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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Análise: Supergirl - Mulher do Futuro

Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely - Devir - DC Comics

Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely - Devir - DC Comics
Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely

Aproveitando a chegada às salas de cinema do filme Supergirl, com Milly Alcock enquanto protagonista, a editora Devir lançou recentemente o livro Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely. Editada originalmente em 2021, esta é uma obra que depressa recebeu aclamação do público e da crítica. E compreende-se porquê, devo dizer-vos.

Este livro procura redefinir quem é Kara Zor-El para lá da habitual sombra do Super-Homem e, para tal, apresenta-nos uma Supergirl mais madura, mais complexa e mais humana, levando-nos a embarcar numa aventura espacial com contornos de conto de fadas, western e epopeia de vingança. Sim, é tudo isso, esta obra!

A premissa até é simples, com a história a começar quando Ruthye Marye Knoll, uma jovem alienígena - mas com aspeto humano - procura a ajuda de Supergirl para perseguir Krem, o homem responsável pela morte do seu pai. Mas aquilo que poderia ser apenas mais uma narrativa de vingança - já tantas vezes vista noutros livros ou filmes, convenhamos - cedo se transforma numa longa viagem através do espaço, onde a busca pela justiça acaba por se revelar muito mais importante do que o simples desejo de retaliação.

Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely - Devir - DC Comics
Um dos elementos mais interessantes da obra é precisamente a forma como Tom King escolhe contar a narrativa. Em vez de seguir diretamente o ponto de vista da Supergirl, a história é relatada por Ruthye, já adulta, que recorda os acontecimentos alguns anos depois. Este recurso cria uma espécie de distanciamento, o que transforma a Supergirl numa figura quase mítica aos olhos da jovem narradora. Ao mesmo tempo, devo dizer que fiquei muito bem impressionado com a escrita de Tom King que se apresenta inspirada, com bom texto, bom ritmo e uma certo requinte que não é tão frequente assim em histórias de super-heróis. Não estava à espera de uma escrita tão elegante e aprimorada, devo dizer, portanto isso foi uma bela surpresa.

Ao longo da viagem das duas personagens, o argumentista constrói uma reflexão constante sobre violência, perda, maturidade e responsabilidade. A vingança de Ruthye acaba por funcionar apenas como um ponto de partida para um discurso muito mais amplo sobre o sofrimento e as escolhas que definem as pessoas. É uma obra que fala frequentemente da capacidade de continuar em frente apesar da dor. E essa dor é sentida por cada uma destas duas mulheres à sua própria maneira.

Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely - Devir - DC Comics
O argumento destaca-se também pela forma como desenvolve a própria Supergirl. É verdade que a personagem foi muitas vezes retratada como uma versão secundária do Super-Homem, mas aqui ganha finalmente uma identidade própria, surgindo como alguém marcado por experiências traumáticas que Clark Kent jamais viveu, nomeadamente a recordação da destruição de Krypton e da vida que perdeu. E isso gera, claro, uma profundidade na personagem que me agradou bastante. E são especialmente as fragilidades da personagem aquilo que a torna mais interessante. Esta não é uma figura perfeita ou inalcançável, mas sim uma mulher que tenta fazer o melhor possível num universo frequentemente cruel e injusto.

Sendo um belo livro de banda desenhada, com uma abordagem madura e menos infantil, também devo dizer que, por vezes, a história parece mais preocupada com as ideias que pretende transmitir do que com a ação propriamente dita, o que pode afastar alguns leitores.

Outra coisa que não apreciei tanto na obra é que, sensivelmente a meio da mesma, a viagem de Kara e Ruthye começa a acumular episódios, encontros e desvios que nem sempre parecem contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da história principal. Parecem "fillers". Embora Tom King mantenha a qualidade dos diálogos e dos temas abordados, concedo, fica a sensação de que várias personagens e acontecimentos introduzidos ao longo da demanda das personagens não são plenamente aproveitados nem têm o impacto dramático que inicialmente prometiam. Alguns destes elementos acabam por desaparecer da narrativa quase tão rapidamente como surgem, tornando o percurso algo irregular e diluindo parte da força emocional que a obra exibe nos seus momentos mais marcantes. Felizmente, a obra recupera o rumo na reta final e termina com a intensidade que o tornou tão elogiado.

Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely - Devir - DC Comics
Visualmente, o álbum é absolutamente extraordinário. O trabalho meticuloso de Bilquis Evely eleva cada página a um nível impressionante. Os cenários alienígenas, os planetas visitados pelas protagonistas e a vastidão do espaço são retratados com um detalhe e uma beleza que raramente encontramos nas séries regulares de super-heróis. Existe uma elegância constante no traço que ajuda a equilibrar os momentos mais duros e violentos da narrativa.

