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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Análise: Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas)

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa
Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil)

Recentemente aproveitei a oportunidade para mergulhar no universo de Michel Vaillant, lendo alguns dos livros que mais recentemente foram por cá editados pela editora ASA. É por isso que hoje vos trago um artigo sobre seis(!) dos últimos livros de Michel Vaillant. E a minha conclusão perante estas obras não é propriamente animadora, tenho que confessar. Mas já la irei.

Hoje falo-vos um pouco de Redenção e Remparts (Lapière, Bourgne e Eillam); de No Inferno de Indianápolis e Alma dos Pilotos (Lapière e Dutreuil); e de Origens e Seventies (Jean Graton).

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa
Há que admitir que todos estes livros demonstram bem que a marca Michel Vaillant, originalmente criada por Jean Graton, continua viva e editorialmente ativa. Contudo, essa vitalidade quantitativa está longe de se refletir numa verdadeira relevância criativa. Entre os álbuns da série Nova Temporada, os títulos da nova coleção Corridas Lendárias e os volumes de Histórias Curtas, recuperadas do passado, fica a sensação de que a franquia atravessa uma crise de identidade profunda, dividida entre a tentativa de modernização, por um lado, e a incapacidade de encontrar uma voz verdadeiramente contemporânea, por outro. Se quiserem ler um bom livro deste universo, leiam Henri Vaillant. Esse, sim, não sendo perfeito, foi dos melhores livros deste universo que li em anos. O único que, sinceramente, vale mesmo a pena. A não ser que sejam fãs incondicionais da série, está claro.

Começando pelos dois volumes mais recentes da série moderna, posso dizer-vos que Redenção e Remparts, assinados por Philippe Lapière, Marc Bourgne e Eillam, ilustram bem essa dificuldade criativa que se regista nesta série. Isto porque apesar destes dois livros - e dos seus antecessores - procurarem inserir Michel Vaillant no contexto atual do desporto automóvel, com temas contemporâneos e uma maior preocupação com o realismo das competições, os resultados dificilmente ultrapassam a mediania.

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa
Não são trabalhos intragáveis, mas são "fraquinhos", com as histórias a carecerem de impacto, audácia e, ironicamente, contemporaneidade. Os enredos desenvolvem-se de forma funcional, previsível e pouco memorável ou inspirada. Existe ainda uma certa dificuldade em criar personagens verdadeiramente cativantes. Michel Vaillant continua a ocupar o centro da narrativa, claro, mas é uma personagem bastante unidimensional, que raramente demonstra a profundidade ou complexidade necessárias para sustentar sozinho o (pouco) peso dramático das histórias. E muitas das figuras secundárias surgem como instrumentos narrativos, sem espaço para evoluírem ou se tornarem realmente interessantes.

Os desenhos são competentes e reconhecíveis, mas raramente impressionam - muito embora, considere as capas desta Nova Temporada muito bonitas. Há dinamismo suficiente para ilustrar as corridas, mas falta alguma personalidade artística. Tudo parece funcional, mas pouco inspirado, mostrando que, mais do que tudo, estes álbuns estão a ser produzidos para cumprir uma determinada fórmula editorial previamente estabelecida. E o resultado é uma série que, de tempos a tempos, ainda consegue apresentar um volume relativamente interessante, mas que raramente deixa qualquer marca duradoura no leitor. 

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa
E quando terminamos a leitura, a sensação predominante não é a de termos acompanhado uma história marcante, mas apenas mais um episódio de uma série que continua a avançar por capricho editorial ou para continuar a alimentar um público envelhecido e nostálgico que talvez esteja mais preocupado em continuar a comprar a série, por colecionismo, do que por qualidade.

Essa sensação torna-se ainda mais evidente quando chegamos à coleção Michel Vaillant - Corridas Lendárias. Em teoria, a iniciativa tinha potencial: recuperar o espírito clássico da obra de Jean Graton, apostar em histórias mais autocontidas e celebrar momentos históricos do automobilismo. Na prática, porém, o resultado revela-se profundamente decepcionante.

Tanto No Inferno de Indianápolis como A Alma dos Pilotos parecem existir num território desconfortável entre a homenagem e, com todo o respeito, a imitação barata. As histórias tentam recriar o ambiente dos álbuns clássicos sem, contudo, compreender aquilo que os tornava especiais. O resultado são narrativas pouco inspiradas, previsíveis e incapazes de gerar verdadeiro entusiasmo.

