terça-feira, 22 de novembro de 2022

Gradiva aposta numa série de terror!



A partir de hoje está disponível a nova aposta editorial da Gradiva!

Trata-se de um mais um mangá mas que, desta vez, incide no género do terror. Intitulada Crueler Than Dead, esta obra de Tsukasa Saimura e Kozo Takahashi, tem apenas dois volumes.

O primeiro deles chega hoje às livrarias.

Mais abaixo, deixo-vos com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.


Crueler Than Dead - Vol. 1 (de 2), de Tsukasa Saimura e Kozo Takahashi
Ninguém sabe onde começou... Mas, há um ano, quando o mundo finalmente se apercebeu do que se passava, já estava tudo arruinado.

Quando Maki Akagi acorda num laboratório cheio de cadáveres, fica a saber por um soldado moribundo que foi sujeita a uma última experiência para curar os seres humanos de um vírus que os transforma em zombies. Acompanhada por um rapaz que escapou miraculosamente, deve tentar chegar ao centro de uma Tóquio devastada e cheia de monstros sanguinários. O estádio Tokyo Dome contém os últimos seres humanos que ainda restam, cuja sobrevivência depende apenas de algumas gotas de vacina milagrosa.

Inspirado em Katsuhiro Otomo (Akira), The Walking Dead, os clássicos de Homero e nos filmes e séries de zombies, Crueler Than Dead delicia os leitores com os detalhes meticulosos da carne em decomposição, com um olhar faminto... evocando uma visão moderna de um mundo zombie que é aterrorizante e cheio de tensão.

Mais um lançamento de manga da Gradiva.

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Ficha técnica
Crueler Than Dead - Vol. 1 (de 2)
Autores: Tsukasa Saimura e Kozo Takahashi
Editora: Gradiva
Páginas: 208, a preto e branco
Encadernação: Capa mole
Formato: 14,50 x 21,00 cms
PVP: 12,50€

Pára tudo! Levoir vai lançar o mais recente trabalho de Paco Roca!


Já se falava do assunto nos bastidores - como, aliás, eu referi no artigo referente às obras que os portugueses gostariam de ver publicadas em Portugal - mas agora a novidade acaba de ser dada pela editora!

A Levoir vai mesmo editar Regresso ao Éden, de Paco Roca!!!

Muito sinceramente vos digo: este é dos melhores trabalhos de Paco Roca!!! Se gostaram de Rugas ou de A Casa, estou certo que vão adorar este Regresso ao Éden. Confiem em mim!

Enquanto esperamos por esta obra, que deverá ser lançada com o jornal Público no próximo mês de Dezembro - durante a Comic Con, imagino -, convido-vos a ler a análise feita à obra, aqui no Vinheta 2020.

Análise: Kong The King 2

Kong The King 2, de Osvaldo Medina - Kingpin Books

Kong The King 2, de Osvaldo Medina - Kingpin Books
Kong The King 2, de Osvaldo Medina

A Kingpin Books editou, há cerca de um mês, o novo livro de Osvaldo Medina, intitulado Kong The King 2. Poderemos dizer que este livro continua a história do álbum anterior, embora seja verdade que ambos os livros funcionam bem sozinhos, podendo até este segundo livro ser lido de forma isolada e, ainda assim, ser bem compreendido pelo leitor.

Este era um dos livros nacionais mais por mim esperados em 2022, por vários motivos: por um lado, sou um grande, grande admirador do autor Osvaldo Medina. Considero-o extremamente talentoso e tenho admirado muito o seu trabalho ao longo dos anos. Por outro lado, considerei – e ainda considero - Kong The King 1 como um dos melhores livros de banda desenhada portuguesa… de sempre!

Por esse motivo, e até para que os leitores deste texto possam aprofundar a minha opinião acerca desse primeiro volume da obra, convido-vos a visitarem a análise que lhe fiz.