E também a componente cromática merece igualmente destaque, com as cores a contribuírem para reforçar o ambiente onírico da obra, alternando entre paisagens luminosas e momentos mais sombrios. O resultado é um universo rico e visualmente inesquecível que parece saído de um grande livro ilustrado de fantasia.

Apesar de todas as suas qualidades, Supergirl - Mulher do Futuro poderá não conquistar todos os leitores. Quem procura uma aventura clássica de super-heróis, repleta de combate e espetáculo, poderá estranhar o ritmo mais contemplativo e a forte componente introspectiva da narrativa. É uma obra mais interessada em explorar personagens e emoções do que em oferecer ação constante. E, talvez mesmo por esta razão, e apesar de algumas ressalvas que apontei acima, gostei bastante deste livro.

Quanto à edição, a obra apresenta capa dura baça, bom papel brilhante no interior e uma excelente qualidade ao nível da encadernação, impressão e acabamentos. No final, há ainda uma galeria de desenhos e capas alternativas, com 12 páginas.

Em suma, Supergirl - Mulher do Futuro afirma-se como uma das melhores histórias protagonizadas por Kara Zor-El e uma das obras mais interessantes da DC Comics dos últimos anos. Tom King oferece-nos um argumento inteligente, emocionalmente rico e muito bem escrito, enquanto Bilquis Evely produz algumas das páginas mais belas que a personagem alguma vez recebeu. 


NOTA FINAL (1/10):
8.8


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely - Devir - DC Comics

Ficha técnica
Supergirl - Mulher do Futuro
Autores: Tom King e Bilquis Evely
Editora: Devir
Páginas: 224, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Junho de 2026

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Análise: Joker

Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo - Devir - DC Pocket


Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo - Devir - DC Pocket
Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo

Inserido no arranque da nova Coleção DC Pocket, da Devir, estava - além do fantástico Batman - Cavaleiro Branco, de Sean Murphy - este Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo. Tal como o livro de Sean Murphy que refiro, também este já havia sido previamente publicado em Portugal pela editora Levoir... duas vezes.

Originalmente publicado em 2008, este Joker propõe-nos uma visão sombria e realista do mais famoso inimigo de Batman. A história decorre fora da continuidade principal do universo DC e acompanha o regresso do Joker às ruas de Gotham após uma misteriosa libertação do Asilo Arkham. Em vez de apresentar o vilão como uma figura quase caricatural, a obra procura retratá-lo como um criminoso brutal e imprevisível. E credível. E aqui, o verdadeiro protagonista é mesmo Joker. Batman aparece, sim, mas tem um papel menor nesta narrativa.

Quem nos conta a história é Jonny Frost, um pequeno criminoso que se torna motorista e acompanhante de Joker. E acho que isso é um grande trunfo utilizado pelo argumentista Brian Azzarello. É que, ao olhar para os acontecimentos pelos olhos de alguém fascinado pelo poder e pelo carisma do vilão, o leitor é conduzido para o interior do submundo de Gotham, sendo colocado próximo do caos que Joker representa. E isto tudo dá um sentido de tensão latente que se vai experienciando ao longo de todo o livro. 

À medida que a narrativa avança, Joker tenta recuperar a influência que perdeu durante o tempo em que esteve internado, com a história a transformar-se numa guerra pelo controlo da cidade, culminando numa reflexão amarga sobre a natureza destrutiva do próprio Joker e sobre aqueles que se deixam seduzir pela sua personalidade. 

Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo - Devir - DC Pocket
Um dos aspetos menos conseguidos da obra, quanto a mim, sente-se na construção da narrativa em determinados momentos. É que, apesar de a história assentar numa premissa relativamente simples - o regresso de Joker ao topo da hierarquia criminosa de Gotham -, Azzarello introduz por vezes algumas dinâmicas entre as várias figuras do submundo que tornam o enredo desnecessariamente complexo. Certas alianças, conflitos e movimentações entre personagens secundárias acabam por não acrescentar grande coisa ao tema central, criando momentos em que a leitura perde alguma fluidez ou que aparente não saber para onde ir. Já tinha lido o livro há uns anos - e tinha gostado muito - mas agora que o voltei a ler, senti esta fraqueza da obra mais presente.

Não obstante, um dos grandes méritos deste Joker é a forma como Brian Azzarello desconstrói a "romantização" da personagem, respondendo diretamente à tendência de muitos fãs - eu incluído - para admirarem o Joker como um rebelde carismático. Aqui, Joker apresenta essa rebeldia, mas de um modo demasiado extremo, mostrando-se profundamente perturbado, cruel e incapaz de sentir empatia por quem quer que seja.