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa
E o problema agrava-se ao nível gráfico. Se a série moderna é competente sem maravilhar, esta coleção dá frequentemente a sensação de regressão. As personagens apresentam expressões faciais rígidas e pouco naturais e muitas sequências transmitem uma estranha falta de energia. Em vez de homenagear Graton, acabam por destacar a distância - abismo! - que separa estes novos autores da qualidade do criador original.

O mais frustrante, pois por isso, é que Corridas Lendárias falha em ambas as direções possíveis. Não consegue ser uma continuação digna do legado clássico e também não tem a coragem de propor algo verdadeiramente novo. É uma série que parece ficar presa numa espécie de nostalgia sem ambição, limitando-se a reproduzir - de forma superficial - alguns elementos familiares, mas sem encontrar uma razão convincente para existir.

Curiosamente, - ou deverei dizer, expectavelmente? - a iniciativa mais interessante entre estes seis livros acaba por ser a mais simples: a publicação dos volumes Michel Vaillant - Histórias Curtas 1: Origens e Michel Vaillant - Histórias Curtas 2: Seventies. Não porque estas histórias sejam irrepreensíveis, mas porque oferecem algo que as restantes obras dificilmente conseguem reproduzir: autenticidade.

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa
Ao ler estas narrativas assinadas por Jean Graton, o criador original da série, percebemos imediatamente que estamos perante um autor que possuía uma visão clara da sua criação. Existem limitações evidentes, naturalmente associadas à época em que muitas destas histórias foram produzidas, mas também existe uma energia criativa e uma personalidade que se tornaram raras nas produções mais recentes.

É verdade que várias destas histórias não envelheceram particularmente bem. A narrativa sobrecarregada de texto pode parecer ingénua, bem como algumas soluções dramáticas são datadas, pertencendo claramente a outro tempo. No entanto, existe nestes livros uma honestidade criativa que acaba por compensar muitas dessas fragilidades.

Além disso, estes dois volumes funcionam como uma espécie de "auto-homenagem" ao percurso de Jean Graton, pois permitem ao leitor acompanhar a evolução do autor, revisitar momentos importantes da personagem e compreender melhor as raízes de uma série mítica como esta. 

Em termos de edição, todos os livros apresentam um aspeto agradável. No miolo, os seis livros têm bom papel brilhante, com a encadernação e impressão a estarem igualmente bem executadas. Todas as capas são duras, embora as dos livros da Nova Temporada apresentem acabamento brilhante, enquanto as outras são baças. O formato dos livros de Corridas Lendárias e de Histórias Curtas é ligeiramente superior aos de Nova Temporada. Finalmente, os dois livros de Histórias Curtas incluem textos de apoio. E o primeiro dos dois, Michel Vaillant - Histórias Curtas 1: Origens tem ainda, no final, um texto particularmente interessante, o que beneficia em muito a edição.

No final, a conclusão não é particularmente animadora. Michel Vaillant continua a ser uma marca ativa, mas dificilmente se pode dizer que esteja a atravessar um período criativamente relevante. Talvez ainda exista um público fiel e envelhecido que continue a acompanhar estas publicações por afeto e nostalgia. É perfeitamente legítimo. O problema é que, olhando apenas para a qualidade das obras, é difícil evitar a sensação de que Michel Vaillant vive cada vez mais da memória do que da capacidade de continuar a produzir banda desenhada verdadeiramente memorável.


NOTAS FINAIS (1/10):
Redenção: 7.0
Remparts: 6.8
No Inferno de Indianápolis: 6.0
Alma dos Pilotos: 5.5
Histórias Curtas 1: Origens: 8.0
Histórias Curtas 2: Seventies: 7.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa

Fichas técnicas
Michel Vaillant - Redenção
Autores: Lapière, Bourgne e Eillam
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 294 x 221 mm
Lançamento: Novembro de 2024

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa

Michel Vaillant - Remparts
Autores: Lapière, Bourgne e Eillam
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 294 x 221 mm
Lançamento: Março de 2026

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa

Michel Vaillant - Corridas Lendárias 1 - No Inferno de Indianápolis
Autores: Lapière e Dutreuil
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 320 x 240 mm
Lançamento: Março de 2025

