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quinta-feira, 31 de julho de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pel' A Seita nos últimos 5 anos!



Hoje trago-vos aquela que, na minha opinião, foi a melhor banda desenhada lançada pela editora A Seita nos últimos cinco anos!

Recordo que esta iniciativa surge pela comemoração dos 5 anos do Vinheta 2020, que me fez olhar um pouco para trás e ver a enorme quantidade de excelente banda desenhada que por cá foi publicada durante um período bastante pequeno de cinco anos.

Tendo em conta o enorme sucesso que estes artigos estão a ter aqui no blog, já tendo eu feito artigos dedicados à Ala dos Livros e à Arte de Autor, prometo fazer o mesmo tipo de artigo para a melhor banda desenhada editada por cada uma das principais editoras portuguesas de banda desenhada durante o mês de agosto. Mesmo que, pelo meio, haja uma certa quebra devido às minhas férias que se avizinham.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Chamo a atenção para o facto de eu considerar que fará sentido fazer um TOP dedicado aos lançamentos que A Seita fez em conjunto com a Arte de Autor. Mas isso ficará para outro dia. Como tal, as obras lançadas em conjunto pelas duas editoras não foram tidas em conta para este TOP. Também a Comic Heart merecerá um artigo isolado.

Bem, sem mais delongas, deixo-vos a melhor BD lançada em exclusivo pel' A Seita.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Análise: Thorgal - Adeus Aaricia

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht

Depois de dois lançamentos inseridos na continuidade original de Thorgal, nomeadamente O Eremita de SkellingarA Selkie, a editora A Seita regressou recentemente à edição de obras da série em questão.

E desta vez fê-lo não com um álbum da série canónica em continuidade, mas através de Adeus Aaricia, um "Thorgal de Autor" que abre, aliás, a série Thorgal Saga, uma iniciativa que permite a autores de renome explorarem o universo de Thorgal sob perspectivas únicas. Embora estas histórias estejam fora da continuidade da série original, mantêm-se fiéis ao espírito mitológico da série criada por Jean Van Hamme e Grzegorz Rosiński.

O autor deste Adeus Aaricia, que assina argumento e ilustração, é Robin Recht.

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
Nesta narrativa, encontramos um Thorgal já bastante idoso que, no crepúsculo da sua vida, vê-se forçado a ter que enfrentar a perda irreparável de Aaricia, a sua eterna amada. A história arranca com Thorgal, só e devastado pela dor, a ter que observar o barco que leva Aaricia na sua última viagem. É o fim de uma era para o protagonista neste começo arrojado e poético do livro.

Mas a trama logo ganha profundidade quando Nidhogg, um antigo inimigo de Thorgal, surge do nada, como que por magia, e lhe oferece o anel de Ouroboros. Este artefacto místico tem o poder de transportar o seu portador de volta ao passado, o que proporciona a Thorgal a possibilidade de viajar no tempo e, por conseguinte, voltar a estar com Aaricia, alterando o curso dos acontecimentos. A proposta é mais que tentadora e Thorgal acaba mesmo por ceder, entrando numa jornada que tem muito de perigoso - pois não devemos mexer com o passado - e muito de introspetivo, pois aquilo que nos acontece no passado, sejam coisas boas ou más, também converge no sentido de nos moldar enquanto homens e mulheres.

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
A premissa não é propriamente nova - lembro-me, por exemplo, que, com as devidas diferenças, o recentemente publicado Bairro Distante, de Jiro Taniguchi, toca em pontos semelhantes -, mas pareceu-me bem explanada por Robin Recht. Se os mais céticos ou puristas da série Thorgal estão a torcer o nariz perante esta premissa de voltar atrás no tempo, deixem-me assegurar-vos que esta opção narrativa funciona bem e consegue ser minimamente credível. Ou aceitável, vá.

Ao revisitar momentos cruciais do seu passado, Thorgal terá que confrontar não apenas as memórias compartilhadas com Aaricia, mas também os desafios e sacrifícios que moldaram a sua vida. Esta viagem temporal levanta questões sobre o destino, o arrependimento e o verdadeiro custo de se alterar o passado.

