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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Já foi lançada a campanha de crowdfunding da nova Umbra!




A Umbra está de volta para o seu sétimo lançamento!

Como sabem, este é um dos projetos nacionais de BD independente que mais tenho acarinhado, pois a sua qualidade tem-se mantido de número para número. E já serão 7 os volumes editados, o que é prova da consistência e vitalidade do projeto.

Neste momento, já podem adquirir o vosso exemplar da revista na página oficial de crowdfunding.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora.





Umbra #7, de Vários Autores

A UMBRA 7 arranca no final do Verão de 2026 para mais uma campanha de crowdfunding, estando previsto o seu lançamento em Outubro, como prometido.

Continuamos a saga KRIZ3 começada no número 5, inicialmente da autoria de Fernando Relvas, mas cujo episódio 3, "A voz de Eldved", é agora escrita por Pedro Moura e desenhada por Ricardo Baptista.

Com o drama espacial "Ectype", o autor neo-zelandês Scott Base regressa, tal como o francês Réza Benhadj, com um encontro surreal: “A rapariga de Plum Island”.

Trazemos uma história clássica da Argentina. Esta é a era de ouro da banda desenhada de ficção científica. Publicamos “Do fundo dos mares mortos”, o primeiro episódio da saga Eu, Ciborg, pelo grande argumentista e autor argentino Afredo Grassi e desenho do também celebrado mestre Lucho Olivera. Trata-se de uma interrogação sobre a condição humana, com a ocupação de Marte por pano de fundo. Publicaremos todas as partes nos números vindouros da Umbra.

Uma aquisição de monta é o celebrado autor Ricardo Cabral, que volta ao seu universo Terrea, com um novo episódio inédito, “Terra Umbrae”. E, estreando-se nas nossas páginas, o jovem autor Luís Ribeiro, com uma história de um ciclo de histórias em torno de gastronomias de pesadelo. “A primeira garfada” é o primeiro dos seus pratos. ""

Vejam a página do crowdfunding, está repleta de coisas incríveis!

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Magazine BD Independente - Análise a 10 BDs Independentes Nacionais


Hoje volto a trazer-vos um especial dedicado às últimas bandas desenhadas de cariz mais independente que andei a ler recentemente

Desde fanzines, a edições de autor e a lançamentos que, mesmo apoiados por dinheiros públicos ou pertencentes a "editoras", têm uma distribuição independente.

Embora estas BDs tenham uma distribuição menos presente e mais dispersa, face às obras das editoras mais convencionais, qualquer um destes trabalhos pode ser facilmente adquirido se contactem os responsáveis por estas edições.

Bem sei que poderia fazer um artigo para cada uma das propostas de leitura que hoje vos trago, mas diz-me a experiência - e também as estatísticas de visitas do blog - que cada uma destas bandas desenhadas independentes conseguirá chegar a mais gente se o artigo em que falo delas for mais global, com os leitores do blog a poderem, através de um estilo mais sintético de análise, em género de "magazine", tomar conhecimento das várias propostas que vos trago.

Sem mais demoras, partilho convosco as minhas breves análises a 10 Bandas Desenhadas independentes que li recentemente.


António Arroio 5
de vários Autores


Depois de um quarto volume que me surpreendeu por vários motivos - como a presença de autores de renome, a qualidade da edição e o formato "magazine" e com artigos além de histórias de banda desenhada - o quinto volume da antologia António Arroio foi lançado. 

Esta publicação procura reunir trabalhos de alunos da Escola Artística António Arroio e foi coordenado por Vasco Parracho. Para além dessas histórias curtas feitas pelos alunos, o livro também conta com histórias curtas de Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Venâncio, Francisco Caldas, João Gil, Patrícia Furtado e, claro, Vasco Parracho. 

São histórias muito curtas, a maioria com duas páginas, e que apresentam, expectavelmente, estilos e qualidade muito variada. Como é, aliás, natural neste tipo de publicações. 

A qualidade da edição merece, uma vez mais, nota de destaque, pois não é muito comum encontrarmos antologias com esta qualidade de acabamentos.



