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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Análise: Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos

Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi - A Seita

Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi - A Seita
Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi

Desde Outubro que o Comissário Ricciardi, personagem emblemática dos fumetti – da Sergio Bonelli Editore – se encontra publicado em Portugal pela primeira vez. E vénias sejam feitas à editora A Seita pela aposta.

Esta é uma série, relativamente recente, que adapta para banda desenhada uma famosa série de romances policiais italianos, da autoria de Maurizio de Giovanni.

E, ainda que este primeiro livro me tenha sabido a pouco, pois é constituído por três pequenas histórias que servem mais como apetitivo e delineação da premissa da personagem, devo dizer que gostaria que a série vingasse, em termos comerciais, em Portugal. O Comissário Ricciardi é uma personagem carismática, com uma personalidade bem vincada e com uma premissa de história deveras original, que merece ser conhecida.

Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi - A Seita
Premissa essa que é a seguinte: "o Comissário Ricciardi possui um dom que é, ao mesmo tempo, uma maldição: desde criança que consegue ver os últimos instantes de quem morreu de morte violenta". Essa é a singular capacidade do protagonista desta história e, como tal, não admira que opte por uma carreira profissional enquanto comissário da polícia, com o primordial intuito de investigar crimes hediondos. E esta capacidade de conseguir visualizar os últimos momentos de uma vítima, antes desta ser assassinada, vai permitir-lhe desvendar injustiças e mistérios com uma precisão ainda maior do que a de um Sherlock Holmes ou a de um Hercule Poirot.

A premissa é gira e funciona bem, fazendo com que visualmente se torne interessante para o leitor, já que nos é dada a possibilidade de visualizar as próprias visões do protagonista. Ou seja, só Ricciardi e nós, leitores, é que sabemos aquilo que aconteceu antes de um crime violento acontecer. Em detrimento de todas as outras personagens que, naturalmente, não conseguem descortinar o que realmente aconteceu.

Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi - A Seita
Como já disse, este livro é constituído por três histórias auto-contidas, que se desenrolam na cidade de Nápoles e que têm o propósito de nos dar a conhecer a personagem do Comissário e de como funciona o seu poder. Não são histórias arrebatadoramente boas – nem, tão pouco, são más histórias – mas são eficazes enquanto como cartão de visita da personagem e do universo da mesma. E isso traz duas coisas, uma negativa e outra positiva, por arrasto: é que, por um lado, é um livro que sabe a pouco. Mas, por outro lado, deixa no ar muita expetativa para uma história maior, que possa desenvolver melhor a trama e que venha a ser publicada futuramente. 

Estas breves histórias parecem quase 3 trailers de filmes de cinema, estão a ver? Embora, repito, sejam histórias completas, portanto é um daqueles livros que se pode comprar à confiança e que me leva a considerar que A Seita fez uma aposta inteligente ao iniciar esta personagem com este volume seminal.

Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi - A Seita
A primeira história, Dez Cêntimos, foi a que achei mais marcante. Nesta história é revelado o porquê da opção profissional de Ricciardi que até queria, inicialmente, estudar filosofia. No entanto, percebendo o seu dom, opta por licenciar-se em direito. Em Os Vivos e os Mortos, Ricciardi investiga as mortes que ocorreram num incêndio de uma pizzaria e, utilizando o seu dom, consegue perceber o que desencadeou, verdadeiramente, estes crimes macabros. Por fim, em Mammarella, o Comissário investiga o crime de uma prostituta, que foi encontrada morta num quarto trancado e que, no momento derradeiro da sua vida, dizia a enigmática frase “desejas-me como Mammarella (mãezinha)?”.

São histórias interessantes, de fácil leitura, e que nos deixam ávidos de conhecer o que se passou realmente com as personagens, à medida que vamos acompanhando a investigação do Comissário.

Em termos de ilustração, Daniele Bigliardo ilustra as duas primeiras histórias e Luigi Siniscalchi ilustra a última. Ambos fazem um bom trabalho de desenho - e com unidade entre si - mas tenho que dizer que, especificamente o trabalho de Bigliardo, com um traço mais detalhado do que o de Siniscalchi, me deixou rendido. 

Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi - A Seita
Tudo graças um desenho realista, num traço fino e elegante que oferece às histórias o ambiente perfeito para que nelas possamos mergulhar. Os grandes planos das expressões faciais, a caracterização fiel e detalhada na construção dos cenários, a brilhante utilização da luz e do espaço negativo, a maneira variada e dinâmica como utiliza a planificação, tudo é feito com um enorme rigor nestes fabulosos desenhos a preto e branco.