Teremos acesso a um Thorgal velho a coexistir com um Thorgal novo, numa história que consegue ser cativante e facilmente perceptível mesmo para aqueles que não estão familiarizados com a série. Há depois vários momentos de ação, a utilização de personagens recorrentes da série, como Gandalf, e a introdução de uma nova personagem, por sinal muito interessante, que dá pelo nome de Skraeling.

Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita
As ilustrações de Recht são belíssimas, conseguindo acompanhar a força do trabalho miraculoso de Rosiński, com os cenários, as personagens, os momentos de ação e de introspeção a remeterem-nos para o frio das regiões nórdicas da Escandinávia. As expressões das personagens são bem conseguidas também, dotando a obra de um tom dramático. Ao contrário de Fred Vignaux, que, em temor de ilustração, me parece assumir uma abordagem mais moderna para a série, Recht parece mais alinhado com o estilo de desenho de Rosiński. Por esse motivo, julgo que os fãs da vertente visual da série mais clássica ficarão, pois, muito satisfeitos. Curiosamente, até prefiro os desenhos de Fred Vignaux, mas não posso deixar de dizer que também o trabalho de Rech é do meu agrado por ser verdadeiramente impressionante. Gostos, portanto.

A edição que A Seita faz deste livro é verdadeiramente cativante, com o livro a apresentar capa dura com textura aveludada e detalhes a verniz. O formato também é grande, sendo bastante superior aos outros Thorgal publicados pela editora. No miolo, o livro oferece-nos bom papel brilhante e uma excelente encadernação e impressão. Há ainda um belo dossier de extras, com 10 páginas, composto por uma nota final do autor e com um "making of" do livro, onde nos são mostrados esboços das personagens acompanhados por comentários de Robin Recht, bem como o processo de desenvolvimento do storyboard e duas belas ilustrações. É mesmo um daqueles livros bonitos, com uma edição muito cuidada.

Como nota final, espero que este livro represente o regresso da editora ao lançamento desta série que, infelizmente, tem sido publicada em Portugal aos tropeços deixando muitos e belos livros por publicar ainda.

Em suma, Thorgal - Adeus Aaricia é um belo livro que oferece uma exploração profunda do luto, do amor e das escolhas que definem a nossa existência. Mesmo situado fora da continuidade principal da série, este é um livro que acaba por enriquecer o universo de Thorgal, proporcionando aos fãs uma perspectiva renovada sobre a icónica personagem e o seu legado. 


NOTA FINAL (1/10):
9.2


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Thorgal - Adeus Aaricia, de Robin Recht - A Seita

Ficha técnica
Thorgal Saga - Vol. 1 - Adeus Aaricia
Autor: Robin Recht
Editora: A Seita
Páginas: 120, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 340 mm
Lançamento: Setembro de 2024

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Thorgal volta a ser lançado em Portugal!




Entre os vários lançamentos que a editora A Seita fez durante o Amadora BD, esteve este novo livro de Thorgal que se assume como um "Thorgal visto por" e que está a chegar às livrarias portuguesas nos próximos dias.

Trata-se de um álbum independente da continuidade narrativa da série principal. A autoria deste trabalho pertence a Robin Recht, sendo a obra apresentada numa edição luxuosa, que inclui um belo caderno gráfico como extra. Uma edição que ainda só pude folhear, mas que achei muito bonita.

Brevemente o livro será lido e analisado por aqui, como é prática comum.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Thorgal Saga - Vol. 1 - Adeus Aaricia, de Robin Recht

Adeus Aaricia é o primeiro título de Thorgal Saga, uma colecção que permite a autores conhecidos criar a sua interpretação do universo de Thorgal. Histórias fora da continuidade da série original, mas que respeitam o espírito do mito construído por Jean van Hamme e Grzegorz Rosinski.

O tempo é o mais cruel dos deuses. Aaricia suspirou pela última vez. Sozinho na margem, no crepúsculo da sua vida, Thorgal observa o barco que transporta a sua amada para a sua última viagem, esmagado pela dor.
É nesse momento que Thorgal vê ser-lhe oferecido pelo seu velho inimigo, a serpente Nidhogg, o anel de Ouroboros... Se o colocar no dedo, poderá voltar ao passado e rever o amor da sua vida. Uma tentação terrível, à qual nem o herói mais sensato consegue resistir. Começa então para Thorgal uma perigosa aventura cujo desafio não será apenas a sua vida e a daqueles que amou, mas a própria existência do seu destino.