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Cadáver Esquisito
de vários Autores


Cadáver Esquisito é, logo à partida, uma aposta ganha! O seu conceito é muito original e nunca antes feito em Portugal, consistindo numa banda desenhada coletiva, que contando com a participação de mais de 50 autores, consegue ser a banda desenhada coletiva jamais feita em Portugal! O que é, claro está, um marco para o projeto.

E quando falo em banda desenhada coletiva, não me refiro a um apanhado de histórias curtas independentes... refiro-me a uma história completa que recebe, depois, o contributo de quase seis dezenas(!) de autores que a vão moldando ao seu estilo e ideias. Ou seja, a obra resulta de um sistema de produção cooperativa encadeada, em que cada interveniente usa o trabalho anterior como inspiração para a sua criação. É óbvio que isto faz com que a história aqui contida seja muito volátil e "selvagem"... mas também acredito que, pelas mesmas razões, a obra consegue funcionar bastante bem, cumprindo os seus propósitos. Até porque também é bom podermos ser surpreendidos enquanto lemos. 

O projeto foi coordenado pelo autor Daniel Maia e ocorreu entre os anos 2008 e 2015 e só há uns meses recebeu a merecida compilação em livro, através de uma publicação da Arga Warga. Acho a ideia tão gira e tão criativa, que gostaria que houvesse mais iniciativas semelhantes no futuro.



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In The Dust Of Our Planet #0
Daniel da Silva Lopes



O universo criado por Daniel da Silva Lopes para os seus Solar Sailors - que incluem as séries In The Dust of Our Planet e Sweet Wind, têm tanto de riqueza, como têm de complexidade. 

É, de facto, necessário muita atenção para não perdermos o fio à meada nestas histórias densas e complexas arquitetadas pelo muito criativo Daniel da Silva Lopes. Especialmente tendo em conta o formato em que as histórias nos são dadas, em capítulos em continuação, é fácil ficarmos perdidos. 

Talvez por isso, considero que este número zero da série In The Dust Of Our Planet foi (mais) uma excelente ideia. 

É quase como um passo atrás que procura ambientar os leitores e dar contexto a este universo. Gostei e achei uma excelente ideia.




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King of Bones #1
Sérgio Hortelão


King of Bones é uma das mais recentes séries publicadas pela Gorila Sentado e que nos apresenta em grande estilo o autor Sérgio Hortelão. 

Assim que tive conhecimento desta obra, fui automaticamente remetido para Groo, O Errante, de Sergio Aragonés, uma das minhas séries humorísticas de BD preferidas de sempre. E, de facto, há vários pontos em comum.

Acompanhamos a história do bárbaro Ragnar que é povoada de muita ação, violência e um humor bastante próprio de que gostei bastante. 

O estilo de desenho de Sério Hortelão é particularmente original e muito apelativo em termos visuais, dando-nos quase a ideia de que estamos a assistir a um desenho animado dos tempos dourados do canal Nickelodeon. Uma série a ter em conta, sem dúvida. E, entretanto, já saiu o segundo volume.


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Last Call #2 e #3
Gonçalo Fernandes


Não tenho dúvidas de que no dia em que Last Call, de Gonçalo Fernandes, for publicado em volume inteiro e na língua portuguesa, chegará a muitos leitores portugueses que, por agora, e lamentavelmente, ainda não se deliciaram com esta obra. 

Já escrevi sobre o primeiro volume e, depois de lidos estes volumes 2 e 3 da série, reitero toas as boas sensações que tive enquanto lia o primeiro volume. Entretanto, a Gorila Sentado já publicou o quarto volume da série. 

Gonçalo Fernandes tem um potencial enorme enquanto autor de banda desenhada e este Last Call, dividido pelas histórias Triple Threat Terror e Land of The Free, que captura de modo feliz aquele vibe da célebre série televisiva Miami Vice, é absolutamente viciante. 

Sou um grande fã!


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Pessoa Fragmentado - Antologia
de vários Autores



A Associação TágIIde publicou uma das mais interessantes antologias que li recentemente. Com Fernando Pessoa e a sua obra enquanto tema, este trabalho reúne trabalhos muito interessantes que exploram várias valências e facetas da obra de Pessoa, aquele que considero ser o maior poeta português de sempre. 

Nem todas as histórias me deixaram tão satisfeito como outras e, por isso, merecem destaque as histórias Poema em Linha Recta, de Jorge RoD! Rodrigues e Um Jantar Muito Original, de José Macedo Bandeira. 