Azzarello também demonstra um excelente domínio do subgénero criminal. Gotham é apresentada menos como uma cidade de super-heróis e mais como um território controlado por gangues, corrupção e interesses criminosos. Lembra-me, com as devidas diferenças, a abordagem noir de Ed Brubkaer nos seus Criminal ou Reckless, que tanto admiro.

Recordo que este livro foi publicado pouco tempo depois da atuação brilhante do ator Heath Ledger, enquanto Joker, no filme Batman - O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan. Pode-se, por isso, sentir que houve uma certa tentativa de cavalgar essa onda e esse hype da personagem, mas também não deixa de ser verdade que se procura criar uma narrativa tensa e memorável, por si só.

Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo - Devir - DC Pocket
Se a escrita é poderosa, a arte de Lee Bermejo eleva a obra para outro nível. O artista adota um estilo hiper-realista impressionante, cheio de detalhes e texturas. Cada rosto, cicatriz ou expressão transmite uma sensação de autenticidade que torna os acontecimentos ainda mais perturbadores. E a representação visual de Joker é particularmente memorável, com Bermejo a apresentá-lo como um homem marcado física e psicologicamente, com um sorriso que parece uma ferida permanente e retorcida. A figura apresenta-se-nos simultaneamente repulsiva e fascinante, captando na perfeição a essência contraditória da personagem. 

Em termos de cores, a paleta é dominada por tons escuros, acastanhados e esverdeados, criando uma atmosfera decadente e sufocante. Além disso, a própria cidade de Gotham surge-nos como uma cidade suja e doente, refletindo o estado moral das personagens que a habitam.

A edição da Devir é em capa mole, com badanas, e num formato reduzido. No miolo, o papel é de boa qualidade. O livro apresenta o preço incrível de 10€, pelo que me parece uma bela forma de chegar a outros públicos, assegurando uma qualidade física bastante aceitável. No final, há ainda 4 páginas com estudos preliminares e ilustrações não utilizadas por Bermejo.

Em suma, Joker é uma das mais marcantes interpretações modernas do vilão mais vil de sempre. Brian Azzarello constrói um thriller criminal intenso e perturbador, enquanto Lee Bermejo oferece algumas das ilustrações mais impressionantes alguma vez associadas a esta personagem. O resultado é uma obra adulta, violenta e provocadora, que não procura tornar Joker em alguém mais simpático, mas sim mostrar, sem filtros, porque é que este continua a ser um dos vilões mais assustadores da banda desenhada.


NOTA FINAL (1/10):
8.8

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Joker, de Brian Azzarello e Lee Bermejo - Devir - DC Pocket

Ficha técnica
Joker
Autores: Brian Azzarello e Lee Bermejo
Editora: Devir
Páginas: 132, a cores
Encadernação: Capa mole, com badanas
Formato: 14,8 x 21 cm
Lançamento: Maio de 2026


terça-feira, 30 de junho de 2026

Análise: Absolute Batman: O Zoo

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin

Uma das coisas que mais temos visto as grandes editoras de comics americanos a fazer, é a apostar em obras que desconstroem os universos já pré-estabelecidos dos vários super-heróis, subvertendo-os de modo a permitir-nos olhar para as personagens que já todos conhecemos através de um novo ângulo. Por exemplo, o recentemente editado Batman - Cavaleiro Branco, de Sean Murphy, que coloca Batman como o vilão e Joker como o herói, fá-lo brilhantemente.

Este Absolute Batman: O Zoo, inicia um novo arco, arquitetado por Scott Snyder, que nos apresenta, mais uma vez, uma Gotham City reimaginada, em que Batman existe, sim, e é igualmente um lutador contra o mal, mas de um modo muito diferente. Bruce Wayne não é o multimilionário que conhecemos, mas um jovem de classe média, que se tenta sustentar com os trabalhos que aparecem até tirar um curso de engenharia, e que tem uma relação próxima com a sua mãe. Mesmo sendo diferente, há coisas em comum com o Batman que todos conhecemos, nomeadamente o facto de, neste caso, Bruce também ter perdido o seu pai na sua infância, que acabou assassinado numa visita de estudo ao jardim zoológico da cidade.

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
Além disso, Bruce Wayne mantém próximos os seus amigos de infância que são, nada mais, nada menos, do que algumas das personagens que nos habituámos a ver como vilões. Falo de Selina (a Catwoman), Harvey (o Duas-Caras), Ozzie (o Pinguin), Edward (o Enigma) e Waylon (o Crocodilo). Gostei bastante desta dinâmica e até acho que poderia ter sido mais bem explorada. Se bem que fiquei com a ideia que, futuramente, poderemos encontrar novos episódios com estas personagens. Sim, convém dizer-vos que embora possamos considerar este volume como uma história auto-contida, a série Absolute Batman continua noutros volumes, havendo já três deles publicados no mercado norte-americano.

