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quinta-feira, 11 de junho de 2026

O meu Olhar sobre o Festival de Beja 2026



Decorreu no fim de semana passado mais uma edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que voltou a dar-nos um evento caloroso para fãs da 9ª Arte. Como sempre costumo dizer: trata-se da "Concentração Anual de Bedéfilos de Portugal". Para mim, ainda é o melhor subtítulo para classificar este evento.

O Festival regressou com a mesma identidade que o tornou um caso único em Portugal, mesmo que esta edição tenha deixado a sensação subtil de alguma diminuição na presença de grandes nomes internacionais e de público.




Senti, de facto, que havia menos público durante esta edição do evento. Não é justo dizer que o evento estivesse vazio - as mesas estavam quase sempre bem preenchidas e o pequeno auditório também - mas, de um modo geral, parecia haver menos gente a circular pelo evento, especialmente na área dedicada às exposições e ao mercado da BD, que muitas vezes pareceu excessivamente grande para o interesse e presença dos poucos visitantes que por ali cirandavam.

Esta quebra em termos de público pode justificar-se de vários modos, mas quer parecer-me que está relacionada com o slot de calendário, um pouco sobrecarregado, que este evento passou a ocupar. É certo e sabido que a haver "proprietário" desta janela temporal, tendo em conta que falamos do segundo evento mais antigo de banda desenhada em Portugal - daqueles que ainda existem -, deveria ser o Festival de Beja a ocupar esta vaga no calendário. Contudo, com a criação do Maia BD, que ocorre com meras duas semanas de intervalo e com a Feira do Livro de Lisboa, que ocorre em simultâneo com o Festival de Beja, quem perde é este último. Falei com muitas pessoas que me disseram que não iriam a Beja, pois já tinham ido à Maia, ou porque tinham coisas a ver na Feira do Livro de Lisboa. 




Olhando para o calendário, parece-me óbvio que a data do Festival deveria ser alterada. E até tenho uma sugestão: que tal no primeiro ou segundo fim de semana de Setembro? Nessa altura, a grande maioria das pessoas já chegou de férias e já está mais disponível; ainda é verão e há bom tempo; não há nenhum evento grande de BD durante essa altura (o Amadora BD só ocorre na última semana de Outubro) e ainda é a rentrée literária, o que possibilitaria ao festival ter vários lançamentos de livros. Além de que, convém não esquecermos, quando o festival regressou após a pandemia de Covid-19, foi mesmo nessa altura que aconteceu essa edição de regresso. É a minha sugestão e a minha proposta. Bem sei que é fácil dar sugestões e que, no final, são as decisões camarárias que imperam para que se faça - ou não - eventos pagos pelos Municípios. Mas não deixa de ser, acredito, uma opção a ter em conta esta de mover a data do Festival de Beja para o início de Setembro. Fica, novamente, a sugestão.




Em termos de lineup de autores internacionais, o Festival deste ano também se mostrou menos forte do que em edições anteriores. Sem desprimor para os nomes internacionais que marcaram presença - todos eles com trabalho digno de admiração - diria mesmo que o grande nome foi o de Thomas Ott, o autor suíço das duas obras publicadas em Portugal A Floresta e O Número 73304-23-4153-6-96-8

Foi um prazer assistir à conversa com o autor, moderada por João Miguel Lameiras, ou assistir à curiosa e impressionante técnica de raspagem que o autor utiliza nas suas ilustrações.




Ora, tirando esta questão da menor afluência de público ou de uma presença menos robusta de autores de renome internacional, como já aconteceu em muitas edições passadas, tudo o resto funcionou bastante bem. À boa maneira de Beja.

As exposições eram boas e variadas e as apresentações eram interessantes. 

Apreciei especialmente o concerto desenhado protagonizado por Vasco Colombo e pela banda Club Makumba - o novo projeto musical de Tó Tripps desde o fim dos Dead Combo. Posso dizer-vos que já vou a Beja há alguns anos e nunca tinha visto um concerto desenhado tão bom como este. É até capaz de ter sido o ponto alto deste festival, marcando uma simbiose entre música e desenho dificilmente alcançada noutras tentativas.




