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sexta-feira, 24 de abril de 2026

"O Fantasma da Ópera" recebe adaptação para BD!




A adaptação de O Fantasma da Ópera - um romance original de Gaston Leroux - para banda desenhada é-nos dada pelos irmãos Brizzi, cujas belíssimas adaptações de O Inferno de Dante e Dom Quixote de La Mancha para banda desenhada já por cá foram editadas também. E recomendam-se!

Esta é uma edição d' A Seita e da Arte de Autor e já está disponível desde 16 de Abril. A edição inclui um ex-libris, limitado ao stock existente.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da obra e com algumas imagens promocionais.

O Fantasma da Ópera, de Gaëtan e Paul Brizzi

Baseado no romance de Gaston Leroux

Estão a ocorrer eventos sobrenaturais na Ópera: o grande lustre desaba durante uma representação, matando um espectador; um assistente de palco é encontrado enforcado... A direcção é obrigada a encarar os factos: um fantasma, ou um homem maquiavélico chamado Erik, está a assombrar o teatro. Alguns afirmam ter visto o rosto deformado deste indivíduo, que parece ser desumano. Pouco depois, os directores da Ópera recebem uma exigência de 20.000 francos por mês de um certo "Fantasma da Ópera", que também insiste que o camarote número 5 lhe seja reservado.

Nos bastidores da ópera, o Visconde Raoul de Chagny está apaixonado por Christine, uma jovem cantora de ópera. Mas não suporta ouvi-la a falar com outro pretendente misterioso, com uma voz melancólica e fantasmagórica...

Depois do sucesso das suas adaptações do Inferno de Dante, Dom Quixote de Cervantes, Paul e Gaëtan Brizzi voltam a aventurar-se num clássico da literatura. O Fantasma da Ópera transporta-nos para Paris em 1890. A Paris do século XIX, o cenário da Ópera Garnier e esta história fantástica combinam-se para criar uma encantadora novela gráfica, uma série de imagens deslumbrantes.


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Ficha técnica
O Fantasma da Ópera
Autores: Gaëtan e Paul Brizzi
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 340 mm
PVP: 29.00€



segunda-feira, 13 de abril de 2026

Arte de Autor prepara-se para editar 4 novas BDs!


A editora Arte de Autor já fez saber que, durante os próximos dias, editará quatro novos livros de banda desenhada, dois deles em regime de co-autoria com A Seita.

Todos estes livros já se encontram em pré-venda no site da editora , devendo estar disponíveis nos próximos eventos de banda desenhada Coimbra BD e Comic Con.

Falarei deles, com mais detalhe, durante os próximos dias. Por agora, deixo-vos apenas com a nota sobre as novidades em questão, que são as seguintes:

terça-feira, 15 de julho de 2025

Análise: Dom Quixote de La Mancha

Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi - A Seita e Arte de Autor

Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi

Depois do fantástico O Inferno de Dante, dos irmãos Brizzi, confesso que estava especialmente curioso para mergulhar neste Dom Quixote de La Mancha, dos mesmos autores, recentemente editado pelo esforço conjunto das editoras A Seita e Arte de Autor. E, digo-vos desde já, essa espera foi largamente recompensada!

Sou um grande adepto da obra original de Miguel de Cervantes - ou não se chamasse o meu cão Quixote! - e saber que a mesma era adaptada para banda desenhada pelo singular talento de Paul e Gaëtan Brizzi, deixou-me esperançoso que estivéssemos perante uma merecida adaptação daquele que, exceptuando a Bíblia Sagrada, é o livro mais vendido no mundo.

Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Sem surpresas, esta adaptação dos irmãos Brizzi parte do clássico imortal de Miguel de Cervantes para construir uma obra visualmente deslumbrante e fiel ao espírito do original. Mesmo sendo verdade que os autores tomam as suas próprias liberdades criativas, a história base mantém-se: um fidalgo castelhano enlouquece de tanto ler romances de cavalaria e decide tornar-se, ele próprio, cavaleiro andante, assumindo o nome de Dom Quixote. Acompanhado do fiel escudeiro Sancho Pança, parte em aventuras tão absurdas quanto tocantes, onde confunde a realidade com as fantasias da sua imaginação fervorosa.