Falando da história, mais em concreto, Gotham é aqui apresentada como uma cidade brutal e quase selvagem, onde o mundo do crime funciona como um ecossistema de predadores. Um dos elementos chave são os Party Animals - desinspiradamente traduzidos, na versão portuguesa, para "Animais da Festa" - que são um gangue violento e caótico que usa máscaras de caveiras negras, semeia o caos e comete crimes como se fossem espetáculos performativos. Bruce está ainda no início da sua carreira como Batman e decide investigar estes crimes enquanto tenta travar a escalada de violência na cidade. Para isso, recorre aos seus amigos de infância, já mencionados por mim acima, para obter mais informações na sua investigação.

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
À medida que o enredo avança, percebemos que a crescente criminalidade na cidade aparenta estar a ser manipulada por forças mais poderosas que os próprios "Animais da Festa", que pretendem desestabilizar Gotham e quebrar Bruce emocionalmente. Isto acaba por colocar os seus antigos amigos em risco, empurrando-os gradualmente para trajetórias mais sombrias. Assim, este Zoo não é só uma história de origem do Batman, mas também o início da transformação do seu próprio “grupo”, sugerindo como aqueles aliados podem vir a tornar‑se algumas das figuras mais perigosas da sua galeria de vilões. E foi esta a parte que mais apreciei neste livro. Uma vez que Scott Snyder consegue trazer para cima da mesa algo que tem pano para mangas.

E depois, há, claro, muita ação e violência. Por vezes, até me pareceu que essa violência era um pouco gratuita, uma vez que se "gastam" demasiadas páginas com cenas de ação que poderiam ter sido mais bem aproveitadas com o desenvolvimento do enredo, parece-me.

Sem ser uma leitura que considerei espetacular, reconheço que me diverti bastante a ler este livro e que o mesmo me entreteu enquanto o lia. Há boas ideias e bons diálogos, mesmo que, por vezes, possa parecer que o Scott Snyder se limitou a pegar nos estereótipos da série e a subvertê-los apenas, sem um real e mais complexo estudo das personagens ou das suas possibilidades. Pelo menos, por agora. Porém, funciona bem. É giro. Mas não é, aos meus olhos, algo fantástico ou que iremos recordar daqui a 10 anos.

Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics
Quanto aos desenhos de Nick Dragotta, estes apresentam-se como um dos grandes pontos fortes da obra. O trabalho do autor é muito sólido e cheio de personalidade, com composições dinâmicas, poses altamente estilizadas e várias imagens marcantes que ajudam a dar identidade própria a esta versão da personagem. Há vários momentos em que o desenho ganha um impacto especialmente icónico, nomeadamente, quando Batman surge em posturas amplas, dominando a página, e reforçando a ideia da sua força incrível e presença marcante. De resto, a narrativa visual é fluida, com páginas bem construídas que conseguem equilibrar ação com atmosfera, contribuindo para esse tom mais cru e físico que a série pretende transmitir. A planificação também é muito diversificada, havendo vinhetas de todos os tamanhos.

Ainda assim, não gostei particularmente da maneira exagerada, carregada de esteroides, como o corpo de Batman é representado. Dragotta opta por uma representação extremamente musculada, fazendo Bruce parecer quase um “tanque humano”, mais próximo de figuras como o Coisa, do Quarteto Fantástico, ou o Hulk do que do Batman tradicional. Essa fisicalidade extrema reforça a brutalidade do personagem, mas ao mesmo tempo afasta‑o da elegância e agilidade que associo ao Cavaleiro das Trevas. Um contraponto interessante surge, todavia, no capítulo desenhado por Gabriel Hernández Walta (autor que desenhou Senciente, de Jeff Lemire). Sendo esta parte da história um flashback, a diferença, por ventura abrupta, entre o estilo de Walta e Dragotta, até funciona bem, permitindo que a história pare um pouco para respirar.

De resto, as cores de Frank Martin funcionam bastante bem, encaixando-se bem no espírito da história e dos desenhos. Nota ainda para as ilustrações entre capítulos, de página dupla, que são verdadeiramente espetaculares, deixando-nos de queixo caído.

Em termos de edição, o trabalho da Devir é bastante bem-feito. Estamos perante um livro em capa dura baça, com bom papel brilhante no miolo e um bom trabalho ao nível da encadernação, impressão e acabamentos. Como material adicional, o livro inclui ainda uma galeria de capas alternativas (todas elas verdadeiramente espetaculares), estudos de personagem e um posfácio de José Castello-Branco.

