segunda-feira, 18 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Comic Heart nos últimos 5 anos!


Hoje apresento-vos aquela que foi a melhor banda desenhada editada pela Comic Heart nos últimos 5 anos. Bem sei que esta é uma chancela que, atualmente, pertence à cooperativa editorial A Seita, da qual já aqui fiz um TOP 10, mas tendo em conta o facto de a Comic Heart se especializar em banda desenhada de autores nacionais, faz sentido que se assinale quais as 10 melhores obras de banda desenhada que esta chancela lançou nos últimos 5 anos.

Até porque a Comic Heart tem no seu catálogo alguns dos nomes maiores da banda desenhada nacional, o que revela bem a importância que foi conquistando ao longo da sua história recente.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Deixo-vos então, mais abaixo, com as 10 melhores bandas desenhadas editadas pela Comic Heart nos últimos 5 anos:

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos!


Hoje trago-vos as 10 melhores bandas desenhadas editadas pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos! 

Esta editora que nos últimos anos até tem andado algo tímida no que ao lançamento de banda desenhada diz respeito, editou inúmeras bandas desenhadas de qualidade superior entre os anos 2020 e 2025, contribuindo com a sua parte para que a 9ª arte tenha vivido um momento tão bom na última meia década.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Portanto, sem mais demoras, aqui estão elas, as 10 Melhores BDs da G. Floy Studio:

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela Escorpião Azul nos últimos 5 anos!


Hoje é dia de vos dar a conhecer quais os 10 melhores livros de banda desenhada editados pela editora Escorpião Azul nos últimos 5 anos!

A Escorpião Azul é uma editora de pequena dimensão que tem sabido trilhar o seu próprio caminho, à sua própria maneira, apostando especialmente em obras de autores portugueses, embora dando espaço a outros autores estrangeiros num registo mais autoral.

Tenho notado um acréscimo de qualidade nos últimos anos, quer na qualidade das edições, quer na qualidade das apostas das editoras. 

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Deixo-vos então as melhores 10 BDs lançadas pela Escorpião Azul entre o período de 2020 a 2025, período de existência do Vinheta 2020:

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Análise: Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939)

Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki - Devir

Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki - Devir
Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki

Começo por dizer que estava particularmente empolgado para ler este primeiro volume da série Showa - Uma História do Japão, da autoria de Shigeru Mizuki, que a Devir editou recentemente. Mizuki é um autor consagrado do mangá, do qual a editora lançou já este ano o muito interessante Hitler, e uma obra com uma ambição tão grande como a de este Showa, de contar e condensar(?) a história do período Showa do Japão, é algo que merece o meu louvor e respeito. Além de que, é uma obra amplamente reconhecida pela crítica.

Confesso, no entanto, ter ficado bastante desiludido com este livro. E quando falo em "desilusão" não é por considerar que este não é um trabalho com boa qualidade. Certamente o é. Mas poderia, pelo menos quanto a mim, ser muito - mas mesmo muito! - melhor. Mas já lá irei.

Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki - Devir
Este primeiro volume de um total de quatro, cobre - em mais de 500 páginas - os anos iniciais, de 1926 a 1939, da Era Showa, um dos períodos mais turbulentos e decisivos da história japonesa. Mizuki constrói uma narrativa que combina elementos autobiográficos com um panorama histórico abrangente, apresentando a evolução política, social e militar do Japão. A obra mergulha nos anos que antecedem a Segunda Guerra Mundial e acompanha as transformações internas do país, mostrando o impacto de tais mudanças tanto na esfera nacional como no quotidiano das pessoas.

Desde o início, percebe-se que os intuitos da obra são ambiciosos: Mizuki não pretende apenas contar a sua vida durante este período temporal, mas criar um retrato quase enciclopédico de todo um período histórico. A tentativa de condensar um vasto conjunto de acontecimentos, desde intrigas políticas e tratados internacionais até pequenas alterações no quotidiano japonês, confere ao livro um valor informativo inegável, concedo. E é verdade que quando lemos este livro parecemos estar a fazer um curso intensivo de história do Japão, com uma quantidade de dados que impressiona pela abrangência e exaustividade. 

Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki - Devir
No entanto, é exatamente essa mesma densidade informativa que é também a principal fraqueza do livro, pois a narrativa arrasta-se, parecendo um despejo contínuo de factos, em que a sucessão de datas e eventos parece esmagar qualquer tentativa de cadência narrativa. É como se o autor estivesse determinado a não deixar escapar nenhum acontecimento, por mais irrelevante que possa parecer no todo, o que cria um ritmo irregular e muitas vezes cansativo.

Mizuki tenta mitigar esse efeito excessivamente expositivo da obra inserindo passagens autobiográficas, nas quais relata episódios da sua infância e das suas experiências familiares. Esses momentos oferecem um sopro de humanidade e proximidade, funcionando como pausas mais leves no meio da avalanche de informação. Contudo, a ligação entre o plano pessoal e o plano histórico nem sempre é fluida: muitas vezes a transição parece forçada, como se o autor estivesse meramente a alternar capítulos da sua autobiografia com os de um manual escolar, sem que os mesmos tivessem especial ligação direta entre si. Além de que os períodos autobiográficos são em menor número do que os de exposição de factos históricos... o que é pena.

