terça-feira, 30 de dezembro de 2025

As novidades da Arte de Autor para 2026!


Hoje, já bem perto do final de 2025, trago-vos, em primeira mão, as novidades de banda desenhada que a Arte de Autor prepara para o próximo ano! E preparem as carteiras, pois haverá muita BD boa por parte da editora portuguesa!

Posso até dizer-vos que fiquei surpreendido - pela positiva! - com algumas das novas apostas da editora para 2026!

A Arte de Autor levanta ainda o véu sobre três dos novos lançamentos que deverão chegar-nos no segundo semestre de 2026!

Ora vejam!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

As editoras A Seita e Arte de autor terminam, de uma só vez, a mini-série Nautilus!



Já se encontra disponível o volume duplo que completa a mini-série Nautilus!

Esta obra dos autores Mathieu Mariolle e Guénaël Grabowski, e fortemente inspirada no universo de Júlio Verne, chega agora ao fim, depois de um interregno que separou o lançamento destes dois livros de três anos.

Em vez de lançar os volumes 2 e 3 da série de forma avulsa, as editoras optam por lançar o que faltava da obra num só volume duplo.

Relembro que o primeiro volume da série já aqui foi analisado.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Nautilus 2 e 3 - A Herança do Capitão Nemo, de Mathieu Mariolle e Guénaël Grabowski

A sua sombra aterrorizou os oceanos, e fez tremer nações inteiras durante anos. Génio científico, cego pela vontade de vingança e justiça, nunca quis ser conhecido de ninguém. Mas a posteridade gravou o seu nome: NEMO. 

Kimball, agente da coroa britânica, conseguiu libertar um Capitão Nemo já envelhecido, da longínqua fortaleza russa onde estava aprisionado. 

Agora, chegados ao esconderijo do NAUTILUS, terão de empreender uma perigosa viagem em busca dos documentos que podem inocentar Kim e impedir uma guerra generalizada… e terão de sobreviver a uma inimizade nascente entre ambos! 

O volume final desta dramática saga de acção, que reúne os tomos 2 e 3 da série francesa.

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Ficha técnica
Nautilus 2 e 3 - A Herança do Capitão Nemo
Autores: Mathieu Mariolle e Guénaël Grabowski
Editoras: A Seita e Arte de Autor
Páginas: 120, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 240 x 330 mm
PVP: 26,00€

As novidades da Gorila Sentado para 2026!



As editoras começam a levantar o véu sobre o novo ano editorial que se avizinha.

E hoje é dia de vos mostrar alguns dos lançamentos de banda desenhada que podemos esperar da editora portuguesa independente Gorila Sentado!

Entre a continuação de séries em curso e de novas apostas e novos autores, são cinco as obras que vos apresento mais abaixo.

Ora vejam.

Análise: Islander #1 - O Exílio

Islander #1 - O Exílio, de Caryl Férey e Corentin Rouge - Arte de Autor

Islander #1 - O Exílio, de Caryl Férey e Corentin Rouge - Arte de Autor
Islander #1 - O Exílio, de Caryl Férey e Corentin Rouge

Imagino que para uma editora, especialmente, mas não só, de banda desenhada estrangeira, como é o caso da Arte de Autor, uma das coisas que deve dar mais gozo é quando se aposta numa fórmula de sucesso a todos os níveis. À boa maneira de ser algo semelhante a um scout de futebol - um "olheiro", em bom português - deve ser especial para um editor quando consegue encontrar uma nova obra que tenha duas coisas: qualidade, por um lado, e que seja comercial, por outro. Sobre o segundo ponto, de ser ou não uma obra comercial, julgo que ainda teremos que esperar alguns meses. Contudo, é para mim claro que o trabalho de scouting da Arte de Autor neste Islander foi "na mouche". Eis uma belíssima série nova e moderna de banda desenhada, carregada de atualidade e qualidade, que está, por essa Europa fora, a conquistar bastante sucesso junto da crítica e do público. Eis, portanto, um jackpot por parte da Arte de Autor! Se não o for em termos de vendas - e faço votos para que o seja - já o é em termos qualitativos. Parabéns à editora!

Mas vamos por partes.

Islander é uma série da autoria de Caryl Férey e Corentin Rouge que está pensada para três volumes. Este primeiro volume que a Arte de Autor editou recentemente, intitula-se O Exílio e apresenta-nos as bases para uma boa história de ação, com personagens cativantes e um ambiente político focado no tempo atual.

Islander #1 - O Exílio, de Caryl Férey e Corentin Rouge - Arte de Autor
O livro começa por nos atirar de cabeça para um mundo que, infelizmente, não custa assim tanto imaginar: a Europa está em colapso, fustigada por catástrofes sucessivas, a sua política esta corrompida e o território acaba por se transformar num espaço de trânsito desesperado para milhares de pessoas. É no porto de Le Havre que se mantém a esperança para um destino incerto. A história do argumentista Caryl Férey não perde tempo com rodeios e estabelece desde logo um cenário duro, credível e inquietantemente próximo.

E é neste contexto que conhecemos Liam, uma personagem que já perdeu tudo o que havia para perder, mas que da qual pouco ou nada nos é revelado inicialmente. Não sabemos bem quais as suas intenções e quando o vemos roubar o passaporte de uma jovem mulher que, juntamente com amigos e família, tenta uma saída no porto de Le Havre para encontrar refúgio junto dos seus, não dá como não sentirmos uma desconfortável repulsa pela personagem cujo rosto é protagonista da bela e impactante capa do livro.