Em suma, Absolute Batman: O Zoo revela-se uma abordagem interessante e competente dentro desta tendência de reinvenção dos grandes mitos dos super‑heróis, trazendo ideias frescas - sobretudo na relação entre Bruce e o seu círculo de amigos - e um ambiente mais cru e físico que resulta em vários momentos impactantes. Não sendo uma obra extraordinária ou particularmente memorável a longo prazo, é um arranque sólido, com identidade própria, que justifica a curiosidade para acompanhar o desenvolvimento desta nova visão de Batman.


NOTA FINAL (1/10):
8.2



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Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin - Devir - Dc Comics

Ficha técnica
Absolute Batman: O Zoo
Autores: Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin
Editora: Devir
Páginas: 190, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Maio de 2026

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Devir vai lançar novo Batman!



A Devir prepara-se para lançar, a partir do próximo dia 15 de junho, um novo livro de Batman!

Desta vez, estamos perante Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin.

Trata-se de uma reimaginação da personagem de Batman, num conceito que nos apresenta o Cavaleiro das Trevas - e toda a sua envolvente - de uma forma diferente.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Absolute Batman: O Zoo, de Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin

O Cavaleiro das Trevas Absoluto

Um gangue de assassinos mascarados aterroriza as ruas de Gotham.

Um vigilante luta pela cidade, mas não é o Batman que conhecemos. O Universo Absoluto nasceu da batalha apocalítica da Liga da Justiça contra Darkseid e deu origem a um novo leque de realidades que reimaginam os seus heróis favoritos como nunca antes os viu.

Em Absolute Batman, conheça um jovem Bruce Wayne sem a Mansão Wayne, sem Alfred ao seu lado e pronto a dar uma machadada ao crime enquanto Cavaleiro das Trevas.

Uma criação de Scott Snyder e do artista Nick Dragotta, que inclui o artista convidado Gabriel Hernández Walta, numa história de origem imperdível.

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Ficha técnica
Absolute Batman: O Zoo
Autores: Scott Snyder, Nick Dragotta e Frank Martin
Editora: Devir
Páginas: 190, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 20,00€

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Devir lança Supergirl!



A Devir prepara-se para editar, a partir do próximo dia 15 de junho, a obra Supergirl - Mulher do Futuro!

Esta é uma história da autoria de Tom King, que conta com os desenhos de Bilquis Evely.

Trata-se de mais uma aposta da Devir em comics americanos, da casa editorial DC Comics. A edição portuguesa reúne num só volume toda a mini-série.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Supergirl - Mulher do Futuro, de Tom King e Bilquis Evely

É a Supergirl como nunca a viu, numa obra-prima de sci-fi/fantasia que a tem como personagem, da autoria de Tom King (Mister Miracle) e ilustrada por Bilquis Evely (Wonder Woman)!

Kara Zor-El passou por algumas aventuras fantásticas ao longo dos anos, mas agora vê-se sem propósito ou motivação. Ei-la: uma jovem mulher que viu o seu planeta ser destruído e foi enviada para a Terra para proteger o primo bebé, que, afinal, não precisa dela. 

Para que serviu tudo isto? 

Aonde quer que vá, todos a comparam com o Superman e os seus feitos.
Contudo, quando a Supergirl pensava que já não aguentava mais, tudo mudou. Uma jovem alienígena pede a sua ajuda para levar a cabo uma missão impiedosa. O mundo dela foi destruído e os vilões responsáveis continuam à solta. A jovem quer vingança e, se a Supergirl não a ajudar, vai procurá-la sozinha, a qualquer custo. 

Assim, uma Kryptoniana, um cão e uma menina desgostosa e zangada partem para o espaço, numa aventura que os vai transformar profundamente.

Este volume reúne a totalidade da minissérie de oito números Supergirl: Mulher do Futuro.


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Ficha técnica
Supergirl - Mulher do Futuro
Autores: Tom King e Bilquis Evely
Editora: Devir
Páginas: 224, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 20,00€

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Análise: A Bela Casa do Lago #2

A Bela Casa do Lago #2, de James Tynion IV, Álvaro Martínex Bueno e Jordie Bellaire - Devir

A Bela Casa do Lago #2, de James Tynion IV, Álvaro Martínex Bueno e Jordie Bellaire - Devir
A Bela Casa do Lago #2, de James Tynion IV, Álvaro Martínex Bueno e Jordie Bellaire

O segundo e último(?) volume da mini-série A Bela Casa do Lago, editado recentemente pela Devir, retoma a história do primeiro volume que nos tinha apresentado uma casa luxuosa que funcionava como último reduto da humanidade, contendo mais de uma dezena de convidados a estar ali por um misterioso anfitrião. Neste segundo volume, o grupo de amigos, isolado na tal luxuosa e inquietante casa junto ao lago, começa a perceber que o seu anfitrião, Walter, não é exatamente quem aparentava ser. A aparente segurança que inicialmente lhes tinha sido concedida rapidamente se transformou numa prisão de luxo, e a linha entre proteção e manipulação torna-se cada vez mais ténue. O leitor é colocado, pois, e desde o início, perante uma atmosfera de incerteza e de desconfiança.

