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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Comparativo: "Living Will" pela Polvo e pela Ave Rara



Nem sabem a felicidade que tive quando soube que a editora Polvo iria editar, e de forma integral, a obra Living Will, de André Oliveira, Joana Afonso e Pedro Serpa!

Esta é, quanto a mim, uma das melhoras obras da banda desenhada nacional! A esse propósito, até vos convido a mergulhar na análise que fiz a este livro, aqui.

Originalmente lançado em formato comic, pela Ave Rara, uma chancela independente do próprio André Oliveira, Living Will foi-nos sendo dado aos poucos, de forma intermitente, entre os anos 2013 e 2018. No total, foram 7 mini-comics de 16 páginas que nos ofereceram uma história linda sobre a vida, sobre os remorsos, sobre o amor, sobre o passado, sobre a redenção.

É a obra onde, a meu ver, André Oliveira se demonstrou mais inspirado, com um texto completamente quotable e uma história profunda, ora amarga, ora doce. Por seu turno, Joana Afonso afirmou-se de vez como uma das mais importantes figuras da ilustração de banda desenhada em Portugal. Infelizmente, possivelmente por indisponibilidade de tempo, Joana Afonso foi substituída em dois dos sete volumes da série por Pedro Serpa. Não querendo, de forma alguma, descurar o comprometimento e talento do autor, é inegável que a continuidade visual da obra se (res)sentiu nesses números assinados por Pedro Serpa, o que foi uma pena.




A edição original da obra foi feita na língua inglesa para chegar a um mercado mais internacional. Percebo perfeitamente a razão, como é óbvio, mas era lamentável que esta obra, feita por portugueses, não estivesse disponível na sua língua materna, o português.

E é, também por isso, que fiquei muito feliz com esta edição da Polvo. Porque mais que fazer chegar esta bela obra aos leitores portugueses, fazia sentido que isso fosse feito em formato integral e, claro, na língua portuguesa. 

E só com essa cajadada, a Polvo mataria logo dois coelhos. E a editora não se ficou por aí! Mas já lá iremos.

Esta nova edição tem duas capas novas, à escolha. No meu caso, o meu livro tem a capa amarela, onde nos aparece o protagonista da história, Will, o seu cão e fotografias das várias personagens que aparecem na obra. Uma capa bonita que me remete para a igualmente bela capa de Rugas, de Paco Roca. Existe ainda outra capa, na cor roxa, que também funciona muito bem.




Esta nova edição tem generosas 180 páginas e é-nos dada em capa mole, com badanas. É uma edição bonita e respeitosa, mas tendo em conta a qualidade e a relevância da obra em questão, bem como não esquecendo que esta edição procura ser uma edição definitiva da obra, julgo que teria sido melhor se a edição fosse em capa dura. Não me chateiam as capas moles, mas acho que as capas duras granjeiam mais prestígio, requinte e durabilidade aos livros. E Living Will merecia-o.

Falando ainda em coisas menos positivas, talvez o formato da edição da Polvo pudesse ter sido um pouco maior. É quase igual ao formato original, sim, mas mesmo assim é um pouco menor.

Mas, apontadas as coisas que considero como menos positivas nesta edição, há que referir que são muitas as coisas positivas.

Desde logo, porque o "formato livro" supera, a todos os níveis, o "formato revista" em que a obra foi originalmente lançada. Respira melhor, nãose dispersa e permite que o leitor possa degustar a obra com mais afinco.



Uma coisa que apreciei nesta edição da Polvo, em que parece ter havido um carinho e cuidado especial para com a obra, foi que as belas capas dos sete capítulos originais não se perdessem. 

Todas elas servem como separador entre histórias. Talvez pudesse ter sido colocada a versão completa das ilustrações, uma vez que, originalmente, eram de dupla página, servindo a capa e a contracapa de cada livro, mas também não sei como isso poderia ter sido feito, sem aumentar o número de páginas do livro e sem distorcer a ordem das páginas.




Além disso, também gostei que até mesmo aquele breve sumário da história com que terminava cada um dos sete números, fosse resgatado nesta nova edição sempre que um capítulo termina. Teria sido uma pena tirar essa componente de séria televisiva a Living Will que é mais uma das (muitas) coisas que tanto aprecio nesta edição. 

Foi, portanto, uma escolha acertada nesta nova edição.