Nota positiva, também, para a presença, pela primeira vez, de uma área dedicada aos editores independentes. Um género de artist alley, denominada Interstício. Esta área estava localizada num terraço situado no primeiro andar, logo por cima das arcadas onde estão as "mesas de confraternização" - gosto de lhes chamar assim. 

Diria que é uma iniciativa bem-vinda, embora me tenha parecido que talvez pudesse estar mais assinalada em termos de sinalética. Pareceu-me um pouco perdida, embora a porta para este espaço até estivesse sempre aberta. Mesmo assim, também é verdade que este é o primeiro ano em que há esta iniciativa e, continuando a acontecer nas próximas edições, os visitantes passarão a saber melhor que este espaço ali se encontra.




De resto, e para além de tudo o que já referi, falar do Festival de Beja é falar de um dos eventos mais consistentes e queridos do panorama da BD nacional - um ponto de encontro que, ano após ano, continua a afirmar-se não pela quantidade, mas pela qualidade humana e artística.

Mais uma vez, saí com aquela sensação difícil de explicar, mas fácil de reconhecer: a de ter participado em algo genuíno. Beja não é um festival de multidões nem de grandes máquinas promocionais. É, acima de tudo, um espaço de partilha. Um espaço onde o essencial permanece intacto.




Uma palavra de reconhecimento impõe-se por isso, e mais uma vez, a Paulo Monteiro. Embora o festival resulte do esforço de uma equipa alargada, é impossível não associar a sua identidade à visão e dedicação de Paulo. O seu trabalho contínuo, ao longo de anos, moldou este evento com um cuidado raro e uma entrega que se sente em cada detalhe. Há ali uma dimensão pessoal que transforma o festival em algo mais do que uma simples programação cultural.




Este ambiente é particularmente importante para os autores, sejam eles emergentes ou já estabelecidos. Em Beja, ninguém está inacessível e todos fazem parte da mesma comunidade. É essa horizontalidade que cria um sentimento de pertença tão raro em eventos culturais desta dimensão. 

No que toca às exposições e à programação, manteve-se o cuidado e a diversidade que caracterizam o festival. Houve propostas para diferentes gostos e sensibilidades, com uma curadoria atenta tanto ao panorama nacional como a vozes internacionais. 




O auditório voltou a ser um dos centros vitais do festival. Como é habitual, as sessões estiveram bem compostas, muitas vezes com sala cheia, o que demonstra uma audiência atenta e interessada. 

Nota positiva para o facto das apresentações terem passado, na sua maioria, de 15 para 20 minutos. Pode não parecer uma grande diferença, mas é algo que contribui para aprofundar as conversas.




Em suma, o que permanece de Beja são os momentos informais: os almoços demorados, as conversas inesperadas, os reencontros e as primeiras amizades. É nesses instantes que o Festival de Beja revela a sua verdadeira essência. Mais do que um evento, é um ponto de encontro - um lugar onde a banda desenhada serve de pretexto para algo maior. E mesmo com pequenas oscilações, naturais ao longo dos anos, o Festival de Beja continua a ser um espaço absolutamente singular no panorama português.



segunda-feira, 1 de junho de 2026

Festival de BD de Beja 2026 arranca esta sexta-feira!


A concentração anual de bedéfilos está quase a começar! Sim, falo do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que inaugura já na próxima sexta-feira, dia 5 de junho, naquela que é a sua 21ª edição!

Para que não vos falte nada, coloco, mais abaixo, o programa completo do evento, a informação relativa a autógrafos e às exposições que estarão patentes.

São cinco os autores estrangeiros que marcarão presença no evento: Benjamin Bachelier, Luckas Iohanathan (autor de Como Pedra) , Philippe Girard (autor de O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo), Simone Baumann e Thomas Ott (autor de A Floresta e de O Número 73304-23-4153-6-96-8).

Tenho, como sabem, um grande carinho por este evento e por tudo aquilo que o mesmo representa, portanto convido-vos a marcar presença. Se for a vossa primeira vez, não tenho dúvidas de que ficarão maravilhados com a experiência.

Mais abaixo, deixo-vos com todas as informações sobre o Festival de Beja.

Ora vejam.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Portugal vai passar a ter Museu da Banda Desenhada!





Mas que bela maneira de começar o ano 2026 bedéfilo em Portugal!