Mas, lá está, quem somos nós, leitores, para julgar alguém num mundo onde a moral se dilui na urgência da sobrevivência? A partir daqui, a narrativa ganha tração, sobretudo quando Liam percebe que assumiu a identidade de alguém ligado a um misterioso projeto chamado “Islander”. O que parecia, inicialmente, um simples golpe de sobrevivência transforma-se, então, numa espiral de consequências inesperadas.

A Islândia parece ser o último reduto poupado ao caos, e surge-nos como um espaço simbólico, pois não só é um refúgio geográfico, como também se apresenta como um território moralmente fraturado, dividido quanto à aceitação dos migrantes. Há fações completamente contra os imigrantes e há fações que, percebendo a situação dos mesmos, os aceitam receber. Onde é que já vimos isto? Bem, num qualquer telejornal europeu dos últimos meses, diria.

Islander #1 - O Exílio, de Caryl Férey e Corentin Rouge - Arte de Autor
O tema das migrações, cada vez mais central, não só na Europa como no resto do mundo, é aqui tratado com uma inteligência que importa sublinhar. Islander não opta por uma abordagem excessivamente documental ou académica, mas também não cai na tentação da superficialidade. Pelo contrário, constrói um enquadramento sólido que permite refletir sobre o tema sem que nos sintamos a ler um ensaio disfarçado de ficção. Há, portanto, um claro mérito na forma como a obra levanta questões num terreno político e económico profundamente polarizado. Férey expõe medos, ressentimentos, solidariedades e oportunismos sem tomar o leitor por ingénuo. O resultado é uma narrativa que até pode incomodar, mas nunca moraliza, deixando espaço para que cada um de nós construa as suas próprias conclusões.

O argumento é, acima de tudo, muito bem escrito. Nota-se em Caryl Férey uma apetência evidente para a escrita televisiva, na forma como estrutura cenas, gere o ritmo e distribui informação. Ou muito me engano ou acabaremos por ver esta série adaptada para filme ou série televisiva, devido a ser tão impactante e equilibrada, conseguindo uma boa mistura entre atualidade política, história de ação, personagens carismáticas que geram empatia e enredo dinâmico com reviravoltas intrincadas. Tudo aqui parece pensado para funcionar em movimento, fazendo com que a leitura seja escorreita e, acima de tudo, impactante.

As personagens são outro dos pontos fortes da obra. São carismáticas, imperfeitas e suficientemente humanas para gerar empatia, mesmo quando tomam decisões discutíveis. O enredo avança com dinamismo, salpicado de reviravoltas bem encaixadas, que mantêm o interesse sem cair no excesso ou na gratuitidade.

É verdade que a história recorre, aqui e ali, a alguns lugares-comuns que podemos encontrar em obras deste sub-género do thriller político. Há situações na história que nos podem parecer familiares, já vistas noutros livros ou filmes, sim, mas, ainda assim, isso não retira relevância ao conjunto da obra, muito por força da solidez da escrita e da coerência do mundo construído. E, claro, devido aos magníficos desenhos de Corentin Rouge!

Islander #1 - O Exílio, de Caryl Férey e Corentin Rouge - Arte de Autor
O trabalho gráfico do autor que já havia nos dado a muito interessante série Rio, que recomendo, é absolutamente cativante e acompanha o argumento com notável eficácia. O seu desenho parece piscar o olho às grandes séries de ação da banda desenhada franco-belga clássica, mas sem nunca soar datado. Há aqui uma clara vontade de avançar, de tornar tudo mais dinâmico e contemporâneo.

As personagens são desenhadas com grande atenção ao detalhe e expressividade, sendo difícil não notar que Rouge parece ter um talento especial para desenhar mulheres belíssimas, sem que isso se torne gratuito ou descontextualizado. As paisagens islandesas, por sua vez, também são verdadeiramente deslumbrantes e fazem jus à força visual daquele território único. E isso é mais facilmente apreendido quando contemplamos as fantásticas ilustrações de página dupla que o autor nos oferece.

Também a planificação e os planos de câmara são outro destaque incontornável no trabalho de Rouge, o que volta a sublinhar o cariz cinematográfico de Islander, em que tudo é profundamente cinematográfico, desde os enquadramentos amplos às sequências mais íntimas e tensas. Cada página parece pensada como um storyboard, reforçando constantemente a sensação de estarmos perante uma obra pronta a ser transposta para outro meio visual. Do ponto de vista gráfico, a série é, pois, verdadeiramente impactante e serve em bandeja de prata o bom argumento de Férey.

A edição da Arte de Autor não desilude, sendo em capa dura baça, com detalhes a verniz e bom papel brilhante no miolo do livro. O trabalho de encadernação e impressão também é de qualidade superior numa edição muito bonita à vista.

Em suma, Islander é um primeiro volume de grande impacto, tão emocionante quanto premonitório. Uma obra que conjuga ação, reflexão política e drama humano com rara eficácia. A expectativa fica em altas para aquilo que os autores da obra nos darão nos dois volumes seguintes, mas uma coisa é certa: depois de lido este primeiro livro, o restante caminho da série tem potencial para ser absolutamente fascinante!