Embora esta nova reedição seja bastante fiel à edição original da Ave Rara, tendo a mesma font para a balonagem, inclusive, nota-se, especialmente logo no primeiro capítulo da história, que houve um reajuste da cor, passando agora a ser muito mais suave e agradável.

Nota positiva para essa alteração.




Além disso, e já olhando para os inúmeros extras que, generosamente, esta nova edição da Polvo nos traz, o livro abre com uma nota introdutória em que André Oliveira disserta sobre a feitura da obra e sobre o atual momento da mesma.




Além disso, a nova edição da obra inclui uma entrevista/conversa ente Gabriel Martins e os três autores, bem conduzida, que responde a algumas questões que, certamente, muitos dos leitores poderiam formar na sua cabeça. 

E são essas as entrevistas que, quanto a mim, são bem feitas. Portanto, trata-se de mais um bom acrescento à nova edição da obra.




Além disso, há também espaço para que muitos autores consagrados da banda desenhada nacional homenageiem esta obra através das suas próprias ilustrações. 

São 13 estas ilustrações adicionais e apresentam um estilo que, naturalmente, é muito belo pelo seu ecletismo e capacidade artística dos autores que participam nesta homenagem conjunta, que são os seguintes: Filipe Andrade, Joana Mosi, Pedro Brito, Catarina Paulo, Francisco Sousa Lobo, Carla Rodrigues, Paulo Monteiro, Kachisou, Carline Almeida, Inês Galo, Filipe Abranches, Miguel Rocha e Jorge Coelho.




Há ainda espaço para seis páginas dedicadas a esboços e estudos de personagem por parte de Joana Afonso, que são um deleite para os olhos.




Por fim, a cereja em cima do bolo e talvez a grande iniciativa desta bela edição, é que este livro reúne um capítulo extra e inédito, feito de propósito para esta edição. 

É uma história de 18 páginas, onde mergulhamos na relação conturbada entre pai e filho e na importância, quer pelo lado positivo, quer pelo lado negativo, do pugilismo nas suas vidas. É uma história pungente e sentimental, em que André Oliveira se mantém inspirado e onde fica claro como a evolução de Joana Afonso tem-se registado de álbum para álbum, de história para história. 

Joana Afonso já era detentora de um talento especial em 2013, quando começou este Living Will, mas, em 2025, o seu talento é ainda mais exponencial. 

Que excelente ideia incluir esta história adicional na edição!



Não sei se têm ou não os 7 fascículos da primeira edição de Living Will. Quer os tenham ou não, parece-me que a compra deste novo livro da Polvo se assume como obrigatória. Qualquer amante de (boa) banda desenhada deve ler Living Will!

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Living Will é reeditado em português e num só volume!




Se houve notícia que me deixou extremamente feliz, foi saber que a editora Polvo iria reeditar a obra Living Will, originalmente editada em formato comic e na língua inglesa, pela editora Ave Rara, num só volume integral e na língua de Camões.

Eu já sou um grande fã da globalidade do trabalho de André Oliveira e Joana Afonso e, mesmo assim, considero este como um dos seus melhores trabalhos. Brilhantemente escrito por André Oliveira, Living Will é uma história marcante e uma das obras portuguesas da minha eleição.

Considero, pois, que havia uma autêntica lacuna no nosso mercado que era não termos, num só livro, e em português, já agora, - que aqui se fala português! - esta belíssima obra que, aliás, já recebeu análise aqui no Vinheta 2020.

Refiro que o livro com que a Polvo agora nos brinda apresenta duas capas diferentes, que poderão escolher, e já se encontra à venda no Amadora BD, estando prevista a sua apresentação para o próximo domingo, dia 26 de Outubro, às 11h no auditório do evento.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Living Will, de André Oliveira, Joana Afonso e Pedro Serpa

Acho que todos sentimos a falta de alguém.A vida do velho Will parece ter chegado a um beco sem saída. Depois de meio século passado lado a lado com a sua alma gémea, Judith, está agora sozinho e sem nada que lhe desperte o interesse.

Sim, é rabugento, tem os olhos pesados e tristes, e a verdade é que, quando desaparecer, poucos sentirão a sua falta. Tirando o barman Richie ou o médico Terry, não tem realmente ninguém a quem possa chamar amigo. E é quando vê o fim a aproximar-se que decide atar as pontas soltas que deixou para trás, junto de todos aqueles com quem se incompatibilizou.