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa

Michel Vaillant - Corridas Lendárias 2 - A Alma dos Pilotos
Autores: Lapière e Dutreuil
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 320 x 240 mm
Lançamento: Maio de 2026

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa

Michel Vaillant - Histórias Curtas 1 - Origens
Autor: Jean Graton
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 320 x 240 mm
Lançamento: Junho de 2023

Michel Vaillant (Nova Temporada, Corridas Lendárias e Histórias Curtas) - Jean Graton, Lapière, Bourgne, Eillam e Dutreuil) - ASA - LeYa

Michel Vaillant - Histórias Curtas 2 - Seventies
Autor: Jean Graton
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 320 x 240 mm
Lançamento: Março de 2024

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Análise: Henri Vaillant

Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi

Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi
Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi

Um dos livros com que a editora ASA fechou o seu ano editorial de 2025, foi este Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi, que mais não é do que uma prequela ao universo de Michel Vaillant.

Tendo sido inicialmente editado em três álbuns, a editora ASA optou, e bem, por editá-los num só volume triplo, uma vez que a história fica encerrada no conjunto destes três livros.  

Henri Vaillant é o pai de Michel Vaillant e, tal como o nome da obra assim faria crer, é nele que se centra esta história. Henri Vaillant é-nos apresentado pelo argumentista Marc Bourgne como um homem forjado pela adversidade e pelo seu tempo. Sendo um mecânico talentoso a viver numa época em que o contexto europeu é marcado por convulsões sociais, guerras e instabilidade económica, Henri mostra-se resiliente e forte de tal modo, que consegue construir a pulso uma marca automóvel, não só com ambições industriais, como também desportivas, já que Henri é apaixonado pelas corridas de carros e até participa em algumas enquanto condutor, embora não tenha tanto talento assim como, um dia, mais tarde, o seu filho Michel virá a ter. Mas isso é algo que todos nós, conhecedores da série, já sabemos.

Henri Vaillant é um homem obstinado, orgulhoso e frequentemente incapaz de demonstrar afeto - atitude considerada normal e viril à época -, que se revela, numa vertente, um visionário empresarial e desportivo e, noutra, um homem cheio de falhas: é um marido imperfeito, marcado pela infidelidade, e um pai impaciente que coloca o trabalho acima da família. A sua vida é feita de compromissos difíceis, escolhas moralmente ambíguas e de uma vontade quase obsessiva de vencer, não por glória pessoal, mas pela necessidade de provar que é possível criar algo duradouro num mundo em constante colapso, lançando assim as bases da marca Vaillante.

Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi
Este é um livro que me agradou especialmente, tendo em conta que, confesso, não sou um enorme fã da série. Quer das temporadas mais recentes, quer mesmo dos tempos dourados de Jean Graton. Reconheço-lhe relevância, claro está, e em criança também eu me maravilhei um pouco com as dinâmicas e emocionantes corridas de carros em banda desenhada que Graton nos ofereceu, mas sempre achei que, do ponto de vista do argumento, faltava algo à série. E talvez seja mesmo este Henri Vaillant que, partindo de uma personagem secundária do universo de Michel Vaillant, consegue um feito especial ao propor-se fazer aquilo que muitas vezes falta nas grandes séries: parar, olhar para trás e perceber de onde tudo veio.

A personagem de Henri Vaillant já era vista como o patriarca duro e rabugento e visionário, sim, mas aqui, em oposição a isso, ganha finalmente espessura humana. O livro traça de forma muito competente a história da família Vaillant, colocando o foco quase exclusivo no pai de Michel, e conseguindo fazê-lo sem recorrer a truques fáceis ou a dramatizações artificiais.

O grande mérito do argumento de Marc Bourgne está precisamente nessa abordagem contida. Gostei especialmente do lado humano - e até "normal", diria - com que Henri é retratado: um homem com qualidades e defeitos bem visíveis, sem nunca cair na tentação de o transformar num herói trágico ou numa vítima do destino. A história flui com naturalidade e revela um cuidado raro na construção psicológica da personagem. Até a própria personagem de Michel Vaillant que aqui aparece, primeiramente, como uma criança e, depois como um jovem adulto intempestivo e rebelde, ganha alguma profundidade.