À medida que a narrativa avança, o argumentista James Tynion IV conduz-nos por um jogo psicológico intenso. As personagens questionam não apenas o que aconteceu ao mundo exterior, mas também a própria natureza da realidade em que vivem. E porque é que estão ali. O tempo parece distorcido, os laços de amizade são postos à prova e as revelações sobre Walter levantam dúvidas éticas e existenciais profundas. Este segundo volume foca-se, portanto, menos na catástrofe global e mais na dimensão humana - e inumana - da experiência, num crescendo de tensão e de paranoia.

A Bela Casa do Lago #2, de James Tynion IV, Álvaro Martínex Bueno e Jordie Bellaire - Devir
O enredo, apesar de fascinante e vertiginoso, peca por uma execução que nem sempre acompanha a força da premissa. A ideia de um apocalipse filtrado através de uma experiência controlada e artificial é incrivelmente promissora, mas Tynion parece hesitar entre desenvolver o mistério ou resolvê-lo. Essa indecisão faz com que a narrativa deste segundo volume oscile ainda mais do que no primeiro, perdendo por vezes o ritmo e a coerência emocional que o primeiro volume havia estabelecido com mais solidez. Lembro-me que, quando acabei a leitura do primeiro tomo ter achado que esta seria uma obra que poderia afirmar-se como "excelente" com este segundo volume, já que os dados estavam lançados. Todavia, tenho que dizer que fiquei algo desiludido.

De facto, parte do encanto do primeiro tomo residia no suspense, no mistério e na sensação de descoberta constante. Neste segundo livro, a história parece mais preocupada em dar respostas, mas acaba por fazê-lo de uma forma incompleta. As revelações chegam, sim, mas nunca na proporção do que foi prometido, fazendo com que o leitor termine a leitura com a impressão de que o autor preferiu manter o mistério vivo a oferecer um verdadeiro clímax narrativo. Por um lado, compreende-se isso, pois fica óbvio que embora este ciclo da narrativa acabe fechado, a série continuará com A Bela Casa da Praia. Por outro lado, o desenvolvimento deste A Bela Casa do Lago #2 apresenta-se curto.

A confusão narrativa é outro dos problemas do livro. As múltiplas subtramas, aliadas ao elevado número de personagens (algumas delas visualmente semelhantes, o que é outro problema, não obstante a beleza do desenho de Bueno), tornam difícil acompanhar todos os desenvolvimentos. Mesmo um leitor atento pode perder o fio condutor. Tynion IV joga com o caos e com a fragmentação, mas por vezes parece perder-se, ele mesmo, nesse mesmo labirinto por si criado. A complexidade, que poderia ser uma virtude, transforma-se em obstáculo.

Ainda assim, é impossível negar que o livro se mantém como um thriller empolgante. A estrutura fragmentada e o ambiente opressivo mantêm o leitor preso à leitura. E mesmo quando a história se torna confusa, há uma tensão constante que sustenta o interesse. James Tynion IV é perito em criar atmosferas de desconforto e em explorar as fragilidades humanas sob circunstâncias extremas.

A Bela Casa do Lago #2, de James Tynion IV, Álvaro Martínex Bueno e Jordie Bellaire - Devir
Além do suspense da obra, outro dos seus trunfos é, sem dúvida, o trabalho gráfico de Álvaro Martínez Bueno. O seu traço é impressionante: realista, detalhado e simultaneamente estilizado, capaz de fundir o quotidiano com o sobrenatural de forma harmoniosa. As expressões faciais, os interiores e até o desenho da própria casa - que funciona quase como se de uma personagem se tratasse - são tratados com um rigor e uma sensibilidade raros.

E, claro, as cores de Jordie Bellaire complementam perfeitamente essa visão. Vibrantes e contrastantes, ajudam a sublinhar tanto a beleza ilusória da casa como a tensão latente que permeia cada cena. As tonalidades saturadas e luminosas tornam o ambiente simultaneamente atraente e inquietante, intensificando a sensação de irrealidade que a história pede. Visualmente, o livro é uma autêntica obra de arte que muito me atrai, devo admitir.