Robin Recht é uma das estrelas actuais da BD francesa. Nascido na geração que se estreou nos role-playing games, como Dungeons & Dragons, e na fantasia heróica, Recht adora Thorgal, uma das séries da sua infância, e criou com este álbum uma história que tem as suas raízes no amor que une o herói a Aaricia. Graficamente, o desafio de assinar um álbum desta personagem está mais que conseguido, seguindo nos passos de Rosinski, com um desenho talvez ainda mais majestoso.
Recht sai do formato clássico do álbum de 48 páginas franco-belga, libertando-se dessa limitação, com um livro que conta com cerca de cem pranchas belíssimas, no formato maior da BD franco-belga, com uma planificação generosa e imponente.

Quanto ao cenário, utiliza muitos elementos conhecidos, antes de virar para uma direcção inesperada. E o início não poderia ser melhor, dando-nos a ver um Thorgal idoso a contracenar com um Thorgal jovem, num enredo onde o amor e a aventura surgem interligados num maravilhoso cenário nórdico. A inclusão de uma viagem no tempo confere originalidade ao enredo e representa, de certa forma, um piscar de olhos à longevidade da saga. Jogando em dois espaços temporais diferentes, o autor permite contrapor um Thorgal solitário, no crepúsculo da sua vida, desgastado, mas mais maduro, com a essência da personagem, o Thorgal mais jovem, fresco e imaturo.

Quer gráfica, quer narrativamente, Adeus Aaricia destaca-se como um dos melhores títulos de Thorgal dos últimos anos. 

Tal como os álbuns mais recentes, este livro pode ser lido sem grande conhecimento prévio da série, e os fãs podem mergulhar directamente na leitura emocionante de uma narrativa que não se limita a copiar o original.

A edição portuguesa d’A Seita inclui um caderno final inédito na versão normal francesa, com uma dúzia de páginas, que inclui esboços e estudos gráficos, exemplos de planificação e ilustrações várias, e um conjunto de observações do autor.


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Ficha técnica
Thorgal Saga - Vol. 1 - Adeus Aaricia
Autor: Robin Recht
Editora: A Seita
Páginas: 120, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 235 x 340 mm
PVP: 28,00€

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Análise: Thorgal - A Selkie

Thorgal - A Selkie, de Yann e Fred Vignaux - A Seita

Thorgal - A Selkie, de Yann e Fred Vignaux - A Seita
Thorgal - A Selkie, de Yann e Fred Vignaux

Depois d’ A Seita ter lançado o volume O Eremita de Skellingar, que apresentava o ilustrador Fred Vignaux à emblemática série Thorgal, a editora portuguesa voltou a apostar num novo livro feito pela mesma dupla de autores. Desta vez, trouxe-nos A Selkie, o álbum que, temporalmente, sucede a O Eremita de Skellingar.

Como disse na altura em que analisei este álbum, parece-me que foi uma boa aposta d’A Seita em começar por publicar esta série a partir dos volumes assinados por Vignaux e Yann. Claro que é verdade que esta série clássica e célebre da banda desenhada europeia começou por ter sucesso e reconhecimento pelo trabalho encetado pelos autores originais Van Hamme e Rosinski. E que muitos desses álbuns foram lançados em Portugal por várias editoras. No entanto, Thorgal é uma série que, infelizmente, se encontra publicada por cá de forma muito intermitente. E tendo em conta que havia 38(!) álbuns por (re)publicar, caso uma editora quisesse apostar na série de forma integral, compreende-se bem a escolha sóbria por parte da editora portuguesa em apostar na série a partir dos álbuns mais recentes. Entretanto, para além destes dois editados pel' A Seita, já são 3 os novos Thorgal da dupla Yann/Vignaux que eu gostaria que a editora portuguesa não deixasse escapar. Sabe-se, no entanto, que a editora já confirmou o lançamento para 2024 do álbum de homenagem a Thorgal intitulado Adieu Aaricia, de Robin Recht e Gaétan Georges.

