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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Análise: Crónica de D. João I

Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches - Levoir - RTP

Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches - Levoir - RTP
Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches

O 9º volume da coleção dos Clássicos da Literatura Portuguesa em BD, que a editora Levoir tem vindo a editar em parceria com a RTP, traz-nos a adaptação para banda desenhada de João Ramalho Santos e Filipe Abranches da obra Crónica de D. João I, originalmente escrita por Fernão Lopes.

E esta adaptação é, sem dúvida, um projeto ambicioso que enfrenta o desafio de transportar para o formato de banda desenhada uma das obras fundadoras da historiografia e literatura da língua portuguesa. Baseando-se no texto original de Fernão Lopes, esta adaptação procura condensar um conteúdo extremamente complexo e compacto, marcado por um vocabulário arcaico, uma forte componente política e um retrato minucioso de um dos períodos mais densamente carregados de eventos relevantes da história de Portugal: a crise de 1383-1385 e a ascensão de D. João I.

Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches - Levoir - RTP
A própria escolha da obra é reveladora de uma intenção louvável, mas arriscada, pois trata-se de um trabalho que, sendo um texto fundamental, está longe de ser de leitura acessível, mesmo em prosa corrente. E transportá-la para BD sem abdicar do seu peso histórico e literário é um feito técnico, mas também um "campo minado" em termos narrativos. 

Portanto, diria que o trabalho de João Ramalho Santos era, à partida, muito exigente. E depois de lido o livro, bem como todo o seu dossier de apoio e investigando ainda um pouco sobre a obra na internet, posso dizer-vos que esta BD é uma obra que, com a sua estrutura densa e o seu conteúdo altamente contextualizado num tema muito específico, nos convida a uma leitura exigente - por vezes mesmo maçuda - apesar dos esforços de sintetização, que enalteço, do argumentista.

Em termos narrativos, a obra cumpre o essencial, apresentando os principais eventos da Crise de 1383-1385, a aclamação de D. João I e o papel político (e simbólico) de figuras como o Mestre de Avis ou Nuno Álvares Pereira. Mesmo assim, revela-se uma obra de leitura desafiante. Não apenas pela complexidade do texto, mas também pela forma como este está montado. Há uma sobreposição constante de texto denso com imagens intensas e carregadas, o que obriga a uma leitura muito concentrada, não permitindo que haja um espaço para que o enredo possa respirar um pouco, aliviando-o. Ora, pensando a obra para um público jovem ou menos familiarizado com a história medieval portuguesa, esta complexidade e abstracionismo da obra podem tornar-se obstáculos consideráveis.

Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches - Levoir - RTP
É necessário reconhecer, no entanto, que o trabalho visual de Filipe Abranches é verdadeiramente notável. As suas ilustrações elevam a obra e oferecem uma dimensão estética rara na banda desenhada nacional. Bem em linha, diria, com aquilo a que o autor Filipe Abranches já nos habitou, em que o mesmo recorre a um estilo expressionista, por vezes próximo do abstrato. Esse estilo é bastante pródigo na representação do caos, da violência e do peso simbólico dos acontecimentos históricos aqui retratados. E é, sem dúvida, um dos maiores trunfos desta adaptação.

A composição gráfica contribui para criar uma atmosfera carregada, sombria e quase mística, o que se interliga bem com a ideia de destino e legitimidade que atravessa a narrativa de Fernão Lopes, e que João Ramalho Santos recupera nesta adaptação. Além disso, Abranches parece particularmente inspirado, com pranchas que poderiam, isoladamente, figurar numa galeria de arte. O uso da sombra, da mancha e da distorção facial comunica bem a angústia de um reino em suspenso, mas, lá está, pode também dificultar a leitura para quem procura uma narrativa mais clara e linear.

Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches - Levoir - RTP
O que me leva a uma questão: é que, se o grande objetivo desta coleção dos Clássicos da Literatura Portuguesa em BD é o de fazer chegar as obras clássicas da literatura portuguesa a um maior público, com destaque para o mais jovem - como, aliás, assim tem sido apregoado - então esta abordagem apresentada por João Ramalho Santos e Filipe Abranches talvez erre de forma desbragada no seu público-alvo, pois a sofisticação estética deste trabalho não resolve o principal dilema da obra: o seu peso conceptual e estilístico contraria o objetivo pedagógico e de acessibilidade da coleção a que pertence - uma coleção que visa tornar clássicos da literatura portuguesa mais apelativos para o público jovem, usando o suporte da banda desenhada como ponte. Mesmo, reitero, tendo em conta que, logo à partida, não seria uma adaptação fácil.

Com efeito, se pensarmos noutras obras da coleção, como Maria Moisés, O Crime do Padre Amaro ou Frei Luís de Sousa, por exemplo, que tentaram ser adaptações simples e leves, este Crónica de D. João I tem uma abordagem diametralmente oposta. Até mesmo a adaptação de Mensagem, por Pedro Vieira de Moura e Susa Monteiro, que também adaptava para banda desenhada um obra difícil (embora menor em dimensão, reconheço), conseguiu o feito de se tornar acessível. Crónica de D. João I não o faz. O que, realce-se, nem tem de ser uma coisa necessariamente negativa. Todos aqueles que têm afirmado que, devido a serem leitores assíduos de banda desenhada e adultos na idade, "esta coleção não é para eles", poderão encontrar neste livro aquilo que não encontram nos demais. Mesmo assim, e por uma questão de princípio, este é um livro que, a meu ver, aparece bastante desenquadrado da restante coleção. Seja para o bem, seja para o mal.

Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches - Levoir - RTP
Há, no entanto, algo de admirável na ousadia do projeto. João Ramalho Santos e Filipe Abranches não optaram pelo caminho fácil, nem banalizaram o conteúdo. A complexidade da narrativa e a densidade gráfica mostram respeito pela obra original e pelo leitor, assumindo que este é capaz de acompanhar uma leitura exigente. Isso pode ser visto como uma virtude, ainda que à custa da eficácia em termos de divulgação junto dos mais novos.

Quanto à edição, esta encontra-se em linha com a restante coleção, com o livro a apresentar capa dura baça, bom papel brilhante no interior e um trabalho competente ao nível da impressão e da encadernação. Há ainda um dossier de extras - especialmente conveniente neste caso - que nos dá informações adicionais sobre a obra, o seu autor e o seu contexto histórico.

Concluindo, Crónica de D. João I apresenta-se como uma obra de grande mérito artístico e ambição literária, mas cujo peso conceptual e visual a torna de difícil digestão para o público-alvo que, supostamente, deveria alcançar. Mesmo assim, e especialmente pelas belíssimas ilustrações de Filipe Abranches, estamos perante uma digna e visualmente impressionante homenagem a Fernão Lopes e à sua obra.


NOTA FINAL (1/10):
7.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches - Levoir - RTP

Ficha técnica
Crónica de D. João I
Autores: João Ramalho Santos e Filipe Abranches
A partir da obra original de: Fernão Lopes
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Outubro de 2024

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Crónica de D. João I recebe adaptação para BD!




Para além de Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso, a Levoir também lança amanhã, em parceria com o jornal Público, a adaptação da Crónica de D. João I, de Fernão Lopes, para banda desenhada.

Esse trabalho de adaptação ficou a cargo dos autores João Ramalho Santos e Filipe Abranches. Este é mais um dos volumes que constituem a coleção intitulada Clássicos da Literatura Portuguesa em BD que a Levoir tem vindo a lançar com a RTP.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais da obra.

Crónica de D. João I, de João Ramalho Santos e Filipe Abranches

Crónica de D. João I de Fernão Lopes é o volume 9 da coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD, que a Levoir e a RTP lançam a 8 de outubro.

A Crónica de D. João I foi escrita por Fernão Lopes, por volta de 1450, e constitui a terceira e mais perfeita das três grandes crónicas compostas pelo primeiro cronista régio. A primeira parte da crónica descreve a insurreição de Lisboa na narração célere dos episódios quase simultâneos do assassinato do conde Andeiro, do alvoroço da multidão que acorre a defender o Mestre e da morte do bispo de Lisboa.