Houve também outras propostas em que se optou por, mais do que fazer uma história, adaptar diretamente os poemas de Fernando Pessoa. E também nesse ponto, gostei do que li.




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Portugal Jurássico
Henrique Gandum



Produzido em parceira pela Mudnag Edições e pelo Museu da Lourinhã - cujo contributo foi mais ao nível científico, para validação dos dados apresentados neste livro - Portugal Jurássico representa uma iniciativa bem-vinda, visto que procura ser um livro didático sobre os dinossauros que, algures no tempo, povoaram a região da Lourinhã, em Portugal. 

Além de incluir fichas técnicas dos vários dinossauros - e não são assim tão poucos - o livro tem uma história de banda desenhada que procura contextualizar o tema. Mas embora o livro tenha 36 páginas, apenas 8 delas são dedicadas a banda desenhada, o que me deixou um pouco desapontado. Porque a verdade é que este tipo de projeto me parece muito bem-vindo, pois consegue ser lúdico e educativo ao mesmo tempo. 

Uma excelente aquisição para os interessados em dinossauros e até para as bibliotecas das escolas do país. Só tenho mesmo pena que saiba a pouco por ter uma história tão diminuta em número de páginas.



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The Reflecting Void - Part One
Miguel Peres e Majory Yokomizo


Aquilo que Miguel Peres e Majory Yokomizo fazem neste The Reflection Void é muito interessante: dão vida e continuidade ao universo criado por Daniel da Silva Lopes no seu Solar Sailors. Ou seja, partem do universo criado pelo autor e responsável da editora, e desenvolvem a sua própria história e imagética. 

O resultado é uma história cativante que consegue o duplo feito de estar bem inserida na temática narrativa e, ao mesmo tempo, apresentar as suas próprias ideias e independência, numa boa relação de equilíbrio. 

O texto de Miguel Peres, expectavelmente, é bom e ressonante; e as ilustrações de Majory Yokomizo - que volta a trabalhar com Miguel Peres depois de O Pescador de Memórias e A Foz do Esquecimento - são bastante bem-vindas. 

Fiquei curioso para ler o próximo volume.



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Umbra #5 e #6
de vários Autores


Reúno os mais dois recentes da Antologia Umbra neste artigo, por dois motivos. Em primeiro lugar, por terem sido os dois volumes editados com uma menor janela temporal entre si. Alguns meses, apenas, separaram estes dois lançamentos. Em segundo lugar, a própria continuidade na história de Fernando Relvas, fez-me esperar para ler os dois volumes de enfiada. Eu já teci vários elogios a Umbra, e volto a fazê-lo: esta é das melhores antologias de BD editadas em Portugal. Um autêntico sucesso. 

O projeto conta com histórias de autores portugueses já consagrados no meio e alguns autores estrangeiros menos conhecidos, mas com propostas interessantes em termos de banda desenhada. As histórias são circunscritas ao universo da ficção científica o que, por si só, já permite muitos tipos de abordagens diferentes. 

Como notas positivas, destaco as histórias em que Vasco Colombo participa, a introdução, pela primeira vez, de uma história mangá - que, à boa maneira da banda desenhada de origem japonesa, se lê da direita para a esquerda (e que conta com uma colaboração editorial entre a Umbra Edições e a Sendai) - e, claro, do resgate da história Kris 3, de Fernando Relvas. As capas destes volumes 5 e 6, uma de Rita Alfaiate e outra de Pedro Potier, respetivamente, voltam a ser fantásticas na execução e inspiração.


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Zé Povinho nos Dias de Hoje
de Vários Autores


Que belo projeto, este! A propósito da celebração dos 150 anos da criação do Zé Povinho, por Rafael Bordalo Pinheiro, a Associação Tentáculo, em parceria com a Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha e o Museu Bordalo Pinheiro, decidiu criar esta antologia que procura levar os autores participantes a apresentar a sua visão pessoal sobre esta personagem icónica da cultura portuguesa, adaptando-a à contemporaneidade. 

O resultado foi um belo conjunto de bandas desenhadas, ilustrações e texto ilustrado. 