Thorgal - A Selkie, de Yann e Fred Vignaux - A Seita
Mas voltemos a este A Selkie que por cá foi editado ainda no ano de 2022. Continuando o belo trabalho começado em O Eremita de Skellingar, este é mais um belo álbum que reacende o espírito de aventura clássico da série, enquanto é brilhantemente desenhado por Vignaux e magnificamente colorido por Gaétan Georges.

Começando, até, por falar na valência visual da obra, tenho que dizer que acho estes novos Thorgal um verdadeiro mimo da ilustração. E não é que Thorgal alguma vez tenha sido mal ilustrado. Na verdade, o trabalho de Rosinski sempre foi verdadeiramente magnífico e especial! E, por isso mesmo, não era uma herança fácil de assumir, para qualquer que fosse o autor que o fizesse. Mas acho que Vignaux tem passado o teste com distinção. Fê-lo em O Eremita de Skellingar e fá-lo, novamente, com este A Selkie.

As suas ilustrações são verdadeiramente belíssimas, ao nível das personagens, das suas expressões, das cenas de ação, dos ambientes, das paisagens e tudo mais. E, ao mesmo tempo, consegue assegurar duas coisas, nem sempre fáceis de alcançar: por um lado, o autor consegue uma relação de continuidade com o trabalho anterior de Rosinski e, por outro lado, também consegue inovar, tornando o aspeto visual da obra em algo mais contemporâneo. Talvez os mais puristas da série se choquem com a minha próxima afirmação, mas a verdade é que se eu tivesse que convidar um jovem com menos de 18 a conhecer a série Thorgal, não o faria com um álbum de Rosinski, mas sim com um álbum de Vignaux. Pelo menos, se tivesse apenas em conta a componente visual da obra. É que o "novo" Thorgal, e neste caso este A Selkie, em particular, têm um estilo de ilustração mais moderno e contemporâneo, mas sem perder a continuidade e o cariz de aventura épica que associamos à série.

Thorgal - A Selkie, de Yann e Fred Vignaux - A Seita
Contudo, não posso falar dos desenhos de Vignaux sem mencionar as mangíficas cores de Gaétan Georges. Sem o trabalho deste último, as ilustrações continuariam a ser belas, mas não seriam tão importantes. Gaétan faz, quanto a mim, um trabalho soberbo a nível de cores. Fê-lo em O Eremita de Skellingar e continua a fazê-lo neste volume. São livros bonitos só de olhar para eles!

Mas como nem só de belos desenhos vive uma banda desenhada, abordemos a questão do argumento e da história. Yann já trabalha em Thorgal há bastantes anos, tendo até assinado alguns tomos ainda com o ilustrador original, Rosinski, antes de trabalhar com Vignaux. E a aposta do autor tem sido simples: congeminar argumentos que estimulem a aventura clássica, introduzindo vários elementos da mitologia nórdica. É apenas isso. E não utilizo a palavra “apenas” como sendo algo de negativo. Nada disso. Até porque não considero que seja, de todo, uma tarefa fácil. Refiro este ponto porque Thorgal continua a ser uma série de história simples, com personagens por vezes unidimensionais, mas que servem bem o intuito de aventura clássica que a série almeja ser.

Thorgal - A Selkie, de Yann e Fred Vignaux - A Seita
Este A Selkie é mais um exemplo disso. A história é simples e linear. Loba, a filha de Thorgal, é raptada e levada para uma ilha selvagem do arquipélago de Faroé. E, naturalmente, Thorgal parte em salvamento da sua filha. Mas esta ilha para onde Loba foi levada, está envolta num grande misticismo onde os habitantes locais temem a maldição levantada por Kopakanan, a Selkie, que é uma criatura mítica, metade mulher, metade foca marinha. A força da maldição desta Selkie parece tanta que até as embarcações se veem incapazes de navegar ao largo da estátua erguida por este povo devido ao seu temor à criatura. Achei a premissa especialmente curiosa por me remeter para o tempo dos Descobrimentos em que as armadas lusitanas não conseguiam passar pelo Cabo das Tormentas, que "era" controlado por Adamastor, e que só haveria de ser apelidado de Cabo da Boa Esperança depois do feito pioneiro de Bartolomeu Dias.