Ao longo dos capítulos, fundamenta-se a legitimidade da eleição do Mestre, consumada nas cortes de Coimbra, na sequência da argumentação do doutor João das Regras, enquanto desfecho inevitável imposto pela vontade da população. Nesta primeira parte, o talento do cronista na animação de retratos individuais, como os de D. Leonor Teles ou D. João I, excede-se na composição de uma personagem coletiva, o povo, verdadeiro protagonista que influi sobre o devir dos acontecimentos históricos.

O argumento é de João Ramalho-Santos, Vice-Reitor para a Investigação da Universidade de Coimbra, a ilustração de Filipe Abranches cuja vasta e muito heterogénea obra, se encontra dispersa por títulos nacionais, mas também estrangeiros, editados em França, e na Suíça. O dossier pedagógico é da autoria da Professora Mafalda Soares, Sorbonne Université, Paris.

A 30 de outubro haverá uma sessão de lançamento da obra na Biblioteca da Universidade de Coimbra com a presença dos autores.

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Ficha técnica
Crónica de D. João I
Autores: João Ramalho Santos e Filipe Abranches
A partir da obra original de: Fernão Lopes
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Comparativo: A Revolução Interior pel'A Seita e pelas Edições Afrontamento


A Seita relançou há poucos dias a obra A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes, que havia sido originalmente lançada pelas Edições Afrontamento.

Sobre o livro, já aqui falei há uns dias e, portanto, convido-vos a (re)lerem esse artigo para melhor conhecerem este trabalho.

Por hoje, faço um comparativo entre as edições das editoras A Seita e Edições Afrontamento, para melhor percebermos que diferenças há e, também, se a compra desta nova edição faz sentido até mesmo para aqueles que já tenham, na sua bedeteca pessoal, a edição original publicada no longínquo ano de 2000.


Bem, a primeira coisa que salta à vista é que o formato da nova edição foi alargado face à edição original. tendo agora cerca de mais 2,5 cms de altura e de largura. Um aumento de formato que é bem-vindo. 

Embora as duas capas mantenham a mesma ilustração, o grafismo e lettering das mesmas foi alterado, com a nova edição a assumir um tratamento melhorado e mais atual. 

Nota para o facto de na bandeira que aparece na capa, o símbolo da bandeira da União Soviética ter sido retirado desta nova edição, ficando apenas constante a estrela amarela. Confesso não ter percebido bem esta opção. É verdade que a União Soviética não existe no tempo atual, mas também não existia no tempo em que o livro foi originalmente publicado, já que a União Soviética havia sido dissolvida em 1991. Talvez os autores tenham considerado que, passados 24 anos, a utilização de um símbolo/bandeira obsoleto ainda ficaria mais datado do que na data da primeira publicação, em 2000. Mas isso é apenas uma suposição minha.

Outra das diferenças entre as duas edições da obra é que o novo livro tem capa dura em contraste com a capa mole da primeira edição. Isto permite que o novo livro seja mais requintado e apresente mais qualidade enquanto objeto-livro. Devido à capa dura, bem como ao papel, que é de melhor qualidade, o novo livro também acaba por ser mais espesso.



As contracapas dos livros também são diferentes, com a nova edição a ser mais impactante e a ter uma sinopse, que, em loja, aumenta o interesse pelo livro dos potenciais leitores e tem um cariz profissional, em detrimento do aspeto mais amador da primeira versão.




Quando abrimos o livro, esta sensação de profissionalismo de edição mantém-se. A nova versão apresenta guardas e duas páginas de frontispício.




Em termos de cores utilizadas, nota-se que a nova versão apresenta cores mais suaves e menos saturadas o que, quanto a mim, também é melhor para a harmonia visual da obra. Além disso, a exposição dos originais no Coimbra BD permitiu atestar que as cores desta nova versão estão muito mais fiéis às cores originais. Também foram feitas algumas pequenas correções no texto da obra, embora sejam ligeiras alterações.