Desde o primeiro olhar, desde a primeira prancha, desde a primeira vinheta, é impossível não se deixar seduzir pela arte absolutamente incrível que compõe esta adaptação. Os desenhos dos Brizzi são expressivos de uma forma profunda e comovente. As personagens transbordam emoção, bastando um olhar, uma expressão facial ou um posicionamento corporal para percebermos o que as mesmas sentem. E a dicotomia que existe entre o detalhado e realista desenho e a expressividade caricatural das personagens, oferece ao todo uma singularidade impressionante. Mesmo com um traço que, por vezes, se aproxima da caricatura, é espantoso verificar que as personagens nunca perdem o realismo emocional, criando uma mistura que funciona em pleno e que se adapta perfeitamente ao tom tragicómico da narrativa.

Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Se os desenhos são lindos e com uma técnica aprimorada, há outra coisa neste livro que merece destaque - e que engrandece a própria obra - que reside na forma como os autores reinterpretaram visualmente as descrições de Cervantes. Um exemplo paradigmático disso são os célebres moinhos de vento, que Dom Quixote toma por gigantes. A visão dos Brizzi sobre esta cena é verdadeiramente deliciosa: os moinhos ganham uma aura mítica e ameaçadora, num jogo entre o grotesco e o fantástico, que traduz com fidelidade o olhar distorcido, mas poético, do cavaleiro. E para incrementar ainda mais a força visual destes momentos imaginados(?) por Dom Quixote, os autores utilizam a cor, em vez do preto e branco das restantes cenas, conseguindo deste modo diferenciar os diferentes momentos. 

Este jogo de luz e cor é tão bem-vindo que até me leva a lamentar que não seja sempre respeitado pelos autores. Quando, por exemplo, Dom Quixote observa Dulcineia (da forma que só ele a consegue observar), não se compreende o porquê dos autores nos oferecerem uma imagem a preto e branco da visão de Dom Quixote. Não é que essa ilustração não seja excecional, porque o é, mas lamenta-se que não seja a cores por uma questão de coerência narrativa.

Mas, enfim, isto será um detalhe ou um capricho de alguém que muito aprecia a obra original - bem como esta adaptação que quase é perfeita.

Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Note-se também que, apesar do formato mais condensado da banda desenhada, os Brizzi conseguem não cair na armadilha da simplificação excessiva. A obra permanece rica, com diálogos que mantêm o tom e o humor tão característicos de Cervantes, e com uma estrutura narrativa que respeita a essência do original. É uma adaptação que não infantiliza, nem desrespeita a complexidade da obra-mãe, tornando-a, ao mesmo tempo, mais acessível a novos públicos.

É inegável que, tratando-se de uma versão mais curta de um livro que é imenso e labiríntico, muitos episódios e personagens ficaram de fora. No entanto, o que realmente importa – o espírito indomável, a melancolia heroica, a crítica social e a ternura pelos que sonham alto – está todo lá. Esta fidelidade emocional talvez seja o maior triunfo da banda desenhada dos Brizzi.

Mas, obviamente, o trabalho gráfico também contribui para essa fidelidade: a paleta de cores (quando utilizadas); as sombras; os desenhos  - que ora parecem esboços rápidos, ora apresentam detalhes ultra pormenorizados; ou os enquadramentos arejados em ilustrações de página inteira que conseguem transmitir uma atmosfera que oscila entre o onírico e o trágico. O mundo de Dom Quixote parece ora um palco de teatro, ora um pesadelo fantástico. Essa ambiguidade é precisamente o que define a obra de Cervantes e aqui é captada com uma mestria que impressiona.

Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Outro ponto que merece aplauso é a caracterização das personagens. Dom Quixote surge como uma figura ao mesmo tempo ridícula e nobre, louca e profundamente humana. Já Sancho Pança, apesar do seu papel cómico, é retratado com uma sensibilidade surpreendente. Ambos os protagonistas ganham camadas e humanidade, o que torna a leitura não apenas divertida, mas também comovente.

Se O Inferno de Dante já se revelou espetacular, este Dom Quixote de La Mancha consegue ultrapassar essas boas expectativas que eu já tinha. Em termos de ilustrações, ambas as obras caminham lado a lado, mas em termos de narrativa, e da forma como a história original é adaptada, Dom Quixote é superior, pois a profundidade emocional é ainda mais notória nesta nova proposta. Fico com esperança que a obra seguinte dos irmãos Brizzi, O Fantasma da Ópera, editado este ano em França, também venha a merecer publicação por cá.