Há também uma personagem de cabeça em formato fálico que surge repetidamente enquanto narrador para contextualizar os factos históricos, o que reforça essa tal sensação didática da obra, remetendo-nos para as mascotes ou explicadores dos manuais escolares, cujo objetivo é sistematizar informações e simplificar conceitos. Embora este recurso seja útil para leitores menos familiarizados com o assunto retratado, acaba por sublinhar o carácter “aula de história” do livro e, paradoxalmente, fragmentar a experiência narrativa. E como se a muita informação que nos aparece nas legendas e nos balões não fosse já suficiente, ainda somos premiados, quase página sim, página não, com mais notas de rodapés complementares a essas mesmas informações, o que aumenta o cariz redundante da leitura.

Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki - Devir
Outro problema dessa abordagem é que a quantidade de acontecimentos abordados não deixa espaço para que alguns, os mais importantes, se desenvolvam ou amadureçam na mente do leitor. A “chuva” constante de dados impede que se compreenda plenamente a profundidade de certos eventos, o que acaba por ser contraproducente e incoerente num livro que procura ser informativo. Em vez de explorar o impacto humano de momentos decisivos, Mizuki opta por um registo quase cronológico onde a emoção cede lugar à catalogação e à exposição.

Paradoxalmente, quando a obra mergulha de facto na vida pessoal do autor, o resultado é muito mais cativante. As memórias de infância, as dificuldades familiares, as pequenas anedotas e observações sobre a vida no Japão pré-guerra revelam um talento narrativo mais envolvente. Infelizmente, esses momentos são mais a exceção do que a regra, parecendo haver uma obsessão do autor em não deixar nenhum acontecimento, por mais pequeno que seja, de fora... mas depois falhando naquilo que, quanto a mim, seria mais relevante, que era a perspetiva mais humana e pessoal dos acontecimentos ocorridos. A parte mais biográfica, as experiências pessoais de Mizuki são a exceção à fria "aula de história". Deveria ser exatamente ao contrário: o enfoque na vida de Mizuki e os acontecimentos históricos como pano de fundo. Quanto a mim, claro.

Visualmente, Mizuki adota uma solução estética original e eficaz: combina um traço caricatural para as personagens com um estilo mais realista e detalhado para as representações históricas. Essa dicotomia gráfica, já utilizada pelo autor noutras obras, ajuda a separar claramente o registo pessoal do registo histórico, conferindo ao livro um ritmo visual dinâmico e interessante.

Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki - Devir
Os desenhos realistas impressionam pelo cuidado e minúcia, evocando documentos de época e reforçando a credibilidade histórica. Por outro lado, os rabiscos caricaturais, assumidamente simplistas, transmitem leveza e humor, lembrando ao leitor que esta é também uma obra de um autor com uma forte voz autoral. O tal "signature style" que é tão importante. O contraste não cria incoerência; pelo contrário, parece intencional e dá ao livro uma identidade própria.

A edição da obra é em capa mole baça, sem badanas, mas com uma sobrecapa que acrescenta uma diferente capa à obra. No miolo, o papel é aceitável e a impressão é boa. No final do livro, há ainda um texto do filósofo Takeshi Umehara sobre a obra.

É visível que Mizuki encarou este projeto como uma missão de fôlego: registar e explicar, para gerações futuras, todo um período de transformações radicais no Japão. O esforço de pesquisa e a vontade de transmitir tudo o que sabe são louváveis. No entanto, essa mesma ambição é o que torna a leitura mais difícil para quem procura um equilíbrio entre informação e narrativa emocional.

Reconheço que apesar de exaustivo, este primeiro volume cumpre o papel de introduzir o leitor ao cenário histórico da Era Showa com riqueza de detalhes. Quem tiver paciência e interesse genuíno pela história japonesa encontrará aqui um material vasto e valioso, ainda que tenha de lidar com um excesso de exposição e alguma falta de fluidez.

Em suma, este primeiro volume de Showa - Uma História do Japão é uma obra sólida, marcada por um trabalho hercúleo de recolha e apresentação de factos, mas que poderia beneficiar de uma inversão de prioridades: dar mais espaço à experiência humana e menos ao inventário exaustivo histórico. Ainda assim, a originalidade gráfica, a honestidade autoral e a importância do projeto justificam a continuação da leitura nos próximos volumes.


NOTA FINAL (1/10):
7.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939), de Shigeru Mizuki - Devir

Ficha técnica
Showa #1 - Uma História do Japão (1926-1939)
Autor: Shigeru Mizuki
Editora: Devir
Páginas: 528, a cores e a preto e branco
Encadernação: Capa mole com sobrecapa
Formato: 17 x 24 cm
Lançamento: Junho de 2025