Kong The King 2, de Osvaldo Medina - Kingpin Books
A primeira questão que pode surgir a quem lê o presente texto é: depois de todo este tempo, Kong the King 2 fica ao nível do primeiro Kong the King? A resposta é SIM. Se gostaram do primeiro livro, é ponto assente que gostarão do segundo. Talvez apenas pelo facto desta segunda história não nos trazer o fator surpresa – porque já tínhamos conhecido o primeiro álbum – ou por não ter, quanto a mim, um final tão bem tecido como o do primeiro livro, fique um "furinho" abaixo. Mas é apenas isso: “um furinho”. Porque a obra continua a ser maravilhosa e a fazer com que nos apeteça voltar à primeira página, logo depois de chegarmos à última.

Depois de tudo o que Kong, o jovem nativo, havia superado no álbum anterior, ele vê-se novamente na calmaria da sua vida na ilha, junto dos seus. Mas, mais uma vez, as forças do mundo urbano parecem reclamá-lo para que possa ser o objeto de admiração e espanto dos humanos e, por conseguinte, gere lucro a quem de Kong for dono. Afinal de contas, este é um conto sobre a ganância humana, que não olha a meios para atingir os seus fins.

Sendo uma história relativamente simples, parecem-me claras as críticas apontadas pelo autor ao universo capitalista que nos controla e regula. Afinal de contas, valerá tudo em detrimento do dinheiro e da fama? Para o entretenimento de alguns – aqueles que têm dinheiro para despender por esse mesmo entretenimento – vale criar tudo?

Kong The King 2, de Osvaldo Medina - Kingpin Books
Em alturas em que assistimos ao começo de um campeonato do mundo de futebol no Qatar, onde direitos humanos básicos não são respeitados, diria que este Kong the King 2 não poderia ter uma mensagem mais atual e pertinente. Mensagem essa que não se esgota com os temas desportivos, mas com tudo, sem exceção, o que pressupõe entretenimento de massas. O apelidado de “showbiz”, portanto.

Kong the King 2 dá-nos uma bela história, carregada de tristeza e o pior da condição humana sem, no entanto, abdicar de nos oferecer belos exemplos de humanismo e de sacrifício pelo outro.

A história é-nos contada, uma vez mais, a preto e branco e de forma muda. Não há balões de texto neste livro. É verdade que já vão sendo muitos os livros de "banda desenhada muda" lançados. Até mesmo em Portugal, já se contam alguns. Isso é algo que acho positivo, pois até permite que se explorem outras valências no género. Porém, há algo que Osvaldo Medina faz nas suas histórias mudas que eu não vejo a ser feito por outros autores: é que o autor nos dá uma história que, à partida, tudo levaria a crer que seria uma história com diálogos. Por outras palavras, enquanto que noutros livros de banda desenhada muda, há uma tendência para uma história mais do foro onírico ou contemplativo – coisa que se compreende, até – Osvaldo Medina aposta em algo mais difícil de representar em termos mudos, diria eu: dá-nos uma história mais clássica e terra-a-terra, com vários elementos de ação. Fica, pois, a parecer que, tal como uns Depeche Mode no seu clássico “Enjoy the Silence”, o autor procura oferecer-nos uma bela ode ao silêncio. Ou, pelo menos, à capacidade de bem contar uma história em banda desenhada sem o recurso de texto. Feito desta forma, e para este tipo de narrativa, asseguro-vos que não é uma tarefa ao alcance de muitos autores.

Kong The King 2, de Osvaldo Medina - Kingpin Books
Sobre o desenho de Osvaldo, deixem-me dizer-vos que, uma vez mais, o autor se revela no pleno das suas capacidades. Todos os desenhos, com um traço bastante “cartoonizado” e rápido, mas não isento de deliciosos detalhes, nos contam de forma exímia a história.

Este não é um preto e branco “puro”, uma vez que Osvaldo Medina faz um uso muito belo dos cinzas, que ajudam as ilustrações a terem mais camadas de detalhe, especialmente nos efeitos de luz, e, ao mesmo tempo, oferecem mais profundidade aos desenhos. Desenhos esses que estão maravilhosos. São vários os exemplos onde o autor se revela extremamente inspirado, mas, especialmente na ilustração dupla das páginas 42 e 43 (que, se emoldurada, daria um belíssimo quadro), estamos perante algo verdadeiramente grandioso.