Portanto, e voltando a este Thorgal – A Selkie, é esta a sua história. Simples, direta, sem grandes nuances e que serve bem as ilustrações de Vignaux. Não é uma história que marque uma vida certamente, mas acho que não é esse o seu propósito. E sendo o objetivo o entretenimento através da aventura clássica, considero que estamos perante um belo livro. Fica, quanto a mim, uns furos abaixo de O Eremita de Skellingar, mas, mesmo assim, recomenda-se vivamente.

Quanto à edição d’ A Seita, a editora volta a dar-nos um bom trabalho, tal como já fizera com o álbum anterior. O livro apresenta capa dura baça, bom papel baço, servido por uma boa impressão e encadernação. E, no final, volta a haver um dossier de extras com 8 páginas, onde há espaço para estudos e esboços de personagens, processo de evolução das duas capas da obra (em França houve uma capa especial para as lojas FNAC) e duas pranchas em esboço onde podemos ver a evolução do trabalho do autor.

Em conclusão, Thorgal - A Selkie volta a mostrar uma dupla de autores que parece estar a levar a bom porto o trabalho dos artistas originais desta série clássica de aventuras da banda desenhada europeia. Se o objetivo é entreter, dando-nos um magnífico trabalho ilustração, então este livro volta a passar no teste com distinção!


NOTA FINAL (1/10):
8.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Thorgal - A Selkie, de Yann e Fred Vignaux - A Seita

Ficha técnica
Thorgal: A Selkie
Autores: Yann e Fred Vignaux
Editora: A Seita
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 mm
Lançamento: Setembro de 2022

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Thorgal está de volta!



Já se encontra em livraria o novo livro da série Thorgal, da autoria de Yann e Vignaux, intitulado A Selkie!

É para mim uma bela notícia, visto que esta nova incursão na série por esta dupla de autores, me deixou bastante convencido, depois de ter lido o álbum anterior - e que A Seita também editou por cá - O Eremita de Skellingar.

Destaque para o facto da edição portuguesa incluir um caderno de extras que não aparece na edição normal francesa. Parece-me, também, que o preço de 16,00€ está bastante simpático para um livro deste género. O que é louvável.

Mais abaixo, deixo-vos com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.
Thorgal: A Selkie, de Yann e Fred Vignaux

Atingida por uma tempestade em mar alto, uma expedição viking encontra um bebé numa embarcação misteriosa, a quem vão chamar Thorgal. Colocado constantemente à prova pelos Deuses, Thorgal torna-se num guerreiro temível que nunca abdicará de clarificar o mistério da sua existência, de lutar pela liberdade e pela justiça, e de tentar viver uma existência pacífica junto dos seus. No segundo volume da nova fase das aventuras de um dos mais emblemáticos heróis da banda desenhada franco-belga, Thorgal é confrontado ao mesmo tempo com o rapto da sua filha, Loba, levada para uma ilha selvagem do arquipélago de Faroé, e com a maldição ancestral de Kopakanan, a Selkie, a criatura mítica que controla sob o seu maléfico domínio toda a população dessa ilha perdida, onde, entre o vento lancinante e agreste, e as ondas de um mar revolto, perpassa uma constante mensagem de morte....

O argumento de Yann é de novo uma bela homenagem à época que trouxe o sucesso à série, continuando a explorar a mitologia nórdica, enquanto o desenho de Fred Vignaux se impõe definitivamente, provando ser o herdeiro natural de Grzegorz Rosinski, co-criador da série, ao apresentar pranchas dinâmicas que captam a atenção do leitor, continuando a demonstrar que com esta nova dupla de autores a série está em muito boas mãos!

A edição portuguesa d’A Seita inclui um caderno de extras de final inédito na versão normal francesa.