A edição das editoras A Seita e Arte de Autor, merece ser digna de nota, também! O livro apresenta capa dura baça, com detalhes a verniz, e é-nos dado no grande formato que a edição de O Inferno de Dante já havia adotado, e que, claro está, beneficia em muito a leitura da obra. No interior, o papel utilizado é de excelente qualidade e o trabalho de encadernação e impressão é impecável. Se juntarmos a isto, o generoso caderno de extras de 12 páginas carregadas de esboços ou a capa alternativa exclusiva da Wook, bem como a a inclusão de um ex-libris assinado pelos autores (embora sujeito a algumas unidades apenas), estamos perante uma séria candidata a melhor edição do ano.

Em suma, esta adaptação de Dom Quixote de La Mancha não é apenas um reencontro com um clássico; é uma celebração do mesmo. Consegue tornar a obra mais acessível para os leitores contemporâneos, nunca abdicando da sua densidade simbólica, nem do seu humor, nem da sua poesia. Para quem já conhece o original, é (mais) uma nova forma de o amar; para quem nunca o leu, é uma majestosa porta de entrada. Os irmãos Brizzi conseguem dar nova vida à história de Dom Quixote sem a desvirtuar. Quase apetece dizer que Cervantes, se pudesse ler esta adaptação, teria dado a sua bênção sem pestanejar. Há aqui uma compreensão sincera do que significa sonhar contra o mundo... e falhar. E, mesmo assim, continuar a sonhar. E essa é a primordial lição que Dom Quixote continua a ensinar-nos! Imperdível!


NOTA FINAL (1/10):
9.7


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Dom Quixote de La Mancha, de Paul e Gaëtan Brizzi - A Seita e Arte de Autor

Ficha técnica
Dom Quixote de la Mancha
Autores: Paul e Gaëtan Brizzi
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 208, a cores e a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 246 x 341 mm
Lançamento: Maio de 2025 


terça-feira, 13 de agosto de 2024

Análise: O Inferno de Dante

O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor

O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi

A parceira editorial formada pelas editoras A Seita e Arte de Autor voltou a trazer-nos, recentemente, mais um livro de banda desenhada, que foi originalmente lançado durante o Maia BD 2024. Falo de O Inferno de Dante, dos irmãos Paul e Gaëtan Brizzi, que é uma adaptação para banda desenhada do célebre conto escrito por Dante Alighieri.

Na verdade, O Inferno é apenas a primeira parte de A Divina Comédia, provavelmente um dos maiores e mais conhecidos clássicos da literatura mundial, originalmente lançado no século XIV, e que acabou por influenciar toda a literatura posterior e, até mesmo, o código de valores ocidental. Mas é também esta primeira parte da obra aquela que é a mais célebre. As outras duas partes, Purgatório e Paraíso, embora façam parte da jornada espiritual vivida pelo próprio Dante, não são tão famosas ou impactantes como O Inferno. Daí que este primeiro capítulo da obra seja comummente conhecido como O Inferno de Dante, como se de uma obra independente se tratasse.

O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
Não procuro opinar muito sobre a obra original, mas antes sobre a sua adaptação para banda desenhada, no entanto, é conveniente lembrar os mais incautos que esta é uma obra que nos procura oferecer uma visão detalhada e alegórica da condenação e do pecado.

A história descreve-nos a descida de Dante aos nove círculos do Inferno, tendo como companhia e guia o poeta romano Virgílio. Cada um dos nove círculos do Inferno corresponde a um tipo específico de pecado, e as almas dos condenados são punidas de acordo com a natureza e gravidade das suas transgressões. A estrutura deste Inferno é, pois, rigidamente hierárquica, refletindo a visão teológica medieval da justiça divina e passando a ideia de que as punições no Inferno são uma consequência direta e simbólica dos pecados cometidos na Terra. 

Hoje em dia, podemos olhar com alguma petulância para uma tão simplista e estratificada visão do errado e do pecado, mas o que é certo é que a história se mantém atual para, de forma global, traçar os vários tipos de conduta errada.