Quanto à edição, tenho que dizer que, mais uma vez, a Kingpin, pelas mãos do seu editor Mário Freitas, volta a dar-nos um trabalho de primeira linha. O livro apresenta capa dura baça, com detalhes a verniz, e um bom papel baço. Tem igualmente uma boa impressão e uma boa encadernação. Nenhuma das duas capas deste livro estão tão belas como a capa do primeiro livro mas Ttnho que dar nota – pela sua importância - do belo grafismo que este livro também tem. Até a própria página de créditos da obra se torna apelativa, com um aspeto que nos remete para as fichas técnicas de filmes.

Kong The King 2, de Osvaldo Medina - Kingpin Books
Há, ainda, um detalhe nesta edição que merece todos os louvores: a forma inteligente, apelativa e bem conseguida como as primeiras páginas de guarda do livro foram usadas. Reunindo mais de 30 vinhetas do primeiro livro, estas duas páginas de guarda têm a proeza de, para além de ficarem visualmente muito belas, conseguirem fazer um resumo – ou uma síntese, vá – do primeiro livro. Algo semelhante a um “previously on Kong the King”. Adorei a ideia e acho que funcionou muito bem. Um detalhe de edição que é tão mais do que um mero detalhe.

Nota ainda para a existência de uma edição especial, limitada a 100 exemplares, que tem uma sobrecapa (com um design de capa ligeiramente diferente) e um print numerado do autor, enquanto extra. Coisas que fazem esta edição mais apelativa do que a edição normal.

Por isto tudo, mas também pela bonita história e pela beleza dos desenhos, num preto e branco que casa extremamente bem com a temática narrativa, mas também com o estilo de ilustração do autor, Kong The King 2 é um álbum maravilhoso que não se coíbe de nos surpreender. Se este livro não vender bem, a culpa não é da história, que é boa, ou das ilustrações, que são magníficas, ou mesmo da edição, que é excelente. A culpa é dos leitores, sinceramente. É que se nós, enquanto leitores, não abraçamos obras deste gabarito, estamos nós mesmos a desaproveitar algo português que é tão bem feito e que merece sucesso generalizado.


NOTA FINAL (1/10):
9.1



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Kong The King 2, de Osvaldo Medina - Kingpin Books

Ficha técnica
Kong The King 2
Autor: Osvaldo Medina
Editora: Kingpin Books
Páginas: 152, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 19,50 x 27 cm
Lançamento: Outubro de 2022

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Análise: Como Antes

Como Antes, de Alfred - Devir

Como Antes, de Alfred - Devir
Como Antes, de Alfred

Se houve coisas que a Devir fez nos últimos meses (e anos!) que muito me agradaram, o lançamento deste Como Antes, de Alfred, foi uma das coisas que mais me deixou feliz!

Em termos de lançamento de banda desenhada, a estratégia da editora nos últimos anos tem revelado um maior enfoque na edição de mangás, onde a Devir tem tido um constante e assíduo lançamento de novos números das séries que vai editando. Infelizmente, para os meus gostos, pelo menos, a editora tem deixado de parte a aposta numa banda desenhada de cariz mais europeu, por um lado, e direcionada para um público mais maduro, pelo outro.

Mas com Como Antes, devo dizer que a editora acerta em grande nessas duas vertentes! Esta é uma obra para adultos e de um autor europeu (neste caso francês) que assina apenas como "Alfred".

Já conhecia relativamente bem o autor tendo, inclusive, analisado a sua obra Senso, que me agradou bastante. Mas Como Antes, é a sua obra mais famosa, tendo mesmo vencido o Fauve d’Or do Festival de Angoulême, em 2014. E percebe-se bem porquê.

Como Antes, de Alfred - Devir
Esta é uma história simples, humana e que nos mostra duas vertentes: tudo aquilo que, devido às nossas escolhas e atitudes, nos vai afastando dos nossos familiares mais próximos; mas, também, tudo aquilo que, aconteça o que acontecer, nos aproxima, nos toca, nos enlaça com esses mesmos familiares próximos. E, por muito que duas pessoas se afastem e se considerem opostas uma à outra, nas mais diversas características, a verdade é que, pondo de lado a animosidade de acontecimentos negativos do passado, essas mesmas duas pessoas terão mais em comum do que aquilo que julgariam.