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Ficha técnica
Thorgal: A Selkie
Autores: Yann e Fred Vignaux
Editora: A Seita
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 215 x 285 mm
PVP: 16,00€

quarta-feira, 23 de março de 2022

Análise: Thorgal - O Eremita de Skellingar

Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux - A Seita

Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux - A Seita
Thorgal - O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux

Depois de vários anos sem que nenhuma obra desta série de culto fosse publicada em Portugal, A Seita voltou a pegar nas rédeas de Thorgal, editando O Eremita de Skellingar. Convém começar por dizer que Thorgal sempre foi uma série um pouco maltratada pelas editoras em Portugal. Já foi publicada pela ASA, Bertrand e Futura, mas sempre de uma forma demasiadamente intermitente. A ASA ainda fez um esforço mais sério perante a série, ao lançar uma coleção com o jornal Público há uns anos, mas, tanto quanto sei, as vendas ficaram um pouco aquém das expetativas e ficou-se por ali. Talvez também por isso, li vários Thorgal ao longo dos anos, mas nunca fiquei com uma relação muito estreita com a série. Era gira e lia-se bem, mas não mais que isso.

Mas agora A Seita decidiu apostar nesta série e fez uma escolha muito inteligente e sensata, na minha opinião, ao apostar neste O Eremita de Skellingar, da autoria de Yann e Vignaux. Aliás, a escolha d’ A Seita merece louvores por duas razões: primeiro, porque a aposta num volume auto-conclusivo (tendo em conta a dimensão da série que, neste momento, já conta com 39 volumes na edição original) é muito mais fácil para que os leitores queiram conhecer o livro - especialmente, se não conhecerem muito bem a série. E, em segundo lugar, os editores decidiram incluir uma introdução à série e às personagens da mesma que, numa só página, consegue resumir muito bem as aventuras vividas por Thorgal até então. Fantástico trabalho editorial!

Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux - A Seita
A juntar a isso, esta bela edição em capa dura, baça e espessa, inclui um ótimo papel baço e uma excelente qualidade de impressão. Há ainda, no final do livro, um dossier de extras com vários esboços de Vignaux e uma capa da edição exclusiva da FNAC, em França. Bem sei que esta capa é exclusiva e, por ventura, A Seita não poderia tê-la usado na edição portuguesa. Mas é uma pena que não o tenha feito. Isto porque a capa deste livro, sendo bonita – e, portanto, não é isso que está em causa - tem alguns problemas na legibilidade. Especialmente porque o título a preto, num fundo bastante escuro, se torna pouco visível e porque as próprias sombras na cara do personagem Thorgal, tornam-na demasiado escura. Olhando para a imagem em formato digital e comparando-a, depois, com a capa do livro à minha frente, fico com a ideia que talvez isto tenha acontecido devido à impressão que acabou por escurecer um pouco a capa do livro. Bem sei que estou aqui a dar ênfase a um pequeno detalhe numa edição tão boa. Mas considero uma (pequena) coisa relevante. A “culpa” é um bocado da própria ilustração original (pouco friendly para a impressão, por usar tons escuros e tantas sombras) e da própria impressão. Acredito que, se A Seita tem usado a capa exclusiva da FNAC em França, estávamos aqui a falar de uma das mais belas capas do ano.

Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux - A Seita
Porque sim, as ilustrações de Vignaux são verdadeiramente maravilhosas! Arrebataram-me da primeira à última página. Estou familiarizado com o traço de Grzegorz Rosinski que, salvo erro, ilustrou todos os 36 álbuns anteriores da série, e que tem uma qualidade enorme no desenho e na forma como parece ser mais um "pintor" do que propriamente um "desenhador". É igualmente fantástico! Só acho que tem um certo problema, se é que se pode chamar de “problema”: é que o seu género de pintura, sendo bastante maduro, assume um tom adulto que pode não encaixar tão bem em séries de aventuras para um público juvenil, afastando, consequentemente, jovens para a série Thorgal. É demasiado sóbrio, demasiado adulto. 