Nota ainda, positiva, para a planificação das pranchas, que embora seja um pouco mais clássica neste volume, contribui para um maior controlo narrativo do suspense por parte dos autores. Esta planificação e utilização de planos de câmara fechados transmite claustrofobia, refletindo o aprisionamento psicológico a que as personagens estão sujeitas. 

A edição da Devir apresenta capa dura baça, bom papel brilhante no miolo e um bom trabalho ao nível da impressão e da encadernação. Como conteúdo extra, temos um texto, aparentemente direcionado a Chris Conroy, em que James Tynion IV explica o conceito da série. Há ainda uma página que serve como "Guia das Personagens". 

Em suma, a premissa de A Bela Casa do Lago prometia mais do que aquilo que acabou por oferecer. A ideia de uma casa como refúgio e prisão, construída por um ser enigmático num mundo em colapso, é riquíssima em potencial simbólico e filosófico. Contudo, Tynion prefere sugerir do que explorar. É o retrato de um criador de conceitos brilhantes, mas que nem sempre consegue traduzi-los em histórias inteiramente satisfatórias. No fim, ficamos divididos entre o fascínio pelo universo criado e a frustração de perceber que ele talvez não tenha tanto para dizer quanto, inicialmente, parecia.


NOTA FINAL (1/10):
7.0

Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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A Bela Casa do Lago #2, de James Tynion IV, Álvaro Martínex Bueno e Jordie Bellaire - Devir

Ficha técnica
A Bela Casa do Lago #2
Autores: James Tynion IV, Álvaro Martínez Bueno e Jordi Bellaire
Editora: Devir
Páginas: 184, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Agosto de 2025



sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Análise: Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir
Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3
, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel

Hoje falo-vos dos mais recentes volumes de Batman lançados pela Devir, editora que, convém relembrar, tem estado com um impressionante ritmo de lançamentos nas suas mais variadas séries. Algo que merece os meus aplausos, pois é forma de manter os leitores fiéis e satisfeitos.

Em termos de super-heróis da DC Comics, a Devir tem estado investida no lançamento de Batman de Grant Morrison, em que os leitores são convidados a mergulhar num dos períodos mais complexos e fascinantes da carreira do Cavaleiro das Trevas. 

Vamos por partes.

No Volume Dois, as histórias aí presentes levam Bruce Wayne a confrontar-se com um conjunto de desafios psicológicos e físicos que testam o seu limite e o conceito que tem de si próprio enquanto herói. Morrison introduz figuras que representam diferentes facetas do medo e da loucura, refletindo a ideia de que o próprio Batman é uma sombra multifacetada da cidade que protege. 

Morrison desenvolve também a ideia de que existem histórias esquecidas, memórias reprimidas e experiências quase míticas no passado de Batman, brincando com a noção de continuidade e com a própria história editorial da personagem, resgatando elementos dos anos 50 e 60 e recontextualizando-os dentro de um universo moderno e psicológico. Esta abordagem dá ao leitor a sensação de que tudo o que aconteceu com Batman, em qualquer época, pode ser real dentro da sua mente fragmentada.

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir
Morrison expõe o herói à solidão e ao desespero, mas sem nunca o afastar da sua determinação quase sobrenatural. O arco da Ressurreição de Ra’s Al Ghul envolve outras personagens do universo Batman, e mostra-nos um herói dividido entre o dever e a mortalidade, entre o legado e o sacrifício, preparando o terreno para a fase mais épica e simbólica do autor, ao conduzir o Cavaleiro das Trevas por um caminho espiritual e existencial, onde o confronto com o lendário vilão não é apenas físico, mas também uma luta entre a vida e a morte, entre o corpo e a alma. O retorno de Ra’s é, pois, tratado como um mito renascido e a relação entre mestre e inimigo atinge um pico de tensão. A ideia de herança e de continuidade - tão presente em toda a mitologia de Batman - ganha aqui um novo peso, mostrando que Morrison escreve a personagem de Batman mais como símbolo do que como simples homem. 

No entanto, é no Volume 3 que, a meu ver, o enredo pensado por Grant Morrison se começa a solidificar de forma mais coesa e envolvente. As histórias deste volume mergulham na mente de Bruce Wayne e revisitam o trauma da perda dos pais, mas agora de uma perspetiva quase metafísica. Morrison faz Batman confrontar o próprio criador do seu trauma e, ao fazê-lo, liberta o herói - e, lá está, o leitor - de uma narrativa repetida ao longo de décadas. A história torna-se, pois, mais intensa e surreal, com o autor a explorar as fronteiras entre sanidade e insanidade, realidade e ilusão. O mistério, as personagens secundárias bem desenvolvidas e o vilão carismático tornam este arco particularmente memorável.