Não estamos perante uma história maior do que a vida, daquelas que nos marcam para sempre, mas confesso que, tendo em conta que estamos a falar de um livro de Michel Vaillant, ou do seu universo, não estava à espera de algo tão sólido. 

Acima de tudo, trata-se de uma narrativa profundamente verosímil. Bourgne apresenta-nos um homem moldado pela sua época, afetado pelos contextos político-sociais da Europa do início do século XX, e que tenta, a pulso, criar uma marca automóvel capaz de sobreviver no mercado e competir nas pistas. Nada soa forçado ou deslocado. Poderia ser a história real de uma pessoa.

A questão da infidelidade está lá, bem presente, conforme já mencionei, e contribui para essa sensação de realidade crua e pouco romantizada. Não obstante, considero que esta nuance "salgada" na vida de Henri talvez pudesse - ou, diria mesmo, devesse - ter sido mais explorada, pois teria reforçado ainda mais a credibilidade emocional da narrativa e o seu tom mais adulto.

Se a história convence e surpreende, já no campo gráfico a experiência é mais irregular. O trabalho de Claudio Stassi é eficiente e cumpre satisfatoriamente a sua função narrativa, mas raramente vai além disso. Para um álbum que se assume como uma produção especial dentro do universo Michel Vaillant, devo dizer que esperava um pouco mais de arrojo visual.

Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi
Não é que os desenhos sejam maus - longe disso -, mas sente-se a ausência de algo verdadeiramente distintivo, com várias vinhetas a carecerem de maior apuro e composição, algo que poderia ter elevado o impacto visual da obra e acompanhado melhor a força do argumento.

Em vários momentos, os fundos reduzem-se a manchas de cinzento que servem apenas para preencher espaços, deixando os cenários mais despidos do que o desejável.

É, no entanto, no desenho dos carros e sobretudo na quase ausência de sensação de movimento, que o traço do argumentista Claudio Stassi mais peca. Especialmente, se compararmos o seu trabalho com o do mestre Jean Graton  E, lá está, num universo onde o automóvel e a velocidade são elementos tão importantes, esta limitação torna-se mais evidente. Também as expressões faciais surgem por vezes algo rígidas e estáticas. Mantenho que não acho que a obra se deva "envergonhar" pelo seu desenho, mas simplesmente também não se pode propriamente vangloriar do mesmo.

Mais de metade do livro é apresentada a preto e branco, numa escala de cinzentos bastante sóbria. O segundo terço da obra passa gradualmente à cor, numa clara tentativa de assinalar a passagem do tempo. Gostei da forma faseada como esta transição é feita, permitindo ao leitor perceber a intenção narrativa sem que a mudança se torne abrupta.

A edição da ASA é em capa dura baça, com bom papel ligeiramente brilhante, boa encadernação e boa impressão. No final do livro, há uma página a simular um álbum de fotografias da família Vaillant e uma página com o modelo, em lápis de carvão, do carro Vaillante Le Mans 01.

Em suma, não só Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios me surpreendeu pela positiva - mesmo sem ser especialmente empolgante em termos gráficos, admita-se - como é uma leitura indispensável para qualquer fã da série. Prova ainda que há espaço para contar boas histórias no universo Michel Vaillant desde que se tenha a coragem de abrandar, olhar para as personagens e tratá-las como pessoas de carne e osso.


NOTA FINAL (1/10):
8.4




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi

Ficha técnica
Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios
Autores: Marc Bourgne e Claudio Stassi
Editora: ASA
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 295 x 221 mm
Lançamento: Novembro de 2025

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

ASA lança integral de BD sobre o pai de Michel Vaillant!



A ASA acaba de lançar uma banda desenhada que nos mergulha na criação da equipa Vaillant, focando-se na caminhada de Henri, o pai de Michel Vaillant.

Este livro tem autoria de Marc Bourgne e Claudio Stassi. O primeiro, tem colaborado em vários dos mais recentes álbuns da nova série Michel Vaillant.

A obra foi originalmente lançada em três volumes que a ASA agora agrupa nesta edição integral, o que me parece uma boa opção editorial.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios, de Marc Bourgne e Claudio Stassi

Henri é o pai de Michel Vaillant e uma das personagens mais fascinantes da série, mas saberemos verdadeiramente como iniciou ele a sua família e como conseguiu criar a sua mítica equipa?