A edição d’A Seita é interessante. Num livro de capa dura e bom papel e encadernação, nos mesmos padrões de qualidade de todos os outros títulos desta coleção Aleph, temos, também, uma entrevista ao próprio criador da personagem, Maurizio de Giovanni.

Concluindo, posso dizer que acolho com os braços abertos a vinda do Comissário Ricciardi para a banda desenhada lançada em português. Se me posso queixar de alguma coisa é que este livro soube a pouco, o que me faz esperar com curiosidade por um livro com uma só história que possa desenvolver melhor o argumento e a própria curiosa e original premissa da série.


NOTA FINAL (1/10):
7.6


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi - A Seita

Ficha técnica
Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos
Autores: Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi
Editora: A Seita
Páginas: 128, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2021

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Lançamento: Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos



Já chegou às livrarias o livro Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos. O Comissário Ricciardi é mais uma das personagens da Bonelli que  editora A Seita estreia em Portugal, desta feita numa série que adapta à BD uma série de romances policiais de grande sucesso em Itália, escritos por Maurizio de Giovanni.

Este primeiro volume desta personagem (e nono da nossa colecção Aleph) inclui uma entrevista a Maurizio de Giovanni, e recolhe três histórias separadas que se focam nas primeiras investigações do Comissário Ricciardi e sobre a sua juventude, sendo portanto um volume inicial para apresentar a personagem aos leitores portugueses.

Aí está uma bd da qual já ouvi falar muito mas que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Tem tudo para funcionar bem mas só depois de a ler é que emitirei a minha opinião. E isso acontecerá brevemente!
Abaixo, fiquem com a sinopse da obra e algumas imagens promocionais.


Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos, de Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi

“Precisava entender as razões do infeliz legado da minha mãe… a capacidade indesejada de ver quem morre por morte violenta… de sentir na pele a sua dor.”

O Comissário Ricciardi possui um dom que é, ao mesmo tempo, uma maldição: desde criança que consegue ver os últimos instantes de quem morreu de morte violenta.
Chegado a Nápoles, o assassínio de uma pequena vendedora de flores vai mudar o seu destino para sempre.

Criado pelo escritor Maurizio de Giovanni em 2005, o Comissário Ricciardi é uma das personagens mais conhecidas da literatura policial italiana, tendo protagonizado doze romances, todos ambientados na cidade de Nápoles dos anos 1930, sendo esta cidade, aquela em que o escritor nasceu e sempre viveu, não apenas o cenário, mas uma personagem fulcral das suas histórias. Ao mesmo tempo, a ascensão do fascismo de Mussolini funciona como pano de fundo destes contos de ambiente noir. Constituído por três histórias separadas que focam todas uma parte da origem desta série na juventude do seu protagonista, este volume é a porta de entrada ideal para o mundo do Comissário Ricciardi, e inclui uma bela entrevista e contextualização da série pelo seu autor, Maurizio de Giovanni.
Para além do protagonista, o comissário Luigi Alfredo Ricciardi, encontramos neste mundo da Nápoles dos anos 1930 um notável elenco de personagens. Algumas podemos descobri-las já neste primeiro volume, como o Sargento Raffaele Maione, braço-direito do comissário; o Doutor Bruno Modo, médico-legista, cujas opções políticas e a frontalidade com que as exprime lhe causam inúmeros dissabores; o carreirista António Garzo, chefe de Ricciardi; e ainda algumas das mulheres da vida do Comissário, como a sua ama Rosa Vaglio, e a jovem vizinha Enrica Colombo, por quem Ricciardi nutre uma paixão platónica.

A Seita orgulha-se, assim, de apresentar pela primeira vez em Portugal a adaptação das aventuras do Comissário Ricciardi à banda desenhada, num ambicioso projecto da Sergio Bonelli Editore, que mereceu de Maurizio de Giovanni apenas uma condição: que os desenhadores fossem todos napolitanos.
Um requisito que não foi difícil de cumprir, uma vez que Nápoles é a cidade da famosa Scuola Italiana di Comix e terra natal de nomes conceituados do fumetto italiano como Daniele Bigliardo, Alessandro Nespolino, Luigi Siniscalchi e Lucilla Stellato, a equipa que deu rosto a Ricciardi.

