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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Análise: Novelas Gráficas da Disney


Novelas Gráficas da Disney, de Vários Autores

Se há coisas que sempre defendo é que (também) cabe aos leitores adultos de banda desenhada incutir o gosto pela 9ª arte nos mais novos. É óbvio que não deve ser uma coisa forçada ou vista com uma obrigação. Até porque, se olharmos para a questão dessa forma, o mais provável é que esse ato de estimular o gosto pela BD nos mais novos, seja pouco natural. Mas, lá está, se desejamos que a banda desenhada, incluindo os seus autores e editores, continue ativa, talvez também seja necessária uma contribuição da nossa parte. Mas não é uma obrigação, repito.

Começo este texto com esta introdução para afirmar que, de facto, tenho sentido, no último par de anos, um esforço maior de várias editoras portuguesas em apostar numa banda desenhada mais direcionada para os mais jovens. E é, quanto a mim, essa BD para crianças e jovens aquela que (mais) forma - ou tem o potencial de formar - leitores de banda desenhada para a vida. Portanto, é algo que acolho com satisfação.

E, não sei bem porquê, as versões para banda desenhada de alguns célebres filmes de animação da Disney, têm aparecido um pouco fora do radar daqueles que falam sobre banda desenhada. Não me refiro apenas a sites, refiro-me aos próprios fóruns e grupos das redes sociais onde se fala sobre BD. Parece que ninguém está a dar grande crédito a estas obras ou, mais grave - e aí já devemos questionar se a editora estará, ou não, a fazer um bom trabalho de divulgação - ninguém sabe que as mesmas existem, sequer.

No entanto, já são cinco as "novelas gráficas” - como algumas editoras adoram denominar - que a Dom Quixote, chancela do Grupo LeYa, lançou por cá, desde 2022. Começou por lançar, de uma só vez, em 2022, os livros Aladdin e Frozen II, e, no ano passado, lançou mais três bandas desenhadas: O Rei Leão, A Pequena Sereia e Encanto. Decidi fazer a leitura conjunta destes cinco livros e é disso que vos falo hoje.

Estes são livros que procuram ser fiéis aos filmes de animação da Disney, todos eles grandes blockbusters, e, em vez de adotarem o registo típico de “livro de ilustração”, como é fácil de encontrar milhentas versões em livrarias, utilizam a linguagem e forma da banda desenhada. É verdade que, especialmente em alguns casos, estes livros não vão além de uma mera transposição do filme para a banda desenhada, mas, não obstante, continuam a ser uma porta de entrada credível para a 9ª arte.

Há que dizer que estes cinco livros se podem dividir em dois grupos diferentes: o daqueles que parecem estar apenas a “cumprir calendário”, sendo um pouco mais "preguiçosos" na forma como passam para banda desenhada as histórias originais, e um segundo grupo, com livros que almejam algo mais e que, por isso mesmo, acabam por funcionar melhor enquanto banda desenhada.

Vamos ao primeiro grupo, onde insiro os livros Aladdin, A Pequena Sereia e O Rei Leão. Com alguma pena minha, uma vez que qualquer um destes três filmes de animação marcou - e muito - a minha infância, pois conheço-os de cor e salteado, são estes os três livros mais fracos deste grupo. E quando digo “fracos”, não pretendo dizer que, quando oferecidos a crianças, não cumpram bem a sua tarefa de contar a história, utilizando a boa escola de desenho da Disney e, ao mesmo tempo, servindo como uma introdução à banda desenhada. Se esse é o propósito desta coleção da Dom Quixote, até acho que a prova acaba por ser superada.

Todavia, são livros que se colam em demasia aos filmes, conseguindo ser apenas uma reprodução menos conseguida dos mesmos. Quase como se fossem meros storyboards dos próprios filmes. Assim, são vários os casos onde a colagem ao filme é tanta que até se introduziram partes do mesmo que eram descartáveis para uma adaptação para banda desenhada, com menos de 50 páginas. Um exemplo claro é a divertidíssima cena do filme A Pequena Sereia, entre o caranguejo Sebastião e o infame cozinheiro do palácio de Eric. Se, no filme, essa é uma cena fantástica, no livro não é especialmente divertida, não capta bem o ritmo do filme e, bem, não acrescenta nada à história. Ocupa páginas que poderiam ter sido melhor aproveitadas para outras partes da narrativa. Porque é que os autores decidiram mantê-la na “novela gráfica”? Bem, porque quiseram “cumprir calendário” e assegurar-se que nada do filme ficava de fora. Mas, ao fazê-lo, acabaram ofercer-nos algo feito “à pressão”. E atenção que dei este exemplo, mas podia dar outros. Também em termos de desenho, é óbvia a ligação aos filmes da Disney. O que é ótimo e uma garantia de qualidade. Mesmo assim, são desenhos que apenas cumprem de forma decente a sua missão.