Uma vida de desafios levanta o véu sobre os bastidores da história.

Parta ao encontro de Henri Vaillant, o rabugento e carismático fundador da marca Vaillante!

Uma leitura indispensável, que faz uma espantosa ponte gráfica com O grande desafio!

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Ficha técnica
Henri Vaillant - Uma Vida de Desafios
Autores: Marc Bourgne e Claudio Stassi
Editora: ASA
Páginas: 168, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 295 x 221 mm
PVP: 24,90€

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

ASA anuncia 3 novas BDs para 2026! E todas elas são obras premiadas!


Foi durante a tarde de ontem que, num evento fechado aos media e a algumas das principais livrarias do país, a ASA anunciou o seu plano editorial para os próximos meses.

Relativamente às novidades apontadas ao que falta do ano 2025, não houve novidades, mas a confirmação daquilo que já tinha sido anunciado, em primeira mão, aqui no Vinheta 2020.

Relembrando essas novidades, teremos, então, a sair durante este mês, os livros Impenetrável, de Alix Garin, e O Homem de Negro, de Panaccione e DiGregorio. O mês de Outubro será inteiramente dedicado a Astérix na Lusitânia - o primeiro dos Astérix que ocorre em terras lusas. O mês de Novembro irá trazer-nos a publicação do primeiro integral (de quatro), de Tintin; a edição comemorativa dos 70 anos de Tintin e O Caso Girassol; Blake e Mortimer - A Ameaçã Atlante; Blake e Mortimer - Dupla Exposição e Henri Vaillant, que será um livro que reunirá 3 tomos sobre a vida do pai da personagem Michel Vaillant.

Mas foi no levantamento do véu para o primeiro trimestre de 2026 que a ASA anunciou três belas novidades, todas elas vencedoras (ou finalistas) dos últimos prémios de Angoulême, que muito empolgado me deixaram, e que passo a citar:

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Michel Vaillant está de regresso!



A editora ASA acaba de publicar o novo volume da série Michel Vaillant.

Este novo volume intitula-se Redenção e é assinado pelos autores Lapière, Bourgne e Eillam.

Tem sido, quanto a mim, uma série algo irregular em termos qualitativos. A ver vamos como se sai este novo tomo.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Michel Vaillant - Redenção, de Lapière, Bourgne e Eillam

O cenário é desta feita o Grande Prémio da Indycar, Flórida.

Elsa Tainmont, piloto canadense do Team Vaillant, substitui Michel que deixou a competição para acompanhar Françoise, que sofre de cancro.

Mas o caso do “Senador Warson” mudará tudo... Porque Steve voltará ao volante de um Vaillant pelas famosas 500 milhas! Uma manobra do FBI, que quer forçar o assassino que o persegue a sair das sombras, especialmente porque Michel e Elsa também estarão na corrida. 

Warson não sabe, mas uma terrível revelação o aguarda...

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Ficha técnica
Michel Vaillant - Redenção
Autores: Lapière, Bourgne e Eillam
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 294 x 221 mm
PVP: 14,95€

quinta-feira, 28 de março de 2024

Análise: Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo

Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau - ASA - LeYa

Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau - ASA - LeYa
Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau

Se há livros mornos, daqueles que não aquecem nem arrefecem, os da nova coleção de Michel Vaillant são ótimos exemplos dessa estirpe. E dizer isto não é afirmar que estas novas aventuras de Michel Vaillant são livros mal concebidos ou que nos dão uma má experiência de leitura. Nada disso. Cumprem. Mas, cumprindo, parecem fazê-lo com os serviços mínimos.

Toda a premissa da série, já nos tempos de Jean Graton, sempre foi, naturalmente, as corridas de carros. E, para os fanáticos pelo desporto automóvel, nas suas mais diferentes vertentes, esta série acaba por ser apelativa, com desenhos de carros variados a alta velocidade, que conseguem agradar. Mesmo assim, se tirarmos essa valência, encontraremos argumentos bastante simplistas, com histórias muito lineares e personagens que pecam por serem algo unidimensionais.

Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau - ASA - LeYa
Hoje falo-vos dos dois mais recentes volumes da série: Cannonball e O Alvo.