Depois de muita luta, de muita tentativa, de muita perseverança, podemos dizer que vai mesmo acontecer: Portugal, mais concretamente a cidade de Beja, vai passar a ter um Museu da Banda Desenhada!!!

Será o primeiro e único Museu da Banda Desenhada do país!

Este é um projeto já com bastantes anos, apresentado variadíssimas vezes por Paulo Monteiro, Diretor do Festival de Beja, e que, agora, e finalmente, acaba de ver o seu financiamento a receber luz verde!

Este parecer positivo ao financiamento do projeto surge após a candidatura da Câmara Municipal de Beja ao Alentejo 2030, num projeto cujo montante de investimento é de 1.274.027,69 € (financiado a 85%) e que assenta na reabilitação de um edifício degradado no centro histórico da cidade.

O Museu contará com 3 salas dedicadas à leitura (nas quais será instalada a Bedeteca, que se encontra atualmente na Casa da Cultura), 7 salas para a exposição permanente, 2 salas para exposições temporárias, 1 sala para oficinas, 1 sala ampla que funcionará como loja (onde se venderão livros de autores portugueses, originais e serigrafias), gabinetes, arquivo e terraço e com esplanada.

Terá um acervo que atualmente já comporta muitas centenas de pranchas oferecidas à Câmara Municipal pelos autores ou pelas suas famílias e que constituirá uma verdadeira viagem pela história da banda desenhada portuguesa. 

Será, no fundo, o museu que a banda desenhada portuguesa merece, incluindo os seus autores, editores e leitores! Ainda não é conhecida a data para o arranque de obras no museu, mas, para já, uma coisa podemos dizer: o financiamento - que é, muitas vezes, a coisa mais difícil a conseguir - já está assegurado!

Parabéns, portanto, a todos os envolvidos neste enorme feito!!!



terça-feira, 3 de junho de 2025

O meu Olhar sobre o Festival de Beja 2025


Este ano foi particularmente especial para o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, pois aquele que é o segundo mais antigo evento dedicado à banda desenhada em Portugal chegou a um marco importante: o das 20 edições! Com 20 anos de existência, um número bastante redondo, o Festival de Beja é um dos mais consolidados eventos de banda desenhada em Portugal. Como tal, eu não podia deixar de estar presente!

E acho que a primeira nota de agradecimento tem que ir para o Paulo Monteiro. Bem sei que não é o Paulo Monteiro que faz o festival sozinho. Ele recebe ajuda de várias pessoas, sim. Mesmo assim, é o Paulo que "faz acontecer" e é claro que se não houvesse Paulo Monteiro, não haveria Festival de Beja. Ele é espírito e vida do Festival! E se festejamos os 20 anos do Festival de Beja, também devemos festejar os 20 anos de trabalho contínuo que Paulo Monteiro dedicou a este certame. É uma vida! E tudo com uma dedicação, uma generosidade, uma simpatia e uma educação que não me canso de enaltecer!

Estive na inauguração, na passada sexta-feira, e durante o sábado. Como habitual, saí de coração cheio!

Longe do frenesim comercial de maiores convenções e longe da superficialidade muitas vezes associada a eventos mais massificados, o Festival de Beja distingue-se precisamente pela intimidade, pelo calor humano e por uma autenticidade rara. Esta é uma celebração onde a paixão pela nona arte se sobrepõe ao ruído da indústria, onde o foco está nas pessoas, nas histórias e nas ligações humanas que se criam em torno dos livros. Não há nenhum outro evento como este em Portugal!

Até porque uma das características mais especiais do festival é a proximidade real e genuína que se vive entre autores, editores e público. Ao contrário de outros certames, onde os criadores estão muitas vezes distantes, confinados a bancadas comerciais ou enclausurados por horários rígidos, em Beja os autores passeiam pelo evento, sentam-se na esplanada, convivem na rua e almoçam e jantam lado a lado com leitores, como se fossem velhos conhecidos. Esta horizontalidade desconstrói a habitual distância entre artista e público, criando um ambiente de camaradagem que se torna o verdadeiro coração do festival.