O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
E sendo uma obra carregada de alegorias, com as personagens e os eventos a serem simbolizados por conceitos morais, filosóficos e teológicos, acaba por servir como código de ética ou de conduta sobre o que os humanos devem (e não devem) fazer. A viagem de Dante e Virgílio é tanto uma jornada espiritual, quanto uma reflexão sobre a condição humana.

Se a obra original é amplamente (re)conhecida, a adaptação que os irmãos Brizzi fazem para banda desenhada é absolutamente sublime, num estilo de desenho delicado, elegante e diferenciado face àquilo que normalmente encontramos em banda desenhada. Este é um álbum feito a quatro mãos, já que ambos os irmãos desenham, dividindo funções de forma a que um autor se centre mais nas personagens e o outro mais nas paisagens.

E, quer num, como no outro cômputo, o trabalho é singularmente belo. As personagens apresentam uma expressividade impactante, enquanto que a sua linguagem corporal ou os planos que são utilizados para as captar, são muito bem vindos. A par deste excelente trabalho, também os cenários e a própria composição de vários enquadramentos de plano geral, que primam fazer parecer pequenas as personagens principais perante paisagens tão grandiosas, aumentam ainda mais a beleza visual desta obra.

O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
O traço fino é realista havendo depois espaço para que as expressões das personagens tenham uma ligeira pitada mais caricatural, que fazem com que o todo funcione muito bem. E a opção pelo preto e branco, numa escala de cinzentos a carvão, faz com que as ilustrações pareçam mais gravuras do que vinhetas de banda desenhada, tal não é o seu nível de detalhe. A toda esta graciosidade também acresce uma planificação airosa onde normalmente nem encontramos os habituais limites (traços) das vinhetas.

Com as devidas diferenças, claro, graficamente esta obra conseguiu transportar-me para as obras As Cidades Obscuras, de Schuiten e Peeters, por um lado, e para O Mercenário, de Vicente Segrelles, por outro. Mesmo assim, a grande referência será à própria adaptação de A Divina Comédia por Gustave Doré que, com as suas célebres gravuras, certamente influenciou grande parte do trabalho dos irmãos Brizzi neste livro.

Voltando à questão da adaptação da obra, é importante referir que é verdade que houve algumas partes famosas que foram retiradas desta obra, para melhor fruição da narrativa como aliás, e de forma transparente, os autores nos revelam nas primeiras páginas introdutórias do livro.

O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor
A edição conjunta das editoras A Seita e Arte de Autor é absolutamente notável! O livro apresenta um formato enorme de 24 por 34 cms. Estão a ver o formato de O Burlão nas Índias, editado há uns anitos pela Ala dos Livros? É desse formato enorme que estamos a falar para este O Inferno de Dante e que faz especialmente sentido para que possamos apreciar condignamente a maravilhosa arte ilustrativa dos irmãos Brizzi, onde nas ilustrações de página completa ou de página dupla, essa experiência ainda sai mais beneficiada.

Além do grande formato, o livro apresenta capa dura baça, com detalhes a verniz no título, excelente papel no miolo e ótimo trabalho ao nível da impressão e da encadernação. No início do livro, conforme já referido, há uma nota introdutória assinada pelos dois autores e, no final, há um texto explicativo das fases de trabalho que levaram à criação desta obra, enquanto são igualmente partilhados vários esboços num caderno de oito páginas. À semelhança de outras obras inseridas na coleção Nona Literatura, este é um livro que apresenta duas capas distintas: a capa dita "normal" e a capa exclusiva da loja Wook.

Nota ainda para o facto de as duas editoras já terem anunciado a publicação de uma nova obra destes autores que é adaptação do Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes. Obra que, depois deste belíssimo O Inferno de Dante, já estou muito empolgado para ler.

Em suma, O Inferno de Dante é uma obra-prima da literatura universal, rica em simbolismo e reflexão filosófica, que recebe aqui uma belíssima adaptação para banda desenhada pelas mãos dos irmãos Gaëtan e Paul Brizzi que, com os seus magníficos desenhos de cortar a respiração, nos levam numa jornada de tom épico às profundezas do inferno. Se se considera, por vezes, que há já muitas adaptações de obras clássicas para banda desenhada, também há os casos onde essas mesmas adaptações oferecem "algo mais" ao texto original. É o caso, nesta adaptação que se recomenda vivamente.