Começando pelo primeiro, Cannonball coloca Michel Vaillant a fazer uma corrida em estrada aberta que atravessa os Estados Unidos. Desde Nova Iorque a Los Angeles. Tudo começa quando POG, um famoso youtuber, desafia Michel para a referida corrida. Primeiro, Michel hesita, mas depois acaba por aceitar fazer parte desta corrida à margem da lei. Mas logo se torna percetível que alguém pretende sabotar o carro de Michel.

Embora tenha apreciado a tentativa de fazer um álbum de Michel Vaillant que não fosse “mais do mesmo”, devo dizer que este livro apresenta bastantes problemas. Em primeiro lugar, a premissa parece-me demasiado fraca e até mesmo forçada. As razões para levarem Michel a fazer parte da corrida Cannonball, bem ao género de um videojogo Need For Speed ou de um filme Velocidade Furiosa, parecem-me completamente despropositadas e que em nada se adequam à personagem de Michel. Nem sei bem como é que esta ideia foi aceite pelos responsáveis pela série.

Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau - ASA - LeYa
Não estou a dizer que as personagens clássicas devem obedecer sempre às mesmas premissas unilaterais que as caracterizam. Uma alteração nos comportamentos e atitudes das personagens até pode ser vantajoso, mas, para tal, é necessário que, em termos de argumento, essa nova premissa se torne sustentada e sustentável. Não me parece que seja o que acontece em Cannonball.

Em O Alvo, já temos uma história que me parece bem mais viável e bem conseguida. A trama segue alguns dos acontecimentos do anterior Cannonball, mas, desta feita, somos remetidos para o universo mais clássico de corridas da série. 

O senador Warson, amigo de Michel, anuncia que deixará a política após as eleições presidenciais para se dedicar totalmente às corridas de automóveis. Talvez por isso, um grupo de extremistas começa a preparar o seu assassinato em plena corrida Le Mans. Aqui o exercício narrativo acaba por ser interessante, pois o leitor sabe de antemão que Warson é o alvo e que se prepara um atentado contra si nos bastidores. E isso torna a leitura mais aliciante. É verdade que o relato, argumento e desenvolvimento das personagens nunca são espetaculares, mas este O Alvo acaba por ser, ainda assim, uma leitura interessante e que remete para alguns dos melhores álbuns da série clássica de Graton. É especialmente melhor, quando comparado com Cannonball.

Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau - ASA - LeYa
Quanto ao desenho, o trabalho apresentado nestes dois álbuns mantém-se fiel aos restantes álbuns da série. É um desenho moderno e eficiente que, não sendo fantástico, tem bons momentos. Especialmente nas cenas em que os carros protagonizam o que se passa nas vinhetas.

Importa dizer que também na questão do desenho, o trabalho de O Alvo supera o de Cannonball. Neste último, o desenho é feito por Marc Bourgne e Olivier Martin, enquanto que em O Alvo, Marc Bourgne volta a ser o desenhador mas, neste caso, une forças aoo trabalho de Benjamin Benéteau.

De resto, e recuperando o que já escrevi para análise a outros volumes da série: “a planificação da história tenta ter alguma dinâmica, com a introdução de vinhetas de vários tamanhos e formas, o que possibilita especialmente que tenhamos a sensação de velocidade e urgência durante as corridas. Em suma, em termos gráficos, é um trabalho que cumpre, mas sem distinção. Está longe de ser mau, mas também lhe falta várias coisas para, a meu ver, ser verdadeiramente especial.”

Falando da edição, ambos os livros apresentam capa dura brilhante, bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Tudo feito à imagem do que a editora ASA nos tem habituado nesta coleção.

Concluindo, Cannonball e O Alvo são mais dois álbuns para a nova série de Michel Vaillant que apresentam uma diferença qualitativa entre si, sendo que o primeiro é bastante mais fraco - a todos os níveis - do que o segundo, que se apresenta mais em linha com aquilo (de bom) a que esta série clássica da banda desenhada europeia nos habituou.


NOTAS FINAIS (1/10):

Michel Vaillant – Cannonball: 6.5
Michel Vaillant – O Alvo: 7.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau - ASA - LeYa

Fichas técnicas
Michel Vaillant - Cannonball
Autores: Denis Lapière, Marc Bourgne e Olivier Marin
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2022

Michel Vaillant - Cannonball e O Alvo, de Lapière, Bourgne, Marin e Benéteau - ASA - LeYa

Michel Vaillant – O Alvo
Autores: Denis Lapière, Marc Bourgne e Benjamin Benéteau
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2023

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

ASA lança novo livro de Michel Vaillant!