Para muitos autores - sejam eles emergentes ou consagrados - o festival representa uma oportunidade de se sentirem parte de uma comunidade. Aqui não há vedetismo; há conversas. Não há pressa; há tempo. Tempo para discutir influências, para trocar livros, para brindar com um copo de vinho ou uma cerveja na mão. A cidade, com o seu ritmo tranquilo e a sua luz quente (muito quente!) acolhe o festival como um anfitrião orgulhoso, e isso faz toda a diferença!

As exposições desta 20ª edição eram muitas e variadas, acolhendo a obra de Achdé, Amanda Baeza, Ana Margarida Matos, "Cadáver Esquisito!", José Lopes, Luís Louro, Mana Neyestani, Montanha de Azeitonas, Paulo J. Mendes, Pierre-Henry Gomont, "Portugal em Bruxelas", Roberta Cirne, Rui Pimentel, "Tales Fromo Nevermore", Theo, Uli Oesterle e Victor Mesquita. Houve, portanto, uma boa dose de ecletismo nas exposições que se apresentaram bem cuidadas ao nível de originais e com um bom trabalho cénico.

Em termos de programação, outro dos pontos fortes foi a riqueza e diversidade da mesma. Não é um festival que se limite à BD portuguesa, pois também consegue atrair autores internacionais de peso, como David Rubín, Achdé, Pierre-Henry Gomont, Theo, Mana Neyestani ou Uli Oesterle, apresentando desta forma uma diversidade de estilos, linguagens e géneros muito distintos. É um evento plural, que valoriza tanto a vanguarda como o classicismo, tanto o underground como o mainstream. Há espaço para todos!

Uma nota positiva tem que ser dada à forma como o auditório (com capacidade para mais de 30 pessoas) está quase sempre apinhado de gente. Isso é ótimo para os autores e editores e não é uma coisa nada comum, como bem sabemos. Paco Cerrejón, responsável pelo Hispacómic - Festival de Banda Desenhada de Sevilha, que também teve uma apresentação, referiu isso mesmo: que é incrível como o auditório das apresentações está sempre muito cheio em Beja. Julgo que para isso contribuirá (mais uma vez!) o esforço pessoal de Paulo Monteiro que, utilizando o microfone, faz a chamada para a apresentação seguinte, bem como a forma assertiva com que as apresentações têm que acabar impreterivelmente à hora marcada, de forma a que a extensa programação não se atrase. Admito que, por vezes, gostaria que as apresentações não fossem tão diminutas em tempo... 15 minutos é pouco. Mesmo assim, também compreendo que é a forma encontrada pela Organização para assegurar que todos têm um pouco do tempo de agenda para apresentar os seus projetos.

Ainda sobre o facto do auditório estar sempre cheio, fiquei bastante surpreendido pela positiva ao verificar que na apresentação do meu livro Muitos Anos a Virar Páginas, que ocorreu às 10h45 da manhã de sábado, a sala estivesse completamente cheia, com várias pessoas de pé.

Uma coisa que apreciei também, foi que, na noite de sábado, as apresentações noturnas tivessem sido feitas no auditório exterior. Isto permite que as apresentações e debates possam ser ouvidas por muito mais gente, propiciando um ambiente descontraído e agradável para todos os envolvidos. Seguramente, é algo a manter em edições futuras!

Para além das apresentações e das exposições, também houve as habituais sessões de autógrafos, concertos desenhados e o mercado do livro que estava muito bem composto com muita e variada banda desenhada.

Voltando ao que mais gosto do Festival de Beja, tenho que referir que se há algo que toca verdadeiramente os visitantes deste certame é o espírito que ali reside. A atmosfera em Beja é leve, acolhedora, familiar. Os almoços e jantares entre autores, editores, leitores e amigos tornam-se muitas vezes os momentos mais memoráveis do evento. São nesses encontros informais que nascem colaborações, ideias e amizades duradouras. E é aqui que Beja se torna diferente de quase tudo o resto.

A organização, liderada por Paulo Monteiro, tem sabido manter este equilíbrio raro entre profissionalismo e paixão, entre curadoria cuidada e espírito comunitário. É um trabalho de amor - e isso sente-se em cada detalhe, desde os cartazes às escolhas dos autores convidados.