Ao mesmo tempo, Betty, uma apresentadora de TV em busca de redenção, está à beira do colapso e só quer deixar uma marca positiva no mundo. Mas será mesmo possível? Ou estaremos prestes a ser surpreendidos?

Living Will reúne os comics editados entre 2013 e 2018, agora em português.

Inclui ainda:

- Capítulo adicional desenhado por Joana Afonso

- Galeria de imagens por 13 autores convidados: Jorge Coelho, Miguel Rocha, Filipe Abranches, Inês Galo, Carline Almeida, Kachisou, Paulo Monteiro, Carla Rodrigues, Francisco Sousa Lobo, Catarina Paulo, Pedro Brito, Joana Mosi e Filipe Andrade

- Entrevista aos autores, por Gabriel Martins

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Ficha técnica
Living Will
Autores: André Oliveira, Joana Afonso e Pedro Serpa
Editora: Polvo
Páginas: 180, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 16,5 x 23 cm
PVP: 24,95€

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Polvo nos últimos 5 anos!



Cá estou eu para mais um TOP 10 com a melhor banda desenhada editada nos últimos 5 anos em Portugal! Hoje é dia de ficarmos a conhecer quais os melhores livros de BD que a editora Polvo lançou nos últimos 5 anos.

A Polvo é uma das editoras de banda desenhada mais antigas em Portugal, tendo já editado perto de 200 livros, desde o seu início de atividade há quase 30 anos. Sendo uma editora de cariz independente, não tem uma assiduidade muito constante no lançamento de novos livros, ao longo dos meses, embora, todos os anos, seja quase garantido que haverá novos livros desta editora a serem lançados por alturas do Amadora BD. 

Com um catálogo que se concentra numa clara aposta em obras de origem brasileira, a editora tem também editado muitas obras de referência de autores nacionais, bem como de outros autores europeus.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Deixo-vos então, as 10 melhores BDs editadas pela Polvo nos últimos 5 anos.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Análise: O Crime do Padre Amaro

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo

Devo confessar que estava particularmente curioso em ler este O Crime do Padre Amaro - que a editora Levoir editou há umas semanas na sua coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD - não por uma, não por duas, mas por três razões. E essas três razões são exatamente os nomes dos três autores por detrás desta obra: Eça de Queirós, André Oliveira e Ricardo Santo. 

Eça de Queirós, o autor do romance original O Crime do Padre Amaro, e nome maior da literatura, é um dos meus escritores favoritos! Não só da literatura portuguesa, como da literatura mundial. É um autor com um humor latente, irónico e subtil, carregado de uma crítica social indireta que adoro e que considero completamente atual. Quanto a André Oliveira, este é, quanto a mim, um dos melhores argumentistas da banda desenhada nacional, sendo as suas premissas originais e o seu texto especialmente inspirado e bem tecido. Finalmente, Ricardo Santo - que até lançou recentemente o também muito recomendável Boarding Pass - é um dos ilustradores de banda desenhada que mais aprecio.

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
Portanto, tudo somado, estava desejoso de ler este O Crime do Padre Amaro e confirmar se as minhas altas expetativas para este livro eram positivamente correspondidas ou não. E foram, posso dizer-vos! Ainda não li todos os livros lançados nesta coleção da Levoir (mas faltam-me poucos) e ainda serão lançadas algumas novas obras no futuro, mas, pelo menos até agora, e considerando até os livros Auto da Barca do Inferno, Os Maias ou Amor de Perdição - lançados na coleção Clássicos da Literatura em BD - este O Crime do Padre Amaro é o meu favorito!

Mas voltemos um pouco atrás.

O Crime do Padre Amaro é um dos romances mais conhecidos de Eça de Queirós e representa uma das primeiras incursões do autor no realismo literário. Publicada pela primeira vez em 1875, a obra é uma crítica feroz à hipocrisia e corrupção moral da Igreja Católica e da sociedade portuguesa da época. Através de uma narrativa que combina elementos de crítica social, análise psicológica e denúncia moral, Eça constrói uma história poderosa e polémica. Se continua a ser polémica nos dias de hoje, imagino o quão mais chocante terá sido aquando da sua publicação original! Obrigado por abalares o sistema, Eça!

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
A história gira em torno do Padre Amaro, um jovem que, devido à sua origem humilde e a uma série de influências externas, entra para o sacerdócio, mesmo sem que se lhe note uma verdadeira vocação religiosa. Após concluir os estudos no seminário, Amaro é enviado para a cidade de Leiria, onde é acolhido na casa de S. Joaneira, uma devota senhora que frequentemente abriga padres na sua casa.