NOTA FINAL (1/10):
9.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi - A Seita e Arte de Autor

Ficha técnica
O Inferno de Dante
Autores: Gaëtan e Paul Brizzi
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 340 mm
Lançamento: Maio de 2024

sexta-feira, 31 de maio de 2024

O Inferno de Dante recebe adaptação para BD!



As editoras A Seita e a Arte de Autor lançaram há poucos dias a sua mais recente aposta conjunta em banda desenhada!

Falo da adaptação de O Inferno de Dante, poema de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Adaptação essa que é feita pelos irmãos Gaëtan e Paul Brizzi.

A propósito deste lançamento, até houve exposição sobre esta obra, com a presença de um dos autores, Gaëtan Brizzi, no Maia BD.

Esta é uma obra que me está a suscitar bastante curiosidade, tendo em conta o seu estilo de ilustração detalhado e impressionante, a lembrar o estilo de gravura, com que os autores nos brindam. Confesso ter ficado bastante bem impressionado com as ilustrações em exposição.
E isto já para não falar na dimensão "gigante" do livro que tem medidas iguais, ou muito semelhantes, ao Burlão nas Índias, publicado pela Ala dos Livros.

Nota ainda, positiva, para o facto de haver uma capa exclusiva para compras feitas no site da Wook.

Deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais da obra.


O Inferno de Dante, de Gaëtan e Paul Brizzi

A meio do caminho desta vida, encontrei-me numa floresta escura...

Com estas palavras, inicia-se um dos maiores clássicos da literatura, A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Com uma mestria rara, os irmãos Brizzi recriam uma das obras mais difíceis e complexas da literatura europeia, tornando-a acessível a uma geração inteira de leitores, numa narrativa simultaneamente fascinante e terrível.

A Divina Comédia é frequentemente considerada como a obra fundadora da literatura europeia em língua vernácula, por oposição ao latim que imperava na Idade Média. 

Obra complexa, poema épico e extraordinariamente sofisticado (e intitulado “comédia” por oposição à “tragédia”, por acabar bem), foi também o culminar de uma certa visão da civilização europeia do mundo, mas também dos “outros mundos”:
os mundos divinos, celestiais, mas também os infernais, o Inferno, que constitui o primeiro livro dos três da Comédia, e que formou a sua imagem definitiva na psique europeia até hoje, a de um Inferno dividido em nove círculos, progressivamente mais profundos e cheios de pecadores progressivamente mais amaldiçoados.

Ao longo dos séculos, este Inferno de Dante foi objecto de inúmeros tratamentos visuais, entre os quais podemos citar as maravilhosas ilustrações de Gustave Doré, no século 19, ou mais próximas de nós, as de Dalí ou as que o pintor Lima de Freitas realizou no nosso país, ou mesmo as de Mattotti ou Moebius, dois dos maiores nomes da BD. Os irmãos Brizzi pegaram na longa e rica tradição de ilustração de clássicos, para construírem um livro imponente, que cruza vistas titânicas dos abismos infernais, com pranchas que relatam as emoções à escala humana, constantemente reflectidas na face de Dante, de uma maneira absolutamente surpreendente.

Mas, para além do seu trabalho gráfico inultrapassável, os irmãos Brizzi realizaram uma notável transcrição do texto medieval, reescrevendo para os leitores modernos a narrativa original sem a trair, e mantendo os seus pontos mais importantes: o gosto pela desmesura, a contínua tensão dramática da narrativa, e o negro e sombras que oprimem as regiões infernais mais profundas.


“Um pináculo da arte gráfica”
Cédric Pietralunga, Le Monde

“Uma grande obra de arte, um livro a meio caminho entre a narrativa ilustrada e a banda desenhada”
Emmanuel Khérad, La Librairie Francophone, France Inter

A edição da Arte de Autor e d’A Seita inclui um extenso caderno de extras, com esboços e estudos de personagens, não publicados na edição normal francesa, e um texto explicativo dos autores sobre o seu método de trabalho, e também uma tiragem especial com uma capa alternativa exclusiva da Wook.

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Ficha técnica
O Inferno de Dante
Autores: Gaëtan e Paul Brizzi
Editora: A Seita
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 340 mm
PVP: 29,00€