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Ficha técnica
Comissário Ricciardi: Primeiros Inquéritos
Autores: Sergio Brancato, Claudio Faco, Daniele Bigliardo e Luigi Siniscalchi
Editora: A Seita
Páginas: 128, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 13,00€




terça-feira, 4 de maio de 2021

Análise: Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador



Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador, de Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri, Daniele Bigliardo, Mauro Boselli e Bruno Brindisi

Quando, em 2017, a Sergio Bonelli decidiu fazer um crossover com duas das suas personagens mais emblemáticas, Dylan Dog e Dampyr, certamente foram muitos os fãs que ficaram radiantes com esta opção. Até porque, na verdade, a editora nunca tinha feito um verdadeiro crossover, isto é, a junção de duas personagens de universos diferentes numa só história. Contrariamente ao mercado americano, onde os crossovers são mais do que habituais, no mercado europeu é algo bem mais raro de acontecer. Portanto, acho que a iniciativa demonstrou coragem e modernidade por parte da editora. 

E embora a minha primeira reação a esta iniciativa tenha sido: “Porreiro, e faz sentido com estas duas personagens”, a verdade é que, vendo bem, até são personagens de universos bastante distintos. Dylan Dog é uma personagem que se move num mundo que considero filosófico, onírico e, até mesmo, poético. Com uma premissa tão aberta como sendo o “detective do pesadelo”, há abertura para uma variedade enorme de situações e aventuras. Já quanto a Dampyr, estamos perante um herói muito mais clássico no seu cerne e que se move num universo com regras e barreiras muito mais específicas e previamente delineadas.

Por este motivo, e com alguma pena minha, parece-me que este crossover assume-se mais como um “Dampyr convida Dylan Dog”, do que o contrário. Ou seja, este O Detective e o Caçador parece-se mais com um clássico livro de Dampyr. A grande diferença é que, neste caso, Dylan Dog aparece como convidado. Como sou muito mais fã de Dylan do que Dampyr, tive alguma pena que assim fosse. Mas, tal como já disse, também compreendo que os envolvidos nesta obra tenham feito esta opção, pois seria mais fácil trazer Dylan Dog para o universo mais fechado de Dampyr, do que o oposto.

Se Dylan Dog é detective do pesadelo, Dampyr é filho de uma humana e de um vampiro e, por ter essa mistura rara, o seu sangue é letal para matar vampiros. O que faz dele um guerreiro verdadeiramente poderoso e temível pelos seus inimigos.

A história, que mais para o fim, especialmente no segundo livro, se torna demasiado rocambolesca, arranca em Londres quando vários vampiros invadem de surpresa um baile de máscaras e começam a fazer vítimas. Entretanto, o maquiavélico Lordbrok – retirado do universo de Dampyr – tem planos nefastos para com o mundo e para com o seu rival Marsden que, nesta aventura, faz com que Harlan Draka, Dampyr, seja involuntariamente seu aliado na luta contra Lordbrok. Dampyr faz-se acompanhar por Kurjak e Tesla. Já do lado do universo de Dylan Dog, aparece-nos o irresistível Groucho e o malvado inimigo John Ghost também faz uma aparição. As belas mulheres que, naturalmente, se apaixonam por Dylan Dog também não faltam. No primeiro livro é a bela Lagertha – cujo aspeto há-de ter sido inspirado em Angelina Jolie – que encanta o detetive do pesadelo. No segundo livro é Selkie com quem Dylan estabelece (mais) um breve romance.

A narrativa arranca com uma fantástica cena de ação e sabe colocar muito bem Dampyr no caminho de Dylan Dog (ou será o oposto que acontece?). De uma forma natural as duas personagens vêem-se na necessidade de trabalharem juntas, mesmo sendo bastante diferentes entre si. Essa dinâmica aparece especialmente bem trabalhada no primeiro álbum, sublinhando as diferenças de ambas as personagens na abordagem aos eventos com que se deparam: Dylan Dog é um romântico e uma persona algo frágil, enquanto que Dampyr é um guerreiro-nato e pragmático, que passa rapidamente para a ação.

Um destaque tem que ser dado a Groucho que aparece em ambos os livros com tiradas muito divertidas, que melhoram a leitura da obra. Diria até que foi a personagem mais bem trabalhada por ambos os autores. Ainda mais do que os dois heróis protagonistas! Interessante também é a dinâmica entre Kurjak – um autêntico brutamontes – e Groucho, que tão bem representa a função de comic relief. Muito bem conseguido.

Depois, e eventualmente, à medida que os eventos se vão desenrolando, ambos os protagonistas têm que ceder um ao outro: Dylan Dog acaba por perceber que os métodos agressivos e pragmáticos de Dampyr são muitas vezes a forma mais eficaz de lidar com o mal. Todavia, em sentido contrário, Dampyr também irá descobrir que há nobreza nos métodos ponderados e sentido de justiça de Dylan Dog.