NOTA FINAL (1/10):
9.6


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Islander #1 - O Exílio, de Caryl Férey e Corentin Rouge - Arte de Autor

Ficha técnica
Islander #1 - O Exílio
Autores: Caryl Férey e Corentin Rouge
Editora: Arte de Autor
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 mm
Lançamento: Outubro de 2025

Análise: O Progresso da Humanidade

O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins - Polvo

O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins - Polvo
O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins

A editora Polvo voltou a dar-nos, recentemente, mais um livro da dupla formada por João Sequeira e pelo escritor Rui Cardoso Martins. Desta feita, chega-nos O Progresso da Humanidade, depois dos interessantes livros Espelho da ÁguaEstômago Animal.

E ainda que se verifiquem pontos em comum entre as três obras, diria que esta nova empreitada oferece-nos uma abordagem diferente ao nível da história. É certo que continua a verificar-se uma crítica social envolta ao retrato lusitano, mas em O Progresso da Humanidade estamos perante um policial na forma. E isso foi particularmente agradável de ler. Até porque, não esqueçamos, não são muitos os policiais que podemos encontrar na banda desenhada portuguesa.

A história arranca com a morte, inexplicável e brutal, de Oliveira, um homem solitário e enigmático. E mesmo que parecesse às testemunhas que com Oliveira privaram, que o mesmo não andava muito bem nos últimos tempos, a verdade é que esta morte parece não ter uma explicação plausível, já que não é encontrada nem uma arma nem um culpado evidente. Não parece ser assassinato, nem suicídio. Tudo o que as investigações encontram é apenas o cadáver do homem, um diário e algumas pistas difusas.

O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins - Polvo
A história constrói-se a partir desse vazio inicial, dessa impossibilidade de compreensão, e vai crescendo com uma cadência muito própria. 

O tom policial da obra é algo que apreciei particularmente. Sentem-se ecos claros de outras obras clássicas da banda desenhada mundial, como Alack Sinner ou Nestor Burma, não apenas na estrutura narrativa, mas sobretudo na forma como o mistério se instala e se prolonga, e no ambiente que nos é dado. Mas, claro, é tudo feito à boa maneira portuguesa ou não fosse esta uma obra com claros com claros laivos políticos subtis, mas bem presentes. O livro começa por, a partir da premissa inicial do "o que é que aconteceu?" divertir-se a adiar respostas, obrigando-nos a desconfiar de tudo e de todos. É daqueles livros que nos fazem franzir a testa e levantar a sobrancelha, antecipando que algo mais fundo e incómodo se aproxima.

O mistério nunca é, pois, um fim em si mesmo, mas antes um motor que nos empurra para camadas mais densas de significado. À medida que avançamos, percebemos que há aqui uma crítica social embutida que supera até a questão da investigação. E tudo é feito com uma boa dose de subtileza e ironia, com a obra a falar de fascismo, de memória, de palavras que tentaram ser limpas à força do dicionário, mas que continuam bem vivas no quotidiano. 

E, claro está, a referência a Santa Comba Dão, localidade berço de António Oliveira Salazar, e até o próprio nome do morto, Oliveira, não é inocente e funciona como mais uma camada de leitura, nunca sublinhada em excesso. O fascismo, aqui, não surge como caricatura histórica, mas como pulsão latente, algo que se traz “no coração”, como escreve Oliveira no seu diário. Esta dimensão política surge integrada na narrativa, sem didatismos, o que a torna ainda mais eficaz e densa.

O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins - Polvo
O desenho de João Sequeira mantém-se fiel ao estilo que já conhecemos, mas ganha aqui uma especial eficácia na vertente policial da história. O uso de sombras, enquadramentos fechados e silêncios visuais contribui para uma atmosfera pesada, quase sufocante, que acompanha o leitor do início ao fim, num ambiente noir muito bem conseguido por parte do autor. 

Não pude deixar de ser remetido, em vários momentos, para o trabalho do autor argentino Eduardo Risso, sobretudo na forma como os locais e os corpos são representados num traço a preto e branco puro, sem espaço para cinzentos e com as personagens a apresentarem feições caricaturais e guturais. Não se trata de uma imitação, até porque não vemos aqui um João Sequeira a afastar-se do estilo a que já nos habituou, mas, devido ao tom policial da obra, uma afinidade estética evidente, que encaixa como uma luva neste registo mais sombrio e introspectivo. Gostei especialmente.

A articulação entre texto e imagem é, portanto, particularmente feliz. Sequeira sabe quando deixar o desenho falar por si e quando reforçar o impacto das palavras. O ritmo da leitura é controlado com mestria, alternando momentos de tensão com pausas reflexivas que nunca quebram o envolvimento e, até, com algumas partes mais evocativas e poéticas.

Comparando com Espelho da Água e Estômago Animal, parece-me claro que O Progresso da Humanidade é o livro mais sólido da trilogia. Não só pela estrutura sólida e madura do discurso, mas também pela própria história que me deixou bastante agarrado ao livro. Admito que considerei o final da obra algo anti-climático, mas, lá está, este é um livro em que podemos utilizar a velha máxima de que "mais importante que o final, é a jornada em si".

