segunda-feira, 29 de junho de 2026

Magazine BD Independente - Análise a 10 BDs Independentes Nacionais


Hoje volto a trazer-vos um especial dedicado às últimas bandas desenhadas de cariz mais independente que andei a ler recentemente

Desde fanzines, a edições de autor e a lançamentos que, mesmo apoiados por dinheiros públicos ou pertencentes a "editoras", têm uma distribuição independente.

Embora estas BDs tenham uma distribuição menos presente e mais dispersa, face às obras das editoras mais convencionais, qualquer um destes trabalhos pode ser facilmente adquirido se contactem os responsáveis por estas edições.

Bem sei que poderia fazer um artigo para cada uma das propostas de leitura que hoje vos trago, mas diz-me a experiência - e também as estatísticas de visitas do blog - que cada uma destas bandas desenhadas independentes conseguirá chegar a mais gente se o artigo em que falo delas for mais global, com os leitores do blog a poderem, através de um estilo mais sintético de análise, em género de "magazine", tomar conhecimento das várias propostas que vos trago.

Sem mais demoras, partilho convosco as minhas breves análises a 10 Bandas Desenhadas independentes que li recentemente.


António Arroio 5
de vários Autores


Depois de um quarto volume que me surpreendeu por vários motivos - como a presença de autores de renome, a qualidade da edição e o formato "magazine" e com artigos além de histórias de banda desenhada - o quinto volume da antologia António Arroio foi lançado. 

Esta publicação procura reunir trabalhos de alunos da Escola Artística António Arroio e foi coordenado por Vasco Parracho. Para além dessas histórias curtas feitas pelos alunos, o livro também conta com histórias curtas de Nuno Plati, Ricardo Cabral, Ricardo Venâncio, Francisco Caldas, João Gil, Patrícia Furtado e, claro, Vasco Parracho. 

São histórias muito curtas, a maioria com duas páginas, e que apresentam, expectavelmente, estilos e qualidade muito variada. Como é, aliás, natural neste tipo de publicações. 

A qualidade da edição merece, uma vez mais, nota de destaque, pois não é muito comum encontrarmos antologias com esta qualidade de acabamentos.



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Cadáver Esquisito
de vários Autores


Cadáver Esquisito é, logo à partida, uma aposta ganha! O seu conceito é muito original e nunca antes feito em Portugal, consistindo numa banda desenhada coletiva, que contando com a participação de mais de 50 autores, consegue ser a banda desenhada coletiva jamais feita em Portugal! O que é, claro está, um marco para o projeto.

E quando falo em banda desenhada coletiva, não me refiro a um apanhado de histórias curtas independentes... refiro-me a uma história completa que recebe, depois, o contributo de quase seis dezenas(!) de autores que a vão moldando ao seu estilo e ideias. Ou seja, a obra resulta de um sistema de produção cooperativa encadeada, em que cada interveniente usa o trabalho anterior como inspiração para a sua criação. É óbvio que isto faz com que a história aqui contida seja muito volátil e "selvagem"... mas também acredito que, pelas mesmas razões, a obra consegue funcionar bastante bem, cumprindo os seus propósitos. Até porque também é bom podermos ser surpreendidos enquanto lemos. 

O projeto foi coordenado pelo autor Daniel Maia e ocorreu entre os anos 2008 e 2015 e só há uns meses recebeu a merecida compilação em livro, através de uma publicação da Arga Warga. Acho a ideia tão gira e tão criativa, que gostaria que houvesse mais iniciativas semelhantes no futuro.



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In The Dust Of Our Planet #0
Daniel da Silva Lopes



O universo criado por Daniel da Silva Lopes para os seus Solar Sailors - que incluem as séries In The Dust of Our Planet e Sweet Wind, têm tanto de riqueza, como têm de complexidade. 

É, de facto, necessário muita atenção para não perdermos o fio à meada nestas histórias densas e complexas arquitetadas pelo muito criativo Daniel da Silva Lopes. Especialmente tendo em conta o formato em que as histórias nos são dadas, em capítulos em continuação, é fácil ficarmos perdidos. 

Talvez por isso, considero que este número zero da série In The Dust Of Our Planet foi (mais) uma excelente ideia. 

É quase como um passo atrás que procura ambientar os leitores e dar contexto a este universo. Gostei e achei uma excelente ideia.




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King of Bones #1
Sérgio Hortelão


King of Bones é uma das mais recentes séries publicadas pela Gorila Sentado e que nos apresenta em grande estilo o autor Sérgio Hortelão. 

Assim que tive conhecimento desta obra, fui automaticamente remetido para Groo, O Errante, de Sergio Aragonés, uma das minhas séries humorísticas de BD preferidas de sempre. E, de facto, há vários pontos em comum.

Acompanhamos a história do bárbaro Ragnar que é povoada de muita ação, violência e um humor bastante próprio de que gostei bastante. 

O estilo de desenho de Sério Hortelão é particularmente original e muito apelativo em termos visuais, dando-nos quase a ideia de que estamos a assistir a um desenho animado dos tempos dourados do canal Nickelodeon. Uma série a ter em conta, sem dúvida. E, entretanto, já saiu o segundo volume.


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Last Call #2 e #3
Gonçalo Fernandes


Não tenho dúvidas de que no dia em que Last Call, de Gonçalo Fernandes, for publicado em volume inteiro e na língua portuguesa, chegará a muitos leitores portugueses que, por agora, e lamentavelmente, ainda não se deliciaram com esta obra. 

