editora: Levoir
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 mm x 270 mm
Lançamento: Outubro de 2024

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

A 8ª Coleção de Novelas Gráficas chega amanhã ao fim!


Amanhã é publicada, em conjunto com o jornal Público, a última obra daquela que foi a 8ª Coleção de Novelas Gráficas da Levoir!

A obra em questão é O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge, que versa sobre o célebre investigador e matemático Alan Turing, cujo contributo foi fulcral para decifrar as mensagens codificadas do exército nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Sobre esta impressionante história já foi feito, em 2014, o filme The Imitation Game, com o ator Benedict Cumberbatch.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


O Caso Alan Turing, de Arnaud Delalande e Éric Liberge
A finalizar a VIII colecção de Novela Gráfica a Levoir e do Público escolheram O Caso Alan Turing, do escritor e argumentista Arnaud Delalande e do cartoonista Éric Liberge, prémio René-Goscinny em 1999.

Em 1938 os serviços secretos britânicos recrutaram um jovem e brilhante investigador de matemática: Alan Turing. A sua missão: decifrar os códigos da Enigma, a máquina utilizada para transmitir as instruções do Führer às suas tropas. Todas as tentativas anteriores para decifrar os códigos tinham falhado.

Era o maior desafio da vida de Alan Turing. Um confronto científico sem precedentes.

Em total secretismo, ele iniciou a tarefa. E foi bem-sucedido. Ao quebrar o código da Enigma, Turing deu aos Aliados uma vantagem decisiva e lançou as bases para a revolução dos computadores.

O seu sucesso deveria tê-lo levado ao pináculo da glória, mas teve de se esconder e permanecer na sombra.

Na Inglaterra puritana, a sua homossexualidade era uma marca de infâmia. Os tribunais condenaram-no à castração química. Em 7 de junho de 1954, um homem solitário e desesperado pôs fim à sua vida mordendo uma maçã envenenada.

No final da banda desenhada há um dossier documental que reconstitui e explora o seu percurso, em particular o, longo processo de reconhecimento, que se traduz agora em monumentos, na abertura de um museu informático em Bletchley e, sobretudo, no perdão real concedido pela rainha Isabel II em 2013, que o reconheceu oficialmente como "herói de guerra".

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Ficha técnica
O Caso Alan Turing
Autores: Arnaud Delalande e Éric Liberge
Editora: Levoir
Páginas: 104, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 270 mm
PVP: 13,90€

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Na sexta-feira chega às bancas a penúltima novela gráfica!



A oitava Coleção das Novelas Gráficas da Levoir e do jornal Público aproxima-se do seu fim.

E é já nesta sexta-feira que chegará às bancas o penúltimo lançamento desta bela coleção.

Desta feita, teremos a obra Tati e o Filme Sem Fim, uma história biográfica da vida do famoso Jacques Tati, assinada pelos autores Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot.

Devo dizer que, como tenho bastante interesse no tema, bem como na emblemática figura do cineasta franês, estou bastante curioso com este livro.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais da obra.

Tati e o Filme Sem Fim, de Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot 

O penúltimo livro da VIII colecção de Novela Gráfica da Levoir e do Público a sair a 8 de Novembro é a história de um homem que tinha um sonho: ser palhaço, mas acabou por ser um dos maiores cineastas franceses do século XX.

Tati e o Filme sem Fim conta a história de Jacques Tati que começou a sua vida profissional como moldureiro e a sua visão da sétima arte foi fortemente influenciada pela moldura. Aluno medíocre estava destinado a tomar conta do negócio da família, mas tinha um olhar especial para captar as situações burlescas da vida quotidiana. A partir dos anos 30, sublimará esta visão do mundo no music hall.

Ao ver Tati em palco, a actriz francesa Colette disse que ele tinha criado "algo que era parte desporto, parte dança, parte sátira e parte tableau vivant".

Privilegiando o gesto sobre o diálogo, reelaborando o som como um verdadeiro maestro, Tati inventou um mundo próprio e, em apenas seis filmes, tornou-se um dos mestres incontestáveis do cinema francês e internacional. Foi galardoado com o César do cinema em 1977 pelo conjunto da sua obra.

Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot mergulham na vida e na obra do lendário cineasta. Desde a sua infância até à sua ascensão como mestre do burlesco e poeta do quotidiano, o álbum traça a carreira de Tati com uma ternura infinita. A estrutura narrativa inventiva leva-nos de cena em cena, fazendo lembrar os filmes do próprio Tati.

Cada página é um convite para redescobrir o mundo através dos olhos travessos e excêntricos do Senhor Hulot. Os autores conseguem captar a essência de Tati, o seu génio criativo e a sua humanidade, tornando este tributo simultaneamente comovente e inspirador.

O estilo gráfico de Olivier Supiot é flexível e delicado, com cores que lembram os cartazes dos filmes de Tati. Os desenhos, simples, mas elegantes, enquadram-se perfeitamente no universo burlesco de Tati, esbatendo habilmente as fronteiras entre o artista e a sua obra. Cada quadro exala poesia e calor, mergulhando-nos numa nostalgia agridoce.

Tati e o Filme sem Fim é uma bela homenagem a Jacques Tati, um realizador único que transformou a vida quotidiana em poesia visual. Esta novela gráfica dá-nos vontade de redescobrir os seus filmes e de ver o mundo através dos seus olhos travessos. Um verdadeiro prazer para ler!

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Ficha técnica
Tati e o Filme Sem Fim
Autores: Arnaud le Gouëfflec e Olivier Supiot
Editora: Levoir
Páginas: 144, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 198 mm x 266 mm
PVP: 14,90€