E é nessa casa que Amaro conhece Amélia, uma bela e inocente jovem, filha da anfitriã. Rapidamente, Amaro é atraído por Amélia, e os dois iniciam um relacionamento secreto e ilícito, motivado tanto pelo desejo físico, quanto pela falta de escrúpulos morais de Amaro. A relação deles é complicada pelo contexto religioso e pelas pressões sociais da época e, claro, tudo se complica ainda mais quando Amélia engravida, o que leva a uma série de ações desesperadas. Para evitar o escândalo, Amaro convence Amélia a fazer tudo para assegurar que a sua reputação permanece intacta. Eventualmente, o desfecho acaba por ser trágico não para todas, mas para várias das personagens.

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
Com toda a inteligência e humor irónico pelo qual é (re)conhecido, Eça de Queirós utiliza a figura do Padre Amaro para criticar a corrupção, a hipocrisia e a falta de verdadeira espiritualidade dentro da Igreja Católica. A obra mostra padres que, em vez de serem guias morais e espirituais, estão envolvidos em escândalos, pecados e abusos de poder. A crítica não é apenas ao comportamento individual de Amaro, mas ao sistema que permite e, em certa medida, encoraja esses comportamentos.

A própria sociedade portuguesa também é alvo de crítica, sendo retratada como hipócrita. As aparências são mantidas a qualquer custo, enquanto a moralidade verdadeira é frequentemente negligenciada. Personagens como S. Joaneira, que promove encontros entre padres e mulheres, e outros membros da comunidade de Leiria, que fofocam e julgam, exemplificam essa duplicidade.

E, claro, também bem presente, como um dos temas centrais, está a tensão entre o desejo carnal e as exigências do dever religioso. A obra questiona a repressão do desejo natural imposta pela Igreja, sugerindo que tal repressão leva à hipocrisia e à corrupção. 

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
André Oliveira consegue agarrar bem na história originalmente tecida por Eça de Queirós, honrando a relevância da mesma e, ao mesmo tempo, adaptando-a de forma convincente para banda desenhada, utilizando as valências e possibilidades narrativas próprias da 9ª arte. Quem não conhece a história original poderá ficar com uma ideia muito clara da mesma, e quem já a conhece tem aqui mais uma oportunidade para um refrescante e novo mergulho nesta obra de valor incomensurável.

Nota ainda para o texto utilizado por André Oliveira que consegue manter o bom ritmo e dialética da escrita de Eça de Queirós sem o recurso a uma transcrição pura. E isto revela, lá está, a capacidade de André Oliveira para as palavras, por um lado, mas também para a narrativa em banda desenhada, por outro.

Mas se a adaptação do argumento por André Oliveira resulta, as ilustrações de Ricardo Santo também funcionam na perfeição para este O Crime do Padre Amaro. 

Tratando-se de uma história que vive muito do enredo que envolve as personagens, levando a muitos diálogos e intriga junto das mesmas, os desenhos de Ricardo Santo, com a sua característica expressividade caricatural revelam-se a cereja no topo do bolo para que o livro funcione da melhor forma possível. Nesse ponto - e embora eu seja sempre um apreciador dos desenhos do autor - até tenho que dizer que Ricardo Santo se revelou ainda melhor do que em anteriores trabalhos. É que os olhares que as personagens trocam entre si, bem como os gestos e as reações faciais das mesmas, muito contribuem para que o leitor mergulhe profundamente no enredo e na suas mensagens subliminares.

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
Há uma ou outra expressão facial do Padre Amaro que me parece algo menos natural, talvez devido à tentativa de colocar a personagem com uma aparência mais andrógena do que o habitual, mas não é nada que seja demasiado grave. A "regra" é que funcione muito bem.

E onde Ricardo Santo também se revela especialmente inspirado nesta obra, é na forma dinâmica como planifica os seus quadros, com várias ilustrações maiores a serem divididas por vinhetas mais pequenas, e com os desenhos a transporem os limites das próprias vinhetas. Todas estas opções tornam a narrativa visual moderna, airosa e apelativa.