A edição da Polvo é, à semelhança dos outros dois livros da dupla, em capa dura baça, com bom papel baço no miolo. A encadernação e a impressão também são boas. Este livro insere-se na coleção Biblioteca Polvo, na qual, para além de Espelho da Água e Estômago Animal, também se juntam as obras Morro da Favela, de André Diniz, e O Amor Infinito Que Te Tenho e Outras Histórias, de Paulo Monteiro.

No conjunto, O Progresso da Humanidade afirma-se como uma obra profundamente perspicaz, capaz de entreter e provocar pensamento em simultâneo. Num tempo marcado por discursos polarizados e incongruências normalizadas, este livro funciona como espelho desconfortável, mas necessário. É, quanto a mim, o melhor dos três livros que João Sequeira adaptou a partir dos contos de Rui Cardoso Martins, e um dos melhores livros da banda desenhada nacional editada em 2025.


NOTA FINAL (1/10):
8.9

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Progresso da Humanidade, de João Sequeira e Rui Cardoso Martins - Polvo

Ficha técnica
O Progresso da Humanidade
Autores: João Sequeira e Rui Cardoso Martins
Editora: Polvo
Páginas: 72, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 17,1 x 24 cm
Lançamento: Outubro de 2025

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

As novidades d' A Seita para 2026!


Hoje trago-vos um apanhado com algumas das novidades de banda desenhada que a editora A Seita prepara para o ano de 2026.

Para quem esteve no Amadora BD a assistir à apresentação do plano editorial, pelos editores José Hartvig de Freitas e João Miguel Lameiras, algumas destas obras já serão conhecidas.

Porém, além dos livros que foram apresentados nessa altura, acrescento ainda algumas novidades, mais frescas, à lista de obras que a editora espera publicar em 2026.

Posso dizer-vos que me parece, para já, um plano ambicioso.

Ora vejam.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Vinheta 2020 lança passatempo a propósito dos 40 anos de carreira de Luís Louro!


Não há uma sem duas, nem duas sem três, já dizia a frase popular!

Tal como já vos tinha anunciado quando, há uns dias, vos informei que o Vinheta 2020 iria fazer três passatempos, depois daqueles dedicados ao livro inVISÍVEIS e ao livro Peter Pan, agora trago-vos o terceiro e último passatempo do mês de Dezembro.

Sob o tema dos 40 anos da carreira de Luís Louro, e procurando celebrar esse feito incrível, o autor e o Vinheta 2020, têm um conjunto de livros para vos oferecer.

E faz todo o sentido que sejam 10 livros de Jim Del Monaco, a personagem que iniciou, definitivamente, a carreira do autor português, que temos para vos oferecer.

São 5 os packs de 2 livros, formados pelos livros Jim Del Monaco - O Cemitério dos Elefantes e Jim Del Monaco - Ladrões do Tempo, que podem ganhar!

E o melhor de tudo é que todos os livros irão chegar aos vencedores deste passatempo com o devido autógrafo personalizado por Luís Louro!

Para concorrer só precisam de escrever num comentário, aqui no blog, a frase mais divertida que reúna as seguintes palavras: "Luís Louro", "Jim Del Monaco" e "Vinheta 2020".

Os 5 vencedores serão escolhidos pelo próprio Luís Louro.

O passatempo termina no dia 23 de Dezembro às 23:59.

Boa sorte a todos!

Análise: A Cor das Coisas

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
A Cor das Coisas, de Martin Panchaud

Se há algo que preciso referir em primeiro lugar, é que a aposta da editora Levoir na recentemente lançada obra A Cor das Coisas, do suíço Martin Panchaud, merece o meu aplauso, já que revela coragem, audácia e vontade de fazer diferente. Embora vencedor ou finalista de inúmeros prémios por essa Europa fora, este é um livro que, pela sua abordagem visual, pode afastar muita gente. Especialmente os que não gostam de surpresas ou de saírem da sua zona de conforto. 

De facto, A Cor das Coisas parte de uma premissa gráfica que poderia, à primeira vista, desagradar a muitos adeptos de banda desenhada. É que todo o universo nos é revelado numa perspetiva zenital, ou seja, como se fosse uma planta. Todo o mundo, todos os cenários, todos os ambientes, nos são dados como vistos de cima. Naturalmente, também personagens são representadas dessa forma, enquanto meros pontos coloridos. Estão a ver como é que o célebre videojogo GTA (Grand Theft Auto) começou por ser nas suas primeiras edições? Ou lembram-se dos videojogos Micro Machines para a velhinha consola Sega Mega Drive? É mais ou menos assim que vemos este mundo.

Se esta aposta visual pode parecer quase improvável para sustentar um livro com mais de 200 páginas, deixem-me que vos diga que rapidamente o livro se transforma numa engrenagem narrativa sólida, envolvente e cheia de nervo. 

Se a história não fosse boa, este livro também não o seria. Mas isso pode ser dito de todos, ou quase todos, os livros.

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
A história de Simon, um adolescente obeso de 14 anos marcado pelo bullying e por uma estrutura familiar frágil, ganha contornos inesperados quando o jovem decide, após conselho de uma vidente, apostar num cavalo de corrida todas as poupanças do seu pai sem que este, ou alguém, o saiba. E o improvável acontece e a aposta de Simon passa a valer o prémio astronómico de 16 milhões de libras. O problema? Simon é menor e não pode levantar o dinheiro. E é precisamente a partir desta frustração inicial que tudo se começa a desmoronar… e a ganhar densidade, com a narrativa a obrigar-nos, de modo algo inesperado, a um mergulho emocional. 