Já escrevi sobre o primeiro volume e, depois de lidos estes volumes 2 e 3 da série, reitero toas as boas sensações que tive enquanto lia o primeiro volume. Entretanto, a Gorila Sentado já publicou o quarto volume da série. 

Gonçalo Fernandes tem um potencial enorme enquanto autor de banda desenhada e este Last Call, dividido pelas histórias Triple Threat Terror e Land of The Free, que captura de modo feliz aquele vibe da célebre série televisiva Miami Vice, é absolutamente viciante. 

Sou um grande fã!


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Pessoa Fragmentado - Antologia
de vários Autores



A Associação TágIIde publicou uma das mais interessantes antologias que li recentemente. Com Fernando Pessoa e a sua obra enquanto tema, este trabalho reúne trabalhos muito interessantes que exploram várias valências e facetas da obra de Pessoa, aquele que considero ser o maior poeta português de sempre. 

Nem todas as histórias me deixaram tão satisfeito como outras e, por isso, merecem destaque as histórias Poema em Linha Recta, de Jorge RoD! Rodrigues e Um Jantar Muito Original, de José Macedo Bandeira. 

Houve também outras propostas em que se optou por, mais do que fazer uma história, adaptar diretamente os poemas de Fernando Pessoa. E também nesse ponto, gostei do que li.




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Portugal Jurássico
Henrique Gandum



Produzido em parceira pela Mudnag Edições e pelo Museu da Lourinhã - cujo contributo foi mais ao nível científico, para validação dos dados apresentados neste livro - Portugal Jurássico representa uma iniciativa bem-vinda, visto que procura ser um livro didático sobre os dinossauros que, algures no tempo, povoaram a região da Lourinhã, em Portugal. 

Além de incluir fichas técnicas dos vários dinossauros - e não são assim tão poucos - o livro tem uma história de banda desenhada que procura contextualizar o tema. Mas embora o livro tenha 36 páginas, apenas 8 delas são dedicadas a banda desenhada, o que me deixou um pouco desapontado. Porque a verdade é que este tipo de projeto me parece muito bem-vindo, pois consegue ser lúdico e educativo ao mesmo tempo. 

Uma excelente aquisição para os interessados em dinossauros e até para as bibliotecas das escolas do país. Só tenho mesmo pena que saiba a pouco por ter uma história tão diminuta em número de páginas.



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The Reflecting Void - Part One
Miguel Peres e Majory Yokomizo


Aquilo que Miguel Peres e Majory Yokomizo fazem neste The Reflection Void é muito interessante: dão vida e continuidade ao universo criado por Daniel da Silva Lopes no seu Solar Sailors. Ou seja, partem do universo criado pelo autor e responsável da editora, e desenvolvem a sua própria história e imagética. 

O resultado é uma história cativante que consegue o duplo feito de estar bem inserida na temática narrativa e, ao mesmo tempo, apresentar as suas próprias ideias e independência, numa boa relação de equilíbrio. 

O texto de Miguel Peres, expectavelmente, é bom e ressonante; e as ilustrações de Majory Yokomizo - que volta a trabalhar com Miguel Peres depois de O Pescador de Memórias e A Foz do Esquecimento - são bastante bem-vindas. 

Fiquei curioso para ler o próximo volume.



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Umbra #5 e #6
de vários Autores


Reúno os mais dois recentes da Antologia Umbra neste artigo, por dois motivos. Em primeiro lugar, por terem sido os dois volumes editados com uma menor janela temporal entre si. Alguns meses, apenas, separaram estes dois lançamentos. Em segundo lugar, a própria continuidade na história de Fernando Relvas, fez-me esperar para ler os dois volumes de enfiada. Eu já teci vários elogios a Umbra, e volto a fazê-lo: esta é das melhores antologias de BD editadas em Portugal. Um autêntico sucesso. 

O projeto conta com histórias de autores portugueses já consagrados no meio e alguns autores estrangeiros menos conhecidos, mas com propostas interessantes em termos de banda desenhada. As histórias são circunscritas ao universo da ficção científica o que, por si só, já permite muitos tipos de abordagens diferentes. 

Como notas positivas, destaco as histórias em que Vasco Colombo participa, a introdução, pela primeira vez, de uma história mangá - que, à boa maneira da banda desenhada de origem japonesa, se lê da direita para a esquerda (e que conta com uma colaboração editorial entre a Umbra Edições e a Sendai) - e, claro, do resgate da história Kris 3, de Fernando Relvas. As capas destes volumes 5 e 6, uma de Rita Alfaiate e outra de Pedro Potier, respetivamente, voltam a ser fantásticas na execução e inspiração.


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Zé Povinho nos Dias de Hoje
de Vários Autores


Que belo projeto, este! A propósito da celebração dos 150 anos da criação do Zé Povinho, por Rafael Bordalo Pinheiro, a Associação Tentáculo, em parceria com a Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha e o Museu Bordalo Pinheiro, decidiu criar esta antologia que procura levar os autores participantes a apresentar a sua visão pessoal sobre esta personagem icónica da cultura portuguesa, adaptando-a à contemporaneidade. 

O resultado foi um belo conjunto de bandas desenhadas, ilustrações e texto ilustrado. 

Em termos globais, considero que os trabalhos apresentados reúnem bastante qualidade e é interessante verificar, também, como Zé Povinho é uma personagem maior do que o seu criador e continuará a ser símbolo futuro de todos os portugueses. Ou da maioria dos portugueses, vá, porque podemos excluir da equação os grandes ricos e poderosos de Portugal.

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