Em termos de edição, este livro apresenta as habituais características dos outros livros da coleção: capa dura baça, bom papel brilhante no miolo, boa encadernação e boa impressão. Destaque para o dossier de conteúdo adicional com 6 páginas, um pouco menos páginas do que o habitual para, presumivelmente, compensar o facto de também a história em BD ter mais duas páginas do que a regra nesta coleção. Uma nota ainda, positiva, para a capa, também um das mais apelativas de toda a coleção.

Em suma, esta adaptação de O Crime do Padre Amaro, uma das mais emblemáticas obras da literatura portuguesa, conquistou-me nos seus diversos níveis: a adaptação do argumento para banda desenhada por André Oliveira está bem conseguida, as ilustrações de Ricardo Santo fazem jus a este universo Queirosiano e, bem, a história, já amplamente conhecida pelos portugueses, continua apetitosa e totalmente atual, como se a obra original tivesse sido escrita há duas semanas e não há mais de 100 anos. Quer estejam a acompanhar ou não esta coleção da Levoir, este é mesmo um livro obrigatório!

NOTA FINAL (1/10):
9.1


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP

Ficha técnica
O Crime do Padre Amaro
Autores: André Oliveira e Ricardo Santo
Adaptação a partir da obra original de: Eça de Queirós
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Julho de 2024

segunda-feira, 15 de julho de 2024

"O Crime do Padre Amaro" recebe adaptação em Banda Desenhada!



Uma das mais célebres obras de Eça de Queirós e, por conseguinte, da literatura portuguesa, recebe adaptação para banda desenhada! 

Falo de O Crime do Padro Amaro, primeiro romance de Eça de Queirós a ser publicado. A edição da adaptação para banda desenhada de tal obra é da editora Levoir e os responsáveis pela adaptação são André Oliveira, no argumento, e Ricardo Santo, nas ilustrações.

Estou super curioso com esta obra por vários motivos: em primeiro lugar, porque sou um grande admirador da obra de Eça de Queiroz e este O Crime do Padre Amaro, a par de obras como Os Maias ou O Primo Basílio, estão entre os meus livros favoritos da literatura nacional.

Além disso, também sou um fã do trabalho dos dois autores desta adaptação. André Oliveira tem demonstrado, a meu ver, ser dos melhores argumentistas de banda desenhada em Portugal, e Ricardo Santo como, aliás, até escrevi há uns dias, é dono de um estilo de ilustração por quem nutro grande admiração!

A expetativa está, portanto, alta e estou com muita vontade de ler este livro que deverá chegar às livrarias a partir de amanhã.

Por agora, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.


O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo

José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845, na Póvoa de Varzim, filho de um magistrado, também ele escritor, e morreu a 16 de agosto de 1900, em Paris.

É considerado um dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária. O Crime do Padre Amaro, é o primeiro livro publicado de Eça de Queirós em 1875.

O Crime do Padre Amaro denuncia a corrupção dos padres, que manipulam a população em favor da elite, e a questão do celibato clerical. A sua publicação marca o início do Realismo português e é considerado por muitos a melhor obra do movimento.

André Oliveira, argumentista multipremiado com mais de uma vintena de obras publicadas em nome próprio, entre livros e minicomics, em diversas editoras nacionais, é também o autor da adaptação deste romance.

O ilustrador Ricardo Santo vive actualmente em Barcelona, onde exerce a atividade de designer industrial e é ilustrador, animador e autor de BD no tempo que lhe sobra. 

Em BD recebeu vários prémios em festivais e certames. O primeiro no Amora BD em 1991. E o último no Festival de BD da Amadora, em 2021.


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Ficha técnica
O Crime do Padre Amaro
Autores: André Oliveira e Ricardo Santo
Adaptação a partir da obra original de: Eça de Queirós
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Análise: Volta – Volumes 1 e 2

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano

A Polvo lançou recentemente, no Amadora BD, o livro Volta – O Despertar dos Gigantes de Gelo que assinala o regresso da dupla nacional constituída por André Oliveira e André Caetano a esta saga que está pensada para ser uma trilogia.

Oito anos separam o lançamento do primeiro e segundo álbuns. Lembro-me que já tinha lido, por alturas do seu lançamento, o primeiro álbum intitulado Volta – O Segredo do Vale das Sombras. Mas como já não me lembrava muito bem da sua história e para poder mergulhar melhor no universo deste segundo Volta, que tem o título de O Despertar dos Gigantes de Gelo, decidi voltar a ler, de uma só vez, os dois volumes e analisá-los conjuntamente. O que acabou por ser um exercício pertinente e interessante.

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
É que, apesar de ser uma história em continuação, há, por ventura, uma certa quebra entre um volume e o outro. A vários níveis. Mas já lá irei.

Em primeiro lugar, e começando por abordar o trabalho de André Caetano ao nível das ilustrações, houve uma clara evolução e melhoria do Volta #1 para o Volta #2. Este segundo álbum é muito mais bonito e bem executado do que o primeiro ao nível do desenho. E não me entendam mal relativamente ao que acabei de escrever. Volta #1 já era um álbum bastante bonito, sim, onde ficava claro o potencial e skill de Caetano nas ilustrações e na capacidade de construir toda uma tónica visual única e especial.

No entanto, aquilo que o autor faz neste O Despertar dos Gigantes de Gelo é manifestamente (ainda) mais especial! Desde logo, o traço a preto e branco de André Caetano, onde as camadas a cinza aumentam a textura visual das ilustrações, parece mais confiante, limpo e dinâmico a todos os níveis. A utilização do preto e branco, onde o traço por vezes é mais grosso e seguro de si mesmo, apresenta-se-nos, pois, com mais beleza. E até mesmo a própria utilização do formato italiano (horizontal) parece ser mais bem aproveitada pelo autor para nos passar uma experiência mais imersiva e cinematográfica. E isto já para não falar nos maravilhosos cenários - onde as tempestades de neve parecem congelar-nos - nas belas cenas de ação e nos variados monstros que André Caetano tão bem (re)cria.

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
E, depois, sucede algo bastante interessante neste Volta #2: é que parece que a história é talhada para ir ao encontro das competências, estilo e gosto de André Caetano. O autor, que domina muito bem o desenho dos ambientes paisagísticos, das florestas, das tempestades de neve, da natureza e até das figuras mitológicas do foro (mais) fantástico, tem neste Volta #2 um autêntico playground para se recriar. Em Volta #1 não houve tanto espaço para isso. Dito de outra forma, em Volta #1 parece que foi mais André Caetano que encaixou no estilo e forma de André Oliveira e, em Volta #2, parece ter ocorrido o oposto, isto é, que foi André Oliveira que melhor soube moldar a sua história para um mais bem conseguido aproveitamento do talento de André Caetano. Se se ganhou na parte das ilustrações, a parte do argumento deste Volta #2 ficou uns furos abaixo em relação ao primeiro volume.

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
Mas recuemos então à proposta de história que André Oliveira nos traz nesta saga. Tudo começa quando um ciclista chega - sem saber muito bem como - a uma pequena aldeia, denominada Reste du Monde, que parece parada no tempo. Embora este ciclista, que fica apelidado como Campeão, pareça vagamente contemporâneo, a verdade é que as gentes da aldeia parecem de um tempo mais longínquo ainda. O que causa uma interessante dúvida e insegurança na população local. E embora Campeão esteja de passagem, acaba por permanecer em Reste du Monde, encontrando o amor e debatendo-se com alguns dos monstros que parecem atormentar a aldeia. Ou serão os monstros que o atormentam a ele mesmo? Há, portanto, um cariz de conto fantástico ou de terror nesta história, embora a mesma assuma com mais inclinação um tom de mistério que, quanto a mim, envolve melhor o leitor, fazendo-o cismar sobre o que pode ou não vir a acontecer às personagens. Por outro lado, Campeão também parece ter sido vítima de uma experiência traumática no seu passado que o inviabiliza de continuar o seu percurso pessoal sem que enfrente certos esqueletos do seu armário. Acaba por acontecer uma revelação, já no final desse primeiro volume, que responde a algumas das questões levantadas.

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
Em Volta #2, onde a escrita de André Oliveira, expetavelmente, se mantém profunda e bem explanada – embora, por vezes, algo vaga -, acompanhamos a caminhada de Campeão e Violeta por montanhas geladas, atravessando inóspitas tempestades de neve. Desta vez, após ficar soterrado por uma avalanche, o casal acaba por ser resgatado por criaturas fantásticas. Os sonhos de Campeão continuam a atormentá-lo – enquanto nos dão algumas luzes sobre o seu passado – mas, tirando isso, e a companhia de Violeta, não há muitas coisas que unam este segundo volume ao primeiro volume da saga. Não diria que exista um fio condutor. Pelo menos, de forma direta e/ou coerente. A menos, claro, que no terceiro e último volume, André Oliveira venha a cozer todas estas linhas soltas. Mas se, por um lado, este corte com o enredo do primeiro para o segundo tomo, parece algo abrupto e até mesmo aleatório, este O Despertar dos Gigantes de Gelo acaba por ter a vantagem de também poder ser lido de forma isolada. Sem que se tenha lido ou se conheça, sequer, o álbum anterior.