Agora, falando no segundo grupo, onde estão inseridos os livros Frozen II e Encanto, a proposta que nos é dada é bastante superior em termos qualitativos. Especialmente, em Encanto que, curiosamente, é o único destes cinco livros que tem um formato mais pequeno que os outros. E tanto em Frozen II, como em Encanto, dois filmes bem mais recentes do que os outros três de que já falei, quer em termos de adaptação do argumento, quer, com mais veemência, nos desenhos que nos são dados, temos propostas que considerei bastante interessantes.

Em Frozen II, o estilo de ilustração é em remete-nos para a pintura, com um tipo de desenho rico, onde as cores são belíssimas. Há uma ligação clara às personagens do filme, mas, mesmo assim, o livro consegue ter uma linguagem gráfica própria. Coisa que me deixou bastante satisfeito. Fui ver Frozen II com a minha filha ao cinema e lembro-me que não fiquei especialmente satisfeito com o filme, na altura. Mas, em banda desenhada, até acho que consegui desfrutar mais da história.

Encanto, é um livro verdadeiramente belíssimo ao nível das ilustrações. Tanto, que talvez os leitores adultos até possam encontrar nesta proposta, um belo livro para si mesmos. É claro que qualquer um destes cinco livros, ao nível do argumento, nos dá uma história com uma solidez meramente aceitável, o que também se compreende por esta ser uma proposta mais direcionada para os mais jovens.

Mesmo assim, e especialmente em relação aos desenhos de Encanto, volto a dizer que fiquei bastante bem impressionado com a riqueza ao nível cénico, de personagens e de cores dos desenhos de Enrico Soave, o ilustrador deste livro. É um livro muito, muito bonito.

As edições destes livros são em capa dura brilhante, com um belo grafismo e onde se torna claro que houve uma preocupação em fazer capas muito bonitas e apelativas. No miolo, o papel é brilhante e a impressão e a encadernação têm boa qualidade. Antes de cada história começar, há sempre uma breve apresentação de cada uma das personagens de cada livro e, tendo em conta o público a que os livros (mais) se destinam, parece-me algo positivo. Conforme já referi, apenas Encanto apresenta um formato menor em relação aos outros livros.

Em suma, não sendo estes livros fantásticas obras de banda desenhada - embora dois deles até me tenham surpreendido positivamente - o ponto mais importante a reter é que esta é uma coleção que faz todo o sentido e que tem o potencial de aproveitar o sucesso dos filmes Disney para trazer para a banda desenhada os leitores mais jovens. Não tenho nada - mas mesmo nada! - contra os livros de ilustração de filmes da Disney… mas as bandas desenhadas dos mesmos filmes parecem-me propostas mais aliciantes por vários motivos. E, portanto, espero que esta coleção continue. Quanto aos leitores adultos que me leem, mesmo que não vão a correr para comprar estes livros para si mesmos, têm aqui boas propostas para presentes para as crianças e jovens que vos rodeiam. Já será um passo positivo para que a BD seja incrementada nos hábitos de leitura dos jovens portugueses.


NOTAS FINAIS (1/10):
Aladdin: 6.0
Frozen II: 7.5
A Pequena Sereia: 5.0
O Rei Leão: 6.5
Encanto: 7.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Fichas técnicas
Aladdin – Novela Gráfica
Autores: Xavier Vives Mateu, Jaime Diaz Studio e Andrea Cavallini
Editora: Dom Quixote
Páginas: 64, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 212 x 287 mm
Lançamento: Abril de 2022


Frozen II – Novela Gráfica
Autores: Alessandro Ferrari, Manny Mederos, Giulio Rincione
Editora: Dom Quixote
Páginas: 64, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 212 x 287 mm
Lançamento: Abril de 2022


O Rei Leão – Novela Gráfica
Autores: Bobbi JG Weiss, Pepe Nymi e Andrea Cavallini
Editora: Dom Quixote
Páginas: 64, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 212 x 287 mm
Lançamento: Março de 2023


A Pequena Sereia – Novela Gráfica
Autores: Tom Anderson, Pepe Nymi e Andrea Cavallini
Editora: Dom Quixote
Páginas: 64, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 212 x 287 mm
Lançamento: Março de 2023


Encanto – Novela Gráfica
Autores: Tea Orsi, Enrico Soave e Chris Dickey
Editora: Dom Quixote
Páginas: 64, a cores
Encadernação: capa dura
Dimensões: 169 x 242 mm
Lançamento: Maio de 2023

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Embora, com muito pesar meu, diga-se, a coleção dos originais da Disney da editora francesa Glénat não seja editada em Portugal, a boa notícia para quem não consegue - ou não quer - ler em francês é que, recentemente, a Panini Comics começou a editar vários títulos desta coleção.