Em termos globais, considero que os trabalhos apresentados reúnem bastante qualidade e é interessante verificar, também, como Zé Povinho é uma personagem maior do que o seu criador e continuará a ser símbolo futuro de todos os portugueses. Ou da maioria dos portugueses, vá, porque podemos excluir da equação os grandes ricos e poderosos de Portugal.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Campanha de Crowdfunding para Umbra #6 já está ativa!



Ainda que o quinto volume da antologia de banda desenhada Umbra tenha saído há relativamente poucos meses, o projeto não pára e já iniciou uma campanha de crowdfunding para o seu sexto volume.

Como já disse várias vezes, considero a Umbra uma das melhores antologias de banda desenhada em Portugal e, como tal, recomendo-vos que participem nesta iniciativa.

Mais abaixo, deixo-vos a nota de imprensa do projeto.


Umbra #6, de Vários Autores

A UMBRA #6 arranca em 2026 para mais uma campanha de crowdfunding, estando previsto o seu lançamento na próxima Primavera.

Como tem sido hábito nas iniciativas anteriores, iremos anunciando os seus conteúdos ao longo dos próximos meses, com previews sobre o trabalho dos autores intervenientes neste número, nas redes sociais e em eventos dedicados à banda desenhada. 

Continuamos a saga começada no número anterior, da autoria de Fernando Relvas, "KRIZ3 - episódio 2 - O Senhor dos Sussurros", uma série interrompida com o fim da revista Tintin, nos anos de 1980. Este episódio já se encontrava preparado pelo Relvas, mas é inédito e graças ao nosso trabalho de restauro e legendagem está pronto a ser publicado. Além disso, a sua continuidade está assegurada com uma equipa nova a indicar. 

Regressa às publicações da UMBRA o autor João Sequeira (vejam a UMBRA Nº1 - Estrada da Coca-Cola) neste "O Senhor da Música", com argumento do estreante Miguel Garcia.

A outra grande presença é a de dois autores internacionais. Desta feita trazemos do extremo do mundo, Nova-Zelândia, o autor Scott Base, com "O despertar de Kali", um drama espacial, sendo ele um criador de histórias de ficção científica temperada com horror. 

Por último, numa colaboração com a Sendai Editora do Cassiano Soares, apresentamos uma história de um autor japonês, Tokushige Kawakatsu – "História de um gato", mestre mangá e autor de A ilha dos gatos. Assim procuramos expandir os géneros da nossa oferta. A capa deste número será do artista gráfico Pedro Potier.

Já temos planos concretos para o futuro imediato da UMBRA, e 2026 será um ano ambicioso, pois queremos lançar o Nº7 já em Outubro. Desejamos dar algo mais aos leitores que nos acompanham nesta viagem cósmica ao longo de 7 anos. Vamos em frente, o futuro é agora. UMBRA!!!

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Já decorre a campanha de crowdfunding para a Umbra #5!



A campanha de crowdfunding para o lançamento impresso do quinto volume da antologia de banda desenhada Umbra já está ativa!

A campanha procura atingir 2.900€ para poder financiar a impressão do quinto número da antologia. Esta é uma das minhas antologias preferidas de banda desenhada, como tenho referido várias vezes.

A belíssima ilustração da capa é da autoria de Rita Alfaiate e poderemos encontrar histórias dos autores Vasco Colombo, Pedro Morais, Fernando Relvas, Pedro Moura, Marta Teives e Gustaffo Vargas.

Reservem já o vosso exemplar, contribuindo para a campanha de crowdfunding que pode ser encontrada, aqui.


Mais abaixo deixo-vos com as primeiras imagens do projeto que, por agora, são conhecidas.







terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Especial Antologias de BD - 5 títulos que li recentemente


Por motivos de formação académica, as antologias de banda desenhada remetem-me sempre para as Noites da Publicidade, uns eventos que, há uns anos pululavam por Lisboa, onde eram transmitidas, durante toda a noite, maratonas de publicidade. O que era interessante nestes eventos é que os presentes iam sendo brindados com um sem-número de spots publicitários. Uns eram brilhantes, outros eram medíocres, outros seguiam uma escola, outros seguiam outro género. Mas o que era mais interessante, diria, era esse guisado, esse misto de tantas e diversas formas de produzir um spot publicitário.