A ASA lançou já há uns dias o novo volume de Michel Vaillant.

Este novo tomo - que é o 11º da chamada Nova Temporada - intitula-se Cannonball e é assinado pelos autores Denis Lapière, Marc Bourgne e Olivier Marin.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Michel Vaillant - Cannonball, de Denis Lapière, Marc Bourgne e Olivier Marin

Quando POG, um famoso youtuber e colecionador de carros de corrida, desafia publicamente Michel Vaillant para uma corrida em estrada aberta, de Nova Iorque a Los Angeles, este a princípio fica cético.
Mas, aconselhado pela sua equipa, não resiste a, também ele, deixar o seu nome associado à mítica aventura sem regras conhecida como Cannonball. Iniciada a corrida, cedo se percebe que alguém está determinado a que o novo modelo de Vaillant, o MontlHéry, nunca a termine. Irão as centenas de milhares de fãs que seguem Michel Vaillant e POG nas redes sociais assistir, em direto, ao canto do cisne de duas das maiores estrelas do mundo automóvel? Aviso: emoções impróprias para cardíacos!

Criado em 1957 por Jean Graton, Michel Vaillant incorpora um ideal: o de um campeão do desporto automóvel que é simultaneamente honesto, leal e corajoso. Membro da equipa Vaillante, fundada pelo seu pai, ele é um piloto excecional que não hesita em colocar-se em perigo para ajudar os outros, denunciar uma injustiça ou desmascarar fraudes e vigaristas.

Michel Vaillant é uma das mais populares séries da banda desenhada franco-belga, com cerca de 80 álbuns publicados até à data e mais de 6 décadas de sucesso!

Exaustivamente documentada, sempre na vanguarda da atualidade e desenhada com uma excecional precisão, esta série dá a conhecer o vibrante mundo do desporto automóvel, ao mesmo tempo que evidencia, com realismo e muita sensibilidade, as relações familiares no seio do clã Vaillant.

Em 2012, após uma profunda reflexão sobre a personagem, Philippe Graton (filho de Jean Graton, o criador) dá início a uma nova temporada da série Michel Vaillant, de que este é o décimo primeiro volume.



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Ficha técnica
Michel Vaillant - Cannonball
Autores: Denis Lapière, Marc Bourgne e Olivier Marin
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 11,90€

terça-feira, 22 de março de 2022

Análise: Michel Vaillant - Pikes Peak

Michel Vaillant - Pikes Peak, de Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil - ASA (Leya)

Michel Vaillant - Pikes Peak, de Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil - ASA (Leya)
Michel Vaillant - Pikes Peak, de Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil

Pikes Peak já é o 10º álbum da “Nova Temporada” que, desde 2012, ressuscitou Michel Vaillant e todo o universo da série originalmente criada por Jean Graton. Passados 10 álbuns, há que admitir que a tripla de autores responsável pela série - Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil – se sente como peixe dentro de água no tratamento da história e das personagens.

Neste 10º álbum, intitulado Pikes Peak, o seu principal trunfo é o facto de colocar Michel Vaillant e os seus adversários a disputarem uma das corridas mais perigosas e acidentadas do mundo: a Pikes Peak International Raceway, no Colorado. O que pressupõe belíssimas paisagens e a consequente oportunidade para nos dar vistosos desenhos. Isso é, de certa maneira, feito, mas poderia ser melhor. Aliás, a expressão “poderia ser melhor” é um sentimento constante que tenho tido após a leitura dos últimos volumes de Michel Vaillant. E, infelizmente, Pikes Peak não é exceção.

É que, não sendo livros propriamente “maus”, poderiam ser bem melhores, em quase todos os quadrantes, com um pouco mais de esforço ou paixão por parte dos autores. A verdade é que este Pikes Peak até se lê bem e até nos dá uma história que, sendo minimalista, capta a nossa atenção e mantém-nos entretidos. Mas parece sempre que o objetivo é cumprir os serviços mínimos, estão a ver? Imaginem aquele aluno que em todas as disciplinas, tem nota 10. Não é negativo, mas, lá está, “poderia ser melhor”.

