Já foi há umas semanas que decorreu a 4ª edição do LouriBD - Festival de Banda Desenhada da Lourinhã, no qual eu tive a oportunidade de participar. Quer enquanto visitante, quer enquanto moderador de várias conversas.
Acho que em tudo o que fazemos é positivo que tentemos diferenciar-nos dos demais, apostando nas mais valias que possuímos. E é isso que o LouriBD tem vindo a tentar fazer.
De que forma?
Ora, o LouriBD não tem propriamente um espaço muito grande. Tem uma pequena galeria - o Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira - onde costuma ter uma exposição, e este ano isso voltou a acontecer. É sempre uma exposição simpática, mas diminuta na dimensão, claro.
Também a área reservada ao mercado da BD não é muito grande. Mesmo assim, conseguimos ver o catálogo das editoras Escorpião Azul e Ala dos Livros bem representado, aos quais ainda se junta a oferta de publicações mais independentes.
Mas com aquilo a que poderíamos apelidar de "constrangimentos", a verdade é que, passadas quatro edições, a Organização tem vindo a saber apostar naquilo em que tem mais capacidades.
Isto porque, em termos de espaço, aquilo em que o evento se destaca é mesmo no seu belo auditório. Uma autêntica sala de cinema, com cadeiras confortáveis e meios técnicos à disposição. E é precisamente nesse ponto que a Organização tem sido bem esclarecida ao apostar fortemente nas apresentações que acontecem neste espaço.
Não tendo - por uma questão de calendário editorial - muitos lançamentos a ocorrer no certame, o programa é ocupado com conversas alargadas - e aqui a componente do "alargadas" é muito importante - em que são apresentados livros e projetos. É também no auditório que, desde o ano passado, se começaram a fazer os "Estados Gerais da Banda Desenhada", uma iniciativa recuperada de um outro tempo, que tem como objetivo o debate, puro e duro, sobre questões relacionadas com a banda desenhada. As mais diversas.
E é esta, meus caros, a grande mais valia do evento, merecendo as minhas vénias.
É verdade que outros certames promovem as apresentações e os debates, mas normalmente fazem-no em slots de tempo bastante curtos, o que não permite mergulhar da forma tão profunda nos assuntos comentados. São debates mais superficiais.
Portanto, parece-me ser justo afirmar que o verdadeiro feito do LouriBD é a clara aposta num verdadeiro fórum de diálogo e discussão, tendo-se vindo a trabalhar no sentido de criar um espaço onde as ideias possam ser debatidas de forma aberta, crítica e construtiva, envolvendo diferentes vozes do meio.
Isto porque ao incentivar o diálogo entre autores, editores, investigadores e público, o certame contribui para o fortalecimento de uma comunidade mais consciente e participativa.
Como sugestão, ou crítica construtiva, afirmo apenas que as conversas deveriam ser filmadas - ou, pelo menos, gravadas - para que depois do evento pudessem ser de fácil acesso pelos interessados, aumentando-se ainda mais a relevância da iniciativa para memória futura.
Para o ano há mais e espero ver-vos por lá.
Fotos: Hugo Pinto e Rafael Malvar Santos


Está bem apanhado, o que este festival tem de melhor é o jantar pago pela câmara da Lourinhã! Mas essa parte é melhor não filmarem
ResponderEliminarEste comentário é absolutamente ridículo. Pretender reduzir o trabalho das pessoas envolvidas no festival a um jantar pago é no mínimo ofensivo e pouco sério. São possíveis muitas avaliações do festival: umas positivas e outras negativas, mas nenhuma tão básica como esta...
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