De um momento para o outro, a mãe de Simon entra em coma, o seu pai desaparece e o rapaz vê-se forçado a atravessar um território desconhecido, feito de decisões difíceis que nenhum miúdo da sua idade deveria ter de tomar. Martin Panchaud constrói este percurso, em estilo de thriller, com uma mestria impressionante, equilibrando drama, humor, suspense e uma crítica social subtil, mas constante. 

Há qualquer coisa de profundamente humano nesta narrativa. Simon não é um herói, nem sequer um anti-herói. É apenas um rapaz perdido num mundo demasiado grande e indiferente, onde os adultos falham sucessivamente. E é nesse espaço, entre a negligência e o acaso, que A Cor das Coisas encontra a sua força. A história agarra-nos não por ser espetacular, mas por ser verosímil,- ou possível, pelo menos - e emocionalmente honesta.

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
Importa sublinhar algo essencial: o que mais gostei neste livro foi o facto de a história ser especialmente cativante. Ao ponto de arriscar dizer que, mesmo que A Cor das Coisas fosse uma obra desenhada de qualquer outra forma, a narrativa continuaria a ser relevante, excitante e difícil de largar. Há aqui uma espinha dorsal narrativa forte que não depende exclusivamente do artifício visual para funcionar.

E depois há "o elefante na sala" ou melhor, os círculos de cor na página. Não vos posso dizer que é um livro bonito para observar. Não, não o é. Martin Panchaud tenta que as páginas não sejam sempre iguais umas às outras - e, de algum modo, até o consegue - mas, naturalmente, quando colocado ao lado de grandes livros de banda desenhada de ilustradores consagrados, A Cor das Coisas ficará aquém em termos visuais, pois é um autêntico alien no meio da banda desenhada.

Mas é precisamente aí que reside o seu grande trunfo. Nesta mudança de paradigma visual, quase agressiva na sua diferença, está o grande statement da obra. Panchaud prova que a banda desenhada não é um território exclusivo de quem domina o desenho clássico, virtuoso ou academicamente “bonito”. Qualquer pessoa pode fazer um grande livro de BD. Haja talento e, sobretudo, criatividade.

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
A narrativa contada sempre com este ponto de vista, estilo planta, e com personagens representadas por círculos de cor, mais próximas de infografias ou mapas do que de figuras humanas, é uma decisão radical. E radical no melhor sentido possível. Obriga o leitor a participar ativamente na leitura, a reconstruir espaços, movimentos e emoções. Não é uma leitura passiva. É um exercício constante de atenção e envolvimento.

Logicamente, compreendo perfeitamente quem, ao folhear o livro pela primeira vez, sinta algum afastamento. A abordagem visual pode parecer demasiado complexa, fria ou até intimidante. O preconceito — ou pré-conceito, se preferirem desmontar a palavra — toca-nos a todos. Também a mim. Mas basta ler algumas páginas deste livro para que algo mude subitamente. E isso acontece pela história, que impacta e que nos convoca a entrar neste mundo visualmente diferente daquilo a que estamos habituados em banda desenhada.

E assim que nos acostumamos a esta nova forma de representar pessoas e figuras, tudo se torna surpreendentemente fluido. Começamos a reconhecer cores, padrões, trajetos. Começamos a “ver” personagens onde antes só víamos formas geométricas. E isso é absolutamente fascinante. A leitura deixa de ser um esforço e passa até a ser um vício. Este é um daqueles livros que, quando tinha que fazer uma pausa na leitura, me deixava com muitas ânsias de voltar à leitura. 

A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir
Prémios "valem o que valem", bem sei, mas não é por acaso que A Cor das Coisas foi amplamente aclamado pela crítica e premiado em festivais tão relevantes como Angoulême, onde venceu o Fauve d’Or de Melhor Álbum. Estes prémios não surgiram por exotismo, mas porque estamos realmente perante uma obra que empurra os limites da linguagem da banda desenhada sem nunca perder o foco naquilo que realmente importa: contar uma boa história.

A edição da Levoir é em capa dura baça, com bom papel baço no miolo. O trabalho de impressão e encadernação também está bem conseguido. A capa do livro é ligeiramente diferente, em termos visuais, pois em vez de apresentar uma tira a preto com a inscrição "Novel Gráfica" como é assinatura da editora, opta por não ter essa inscrição e por ter a referida tira na cor roxa. Acaba por dar um aspeto mais diferenciado ao livro. 

Há livros que se destacam pelo desenho, outros pelo argumento, outros ainda pela ousadia formal. A Cor das Coisas consegue, de forma rara, equilibrar estes três elementos, mesmo quando parece estar deliberadamente a negar um deles. É uma obra que desafia expectativas, hábitos de leitura e até preconceitos estéticos profundamente enraizados.

E, no fim, ficamos com a sensação de ter lido algo verdadeiramente único. Um livro que não se parece com mais nenhum, que não tenta agradar a todos, mas que recompensa generosamente quem aceita o desafio. A Cor das Coisas não é apenas uma grande banda desenhada. É uma prova viva de que o meio ainda tem muito espaço para surpreender, reinventar-se e - acima de tudo - emocionar. Adorei e é o livro do ano da Levoir.