Michel Vaillant - Pikes Peak, de Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil - ASA (Leya)
A história coloca-nos, conforme já referi, perante um novo desafio para Michel Vaillant, que é correr na corrida costeira mais louca do mundo, num percurso alucinante, a mais de 4000 metros de altitude e com 156 curvas que são delimitadas por precipícios. O perigo à espreita, portanto! Entretanto, Steve Warson, que se encontra envolvido nas eleições primárias para a presidência dos Estados Unidos, aparece para dar uma força moral a Michel Vaillant, enquanto o filho deste, Jean-Michel, cria um protótipo ultracompetitivo e Patrick trabalha no novíssimo Vaillante Grand Tourisme. Bob Cramer também marca presença neste Pikes Peak, o que apimenta um pouco aquela rivalidade clássica ao livro. Coisa que apreciei.

O argumentista Denis Lapière preocupa-se em criar muitas sub-narrativas para as personagens que rodeiam Michel Vaillant, mas a verdade é que, quanto a mim, essas sub-narrativas são tão superficiais que, às tantas, era preferível que o autor se focasse mais na narrativa geral, que diz respeito à corrida que Michel Vaillant se prepara para correr. Porque, convenhamos, as eleições primárias para a presidência dos Estados Unidos por parte de Steve Warson, ou os novos carros que estão a ser projetados, não são propriamente algo que acrescente “sumo” ao enredo total. E aquilo que um leitor de um álbum de Michel Vaillant quer ver, são as corridas. Frenéticas, violentas, impactantes. É certo que neste Pikes Peak até se tenta voltar ao espírito clássico da série, dando destaque (e páginas) à preparação da corrida e à corrida em si, mas, não obstante, ainda há muitas coisas acessórias, que nos desviam a atenção do essencial.

Michel Vaillant - Pikes Peak, de Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil - ASA (Leya)
Também compreendo que, passados tantos álbuns de corridas por parte de Vaillant, os criadores da série pretendam trazer algo de novo, desenvolvendo personagens, de forma a não nos darem mais uma corrida em que o protagonista vence. É demasiado expectável, sem dúvida. No entanto, parece-me que o rumo das histórias paralelas não traz grandes mais-valias aos álbuns. Não é que seja algo que estrague as leituras. Simplesmente poderia ser melhor.

Quanto ao desenho, e tal com o argumento, cumpre na eficácia de nos narrar visualmente a história. Não é fantástico, mas tem bons momentos. Recuperando o que escrevi por ocasião da análise ao álbum anterior, Duelos, “em termos de ilustração, este álbum continua aquilo que tem vindo a ser traçado nos álbuns anteriores, com a procura de um maior realismo na caracterização das personagens em comparação com a série clássica. O desenho dos carros também está fiel embora mais nuns casos, do que noutros. Admitindo que os desenhos são agradáveis para a vista, considero que lhes falta algo para serem verdadeiramente gratificantes para observarmos.

Os cenários têm poucos detalhes e as expressões das personagens são medianamente tratadas. A planificação da história tenta ter alguma dinâmica, com a introdução de vinhetas de vários tamanhos e formas, o que possibilita especialmente que tenhamos a sensação de velocidade e urgência durante as corridas. Em suma, em termos gráficos, é um álbum que cumpre, mas sem distinção. Está longe de ser mau, mas também lhe falta várias coisas para, a meu ver, ser verdadeiramente especial.”

Em termos de edição, respeita o tipo de edição habitual na editora ASA: capa dura brilhante, papel brilhante de boa gramagem e boa encadernação e impressão. Nada mais a objetar.

Em suma, Michel Vaillant – Pikes Peak prima pela tentativa (ténue) de procurar centrar o foco da história na corrida, propriamente dita. Porém, ainda se perde muito em sub-narrativas paralelas que pouco ou nada contribuem para a história. Relativamente aos desenhos, mantém a qualidade razoável dos álbuns anteriores. Lê-se bem, mas poderia ser melhor, sem dúvida.


NOTA FINAL (1/10):
7.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Michel Vaillant - Pikes Peak, de Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil - ASA (Leya)

Ficha técnica
Michel Vaillant - Pikes Peak
Autores: Denis Lapière, Benjamin Benéteau e Vincent Dutreuil
Editora: ASA
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Janeiro de 2022