E Vignaux consegue a proeza de honrar o trabalho miraculoso de Rosinski e ainda conseguir trazer algumas inovações no estilo e no traço, mais definido e delineado, que colocam este Thorgal num patamar mais comercial e com a capacidade de angariar mais (jovens) leitores para a série. E atenção! Dizer isto, não é dizer que a série se direcionou para um público mais jovem. Nada disso! Na verdade, até está muito fiel ao original. Mas sublinho que apresenta um estilo mais moderno, mais contemporâneo e, até, mais dinâmico nas cenas de ação. Não consigo dizer se é melhor ou pior, mas posso dizer que, a meu ver, os desenhos de Vignaux até funcionam de forma mais orgânica – para a série em questão, que é, apesar de tudo, de ação – do que os de Rosinski. Dito por outras palavras, mais depressa apresentaria a um leitor mais jovem do que eu, que quisesse conhecer Thorgal, este O Eremita de Skellingar do que por exemplo, Alinoë.

Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux - A Seita
Vignaux maravilhou-me, portanto, ao longo de toda a leitura desta obra, revelando uma qualidade incrível no belo tratamento das personagens, quer nas suas expressões faciais, quer na sua linguagem corporal. Também o tratamento dos cenários, a reprodução das cenas de ação, a dinâmica da planificação, a bela utilização da luz e da sombra, dos diferentes estados do clima, das cenas navais… enfim, tudo é maravilhoso e roça a perfeição! E este será – assim acredito - um dos livros mais maravilhosamente bem ilustrados que chegará aos leitores portugueses de banda desenhada em 2022. Para tal, também contribui o trabalho fantástico de cores, por parte de Gaétan Georges. Com efeito, se este O Eremita de Skellingar tem ilustrações sublimes, isso também é permitido pelo perfeito jogo de cores que oferece aos desenhos de Vignaux tudo aquilo que era necessário para o livro ser ainda melhor. Absolutamente moderno e clássico ao mesmo tempo. 

Abordando agora a história, Yann dá-nos um argumento bastante bem conseguido. Que sabe pegar em alguns eventos que Thorgal viveu em aventuras anteriores e apresentá-los num enredo que, embora simples e clássico na forma, funciona bastante bem.

Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux - A Seita
Ambientado num universo que junta elementos da mitologia escandinava com o fantástico e a ficção científica, esta série, cujo argumento foi elaborado, originalmente, pelo consagrado Jean Van Hamme, apresenta-nos a personagem de Thorgal, que é um herói clássico no sentido que defende ideais como a justiça, a família, a bondade, o correto e a liberdade. 

E, em O Eremita de Skellingar, até acaba por ser o ideal da liberdade o tema fulcral, já que neste volume Thorgal tudo fará para se libertar do seu passado demoníaco, em que teve ações que não eram totalmente controladas por si mesmo, mas que deixaram marcas e mágoa em tanta gente. Agora, Thorgal, para cumprir o último desejo de uma jovem e expiar os crimes do seu alter-ego Shaigan ruma à ilha de Skellingar, onde um misterioso eremita controla a população local, através da sua mística negra.

Tendo em conta que estamos perante um álbum com 50 páginas de banda desenhada, acho notável a forma como Yann conseguiu fabricar um bom argumento. Com um vilão emblemático, com belos momentos de ação e de mistério, e com um constante piscar de olho ao passado do personagem. Não é um livro para refletir na vida ou que, tampouco, vai mudar a nossa para melhor. Mas também não creio que seja esse o intuito de uma série como Thorgal. Tendo em conta aquilo que a série representa, acho que Yann esteve à altura do que lhe era pedido.

Em conclusão, posso dizer que adorei este livro. Já não lia Thorgal há muitos anos e esta foi uma ótima oportunidade para mergulhar novamente neste universo fantástico de aventuras. Com um argumento sólido e desenhos de cortar a respiração, de tão belos que são, esta é já uma aposta ganha por parte d’A Seita. A ler por todos os que já conhecem a série e, também, por todos os que nunca leram um livro de Thorgal na vida. Vai na volta e ainda ficam fãs!


NOTA FINAL (1/10):
9.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux - A Seita

Ficha técnica
Thorgal - O Eremita de Skellingar
Autores: Yann e Vignaux
Editora: A Seita
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Dezembro de 2021

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Thorgal está de volta a Portugal!


Depois de vários anos sem que nenhuma obra desta série de culto fosse publicada em Portugal, eis que há grandes notícias para os seguidores de Thorgal! A Seita aposta nesta franquia e traz-nos O Eremita de Skellingar, da autoria de Yann e Vignaux.