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
Mesmo assim, é verdade que a figura de Campeão surge novamente carregada de alegorias e metáforas que, embora nunca sejam realmente resolvidas ou reveladas pelo argumentista, servem como ponte de ligação para a intrincada conceção do protagonista da história. Campeão volta a ser reconhecido pelos demais como um predestinado para algo maior. Ao contrário do primeiro volume de Volta onde parecíamos estar perante um episódio de Twin Peaks, neste segundo tomo parece que aterrámos dentro de um dos filmes da saga de O Senhor dos Anéis. Há muitas criaturas fantásticas e falantes (algumas com um tamanho semelhante a um colosso) que encetam um conflito entre dois grupos/espécies diferentes que parecem reclamar a presença de Campeão junto de si. No final, André Oliveira dá-nos mais umas pistas sobre o passado do protagonista.

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
É sempre um pouco lato – e por vezes injusto – tecer uma opinião sobre uma história que ainda não está fechada. Ainda assim, quer Volta #1, quer Volta #2, procuram através do mistério – no primeiro volume – e da fantasia – no segundo volume – oferecer-nos uma personagem com um passado sombrio que merece ser resolvido. O argumento acaba por ser bastante abstrato e por vezes confuso, mas também é verdade que nos faz pensar e indagar para onde nos quererá levar o autor. Não sendo, para já, a obra de André Oliveira que mais me agrada, creio que se o autor conseguir fechar com chave de ouro as inúmeras portas que foi abrindo ao longo destes dois volumes, bem como as pontas soltas que deixou pendentes, pode vir a ser uma trilogia brilhante. Mas veremos o que acontece.

Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
Em termos de edição, os livros apresentam capa dura com bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Isto não esquecendo que o grafismo dos livros – para o qual contarão, certamente, as (boas) opções estéticas de ambos os autores – é muito bonito. Uma nota mais que positiva tem que ser dada à ilustração da capa deste Volta #2. Não é segredo para ninguém que André Caetano é um excelente capista e também é verdade que qualquer uma das duas capas de Volta #1 – especialmente a primeira – é muito bela. Porém, neste Volta #2 o autor foi especialmente feliz. Muitas vezes digo que uma boa capa pode vender um livro. É o caso. Só de olhar para a belíssima ilustração desta capa, já apetece comprar e mergulhar neste ambiente gelado, tão bem reproduzido por André Caetano.

Em suma, ainda que sejam a primeira e segunda parte de uma trilogia, Volta #1 e Volta #2 são bastante diferentes entre si. Do ambiente taciturno e misterioso do primeiro volume, passamos para um registo do fantástico, com inúmeros monstros e criaturas mitológicas que, mesmo criando uma certa rutura algo brusca com o volume anterior e tendo algumas pontas soltas ao nível do argumento, são o engodo para a confirmação do enorme talento desta dupla criativa em termos de banda desenha nacional. Se é que tal “confirmação” ainda é necessária.


NOTA FINAL (1/10):
8.5


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
Fichas técnicas
Volta #1 – O Segredo do Vale das Sombras
Autores: André Oliveira e André Caetano
Editora: Polvo
Páginas: 96, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 168 mm
Lançamento: Dezembro de 2015


Volta – Volumes 1 e 2, O Segredo do Vale das Sombras e O Despertar dos Gigantes de Gelo, de André Oliveira e André Caetano - Polvo
Volta #2 – O Despertar dos Gigantes do Gelo
Autores: André Oliveira e André Caetano
Editora: Polvo
Páginas: 96, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 168 mm
Lançamento: Outubro de 2023

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Kingpin lança livro de André Oliveira na língua inglesa!



A Kingpin Books está de volta ao lançamento de banda desenhada com a reedição da obra Milagreiro, de André Oliveira e vários ilustradores nacionais de referência!

Esta nova versão da obra originalmente publicada pela editora Polvo, tem a particularidade de ser na língua inglesa - daí chamar-se Miracle Worker - e apresentar-se num formato maior, com uma belíssima nova capa da autoria de Jorge Coelho, e com nova legendagem e cores melhoradas.