Há uma coisa que convém desde já dizer e que se torna muito relevante para a análise deste duplo lançamento: é que, o facto deste O Detective e o Caçador ter duas equipas criativas independentes entre si, faz com que ambos os livros difiram muito entre si mesmos. Não só em termos de ilustração (já lá irei) mas, também, em termos de argumento. 

É certo que a história do primeiro livro tem continuação no segundo, mas é uma continuação demasiado livre. Como se a obra se tratasse dum exercício criativo em que os argumentistas de ambos os livros, Roberto Recchioni (que é ajudado por Giulio Antonio Gualtieri ) e Mauro Boselli combinassem entre si, “eu levo a história até aqui… e depois disso faz o que quiseres com a mesma”. Se isso traz alguns elementos de surpresa à trama, devo dizer que o segundo livro é manifestamente inferior em comparação com o primeiro. Parece-me até que a história no segundo volume resolve a trama de uma forma algo preguiçosa, apoiando-se na introdução de vikings mortos-vivos, dragões e demais elementos que acabam por ser inseridos de uma forma algo forçada, sem grande linha condutora. No primeiro livro, como a história ainda nos está a ser apresentada aos poucos, está mais conseguida e funciona melhor. E não me refiro apenas à construção do argumento porque mesmo na construção dos próprios diálogos, a obra apresenta-se menos inspirada no segundo livro.

E, claro, as diferenças não se sentem apenas em termos de argumento. Na parte ilustrativa, as diferenças também são gritantes. Enquanto que Daniele Bigliardo nos dá um trabalho soberbo no primeiro livro, com as personagens, com trato realista, a parecerem que querem sair das páginas do livro, e onde o autor também apresenta um ótimo domínio da luz, dos altos contrastes, das cenas de ação, dos planos de câmara e enquadramentos; Bruno Brindisi, por sua vez, oferece-nos uma ilustração mais clássica, menos estilizada e impactante. Pobre nos detalhes, por vezes até parece ter sido feita algo “à pressa”. Não é que seja má, mas fica, indubitavelmente, muito aquém da arte de Daniele Bigliardo. E ainda que haja um esforço por continuidade na caracterização gráfica das personagens – especialmente das principais – a própria ilustração de algumas personagens, com destaque para os inimigos, por vezes afasta-se entre ambos os livros.

Quanto à edição, a editora A Seita preparou uma edição em linha com os outros livros da sua Coleção Aleph: boa encadernação, capa dura e papel baço. Há também uma entrevista com os argumentistas que está dividida entre os dois livros. 

Mas claro que, em termos de edição, o destaque principal tem que ser dado às fantásticas capas que, quando colocadas ao lado uma da outra, formam uma bonita ilustração entre si. Como se fossem duas peças para um puzzle. No primeiro livro temos Dylan Dog em primeiro plano e, lá em cima, no título temos “Dylan Dog & Dampyr”, como se fosse o primeiro que convida o segundo. No segundo livro temos todos estes elementos inversamente colocados: Dampyr é que aparece em primeiro plano e no título aparece “Dampyr & Dylan Dog”. São duas capas espetaculares que, juntas, tornam os dois “objetos-livro” ainda mais colecionáveis e verdadeiramente apetecíveis. Julgo que A Seita foi inteligente ao escolher esta opção de capas pois dificilmente um leitor só comprará um dos livros.

Concluindo, acho que mais do que uma oportunidade para que os fãs de Dylan Dog conheçam Dampyr, esta obra dupla permite, acima de tudo, que os fãs de Dampyr possam acolher nas páginas do seu herói, a personagem maravilhosa de Dylan Dog, que vem muito bem acompanhada por Groucho. O Detective e o Caçador ficou um pouco aquém das minhas expetativas – mais pela divisão de tarefas entre autores do que por outra coisa - mas não deixa de ser uma boa iniciativa da Sergio Bonelli. E o final da obra deixa uma porta aberta para que uma nova aventura com Dylan Dog e Dampyr possa ocorrer no futuro. A ver vamos.

Desta vez, embora ambos os livros formem um todo, parece-me que a diferença de qualidade por mim percepcionada, merece notas distintas. 


NOTA FINAL LIVRO 1: A Noite de Dampyr: 8.4
NOTA FINAL LIVRO 2: O Detective do Pesadelo: 6.8


NOTA FINAL dos 2 ÁLBUNS (1/10):
7.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Fichas técnicas
O Detective e o Caçador vol. 1: A Noite do Dampyr
Autores: Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri e Daniele Bigliardo
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2021


O Detective e o Caçador vol. 2: O Detective do Pesadelo
Autores: Mauro Boselli e Bruno Brindisi
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Março de 2021

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Lançamento: Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador





Já estão disponíveis os dois álbuns que correspondem ao crossover entre as personagens do fumetti, Dylan Dog e Dampyr, e que assinalam uma interessante aposta dupla da editora A Seita.