Este é o primeiro lançamento do ano para a editora e deverá chegar às livrarias amanhã, já estando em pré-venda em algumas lojas. De realçar que esta nova série da popular personagem é composta por álbuns auto-conclusivos o que será, sem dúvida, uma boa oportunidade para aqueles que ainda não conhecem Thorgal, poderem mergulhar na série.

Mais abaixo, fiquem com a nota de imprensa e algumas imagens promocionais.
Thorgal: O Eremita de Skellingar, de Yann e Vignaux

A liberdade não tem preço! É a única riqueza que nunca se pode esgotar nem derrubar e sobretudo... a única pela qual vale a pena lutar e morrer!

Atingida por uma tempestade em mar alto, uma expedição viking encontra um bebé numa embarcação misteriosa, a quem vão chamar Thorgal. 

Colocado constantemente à prova pelos deuses, Thorgal torna-se num guerreiro temível e honrado, que nunca abdicará de clarificar o mistério da sua existência, de lutar pela liberdade e pela justiça, e por poder viver um dia em paz junto da sua família.
Neste volume, Thorgal terá de confrontar um estranho eremita que pode ou não ser verdadeiramente um místico possuidor de poderes sobrenaturais, mas que mantém sob a sua sombra e influência um dos pequenos reinos das ilhas que o nosso herói habita... e que talvez tenha a chave para que Thorgal possa por fim libertar-se de um dos demónios que assombram o seu passado!

Um dos mais emblemáticos heróis da banda desenhada franco-belga regressa a Portugal, com um álbum que é um novo início das suas aventuras. O Eremita de Skellingar é o primeiro volume da nova série de Thorgal, constituída por álbuns auto-contidos, criados pela equipa do escritor Yann e do artista Fred Vignaux. Os leitores portugueses, novos e velhos, familiares ou não com esta personagem, poderão mergulhar nesta aventura e apreciá-la, sem nunca terem tido de ler uma página das histórias do Viking que veio das estrelas, e perceber porque é dos mais adorados heróis do panteão da BD mundial. 
A edição portuguesa d’A Seita inclui um caderno de extras de final inédito na versão normal francesa.

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Ficha técnica
Thorgal: O Eremita de Skellingar
Autores: Yann e Vignaux
Editora: A Seita
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 14,00€



terça-feira, 20 de julho de 2021

Thorgal está de volta!




Já depois de ter anunciado belas novidades para o segundo semestre de 2021, bem como a continuação da parceria editorial com a Arte de Autor que terá mais 3 obras co-editadas por ambas as editoras, a editora A Seita parece ter ainda algumas cartas na manga reservadas para os leitores portugueses de bd.

Nos últimos dias a editora tem publicado na sua página oficial alguns teasers do que poderá vir aí nos próximos tempos.

E é já sabido que Thorgal estará de volta!

Não, não será uma publicação integral da série (que já conta com 38 álbuns) mas sim a publicação a partir do volume 37, originalmente intitulado L'Ermite de Skellingar, e que marca um recomeço na série, com alterações na equipa criativa.


A primeira dupla criativa desta série, que depressa se tornou célebre, era constituída por Jean Van Hamme e Rosinski, e assinou os primeiros 29 álbuns da série. Em 2007, e a partir do volume 30, Yves Sente passou a ocupar o lugar de Jean Van Hamme. Xavier Dorison ainda assinou o argumento de um álbum de Thorgal, Le Feu Écarlate, antes de Yann se juntar a Rosinski para o álbum número 36, denominado Aniel.

Foi então, depois deste álbum, que Rosinski se afastou da série e entrou para o seu lugar, Fred Vignaux, que passou a fazer equipa com Yann. E até agora esta dupla já lançou dois álbuns: L'Ermite de Skellingar e La Selkie. Segundo aquilo que A Seita avançou até ao momento, podemos esperar que este dois álbuns serão publicados por cá. E como é uma série em curso, a boa notícia é que deverão haver mais álbuns de Thorgal, assinados por esta dupla, nos próximos tempos.