Como Antes faz lembrar um daqueles road movies, que nos vai contando a história e mostrando as personagens, à medida que as mesmas encetam uma viagem de carro. Neste caso, estamos no início dos anos 60 e acompanhamos a viagem, num Fiat 500, de Fabio e Giovanni, que os levará de França à sua terra natal, no sul de Itália. Fabio, que para arranjar uns trocos se tornou boxeur, não queria, por nada, fazer esta viagem, mas quando o irmão, Giovanni, lhe diz que transporta as cinzas do pai no banco de trás do carro, Fabio lá acaba por ceder.

Mesmo assim, esta é uma viagem que, tendo em conta o enorme afastamento temporal de ambas as personagens, não começa muito bem. São muitas as discussões acesas, as discordâncias e os silêncios incómodos que começam por pautar o início da viagem dos irmãos. No cerne do grande afastamento entre eles está o momento em que, há 10 anos, Fabio abandonou a sua família por opção e por causas políticas, pois vivia-se ainda o período da Itália fascista.

Como Antes, de Alfred - Devir
Ao longo da viagem, que passa por belas paisagens campestres, vamos, também nós, conhecendo melhor as personagens e aquilo que lhes aconteceu, enquanto que, de vez em quando, nos são dados, de forma entrecortada, alguns flashbacks do passado, que têm um estilo de desenho e uma palete de cores diferente da narrativa principal. Ao início, estes desenhos mais alternativos parecem algo difusos e aleatórios, mas, lá mais para o meio e fim da obra, vamos percebendo melhor as pinceladas de conteúdo que estas ilustrações mais abstratas atribuem a toda a história que nos é contada.

Sem desvendar nada acerca da maneira como acaba este Como Antes, há que dizer que Alfred se revela como um excelente contador de histórias. Porque sabe guardar bem algumas surpresas para o fim da leitura, não abrindo mão dos seus trunfos narrativos, até que o livro chegue às últimas páginas. E talvez, também, por isso, este Como Antes seja especial. 

Até posso admitir que a história – pelo menos na primeira parte do livro – até não seja assim tão original. Parece que já vimos ou lemos histórias semelhantes a esta. Todavia, a maneira como o autor resolve a história, bem como o conjunto de surpresas que nos deixa para o fim, tornam Como Antes mais especial e singular do que aquilo que, inicialmente, pode parecer.

Como Antes, de Alfred - Devir
Em termos de ilustrações, esta é uma obra que me agradou bastante. Sim, é verdade que o traço do autor não aparenta (logo) ser de um detalhe ou de um virtuosismo inquestionável. Certo tratamento das personagens e suas expressões faciais também não revelam um cuidado muito elevado. Contudo, considero o estilo de ilustração certo e adequado para a história que temos em mãos.

E, à medida que vamos avançando na leitura, e vendo todas as paisagens bucólicas que circundam o Fiat 500 dos dois irmãos, ou que vamos voltando atrás no tempo, através de flashbacks, para visualizarmos um estilo de desenho de linhas mais estilizadas; as ilustrações do autor começam a entranhar-se e, quando terminamos a leitura, estamos encantados. Eu, pelo menos, fiquei.

Já para não falar das belíssimas cores, cuja paleta vai divergindo ao longo da viagem, e que permitem à obra uma boa e contida beleza visual.

A edição da Devir está bastante boa: capa dura, bom papel baço e uma boa encadernação e impressão. Nada de mal a objetar.

Em suma, este é mais um dos livros do ano, asseguro-vos. É de lamentar mas, por vezes, este tipo de obras, cujo desenho pode não impressionar assim tanto à primeira vista, passa pelos pingos da chuva em termos comerciais. No caso concreto de Como Antes, só espero que isso não venha a acontecer. Esta é uma obra carregada de humanismo, de nos deixar com vários nós na garganta, e sobre a vida, tal como ela é. Se não é a melhor obra do ano, estará entre as 10 melhores, sem qualquer dúvida e é o melhor livro da Devir em anos. Esta é uma obra de redenção que é obrigatório comprar e ler!


NOTA FINAL (1/10):
9.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Como Antes, de Alfred - Devir

Ficha técnica
Como Antes
Autor: Alfred
Editora: Devir
Páginas: 224, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 17 x 24 cms
Lançamento: Outubro de 2022