Mesmo assim, as grande diferenças encontram-se na introdução de conteúdo extra. Há um texto de introdução à obra escrito por Rui Bebiano, historiador e investigador do Centro de Estudos Sociais e, no final do livro, há um texto de retrospetiva escrito por João Ramalho-Santos e João Miguel Lameiras que conta a história da publicação da obra, contextualizando-a no seu período de lançamento original e no tempo atual, passados 24 anos. 

Além disto, há ainda espaço para divertidos textos biográficos dos três autores.

Em conclusão, esta é uma reedição muito bem-vinda, que volta a disponibilizar uma obra com um belo valor educativo (ler análise feita à mesma aqui no Vinheta 2020) e ainda consegue melhorar a edição em todos os cômputos possíveis. Bom trabalho da editora A Seita.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Análise: A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril

A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes - A Seita

A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes - A Seita
A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes

A editora A Seita reeditou recentemente o livro A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril. A obra havia sido originalmente editada pelas Edições Afrontamento, há 25 anos, a propósito das comemorações do 25 de Abril. Se há 25 anos este livro fazia sentido, hoje em dia, passados outros 25 anos, que nos deixam no importante marco dos 50 anos do 25 de abril, e numa altura em se tem assistido a um novo empoderamento de forças de direita por essa Europa fora, incluindo Portugal, julgo que é ainda mais urgente a leitura deste A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril.

A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes - A Seita
Confesso que não tinha lido o livro original, editado há 25 anos. E, portanto, avancei para esta leitura um pouco “às escuras”, sabendo apenas que os três nomes que assumem a autoria da obra, têm provas dadas e consolidadas na banda desenhada nacional. Falo de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes.

Este é um livro de cariz totalmente didático em que, como numa boa aula de história, nos é explicado tudo aquilo que levou ao 25 de Abril, abordando com rigor as causas que despoletaram a Revolução dos Cravos e o sentimento geral experienciado pela população.

Tudo começa quando um pai e um filho, um adolescente, encetam um diálogo sobre o 25 de Abril. O jovem parece saber pouco ou nada sobre essa importante data para a Democracia portuguesa, contudo, o seu pai, sendo fotógrafo de profissão, viveu de perto a revolução de 1974, tendo recolhido um belo registo fotográfico sobre os eventos vividos nesse tempo de agitação político-social. Pai e filho começam a falar de forma simples, realista e direta sobre o 25 de Abril. E é através desse diálogo que o leitor desta obra recebe uma aula simples, mas rigorosa, sobre o tema. O discurso é linear, escorreito e levanta bem as questões para a seguir lhes responder, utilizando, para tal, a ignorância descontraída do filho e o conhecimento empírico e maduro do pai. O objetivo de educar/informar quem lê o livro é, pois, amplamente conseguido pelos autores.

A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes - A Seita
Não é uma obra que mude uma vida – nem nada que se pareça – mas também não me parece que fosse essa a premissa dos autores. E, mesmo assim, acaba por ser uma proposta interessante e bem conseguida de leitura.

Quanto às ilustrações aqui presentes, o estilo inconfundível de José Carlos Fernandes (mais célebre pela obra A Pior Banda do Mundo) oferece-nos um belo registo visual onde, apesar de este ser um livro que assenta primordialmente no longo diálogo entre pai e filho, consegue não cair numa repetição visual enfadonha, utilizando, para tal, uma planificação dinâmica, que tenta não repetir-se, com planos de câmara diversificados. Diria que esse era mesmo o maior desafio do autor, pois ilustrar um longo diálogo em banda desenhada (ou mesmo em cinema) pressupõe que haja uma certa dinâmica que permita a que a narrativa não se torne cansativa ou repetitiva. E isso é aqui bem conseguido por José Carlos Fernandes. É verdade que o livro não é muito extenso em número de páginas, mas também é certo que nunca me senti aborrecido. É um livro que se lê de um trago.