Os puristas dirão que o "português do Brasil" não é a mesma coisa do que o "português de Portugal" - e, naturalmente, não será - mas a verdade é que, com esta iniciativa da Panini Comics, estas obras de qualidade superior passaram a ser editadas em português e, portanto, a ficarem mais acessíveis aos leitores portugueses.

Depois de, após a análise que fiz a esta obra, ter recebido várias mensagens acerca da mesma, opto por fazer um comparativo entre a edição original francesa e a edição brasileira.

Olhando, então, para as duas edições, há várias diferenças que posso referir.

Começando pelas capas e contracapas, verifica-se que a edição da Panini Comics tenta ser bastante fiel à edição original. Capa dura, baça, com as letras do título da obra e as figuras de Mickey e Minnie a verniz. Na contracapa a edição brasileira colocou uma sinopse da obra.  

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

A maior diferença na parte exterior do livro é na lombada do livro. A edição francesa da Glénat tem lombada a tecido e a edição brasileira tem uma lombada normal cartonada. 

Embora, naturalmente, a edição a tecido seja mais nobre e mais bela, gosto do facto da Panini Comics ter feito uma certa tentativa de aproximação à edição original, dotando a lombada de uma cor diferente em relação à capa. 

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Em termos de papel, ambas as edições são bastante diferentes. 

O livro da Glénat tem papel baço, de ótima gramagem. Já o papel da edição da Panini Comics é papel com brilho e com uma gramagem que, mesmo sendo aceitável, o torna bastante mais fino do que o papel da edição original. 

Sendo mesmo justo, não considero que o papel da edição brasileira seja minimamente "mau". Não o é. O papel da Glénat é que é extremamente bom. 

Por esse motivo, até chega a ser curioso verificar que embora a versão brasileira tenha mais 7 páginas do que a edição original, mesmo assim a espessura do livro francês é muito maior - quase o dobro! - do que a do livro brasileiro.

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

O facto de se ter optado por papel brilhante, em detrimento do papel baço, é que me deixou um pouco desapontado. 

Não sei se a fotografia acima permite ver isso - talvez não - mas a verdade é que o tipo de ilustrações majestosas que o autor Silvio Camboni nos oferece, beneficiam muito mais em papel baço. 

Não é que a experiência de leitura no livro da Panini Comics não seja boa - porque o é - mas a experiência do papel mate da versão francesa supera em muito o papel brilhante. Até porque, em alguns casos, senti as cores demasiado escuras na versão brasileira.

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Por fim, ambas as edições têm alguns extras, em que nos é permitido visualizar o trabalho de preparação de Camboni. Porém, neste ponto, a edição brasileira supera a edição francesa. 

Enquanto que o livro da Glénat só nos oferece duas páginas para vermos os estudos de capa do autor, a edição da Panini dá-nos onze (!) páginas onde, para além de vermos o estudo de capa de Camboni, também vemos alguns dos seus esboços para as personagens e storyboards de algumas pranchas. E tudo isto com comentários de Camboni. 

Em termos de extras, a edição brasileira é, pois, francamente melhor do que a edição original francesa.

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Resumindo e concluindo, a edição original da Glénat é bastante melhor em termos de materiais e acabamentos utilizados embora a edição da Panini Comics seja bem mais generosa em termos de caderno de extras.

Quanto à escolha dos leitores do Vinheta 2020 sobre que edição comprar, tenho que dizer que é algo bastante pessoal e que, por isso, deve ficar ao critério de cada um, consoante a sua capacidade e/ou vontade para ler em francês. 

Não tenho dúvidas de que a edição francesa não só é "a" original como tem melhores acabamentos. No entanto, eu pertenço à equipa do "prefiro sempre ler em português, mesmo que a edição física não seja tão boa". E isto já para não dizer que a versão brasileira ainda tem um caderno de extras mais completo do que a edição francesa. 

Feitas as comparações, que cada um faça a sua escolha, portanto! 