E isto também é claramente sentido nos festivais de cinema. E se estivermos a falar de festivais de curtas metragens, talvez o paralelismo com as antologias de banda desenhada ainda seja mais imediato. É que, tal como nesses festivais de curtas-metragens - em que vamos sendo presenteados com pequenas histórias que se sucedem umas às outras, apresentando diversos estilos e formas - também nas antologias de banda desenhada o pressuposto é mesmo esse: são-nos dados pequenos ensaios, pequenas tentativas, pequenos exercícios, dos mais variados estilos e géneros, para banda desenhada. Algumas histórias têm autores consagrados, outras têm autores desconhecidos. Umas apresentam um produto final que, ao nível do objeto-físico e da qualidade gráfico-narrativa, é absolutamente profissional, enquanto outras há que se revelam amadoras nesses mesmos parametros. Tudo é válido e bem.vindo, diria!

Bem, mas serve toda esta introdução para vos falar, de forma conjunta e compacta, de cinco antologias que li nos últimos dias e que merecem, quanto a mim, uma breve menção e análise aqui no Vinheta 2020.

Ora vejam:

segunda-feira, 22 de maio de 2023

A Antologia Umbra está de volta!


Boas notícias para os seguidores deste belo projeto! A Antologia Umbra está de volta! Depois de mais uma campanha de crowdfunding bem sucedida, o 4º número desta antologia deverá chegar-nos nas próximas semanas!

Há um lançamento previsto para ocorrer no dia 27 de Maio, na Kingpin Books. De resto, o livro deverá ser apresentado nos vários eventos que se aproximam, nomeadamente na Feira do Livro de Lisboa, no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja e no Maia BD.

Para já, estão confirmadas as participações dos autores Filipe Abranches (mentor do projeto), Simon Roy, André Oliveira, Rita Alfaiate, Pedro Moura, Marco Gomes, Réza Benhadj e James Romberger.

Mais abaixo, deixo-vos com as sinopses de cada uma das histórias que compõem esta antologia, bem como com algumas imagens promocionais.


Umbra #4, de Vários Autores

Torre, de Filipe Abranches
Numa narrativa de historiografia alternativa, um elemento das forças de segurança perde-se nas tramas conspirativas que se urdem perto de uma imensa e misteriosa Torre, erguida numa Lisboa dos anos 80 fustigada por uma pandemia e cataclismos climáticos. Sob a vigilância da Torre, o suspense...


A Jóia da República Central, de Simon Roy
Já se passaram décadas desde as batalhas de Altamira, mas um jovem investigador quer descobrir os últimos traços dos pilotos de amplificadores. Um passeio pelas montanhas pode desvendar memórias, destroços e até rivalidades. O tempo sara as feridas?

Nic, de André Oliveira e Rita Alfaiate
Cuidado ao fugir das responsabilidades da vida, e não olhar para os dois lados ao atravessar a estrada, pois o perigo que nos aguarda pode ser o perigo que instigamos.


As brasas e a lenha, de Pedro Moura e Marco Gomes
A guerra é um tempestade que morde tudo em redor. 

Uma casa é um pequeno bote que singra nas tumultuosas águas, e em perigo protege uma família isolada. 

Que pode um pai fazer quando os monstros se aproximam?

Caranguejo Real – O Detective Paranormal Francês, de Réza Benhadj
Imaginemos um mundo em que um argumento de William Peter Blatty acabaria realizado por Jean-Pierre Melville e estamos próximos da chave desta história de um detective muito particular cujos casos não são resolvidos com a ponta de um revólver, mas sim com rituais e associações livres. Mas todos os ingredientes constituem um puzzle dramático.


Lazarus, de James Romberger
Para Hobbes, o estado pré-social da humanidade era o da bellum omnium contra omnes, “a guerra de todos contra todos”. A tecnologia salva ou fecha o ciclo? Joe sabe a resposta, o outro Joe ainda não. Se calhar não convém olhar o inimigo muito de perto, não nos assustemos com o reflexo.


segunda-feira, 18 de julho de 2022

Já arrancou a campanha de crowdfunding para a Umbra #4!



A campanha de crowdfunding para o lançamento impresso da antologia de banda desenhada Umbra já está ativa!