Concluindo, o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja é, acima de tudo, um lugar de encontro. De encontros improváveis, de reencontros com autores favoritos, de descobertas de talentos escondidos.  Uma autêntica concentração de amantes de BD. Da mesma forma que existe, em Faro, a Concentração de Motards, um pouco mais acima, em Beja, existe a Concentração de Bedéfilos. É um espaço onde a BD é celebrada com sinceridade, onde cada leitor é tratado com atenção e onde cada autor sente que faz parte de algo maior. E isso, nos dias que correm, é mais do que especial - é necessário!


terça-feira, 27 de maio de 2025

Faltam 3 dias para o Festival de Beja 2025!


É já na próxima sexta-feira, dia 30 de Maio, que arranca o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja! E este ano, a celebração é em grande, pois este imprescindível evento inteiramente dedicado à banda desenhada celebra o seu 20º aniversário!

Só isso já me permite enviar por aqui os meus parabéns e agradecimento a todos os envolvidos, em particular ao Diretor do Festival, Paulo Monteiro, um amigo, pelo seu trabalho, dedicação e entrega à 9ª arte!

Entre os ilustres convidados internacionais que este ano o evento recebe, estão Achdé (ilustrador atual de Lucky Luke e Aii!), Mana Neyestani (autor de Uma Metamorfose Iraniana e   Os Pássaros de Papel), Pierre-Henry Gomont (autor de Afirma Pereira e Slava), Theo (autor de Murena) e Uli Oesterle (autor de Le Lait Paternel).

Aproveito também para informar que vou estar por lá, não só para acompanhar e cobrir o Festival, como também para apresentar o meu livro Muitos Anos a Virar Páginas no sábado, dia 31 de Maio, às 10h45, a que se seguirá uma sessão de autógrafos das 16h30 às 17h30. 

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa do certame e com informação referente às exposições, às sessões de autógrafos e a toda a programação. Já agora, parabéns à Susa Monteiro por mais um belo cartaz!

terça-feira, 4 de junho de 2024

Festival de Beja 2024 arranca na próxima sexta-feira!



É já no próximo fim de semana que todos os caminhos bedéfilos nacionais vão dar a Beja! Está de volta um evento pelo qual é difícil não ter um carinho especial!

E, ainda por cima, o cartaz deste ano traz dois nomes gigantes da banda desenhada internacional: Jacques Tardi e Miguelanxo Prado! 

Além disso, e entre nomes muito interessantes, destaco também a presença de Alix Garin que, com a sua obra Não Me Esqueças, arrecadou o último VINHETA D'OURO para Melhor Obra Estrangeira.

O evento acontece de 7 a 23 de Junho mas, como habitual, é no primeiro fim de semana que se concentra a grande parte da programação. 

Serão 16, as exposições patentes ao público na Casa da Cultura de Beja e todas elas contarão com a presença dos respetivos autores que passo a enumerar:



ALIX GARIN – Bélgica

ANDRÉ DINIZ – Brasil

ANTOINE COSSÉ – França

DANIEL SILVESTRE – Portugal

DANIELA VIÇOSO – Portugal

GLORIA CIAPPONI E LUCA CONCA – Itália

.JAVIER RODRÍGUEZ – Espanha

KACHISOU – Portugal

MÁRIO FREITAS E LUCAS PEREIRA – Portugal | Brasil

MIGUEL ROCHA – Portugal

MIGUELANXO PRADO – Espanha


JACQUES TARDI – França

XAVIER ALMEIDA – Portugal
HERDEIROS DO MANGUITO – Portugal
Com Ana Mar Figueiredo, Bruna Carvalho, Celina Adriano, Francisco Lança, João Gordinho, José Bandeira, Luís Gama, Patrícia Furtado, Pedro Rodrigues, Marcius Assis, Nelson Simões e Yury Borgen

PORTUGAL EM BRUXELAS – Portugal
Com Catarina Silva, Daniel Silvestre, Filipa Branco Jaques, Filipe Leitão, Frederico Gavazzo Mendes, Inês Martins, Joana Gonçalves e Melissa Rodrigues, Madga Alves Pereira e Samuel Jarimba, Marco Fraga da Silva e Rafael Antunes, Miguel António Lucas Fernandes, Miguel de Oliveira Pinto Ferreira, Mónica Alves, Patrícia Roque Ventura, Patrícia Shim, Rita Neves e Vitor Hugo Rocha