NOTA FINAL (1/10):
9.7

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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A Cor das Coisas, de Martin Panchaud - Levoir

Ficha técnica
A Cor das Coisas
Autor: Martin Panchaud
Editora: Levoir
Páginas: 232, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 170 x 240 mm
Lançamento: Outubro de 2025

"O Preço da Desonra", de Hirata, está de volta!



Depois da edição do primeiro volume de O Preço da Desonra, de Hiroshi Hirata, um verdadeiro sucesso editorial que obrigou a nova reimpressão do livro, a editora A Seita lançou recentemente o segundo e último volume da obra, intitulado Crónicas de Kubidai, que nos dá mais quatro histórias sobre samurais e sobre a personagem de Hanshiro.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.


O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai, de Hiroshi Hirata

A promessa firmada com uma nota de dívida implica pôr a vida em jogo. Quem não cumpre a promessa, comete um acto sem perdão.

Japão, período Edo. Os clãs e os seus líderes disputam território e guerreiam por poder. No calor da batalha, guerreiros samurais evitam a morte a troco de quantias exorbitantes pagas aos seus executores. Ao longo de quatro novas histórias, voltamos à companhia de Hanshiro, o implacável cobrador de dívidas, que exige que se cumpram estas promissórias. 

Com um desenho magistral, Hirata volta a contar-nos como a glória e a honra, associadas aos códigos samurais, podem cair por terra ou elevarem-se aos extremos da ética e da moral, dependendo de quem os pratica. E Portugal, através d’A Seita, é apenas o segundo país no mundo a ver todas estas histórias num único volume.

Assim como Akira Kurosawa imortalizou as histórias de samurais no cinema, Hirata deu-lhes realismo e grandeza no mangá.

A Seita e a sua chancela de mangá, a Ikigai (生きがい), tem a honra de apresentar, pela segunda vez em português de Portugal, um dos maiores mangakás da história da arte de banda desenhada, Hiroshi Hirata. Trata-se de um (cada vez menos) ilustre desconhecido em terras lusas, com um peso na nona arte que iguala gigantes como Kazuo Koike e Goseki Kojima, os autores do seminal Lone Wolf & Cub, ou Sanpei Shirato, de Kamui-Den, e mesmo Katsuhiro Otomo, do conhecido Akira. A obra que vos trazemos é O Preço da Desonra: Crónicas de Kubidai, um verdadeiro tratado do que são histórias de samurais, que nada deve a outras artes e a outros mestres como Akira Kurosawa (Ran; Yojimbo). Remete-nos para um dos mais importantes momentos da história do Japão, o período Edo, alvo de tanta curiosidade, não só pelos próprios japoneses, como também pelo resto do mundo.
Samurais e ronins, e os poderosos chefes de clãs nobres e guerreiros do Japão da época do final das guerras, no início do século XVII, quando se inicia o período Edo, são algumas das imagens e nomes que mais ressoam em todos os entusiastas de literatura de guerra e de aventura. 

É neste ambiente que decorrem as quatro novas histórias deste Shin Kubidai Hikiukenin, O Preço da Desonra: Crónicas de Kubidai. Hirata voltou à personagem de Hanshiro em 1997, e em 1999 foi publicado o volume com (quase) todas estas novas histórias. Um dos capítulos não tinha sido incluído, e foi a editora Pipoca & Nanquim, do Brasil, quem primeiro publicou este regresso, num integral com as quatro crónicas. E A Seita adapta este volume ao nosso português de Portugal, a partir da tradução de Drik Sada. Este volume inclui as quatro novas histórias da personagem, que podem todas ser lidas independentemente umas das outras (e não é necessário ter lido o primeiro volume para apreciar esta segunda recolha de histórias).

Se a imaginação dos leitores se empolga com os feitos dos samurais, das batalhas e conflitos em que se regiam pelo bushido, a via do guerreiro, toda ela feita de honra e desprezo pela morte, o próprio título deste volume anuncia que as histórias aqui incluídas se afastam dessas premissas. Porque é dos traços opostos aos do bushido que estas histórias tratam: do medo de morrer, de promessas de dinheiro a troco de ter a vida salva, da vergonha e da desonra que isso acarreta para aqueles que assinaram no campo de batalha essas notas promissórias... mas também do outro lado do espelho. Daqueles que, ao ver este lado negro, brilham mais forte, num assomo de ética e moral.

É desse modo que Hanshiro, o cobrador de dívidas, funciona como um observador imparcial, mas sensível, da realidade da vida dos samurais num dos períodos mais conturbados da história do Japão.
A edição portuguesa conta ainda com dois posfácios, um pelo próprio Hiroshi Hirata, e outro por Pedro Bouça, entusiasta da BD e da cultura japonesa em geral e do mangá em particular, e inclui igualmente oito páginas a cores que Hirata coloriu usando pela primeira vez técnicas digitais de cores.

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Ficha técnica
O Preço da Desonra 2 - Crónicas de Kubidai
Autor: Hiroshi Hirata
Editora: A Seita
Páginas: 360, a preto e branco (com 8 páginas a cores)
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 15,5 x 22,5 cm
PVP: 23,99€

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Acaba de sair "Canalha Borrada", uma BD nacional de humor javardo!