O livro estará já disponível a partir deste fim de semana, no Maia BD, sendo apresentado no próprio certame com a presença dos autores André Oliveira e Filipe Andrade.

Mais abaixo, deixo-vos com algumas imagens promocionais do livro e com a nota de imprensa da editora.

Miracle Worker, de André Oliveira, Jorge Coelho, André Caetano, Filipe Andrade, Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Tércio e Ricardo Drumond

Oito anos depois da edição original da Polvo, “Milagreiro” ganha um novo fôlego, agora numa versão em Inglês, num formato maior, com nova capa de Jorge Coelho, nova legendagem e cores melhoradas. 

Esta edição inclui ainda um novo epílogo, publicado antes apenas na antologia TLS vol.2: Silêncio, e um prefácio original do argumentista polaco Bartosz Sztybor.
Na sequência da misteriosa morte do seu irmão Cyril, Aya desafia a mais poderosa e obscura organização do mundo, para descobrir o que realmente aconteceu. Com a ajuda de Heron, um assassino profissional à beira da reforma, e movida pela força da sua própria coragem, Aya vai descer ao inferno…para perceber se afinal há ou não milagres.

Ficha técnica
Miracle Worker
Autores: André Oliveira, Jorge Coelho, André Caetano, Filipe Andrade, Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Tércio e Ricardo Drumond
Editora: Kingpin Books
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 19,50 x 27,50 cm
Língua: Inglês
PVP: 12,99€


segunda-feira, 22 de maio de 2023

A Antologia Umbra está de volta!


Boas notícias para os seguidores deste belo projeto! A Antologia Umbra está de volta! Depois de mais uma campanha de crowdfunding bem sucedida, o 4º número desta antologia deverá chegar-nos nas próximas semanas!

Há um lançamento previsto para ocorrer no dia 27 de Maio, na Kingpin Books. De resto, o livro deverá ser apresentado nos vários eventos que se aproximam, nomeadamente na Feira do Livro de Lisboa, no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja e no Maia BD.

Para já, estão confirmadas as participações dos autores Filipe Abranches (mentor do projeto), Simon Roy, André Oliveira, Rita Alfaiate, Pedro Moura, Marco Gomes, Réza Benhadj e James Romberger.

Mais abaixo, deixo-vos com as sinopses de cada uma das histórias que compõem esta antologia, bem como com algumas imagens promocionais.


Umbra #4, de Vários Autores

Torre, de Filipe Abranches
Numa narrativa de historiografia alternativa, um elemento das forças de segurança perde-se nas tramas conspirativas que se urdem perto de uma imensa e misteriosa Torre, erguida numa Lisboa dos anos 80 fustigada por uma pandemia e cataclismos climáticos. Sob a vigilância da Torre, o suspense...


A Jóia da República Central, de Simon Roy
Já se passaram décadas desde as batalhas de Altamira, mas um jovem investigador quer descobrir os últimos traços dos pilotos de amplificadores. Um passeio pelas montanhas pode desvendar memórias, destroços e até rivalidades. O tempo sara as feridas?

Nic, de André Oliveira e Rita Alfaiate
Cuidado ao fugir das responsabilidades da vida, e não olhar para os dois lados ao atravessar a estrada, pois o perigo que nos aguarda pode ser o perigo que instigamos.


As brasas e a lenha, de Pedro Moura e Marco Gomes
A guerra é um tempestade que morde tudo em redor. 

Uma casa é um pequeno bote que singra nas tumultuosas águas, e em perigo protege uma família isolada. 

Que pode um pai fazer quando os monstros se aproximam?

Caranguejo Real – O Detective Paranormal Francês, de Réza Benhadj
Imaginemos um mundo em que um argumento de William Peter Blatty acabaria realizado por Jean-Pierre Melville e estamos próximos da chave desta história de um detective muito particular cujos casos não são resolvidos com a ponta de um revólver, mas sim com rituais e associações livres. Mas todos os ingredientes constituem um puzzle dramático.


Lazarus, de James Romberger
Para Hobbes, o estado pré-social da humanidade era o da bellum omnium contra omnes, “a guerra de todos contra todos”. A tecnologia salva ou fecha o ciclo? Joe sabe a resposta, o outro Joe ainda não. Se calhar não convém olhar o inimigo muito de perto, não nos assustemos com o reflexo.