Faço ainda um destaque para as histórias reunidas sob o arco Batman R.I.P., em que o autor atinge o clímax da sua visão, com a desintegração mental de Bruce Wayne a ser retratada de modo quase poético. Morrison cria um ambiente de paranoia e desconstrução, em que cada símbolo e cada frase escondem camadas de sentido. O vilão Doutor Hurt surge como uma das criações mais intrigantes do autor, representando não apenas um inimigo físico, mas a própria corrupção espiritual que ameaça consumir o herói. Gostei bastante.

À medida que estes volumes avançam, o universo criado pelo argumentista parece ganhar mais credibilidade e força. E o que, à partida, poderia parecer uma coleção de histórias independentes revela-se, na verdade, uma teia cuidadosamente entrelaçada. Cada arco dialoga com o anterior e prepara o seguinte, formando um verdadeiro épico sobre a identidade e a mitologia de Batman

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir
É verdade que nem sempre as histórias imaginadas por Morrison são lineares. A sua escrita densa, repleta de simbolismo e referências à história editorial de Batman, pode confundir o leitor menos familiarizado com a personagem. Por vezes, especialmente nas histórias desenhadas por J.H. Williams III contidas no segundo volume, a experimentação narrativa e visual torna-se, quanto a mim, excessiva, e certas sequências parecem mais preocupadas em desafiar o leitor do que em contar uma história clara. Ainda assim, essa ousadia faz parte da identidade do autor e do projeto maior que ele constrói.

E há que reconhecer que Morrison mostra que compreende Batman como poucos: não apenas o vigilante, mas o homem que sobrevive à própria morte, que transcende a loucura e o trauma para se tornar um símbolo de resiliência. 

Em termos visuais, o destaque vai claramente para o trabalho de Andy Kubert, cujo traço dinâmico, detalhado e expressivo confere às histórias uma energia cinematográfica, que adoro. Kubert domina tanto a ação frenética como os momentos de introspeção, tornando cada página visualmente impactante. No entanto, também merecem menção ilustradores como Tony Daniel e J.H. Williams III que contribuem com estilos distintos, acrescentando diversidade visual ao universo de Morrison.

A edição da Devir mantém-se muito apelativa e bonita. Cada livro apresenta capa dura baça, com belos detalhes a verniz. No miolo, o papel utilizado é brilhante e de boa qualidade, sendo que a encadernação e impressão também são excelentes. O terceiro volume inclui ainda quatro capas alternativas.

Em síntese, Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3 parecem caminhar no sentido de tornar a visão que Grant Morrison tem para Batman mais clara e coesa, revelando um autor que domina o caos para transformá-lo em narrativa e mito. Ainda assim, é inegável que, por vezes, essa complexidade pode ser um pouco densa e desafiante para alguns fãs mais “soft” de Batman. Mesmo assim, trata-se de uma excelente aposta da Devir, que continua a trazer ao público português algumas das histórias mais ambiciosas e intelectualmente estimulantes já escritas sobre o herói de Gotham.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir

Fichas técnicas
Batman - Grant Morrison - Volume 2
Autores: Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III
Editora: Devir
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Julho de 2025

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir

Batman - Grant Morrison - Volume 3
Autores: Grant Morrison, Tony Daniel
Editora: Devir
Páginas: 182, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Setembro de 2025

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Devir vai lançar "Batman" de Grant Morrison!




É já a partir do próximo dia 27 de Maio que deverá chegar às livrarias Batman - Volume 1, que reúne um conjunto de histórias da autoria de Grant Morrison, um dos escritores contemporâneos que mais impactou o universo dos super-heróis e de Batman, em particular, tendo (re)imaginado certos eventos na vida de Bruce Wayne.

Para além de Grant Morrison, também os autores Greg Rucka e Mark Waid colaboram neste livro que inclui ilustrações de Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet.

Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora Devir.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet

Grant Morrison, um dos grandes contadores de histórias da sua geração, mudou para sempre o universo do Batman, criando narrativas inesquecíveis com o cavaleiro da trevas. 

Histórias de Batman com o seu filho Damian Wayne, que levam o Cavaleiro das Trevas desde a beira da morte até ao limite da loucura. Este volume inclui os já clássicos Batman & Son e Batman in Bethlehem, que desconstroem a banda-desenhada de super-heróis com uma abordagem desafiadora do Cruzado da Capa. 

Coleta BATMAN #655-666 e histórias de DC UNIVERSE #0, 52 #30 e #47, com a participação dos artistas Greg Rucka e Mark Waid. 

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Ficha técnica
Batman - Volume 1
Autor: Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet
Editora: Devir
Páginas: 172, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 20,00€