O primeiro tomo chama-se O Detective e o Caçador Vol. 1: A Noite do Dampyr e o segundo volume intitula-se O Detective e o Caçador Vol. 1: O Detective do Pesadelo. Uma coisa curiosa é que as equipas criativas mudam: no primeiro livro temos o argumento a cargo de Roberto Recchioni e Giulio Antonio Gualtieri, com desenho de Daniele Bigliardo; e no segundo livro o argumento é de Mauro Boselli e arte ilustrativa fica a cargo de Bruno Brindisi. 

Desde já, destaca-se a capa conjunta que os dois álbuns, alinhados um ao outro, completam entre si. Fantástica ideia.

Abaixo fiquem com a nota do editor e com algumas imagens promocionais.


Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador, de Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri, Daniele Bigliardo, Mauro Boselli e Bruno Brindisi 

Um vive em Londres e é um detective do pesadelo, investigador do paranormal, melancólico, introspectivo e sonhador. 

O outro é filho de uma humana e de um vampiro, e viaja pelo mundo para combater o mal, utilizando o seu sangue letal, capaz de queimar e matar os vampiros. 

Nunca se tinham cruzado, porque o mundo é demasiado grande e os seus mistérios infindáveis. Até ao Verão de 2017, quando a Sergio Bonelli Editore publicou o seu primeiro crossover, uma aventura que junta Dylan Dog e Dampyr numa luta lado a lado contra as criaturas do Mestre da Noite Lodbrok!

Harlan Draka, o Dampyr, e Dylan Dog, cruzam-se finalmente a tempo da chegada de um conjunto de visitantes estranhos – e perigosos! - a Craven Road, que irão mergulhar Londres no terror. E qual o papel do temível Lodbrok, um dos arqui-vampiros que Draka persegue incansavelmente? Dylan Dog acaba por fazer uma promessa que não pode quebrar à morta-viva Lagertha, inimiga jurada de Harlan Draka, o caçador de vampiros. Nas remotas ilhas Hébridas, para onde viajaram em busca de resolver o mistério de Lodbrok, o Senhor da Noite, os nossos dois heróis terão de sobreviver a uma multidão de personagens horrendas, dragões, vikings mortos-vivos, e outras criaturas sobrenaturais.

Esta história, que junta Dylan Dog e Dampyr, duas das mais emblemáticas personagens da Sergio Bonelli Editore, foi o primeiro crossover jamais criado pela editora (já tinham existido alguns team-ups, em que personagens diferentes tinham aparecido nas revistas umas das outras). Assim, esta aventura que junta o detective do pesadelo ao caçador de vampiros acabou por ser uma grande estreia, e o evento dos fumetti do Verão de 2017 em Itália, uma vez que a história foi dividida por duas revistas diferentes, iniciada em Dylan Dog #371 e concluída em Dampyr #209.

Dylan Dog e Dampyr são, no entanto, bem diferentes enquanto personagens e séries. Numa entrevista concedida há uns anos, Mauro Boselli sublinhou que no caçador de vampiros sobressai um lado algo realista, uma vez que as suas aventuras devem dar a ilusão de que acontecem no nosso mundo, na nossa realidade. Ao contrário do que acontece com Dylan Dog, onde o fantástico pode ser apresentado repetidas vezes com contornos menos realistas e onde tudo é possível. 
Por seu lado, Roberto Recchioni acrescenta que a maneira como os dois heróis lidam com o horror também é diferente: de um lado a dureza e intransigência de um Dampyr pragmático frente aos monstros, qual herói clássico, em contraponto com a visão mais irónica, romântica e empática de Dylan Dog, anti-herói por excelência ou herói por acaso, que diz que os verdadeiros monstros somos nós, os seres humanos.

Duas personagens com pouco em comum, mas com um importante ponto de ligação entre ambas: o horror dos ambientes em que se movem. Como tal, não é de estranhar que, mais tarde ou mais cedo, acabariam por aliar forças, o que só não tinha acontecido antes porque, a acreditar nas palavras de Dylan, “o mundo é demasiado grande”.

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Fichas técnicas
O Detective e o Caçador vol. 1: A Noite do Dampyr
Autores: Roberto Recchioni, Giulio Antonio Gualtieri e Daniele Bigliardo
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 13,00€

O Detective e o Caçador vol. 2: O Detective do Pesadelo
Autores: Mauro Boselli e Bruno Brindisi
Editora: A Seita
Páginas: 104, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
PVP: 13,00€