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics



sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Análise: Mickey e a Terra dos Anciões

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni

Se há coisas que eu gostaria de ver publicadas em Portugal uma delas era a coleção da Disney Glénat, em que autores de renome e com provas dadas na banda desenhada mundial, criam as suas próprias histórias que envolvem as famosas personagens da Disney. Não havendo, porém, publicação da Disney Glénat em Portugal que, pelo que pude constatar, acarretaria um investimento demasiado grande por parte das editoras portuguesas, podemos ler estes fantásticos livros na sua língua original – o francês – ou em português do Brasil.

Estou certo que para alguns puristas do português de Portugal isto será um ultraje para com Camões, mas, sejamos sinceros, também é verdade que muita gente – para não dizer “toda a gente” – se habitou a ler as revistas da Disney em português do Brasil. Ou a Turma da Mônica, vá. Portanto, não será um problema para a grande maioria dos leitores portugueses, espero. Até porque estamos a falar de um tipo de história leve. Não há nada de muito filosófico num livro da Disney, como sabemos. No meu caso, mesmo conseguindo ler em francês, prefiro sempre ler em português. E com a oferta crescente de livros brasileiros por parte da loja Casa da BD, mesmo ao pé da minha casa, torna-se por demais apelativo para mim ler estas edições brasileiras.

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Se a edição brasileira será melhor ou pior que a edição francesa já são outros quinhentos que abordarei num destes dias até porque tenho as duas versões e brevemente farei um comparativo entre elas.

Centremo-nos, então, na análise a esta edição brasileira da Panini Comics.

A dupla criativa responsável por este Mickey e A Terra dos Anciões é Denis-Pierre Filippi, no argumento, e Silvio Camboni, no desenho. Dupla esta que é repetente nesta coleção da Disney Glénat, uma vez que já nos deu a obra Mickey e o Oceano Perdido.

A primeira coisa que salta à vista neste livro é, sem dúvida alguma, a maravilhosa componente visual. Os desenhos de Camboni, elegantemente coloridos por Samuel Spano, são de uma beleza ímpar e magnífica que facilmente nos tira o fôlego. As personagens são copiosamente bem retratadas, mas é nos cenários, deslumbrantes, que nos transportam no espaço e no tempo para um local do foro onírico, e nas cenas em que vemos Mickey a voar às costas do seu pássaro em céus de perder de vista, sobrevoando planetas verdejantes que são como que ilhas voadoras – onde possivelmente, o filme Avatar nos virá à memória – que este Mickey e A Terra dos Anciões mais se destaca. É verdadeiramente cativante e é fácil termos o ímpeto de ficar a observar estas sublimes ilustrações durante largos minutos.

Posso dizer que os desenhos são tão belos que mesmo que não houvesse qualquer história, já seria um álbum apetecível. Acho ainda que a grande diferença entre estes álbuns da Disney Glénat e de uma qualquer revista da Disney que selecionemos aleatoriamente é - para além da óbvia utilização do grande formato e dos nomes célebres dos autores - o cuidado especial com a arte visual. Convenhamos que as revistas da Disney sempre foram bem desenhadas. Mas eram-no – e são-no – de uma forma rápida e eficaz, não deixando grande espaço de manobra para desenhos mais detalhados e intrincados. Ora, com os álbuns da Disney Glénat que até agora me passaram pelas mãos, isso não acontece. Os desenhos são belos, detalhados e onde se vê claramente que os autores depositaram um grande cuidado. O crème de la crème da banda desenhada a envolver personagens da Disney, diria.

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Falando agora na história deste Mickey e A Terra dos Anciões, temos o argumentista Filippi a convidar-nos a mergulhar num “universo aéreo”, onde a população local reside em pequenas ilhotas que flutuam pelos céus. Neste mundo retirado da cabeça de Filippi, Mickey tem uma importante responsabilidade que é a de manter em segurança as muitas pequenas porções de terra (as tais ilhotas) dos habitantes, face às temíveis tempestades que as colocam em perigo. 

Há, também, um conhecido vilão que é o Mancha Negra, que aqui governa enquanto tirano absolutista, controlando este vasto universo com mão de ferro. Mas quando João Bafo de Onça e o seu clã entram em ação, apontando armas aos soldados do Mancha Negra, não fica muito claro para Mickey e para os seus amigos Minnie, Pateta, Horácio e Clarabela, em que fação do combate se hão-de colocar. Depois, claro, há alguns volte-faces que, naturalmente, não revelarei sob pena de arruinar a experiência de leitura àqueles que lêem este texto.