Já se encontra em livraria a obra de estreia de Zé Lázaro Lourenço, que se intitula Canalha Borrada e que é editada pel' A Seita, em parceria com a Turbina e com a Mundo Fantasma.

Posso dizer-vos que já li esta obra e que a achei verdadeiramente delirante, mas igualmente divertida.

Brevemente poderão ler a minha análise à obra, por aqui.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.


Canalha Borrada, de Zé Lázaro Lourenço

Canalha Borrada é uma colectânea de memórias de infância e pré-adolescência vividas nas aldeias de Santa Maria da Feira. 

Quem sabe, talvez autobiográfica, ou talvez não, esta BD narra as desventuras de dois primos, cujo principal passatempo era infernizar a vida dos avós. 

O título vem da alcunha insultuosa com que a família os baptizou, por motivos que se tornarão óbvios no livro. Alcunha bruta, javarda, e sem qualquer romantismo. 

Uma ratazana podre, um escroto furado, um esguicho de sémen, um mergulho no esgoto... está lá tudo! Canalha Borrada é encontrar o belo no meio da merda!

Pois é! Nós n’A Seita somos muitos (uma seita, da BD!) e às vezes a alguns de nós, dá-nos uns vibes, e desta vez, com o apoio surdo e silencioso da Turbina, e em parceria cúmplice e algo mafiosa ou qualquer coisa com a Mundo Fantasma (que sugeriu tudo, a culpa é essencialmente deles), editámos talvez o livro de BD mais javardo do ano (teríamos de ir verificar e ler um monte de coisas para as quais se calhar não tínhamos estômago!), mas também dos mais cómicos. São uma dezena de histórias, algumas pouco mais que episódios desopilantes ou apontamentos de mau gosto adolescente idiota, outras pequenas pérolas de narrativa que de algum modo poderíamos baptizar de “punk pseudo-rural sujo e feio”, e todas cómicas (embora às vezes nos façam chorar com pena dos desgraçados dos avós), e ilustradas com figuras e paisagens caricatas e muito divertidas!

O autor ofereceu por uma pequena e módica quantia cuecas borradas aos primeiros que compraram o livro no lançamento na Bedeteca do Porto, e achamos que isso diz tudo!!

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Ficha técnica
Canalha Borrada
Autor: Zé Lázaro Lourenço
Editora: A Seita, Turbina e Mundo Fantasma
Páginas: 80, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 17 x 24 cm
PVP: 12,99€

Mega Campanha de Natal com livros de BD a partir de 5€!


A LOJA OUTLET do Vinheta 2020 andou, por motivos de pouca disponibilidade um pouco apagada, mas regressa agora com bastantes novos livros de banda desenhada a um preço mega simpático e com belas promoções do LEVE 5, PAGUE 4 ou, melhor ainda, LEVE 13, PAGUE 10

Há clássicos, novidades e raridades na nova leva que disponibilizo para venda! E tudo a preços de amigo, já que o meu objetivo não é bem fazer grandes lucros, mas despachar os livros!

Também baixei os preços a outros livros que tinha para a venda e ainda não tinha vendido.

Tratam-se de álbuns usados - mas a excelente estado de conservação - de autores portugueses e estrangeiros, em vários idiomas: português, inglês e francês.






Disclaimer

Como sabem, sou um comprador e um colecionador. E sou daquelas pessoas que, ao contrário de muitos, bem sei, não gosta de ter livros repetidos na sua coleção. Pura e simplesmente porque cada pequeno espaço nas minhas prateleiras tem que merecer ser ocupado. Assim, se a minha estante recebe a versão portuguesa de uma obra que eu já possuía noutra língua; ou uma nova edição de uma obra que me agrada mais do que a anterior, um dos livros terá que sair. Não tenho espaço para ter duplicados.

É por isso que chamo a esta iniciativa LOJA OUTLET, pois o seu objetivo é servir de escape para os livros que estão a mais, ou duplicados, na minha coleção.

São livros que tenho repetidos, que tenho noutras línguas ou que, simplesmente, comprei e acho que, depois de lidos, devem rumar a outra estante.

Aproveitem e façam bons negócios.

Deixo o "como" e o "porquê" desta loja, aqui.

20 Livros de BD Portuguesa para oferecer no Natal 2025!


Depois de, na semana passada, vos ter trazido o meu Guia de Compras de Natal 2025, esta semana trago-vos as 20 obras nacionais, editadas em 2025, que considero mais imprescindíveis.

Aqui, e ao contrário do Guia de Compras de Natal 2025 em que escolhi três livros por editora,  preocupei-me apenas em escolher obras de autoria nacional, não as dividindo por editora, já que, como saberão, não são tantas as editoras a lançar BD nacional.

Creio que, em época natalícia, em que a corrida às lojas para presentes de natal leva muita gente a comprar livros, temos (mais) uma oportunidade para comprar banda desenhada feita por portugueses.

Como sabem, costumo ter muito cuidado com situações que possam causar "conflito de interesses". 

No entanto, não creio que sugerir-vos a compra de inVISÍVEIS - Histórias de Banda Desenhada que Desmistificam Preconceitos sobre a Deficiência, o projeto da CERCIOEIRAS que coordenei e para o qual colaborei com quatro argumentos, seja um conflito de interesses... pois aqui o único interesse é o da CERCIOEIRAS, uma organização que trabalha com pessoas deficiência. 