A campanha procura atingir 2.800€ para poder financiar a impressão daquele que já será o quarto número da antologia. O terceiro volume, já aqui foi analisado no Vinheta 2020 e deixou uma bela impressão, relembro.

Neste quarto volume, já é conhecida a participação de alguns autores como os portugueses Filipe Abranches, André Oliveira, Rita Alfaiate, Pedro Moura e Marco Gomes; o canadiano Simon Roy; o americano James Romberger; e o francês Réza Benhadj.

Reservem já o vosso exemplar, contribuindo para a campanha de crowdfunding que pode ser encontrada, aqui.

Mais abaixo deixo-vos com as primeiras imagens do projeto que, por agora, são conhecidas.















sexta-feira, 11 de março de 2022

Análise: Umbra #3

Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy

Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy
Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches e vários autores

A Umbra é um projeto independente de banda desenhada nacional – embora aqui seja contemplada uma participação estrangeira - que reúne algumas histórias curtas – mas que, felizmente, não são assim tão curtas – e que já vai na terceira edição. Nota para o facto de ser uma antologia em que o tema central das histórias assenta, praticamente sempre, na ficção científica ou no universo da fantasia distópica.

Tenho que começar por dizer que é uma iniciativa fantástica e que é impregnada por qualidade do princípio ao fim. Desde sempre que considero as antologias de banda desenhada como aquela parte das apresentações de filmes – os chamados trailers – que vemos no cinema, antes de um filme começar. Isto porque, sendo histórias mais pequenas, têm o especial condão de nos apresentarem exercícios criativos, narrativos e visuais. Como se fossem o trailer para um qualquer filme. Claro que, dito assim, pode parecer que estou a menosprezar as curtas de banda desenhada. Mas, meus caros, o meu intuito é exatamente o oposto. Pois acho verdadeiramente importante que estas antologias com curtas de bd vão sendo lançadas para que nós, leitores, possamos destrinçar autores e estilos, bem como conhecer novas e especiais abordagens.

Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy
Ora, olhando para este Umbra #3, não diria que o parágrafo anterior se aplique assim tanto. Isto porque, nem as histórias deste número são assim tão curtas - como, aliás, já referi mais acima -, nem os autores que aqui aparecem são desconhecidos. Todos eles são já bastante “batidos” e experientes autores de banda desenhada. Falo de Filipe Abranches – o autor que também é o editor da publicação e que, portanto, vai ao leme da Umbra –, de David Soares, de Pedro Moura, de Ricardo Baptista e de Bárbara Lopes. Sendo totalmente honesto, o único autor que me era mais desconhecido era mesmo o do artista canadiano convidado, Simon Roy, que assina a última história do livro, intitulada Naufragado com Dan, o Gorila.

Portanto, se é verdade que as antologias têm a mais-valia de apresentar novos artistas – ou novas e/ou diferentes abordagens artísticas -, também é verdade que a Umbra trilha o seu próprio caminho, procurando ser uma seleção de bons artistas, que nos dão boas histórias que circundam os temas da “ficção científica, das teorias da conspiração, dos cenários pós-apocalípticos”, como nos revela o site oficial do projeto.

São histórias pesadas e negras que nos convidam a uma breve reflexão. Todas elas são interessantes e apresentam abordagens visuais muito díspares entre si como é, bem sabemos, uma das características inerentes às antologias de banda desenhada.

Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy
Fazendo uma breve menção a cada uma das quatro histórias que compõem este Umbra #3, começo com a história de abertura: Intenções Comestíveis: Ou Nova Tábua de Cebes, com argumento de David Soares e ilustrações de Filipe Abranches. É, sem dúvida, a história mais densa e pesada e, quanto a mim, em termos de alinhamento, deveria ser a história que fechava o livro. Assim, obriga-nos logo a mergulhar no denso e profundo, ainda mal chegámos à segunda página do livro. Após um cataclismo ter feito desaparecer as montanhas, à boa maneira de David Soares, é-nos dado um universo negro, medonho e pesado, com inúmeras referências mitológicas que se consubstanciam no mundo real em que vivemos. Como se tudo não passasse de uma metáfora surreal da nossa existência mundana. A arte de Filipe Abranches apresenta-se suja, rabiscada, complexa e em total linha de harmonia com a história (desarmoniosa) que nos é dada por Soares. Tudo junto funciona bastante bem. Abranches domina muito bem o preto e o branco, brincando com as luzes e as sombras contrastantes de forma agradável. No entanto, também é verdade que, por vezes, os seus desenhos, de tão carregados e “sujos” que estão, podem tornar-se um pouco ilegíveis.