Convém ressalvar que embora pelas minhas palavras possa parecer um ambiente futurista, as imagens que aqui coloco, da edição francesa, não enganam, permitindo-nos perceber que o universo criado pelos autores é mais do foro da fantasia de aventura do que, propriamente, de algo mais futurista ou de ficção científica.

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Deixem-me dizer-vos que a história, entretendo bem e tendo alguns bons elementos é, talvez, um pouco linear demais. Bem sei que estamos perante um livro do Mickey, que procura ser acessível para uma criança ou para um adulto, mas, não obstante, acho que o argumento poderia ter dado mais ao leitor. Ou então, claro, as páginas poderiam ser em maior número para que o fim da história não parecesse, de certa forma, algo apressado. No entanto, é uma história que se lê bem e que tem os seus pontos de interesse.

Quanto à edição da Panini Comics, o livro é em capa dura, com papel couché e um bom trabalho de encadernação e impressão. No final, temos um caderno de esboços e estudos, comentado por Camboni, que é muito bem-vindo. É interessante olhar para a edição brasileira e para a edição francesa ao mesmo tempo e, por esse motivo, farei o tal comparativo entre ambas as edições num artigo futuro. Para já, digo apenas que a edição brasileira, sendo inferior em termos qualitativos à edição francesa é, ainda assim, bem conseguida.

Olhando, por fim, não apenas para este excelente Mickey e a Terra dos Anciões mas, também, para toda a série Disney Glénat, acho que podemos dizer que todos nós já gastámos (investimos?) horas da nossa vida nas revistas da Disney, certo? Pois agora imaginem que, de alguma forma, esse universo mágico que nos ficou na retina ao longo de décadas, era recapturado por autores de renome e nos era dado numa bandeja de prata. Ainda vou mais longe! Se formos justos, concordaremos que os nossos gostos, leitores de banda desenhada, também foram sendo refinados à medida que crescemos e que fomos aprofundando o nosso conhecimento em banda desenhada tendo, quiçá, posto de lado as revistas da Disney. Mas a proposta da Disney Glénat parece perceber isso muito bem - e talvez seja esse o grande segredo no sucesso desta coleção – e decide projetar obras de banda desenhada que podem muito bem ser lidas por crianças a partir dos 6 anos, mas que também estão direcionadas ao público que já tem 66 anos (ou mais) e quer, de alguma forma, subtrair um 6 à sua idade e voltar a ser criança. E sim, acima de tudo, o bom da coleção Disney Glénat é que nos permite, a nós adultos, voltarmos a ser crianças através de bandas desenhadas majestosamente bem concebidas. Leiam em francês ou em português do Brasil… mas leiam!


NOTA FINAL (1/10):
8.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)

Ficha técnica
Mickey e a Terra dos Anciões
Autores: Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni
Editora: Panini Comics
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23.5 x 31.2 cm
Lançamento: 2022

sexta-feira, 1 de abril de 2022

A ASA confirma que vai trazer a Disney Glénat para Portugal!!!

 

Mas que notícia fantástica que o Vinheta 2020 avança em primeira mão, após longos meses de negociações entre a ASA e a Glénat!

A coleção dos Originais Disney da Glénat já era algo que os leitores portugueses de banda desenhada  há muito pediam!

Esta é uma coleção carregada de qualidade, em que todos os livros são feitos por autores consagrados da banda desenhada europeia que, no seu próprio estilo, desenvolvem histórias originais. São livros magníficos que recebem agora a edição portuguesa merecida!


Ou isso... ou então, hoje é o dia 1 de Abril e eu preguei-vos uma partida do Dia das Mentiras!!!

Pois... infelizmente, desta vez, apeteceu-me dar-vos uma fake new. Por muito que eu e muitos, muitos, muitos leitores portugueses assim o desejassem, a série dos Originais da Disney da Glénat não tem previsto o seu lançamento em Portugal. Foi uma graçola, que espero que perdoem, e que talvez tenha, pelo menos, o condão de fazer (re)nascer o debate sobre a necessidade da publicação desta série em Portugal.

Bem sei que o investimento exigido pela Glénat/Disney para que uma editora possa publicar por cá estes livros é enorme. Mas, caramba, será que isto não iria vender que nem pãezinhos quentes? Álbuns da Disney, carregados de qualidade, em boas edições e com excelentes autores? Uma oferta irrecusável!

Fica o meu desejo no ar. Quem sabe num dia não anuncio o lançamento desta coleção por cá (seja da ASA ou de outra qualquer editora) sem que seja mentira?!

Abaixo, e para vosso conhecimento, deixo as capas desta fantástica coleção: