sexta-feira, 10 de julho de 2020

Análise: Kick-Ass



Kick-Ass, de Mark Millar e John Romita Jr.

Kick-Ass é das bandas desenhadas norte-americanas mais interessantes das últimas décadas! Se, a meu ver, há um livro onde o talento de Mark Millar brilha bem alto, esse livro é Kick-Ass. Com uma premissa muito back to basics daquilo que é – ou poderia ser – um super-herói no tempo atual, Millar, com arte ilustrativa de John Romita Jr., consegue dar-nos uma obra-prima da banda desenhada, desconstruindo as leis originais dos super-heróis, mas honrando-as ao mesmo tempo, naquilo que é uma carta de amor, ao universo dos comics americanos. Passarão décadas e este livro continuará a ser refrescante e obrigatório na biblioteca de qualquer pessoa que se considere fã de banda desenhada.

A série foi originalmente lançada em 2010 e, desde então, entre volumes da história principal de Kick-Ass, da personagem secundária Hit Girl ou dos Novos Kick-Ass, (dos quais, a G. Floy lançou, muito recentemente, Kick-Ass: A Miúda Nova Vol.1) o universo editorial desta série já conta com 11 livros. E também já foram feitos dois filmes para Kick-Ass.

Aquilo que Mark Millar faz aqui, em termos de história, é desmontar a premissa de um super-herói e começar do zero. Como seria então um super-herói nos dias de hoje, em que os media e as redes sociais estão tão presentes na nossa vida? Em que tantas pessoas espetam tudo sobre as suas vidas, nas redes sociais: o que fazem, o que comem, o que vestem, de quem e do que gostam? Em que muitos de nós acompanhamos e seguimos a vida de pessoas que nem conhecemos – os chamados influencers? Agora imaginem isso na vida de um adolescente. Que tem todos os problemas e dramas normais da adolescência e que quer encontrar aceitação junto da miúda gira da escola, junto dos amigos nerds e das pessoas à sua volta? Tendo refúgio na banda desenhada como tantos os que visitam o Vinheta 2020 tiveram - e têm, imagino - quem nunca sonhou em tornar-se um super-herói? As razões poderiam ser várias: para lutar contra o mal, para ajudar os necessitados, para fazer a diferença. Ou para se sentirem amados e adorados pelos demais. Ou simplesmente, porque os super-heróis das histórias aos quadradinhos marcaram as suas vidas. Este será um sonho que já atingiu muitos de nós. Um sonho de miúdo com repercussões na vida de um graúdo.

Com esta premissa verdadeiramente interessante, Mark Millar apresenta-nos a história de Dave Lizewski. Um adolescente de Nova Iorque, como qualquer outro. Com os receios e inseguranças comuns. E que, tal como os seus amigos, se refugia na banda desenhada. E num dia, imagina: “porque não tornar-me num super-herói?”. A diferença é que Lizewski parte mesmo da teoria para a prática e, depois de comprar um fato de mergulhador no ebay, sai para a rua a meio da noite, mascarado, com o intuito de combater o crime. A experiência, naturalmente, não corre como o esperado e Dave Lizewski acaba numa cama de hospital. Mas já lá irei.

Mark Millar faz muitas coisas bem feitas neste livro. Mas esta "noção da realidade" é talvez a coisa mais interessante neste livro. É que o autor, ao contrário, aliás, daquilo que faz noutros livros - como recentemente, demonstrei em A Ordem Mágica, por exemplo - aparece em Kick-Ass com uma certa contenção narrativa, completamente focada no (bom) desenvolvimento do protagonista. E isso, é o cerne para que Kick-Ass seja tão bom. E o genial desta obra, é que Kick-Ass parece reunir em si características auto-biográficas de qualquer amante de banda desenhada. Este Dave Lizewski não é apenas o reflexo da personalidade de Millar. Ou de Romina Jr. É, também, o reflexo, de mim ou daqueles que me lêem e que são fãs de banda desenhada. Talvez até mesmo, daqueles que nem sequer pegam num livro de banda desenhada mas que também foram marcados pelas histórias de super-heróis no cinema, nos desenhos animados, nas histórias contadas por amigos ou em qualquer outro meio, que não a banda desenhada.

Voltando à história, depois da primeira aventura de Dave Lizewski enquanto super herói, o levar a uma cama de hospital, ele decide abandonar a sua curta vida de herói. Mas apenas durante uns tempos. E, numa segunda tentativa, e embora seja novamente espancado, consegue salvar um homem de sofrer uma forte dose de pancada. E, melhor do que isso, há uma pessoa que o filma e que coloca o vídeo na internet, levando Dave a tornar-se numa figura mediática e a receber o nome “Kick-Ass” pelos seus seguidores. Isto levá-lo-á a influenciar muitos outros adolescentes que começam a vestir-se de super-herói. Eventualmente, o protagonista dá de caras com uma rede de criminosos da Máfia e com outros super-heróis – como Hit-Girl, Big Daddy ou Red Mist - que também lutam(?) para combater o crime.

Mark Millar nunca perde as rédeas da história, tendo sempre muita noção para onde quer ir, que novas questões determinada ação vai levantar e assegurando que a narrativa se mantenha bem ritmada, bem humorada e com muita ação. Mas sempre, a um nível plausível. Sendo, talvez, extremamente improvável que esta história acontecesse, a verdade é que é totalmente possível de acontecer. E esse é um trunfo do autor. Destaque positivo para o final da história que, embora consiga deixar algumas janelas abertas, em termos narrativos, consegue fechar muito bem o livro.

Olhando para a forma como a história é contada, somos remetidos um pouco para o Homem Aranha que, tendo sempre um discurso que nos vai narrando os acontecimentos… permite-nos saber os seus pensamentos e observações, dando-nos de bandeja, e de forma inequívoca, uma clara imagem da personalidade do protagonista. As piadas que vai dizendo nestes monólogos, também permitem a introdução de um sentido de humor, que faz lembrar o de Peter Parker. Kick-Ass tem um tom algo juvenil, mas acho que é um livro que se lê bem na idade adulta. Não me parece demasiado teen.

A arte de John Romita Jr. encaixa que nem uma luva na história de Millar. Os desenhos são dinâmicos, cartoonished, com um estilo bastante personalizado no traço, que apresentam uma modernidade muito contemporânea que é tudo o que Kick-Ass, sendo uma personagem dos nossos dias, precisava. As violentas cenas de ação também são uma mais valia em termos de arte, com o artista a sabê-las desenhar com a dinâmica e velocidade que eram requisitadas. 

A edição da G.Floy é um mimo para os colecionadores. Boa encadernação, papel adequado ao estilo de história e uma tradução muito feliz, que capta a linguagem agressiva utilizada e as piadas que aparecem.

A violência poderá por vezes parecer gratuita com várias imagens a serem muito explícitas. Mas, a meu ver, esta é uma história que quer, de certa forma, marcar o leitor. E isso é apenas uma das muitas armas que os autores utilizam. De facto, este Kick-Ass tem tudo o que é preciso para não ser facilmente esquecível: palavrões, lutas agressivas, uma paixão não correspondida, sangue, suor, lágrimas. Um livro que sabe ser muito rock n roll

Em conclusão, este pode-se dizer que a obra tem um título muito adequado porque it kicks some serious ass. Quer literalmente, devido a toda a violência que apresenta, quer no sentido figurado, pois consegue ser uma lufada de ar fresco na concepção de novos super-heróis. As cartas são dadas e baralhadas muito bem por Millar. Alguns poderão considerar esta obra um pouco over the top. Exagerada. Mas outros, incluindo a minha pessoa, consideram-no verdadeiramente espectacular. E obrigatório.


NOTA FINAL (1/10):
9.3


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Ficha técnica
Kick-Ass
Autores: Mark Millar e John Romita Jr.
Editora: G. Floy
Páginas: 208, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2019

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Lançamento: Estórias da História - Volume 1



Não se trata de um lançamento de banda desenhada. É um livro de contos com ilustrações. Ainda assim, tendo em conta que é um livro da autoria de Jorge Magalhães, uma personalidade incontornável da banda desenhada em Portugal, dá-se o merecido destaque a este lançamento da Ala dos Livros. 

Abaixo, fica a nota da editora.

Estórias da História - Volume 1, de Jorge Magalhães e Augusto Trigo
Guerreiros, generais, almirantes, navegadores, exploradores, até corsários com sede de riquezas e aventureiros de destino inverosímil, desfilam nas páginas deste livro, convidando o leitor a acompanhá-los numa viagem aos bastidores da História, aquela que não aparece na maioria dos livros e dos filmes, mas é tão viva e apaixonante como a que as instituições e as crónicas oficiais registam. Se o nome de uns é bem conhecido, o de outros raramente vem nos compêndios de História. 

O leitor conhece, certamente, a lenda de Ulisses e da conquista de Tróia, que o cinema já abordou várias vezes, e não ignora figuras menos míticas como James Cook, Daniel Defoe, Sitting Bull, Patton ou Marco Polo. Mas sabe quem foram Coriolano, Leif Erikson, Caramuru, La Valette, Barents, Osceola, Gordon, Caius Marius, Rostopchine, Nicolau de Mesquita, Rooke, Langsdorf, Mac Auliffe e Von Spee?

Esperamos que este livro tenha o dom de cumprir essa função, proporcionando a quem o ler, seja qual for a sua idade, uma aliciante viagem, com a ajuda da imaginação, aos meandros do tempo onde vivem ainda todas as personagens históricas, reais ou lendárias, evocadas nas suas páginas.

Ficha técnica
Estórias da História - Volume 1
Textos de Jorge Magalhães
Ilustrações de Augusto Trigo
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 144 páginas
PVP: 13,90 €

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Análise: Os Filhos de El Topo: 2 - Abel



Os Filhos de El Topo: 2 - Abel, de Alejandro Jodorowsky e José Ladrönn

O texto escrito pelo autor Alejandro Jodorowsky, que antecede este segundo tomo de Os Filhos de El Topo: 2 – Abel, é bem claro: a ideia original do autor era que este argumento, que continua os acontecimentos do filme original de 1970, denominado El Topo, fosse transformado num filme. Infelizmente, devido à incapacidade de reunir um orçamento que sustentasse a realização de tal empreitada, o argumento acabou por ser adaptado a uma banda desenhada em 3 volumes.

Este segundo volume, continua os eventos do primeiro tomo, Os Filhos de El Topo: 1 – Caim, que havia deixado os leitores num cliffhanger, quando terminou, meio que abruptamente, com Caim a afundar-se em águas pantanosas. E tal como aquilo que Jodorowsky nos havia dado no filme clássico de 1970, também a história de Os Filhos de El Topo está carregada de elementos bizarros, que nos deixam – não raras vezes - perplexos perante uma história tão "fora da caixa". Originalidade é a palavra de ordem. Mas para muitos, esta será certamente uma originalidade demasiado em "ácidos", dada a loucura narrativa com que Jodorowsky nos premeia.

Quando foi feita a análise ao fantástico Os Cavaleiros de Heliópolis: Rubedo e Citrinitas aqui no Vinheta 2020, já teci as minhas observações sobre as ideias (demasiado?) selvagens do autor, relativamente à construção de uma narrativa. E mantenho que, por vezes, me parece que o autor "chuta" a história para onde bem lhe apetece, perdendo os próprios fios do novelo que ele mesmo cria. E Os Filhos de El Topo não é exceção à regra. Sim, é um livro interessante, com boas ideias, mas com uma história por vezes difusa, que parece ser artificialmente forçada a ter certos elementos do universo fetichista do autor.  

Portanto, e tal como (quase) tudo o que Jodorowsky faz, é justo dizer que há uma consistente inconsistência nesta obra. Ou seja, o autor parece fiel ao seu estilo louco de inventar uma história e há até um bom paralelismo, muito coerente, com o filme El Topo. Esta é a parte em que Os Filhos de El Topo é consistente. Todavia, e goste-se ou não, por vezes a história poderá aparecer algo absurda, levantando algumas pontas que acabam por não ficar bem resolvidas – ou bem exploradas - e introduzindo elementos que, mais do que dotar a história de consistência narrativa, apenas parecem ser introduzidos para chocar e surpreender – gratuitamente – o leitor. Esta será a parte em que considero haver alguma inconsistência na obra, que acaba por ser uma da bandas desenhadas mais niilistas que já li. 

Neste western, carregado de surrealismo e constantes alegorias religiosas, contem com doses gratuitas de violência, como mortes, violações ou tortura, e com bastante sexo e nudez. Mas todos estes elementos estão envoltos numa aura metafísica e filosófica, que toca nos dogmas religiosos – ou não fossem as próprias personagens protagonistas desta história, Abel e Caim, uma ponte direta para a história de Adão e Eva, contida no livro de Génesis, da Bíblia Sagrada.

Detalhando um pouco mais em relação à história que este segundo volume nos traz, é por esta altura que Caim e o seu irmão, Abel, se reencontram, acabando a transportar os restos mortais da sua mãe, que "cheirando a santidade", atrai companhias indesejadas a ambos. Juntam-se aos dois irmãos duas personagens femininas carismáticas. A primeira é uma jovem virgem que está perdidamente apaixonada por Caim. Este, porém, repudia-a veementemente e acaba por oferecê-la a uma comunidade que quer submeter a jovem a uma violação coletiva. A segunda personagem feminina é uma exuberante mulher de fartos seios que enfeitiça Caim, levando-o a prometer-lhe todo o tipo de tesouros. Ainda há espaço para personagens como freiras com caras (e barba!) de homens e para o líder de um exército que se julga - e comporta como - um cão. Abel e Caim põem-se a caminho da sepultura de El Topo, convencidos de que a inocência dos restos mortais que transportam lhes permitirá entrar na ilha santa. Caim procura igualmente apoderar-se dos menires de ouro protegidos por um poder misterioso.

Quanto à arte, devo dizer que Jodorowsky encontrou no ilustrador Ladrönn, a pessoa certa para esta obra. Não tenho dúvidas de que o estilo de arte de Ladrönn era exatamente aquilo que esta obra pedia. Com cores genericamente esbatidas, que por vezes chegam a parecer estar mal pintadas, mas que são alternadas por alguns vermelhos vivos, o resultado estético final é muito interessante e parece remeter-nos automaticamente para o ambiente dos filmes de série b dos anos 70, em especial, e claro está, o de El Topo. Também aqui, na componente gráfica, há uma personalidade muito própria desta obra. É igual a si mesma. Por vezes, as personagens apresentam expressões faciais que me parecem algo mecânicas e pouco expressivas. No entanto, na aridez dos ambientes e cenários, que nos remetem para os clássicos do cinema de Sergio Leone, nas fantásticas ilustrações dos cavalos ou do corpo feminino, Ladrönn faz um excelente trabalho. 

E há ainda um ponto que merece destaque: a fantástica capa deste Os Filhos de El Topo: 2 – Abel. A meu ver, é uma séria candidata a melhor capa do ano. Toda a concepção dos elementos da capa, como as borboletas, e a ilustração quase fotográfica de Abel, bem como as cores abundantemente iluminadas, fazem desta capa uma verdadeira obra-prima. E se tivermos em conta a própria componente simbólica das borboletas em torno de Abel, o significado subjacente ainda é mais profundo. Magnífica e inesquecível.

Além do mais, e como se não bastasse, a qualidade da edição da Arte de Autor, está, uma vez mais,  para lá de excelente. Com uma capa detentora de uma textura aveludada, tão agradável ao toque, e com verniz aplicado às borboletas e letras, é (mais) um objeto lindíssimo que a Editora traz aos leitores portugueses.

Concluindo, esta é um obra de tudo ou nada. Ou se ama, ou se odeia. Tem demasiada personalidade. E à semelhança do filme El Topo, que por ser proibido nas salas de cinema mainstream, acabou relegado para exibições à meia-noite em cinemas pornográficos, também a saga d'Os Filhos de El Topo tem potencial para atingir um bom número de pessoas que encontra redenção numa história tão pautada por elementos únicos. Ou seja, é uma história de culto. Uns vão considerá-la como algo épico e genial, enquanto que outros vão considerá-la como algo doido e gratuito. Quem está certo? Ninguém. É na diversidade de gostos estéticos que há beleza. Não é um livro para todos. Mas muitos, vão adorar.


NOTA FINAL (1/10):
8.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Ficha técnica
Os Filhos de El Topo: 2 - Abel
Autores: Alejandro Jodorowsy e José Ladrönn
Editora: Arte de Autor
Páginas: 72, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Julho de 2020

Lançamento: Batman: Cavaleiro das Trevas III: Raça Suprema - Vol. 1



Hoje chega às bancas o primeiro volume de Batman: Cavaleiro das Trevas III: Raça Suprema, editado pela Levoir. Na próxima semana, estará disponível o segundo volume deste que é o terceiro capítulo da trilogia do Cavaleiro das Trevas, assinada por Frank Miller que, neste último arco da história, é acompanhado por um elenco de luxo: Brian Azzarello, Andy Kubert, Klaus Janson e Eduardo Risso.

Fiquem com a nota de imprensa e páginas promocionais da editora.


Batman: Cavaleiro das Trevas III: Raça Suprema - Vol. 1, de Frank Miller, Brian Azzarello, Andy Kubert, Klaus Janson e Eduardo Risso

Batman: Cavaleiro das Trevas III: Raça Suprema chega às bancas a 8 e 15 de Julho.  Batman regressa aos leitores portugueses com a primeira parte (de duas) do terceiro capítulo da trilogia do Cavaleiro das Trevas. Iniciada em 1986 com O Regresso do Cavaleiro das Trevas e prosseguida em 2000/2001 com O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar, editada na colecção Batman 80 anos. A série que explora a versão do universo que Frank Miller criou para o seu Batman envelhecido, prossegue com este Raça Suprema, publicado originalmente em nove edições, entre 2015 e 2017, marcando assim o espaçamento de mais ou menos 15 anos entre a publicação de cada capítulo.

Esta edição repleta de estrelas da BD, Frank Miller e Brian Azzarello, argumentistas, Andy Kubert, desenhador, Klaus Janson arte finalista e Eduardo Risso, que no segundo volume desenha Mulher-Maravilha com a sua habitual mestria, tem a parceria da Levoir e do jornal Público.

Na origem da intriga está um elemento fundamental da mitologia do Super-Homem e do universo DC, a cidade engarrafada de Kandor, último vestígio do planeta Krypton capturada pelo vilão Brainiac, miniaturizada e colocada dentro de uma cúpula de vidro, o que permitiu aos seus habitantes escapar à destruição de Krypton, o planeta natal do Homem de Aço. Depois de derrotar Brainiac, o Super-Homem levou a cidade engarrafada para a sua Fortaleza da Solidão, no meio do Ártico, tentando desde então restaurar os habitantes de Kandor ao seu tamanho original, sem qualquer sucesso, num claro aviso aos leitores de que, apesar dos seus imensos poderes, o Super-Homem não é um deus.

Em Raça Suprema, Ray Palmer, o Átomo, descobre uma maneira de reverter a miniaturização dos habitantes de Kandor, mas a ocasião é aproveitada por um grupo de fanáticos religiosos, chefiados por Quar, para tomarem conta da cidade destruindo todos os que se lhes opõem. Tal como aconteceu com o jovem Kal-El ao chegar à Terra, também estes kryptonianos em contacto com a atmosfera terrestre adquirem superpoderes, graças à radiação solar amarela que banha o nosso planeta. É este exército de seres superpoderosos, essa raça suprema, que vai procurar impor a sua lei e as suas crenças ao planeta Terra, não hesitando em aniquilar quem se lhes opõe. Além do mais, estes fanáticos religiosos contam com um aliado de peso: Lara, a filha do Super-Homem e da Mulher-Maravilha, que opta por abraçar a sua herança kryptoniana e enfrentar os próprios pais.

Mais uma edição DC Black Label a não perder.

Ficha técnica
Batman: Cavaleiro das Trevas III: Raça Suprema - Vol. 1
Autores: Frank Miller, Brian Azzarello, Andy Kubert, Klaus Janson e Eduardo Risso
Editora: Levoir
Páginas: 208, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 24,90€