A segunda história, Weep me Not Dead, faz uma boa ponte distópica para aquilo que poderia – poderá? – ser um futuro possível para a civilização humana. Numa sociedade moderna, que premeia a meritocracia, o capitalismo e o liberalismo ideológico, teremos nós uma vida mais feliz e humana ou, em contraste com isso, teremos uma existência mais maquinal, mais fria e mais politicamente correta? Uma reflexão muito contemporânea e inteligente de Pedro Moura que muito me agradou. A história é servida com as ilustrações de Ricardo Baptista que são verdadeiramente a antítese das ilustrações da história anterior. Os desenhos de Baptista assumem-se como limpos, simplistas, com muita legibilidade e com uma aura totalmente digital. Também em linha com a história que nos é dada, diria. Gostei bastante.

Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy
A terceira história, Tens a Certeza?, é da autoria de Bárbara Lopes, que assume o argumento e as ilustrações e, devo dizer, foi a história que mais me impressionou. Isto porque é um conto onde quase não existem diálogos e onde a autora nos mostra uma longa viagem do seu protagonista, recorrendo a opções gráfico-narrativas muito interessantes e onde o seu traço moderno - e que vai parecendo melhorar de história para história - nos dá desenhos muito ricos. Seja no desenho das personagens, dos ambientes, das expressões faciais, das cenas de ação. Também na planificação e enquadramentos, Bárbara Lopes se revela muito talentosa. Além de que a história, que nos mostra um protagonista a levar a cabo uma longa viagem à procura de respostas, assume uma audácia narrativa ao nos deixar com respostas incertas entre o que é real e o que não é. Muito bem feito e o ponto alto deste Umbra #3, quanto a mim.

Finalmente, terminamos com Naufragado com Dan, o Gorila, a história do artista estrangeiro convidado, Simon Roy, que nos oferece a experiência de um homem naufragado numa ilha que tem como companhia um gorila falante, com quem vai mantendo diálogos, até ao dia em que descobrem um barco naufragado na ilha, com várias provisões, incluindo dez garrafas de whisky, que deixarão o homem e o gorila igualmente embriagados e a fazerem-nos refletir através do seu diálogo. O desenho de Roy é elegante e bonito. Com traço relativamente simples, as ilustrações ganham mais força através da forma como são utilizados os cinzentos, que conferem dinâmica e beleza ao conjunto. Não conhecia o autor e fiquei agradado.

Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy
Em termos de edição, o livro apresenta uma boa qualidade de impressão e encadernação, tem capa mole brilhante e papel baço de boa qualidade. Nota ainda para a fantástica ilustração da capa que é assinada por João Maio Pinto. Devo dizer que gostaria que a lombada do livro tivesse o nome da publicação em vez de só ter o número. Do ponto de vista de arrumação/catalogação, seria mais fácil de encontrar, quer nas nossas estantes, quer nas livrarias.

Tratando-se de um projeto que evoluiu a partir de uma campanha de crowdfunding bem-sucedida, tem ainda mais o meu respeito, pois, sendo eu uma pessoa que, na música, conhece bem o que é e quão relevante para trabalhar um público pode ser uma campanha de crowdfunding, fico feliz pela iniciativa se ter revelado um sucesso.

Em suma, Umbra #3 é uma antologia de banda desenhada que vale muito a pena conhecer pois consegue reunir um bom número de artistas consagrados da bd nacional, enquanto nos oferece histórias densamente povoadas por elementos de uma ficção científica distópica. Recomenda-se.


NOTA FINAL (1/10):
8.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada, de Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy

Ficha técnica
Umbra #3 – Antologia de Banda Desenhada
Autores: Filipe Abranches, David Soares, Pedro Moura, Ricardo Baptista, Bárbara Lopes e Simon Roy
Editora: Umbra Edições
Páginas: 112, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Lançamento: Dezembro de 2021