Ao comprarem este livro - que tem um preço muito simpático de 14,90€, já agora - não só fazem um ato solidário e natalício, como também compram um belo livro, mais não seja pelo excelente conjunto de autores que participaram no projeto, nomeadamente, Daniel Maia, Joana Afonso, Jorge Coelho, Luís Louro, Osvaldo Medina, Paulo J. Mendes, Ricardo Santo e Susana Resende. 

Portanto, sim, este livro acaba por merecer uma menção especial fora do meu TOP 20.

Se já o compraram, então sigam para o conjunto de obras que vos trago mais abaixo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Vinheta 2020 lança três passatempos de natal!


Este ano o Vinheta 2020 lança não um, não dois, mas três(!) passatempos em que oferece livros de banda desenhada aos seguidores deste espaço.

Relembro que dois desses passatempos já foram anunciados nas redes sociais do Vinheta 2020.


1º Passatempo


O primeiro passatempo diz respeito à oferta do livro inVISÍVEIS, da CERCIOEIRAS, e tem o atributo especial de estar assinado pelos seis autores que asseguram as seis histórias do livro! O que faz deste livro algo único!

Podem concorrer pelo facebook ou pelo instagram. Basta clicar nestes links para poder participar e para conhecer as regras do passatempo.


2º Passatempo

O segundo passatempo é a oferta do livro Peter Pan de Kensigton, de José-Luis Munuera, das editoras Arte de Autor e A Seita.

Também podem concorrer pelo facebook ou pelo instagram. Basta clicar nestes links para poder participar e para conhecer as regras do passatempo.



3º Passatempo

Por agora, ainda está no segredo dos deuses qual será este terceiro passatempo.

No início da próxima semana conto-vos tudo, mas posso adiantar que será um prémio muito especial. Fiquem atentos.

Boa sorte a todos os participantes!

A Seita lança novo Marsupilami de autor!



Já se encontra nas livrarias o novo Marsupilami de autor da editora A Seita!

Depois do fabuloso díptico A Fera, de Zidrou e Frank Pé - autor que lamentavelmente nos deixou há uns dias - chega-nos agora um novo álbum que, desta vez, tem outra dupla de célebres autores na sua feitura: Lewis Trondheim e Alexis Nesme.

Chama-se El Diablo e leva-nos ao tempo dos descobrimentos e à terra de origem de Marsupilami.

Já pude ler o livro - que brevemente será aqui analisado - e posso dizer-vos que estamos perante um livro verdadeiramente lindo em termos de desenho. Os desenhos de Alexis Nesme, autor que permanecia inédito em Portugal, são de tirar o fôlego como, aliás, também o foram em obras como Mickey Horrifikland ou Mickey Terror-Island.

Por agora, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas promocionais da obra.


El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme

Como seria o Marsupilami no tempo dos Descobrimentos?

Todos conhecem bem o Marsupilami, e muitos já conhecem o seu avô ou bisavô, a fera cuja história foi contada nos dois volumes de A Fera, de Zidrou e Frank Pé... mas será que conhecem o seu... trisavô? Decavô...? Avô da não sei quantésima geração? Muito-lá-para-trás-avô? Até ao século XVI? Pois vão poder conhecê-lo!
As coisas estão a correr mal no galeão do capitão espanhol Santoro, nestes dias aventurosos do século 16. Os mantimentos esgotaram-se, por isso escolheu um grumete... para o comer! O jovem José, agora na ementa da tripulação, avista felizmente uma terra desconhecida e escapa à morte culinária! Nessa terra ainda por explorar, que um dia será a futura Palômbia, irá descobrir um animal estranho - amarelo, com manchas negras e uma longa cauda, a quem os nativos chamam El Diablo… Nada menos que o tatatatatatataravô do Marsupilami! - que Santoro fere, e que quase mata José. Acolhido pelos índios Chahuta, o grumete descobre que se tornou uma espécie de parente espiritual do Marsupilami, o "espírito da floresta", ao qual está de agora em diante ligado por um elo mágico. Os dois vivenciarão, assim, o sofrimento e as emoções um do outro... O início de uma relação especial que rapidamente se complicará por causa da desbragada sede de ouro do Capitão Santoro, determinado a deitar as mãos ao suposto El Dorado dos Chahuta...

Ambientada no tempo dos Descobrimentos, a aventura explora o choque de culturas entre os europeus e os nativos com o Marsupilami no centro dos acontecimentos, tudo temperado com bastante humor fenomenais. Depois do sucesso de A Fera, uma nova dupla de autores aventura-se pela selva palombiana para criar a sua própria versão do Marsupilami. Desta vez temos o célebre Lewis Trondheim a escrever mais um dos seus argumentos repletos de humor e mordacidade para a bela arte – e as cores fabulosas - do desenhador Alexis Nesme. Completa em um único álbum, esta obra agradará a leitores de todas as idades, daqueles que estão a conhecer a personagem pela primeira vez, até aos que acompanham o Marsupilami desde as aventuras de Spirou, criadas pelo genial André Franquin.

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Ficha técnica
El Diablo
Autores: Lewis Trondheim e Alexis Nesme
Editora: A Seita
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 24 x 33 cm
PVP: 18,95€