A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes - A Seita
Ainda na componente visual, destacam-se as cenas em que, para ilustrar aquilo que é dito pelo pai e pelo filho, nos são dados desenhos de um passado de tons mortiços e ambiente monocromático acastanhado (bem ao jeito do tipo de cor utilizado em A Pior Banda do Mundo, já agora). São belos momentos visuais que capturam muito bem a aura taciturna do Estado Novo e, ao mesmo tempo proporcionam dinâmica ao relato.

Posso ainda dizer que este é um daqueles livros que deveriam constar nas escolas. Ou ser utilizados pelos nossos alunos como instrumento de apoio ao estudo sobre o 25 de Abril. O que é indiscutível é que os autores conseguem tornar simples algo que, num manual escolar, simplesmente não é tão cativante nem de tão direta compreensão. E fazem-no mantendo, ainda assim, o rigor histórico.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura baça, com bom papel baço no interior. A impressão e a encadernação também são boas e, no interior, há um prefácio de Rui Bebiano, historiador e investigador do Centro de Estudos Sociais. No final, há uma nota dos autores sobre a história da publicação original da obra, bem como divertidas notas biográficas de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes. Tendo em conta que também consegui deitar mãos à edição original da obra, daqui a alguns dias farei um comparativo entre as duas edições, de forma a percebermos, mais concretamente, que alterações há de uma edição para outra.

Em suma, A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril é uma bela proposta de leitura e um excelente exercício para demonstrar o quão didática e elucidativa pode ser a banda desenhada. Mesmo que seja para explicar o “como”, o “quê”, o “porquê”, o “quando”, o “quem”, e o “onde” de algo tão relevante para a história de Portugal como a Revolução dos Cravos. Recomenda-se, portanto!


NOTA FINAL (1/10):
7.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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A Revolução Interior - À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes - A Seita

Ficha técnica
A Revolução Interior: À Procura do 25 de Abril
Autores: João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes
Editora: A Seita
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 265 mm
Lançamento: Abril de 2024

terça-feira, 23 de abril de 2024

A Seita relança BD sobre o 25 de Abril!



É já a partir do próximo dia 27 de Abril que sai com o jornal Público este livro que consiste no relançamento de uma BD nacional há vários anos esquecida e que, em boa hora, e a propósito do 50º Aniversário do 25 de Abril, volta a ver a luz do dia numa edição revista e aumentada.

A autoria deste trabalho é de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais da obra.


A Revolução Interior: À Procura do 25 de Abril, de João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes

Através do diálogo entre um fotógrafo que viveu de perto a Revolução de 1974, mas que apesar do seu passado revolucionário, acabaria por se render à sociedade de consumo e trabalhar em publicidade, e o seu filho, que pouco ou nada sabe sobre o que foi o 25 de Abril, este livro procura explicar, de forma simples mas rigorosa, a importância do 25 de Abril, os seus antecedentes, e as portas que Abril abriu. 

Partindo das fotografias que tirou na época, o pai explica ao filho o que era Portugal antes do 25 de Abril, e porque é que a Revolução, apesar dos excessos e das utopias não realizadas, era absolutamente necessária.

Reeditado pel’A Seita por ocasião dos cinquenta anos da Revolução dos Cravos, numa edição revista, com formato maior, capa dura, uma nova digitalização e dez páginas de material inédito, A Revolução Interior mantém toda a sua pertinência e actualidade, mesmo que muito tenha mudado entretanto. Em Portugal e no mundo.

Depois de uma distribuição inicial com o jornal Público, em Abril de 2024, este livro de banda desenhada chegará às livrarias em Agosto de 2024. Um álbum que interessará a todos aqueles que quiserem aprender mais sobre o 25 de Abril, ou apenas relembrar esse tempo, e que é mais uma oportunidade (rara!) de ler uma BD de José Carlos Fernandes, um dos nomes maiores da BD portuguesa, talvez o mais premiado autor nacional, que se afastou da BD desde 2009.




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Ficha técnica
A Revolução Interior: À Procura do 25 de Abril
Autores: João Ramalho-Santos, João Miguel Lameiras e José Carlos Fernandes
Editora: A Seita
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 195 x 265 mm
PVP: 11,90 € (com o jornal Público., preço posterior em livrarias 14,90€)