TOUPEIRA – Angola | Brasil | Inglaterra |Portugal
Com André Ferreira, Andrew Smith, Carlos Batista, Carlos Coelho, Carlos Páscoa, Daniel Medina, Eduardo Lopes, João Laia, Jojo Smith, Junilson Mergulhão, Luís Guerreiro, Luís Velhinho, Luna Paixão, Manuel Monteiro, Paulo Monteiro, Paulo Narciso, Pedro Franco, Rafael Sanzio, Rita Cortês, Susa Monteiro e Véte






Deixo-vos também com os livros que terão lançamento no evento:

O Homem que Sonho o Impossível
Mário Freitas e Lucas Pereira

Paciência é o meu Nome do Meio
Inês Fetchónaz

Presas Fáceis 2 - Abutres
Miguelanxo Prado

Quaresma, O Decifrador - A Morte de Dom João
Mário André

Sunny 3
Taiyo Matsumoto

Revista H-Alt
Vários Autores

Espiga
Bernardo Majer

O Homem que não conseguia arrumar a casa
João Laia

A Casa dos Lilases
Daniela Viçoso

A Armação
Daniel Silvestre


A Organização já disponibilizou o Programa Completo do evento, para que os visitantes possam planear a sua visita e ficar a conhecer as inúmeras atividades preparadas. As informações relativas aos horários de autógrafos também já estão disponíveis. Chamo a atenção para a nota especial sobre os autógrafos de Jacques Tardi e Dominique Grange.

Partilho toda essa informação mais abaixo:


quarta-feira, 7 de junho de 2023

O meu olhar sobre o Festival de Beja 2023


Foi no último fim de semana, que arrancou aquele que é um dos eventos sobre banda desenhada mais acarinhados pelos leitores de BD: o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. Porquê? Bem... porque ali se respira banda desenhada, porque ali se sente o amor generalizado pela 9ª arte e porque ali se encontram velhos amigos que têm em comum esse enorme gosto pelas histórias aos quadradinhos. 

O evento é completamente descomplexado e informal, possibilitando que autores, editores, divulgadores e leitores troquem impressões, enquanto bebericam uma cerveja. Ou outra bebida qualquer.


Imaginem o seguinte cenário: estou sentado numa das mesas por debaixo das arcadas e à minha esquerda vejo o autor Rúben Pellejero (atual desenhador da série Corto Maltese), em frente tenho José de Freitas, um dos editores d' A Seita, no outro lado tenho Vanda Rodrigues, da Arte de Autor. Na mesa à minha direita tenho os autores Luís Louro e Derradé, os responsáveis pelo blog Juve Bêdê, Carlos Cunha e Alexandra Sousa, e os editores Rui Brito (da Polvo) e Ricardo Pereira (da Ala dos Livros). Entretanto, o Paulo Monteiro, Diretor do Festival, passa por este local, um minuto depois de Rui Alves de Sousa, do programa Pranchas & Balões, da Antena 1, cirandar por aquele mesmo sítio. Isto não é uma situação imaginada por mim. Foi algo que aconteceu no sábado passado e que torna inequívoca a sensação de normalidade que é juntar num só espaço todos os que circulam à volta do universo da banda desenhada.

Para além disto, desta convivência salutar entre todos os intervenientes, o Festival de Beja tem uma programação bastante completa e eclética, tem boas e variadas exposições e um mercado de banda desenhada, onde não faltam livros de banda desenhada. Entre outras coisas.



As Exposições

Como é apanágio do Festival de Beja, as exposições continuam feitas com bom gosto, com um bom cuidado cénico e com temas variados. Nesta questão de oferecer aos seus visitantes um conjunto eclético de exposições, a Organização do evento, na pessoa do Paulo Monteiro, continuam a merecer os meus parabéns.

A boa iluminação e bom emolduramento dos materiais em exposição continuam a fazer-nos crer que estamos num moderno museu, onde temos privaciade para admirar, com calma, cada uma das exposições, muito embora a Casa da Cultura já vá apresentando alguns sinais do tempo.


Neste ano, tenho que selecionar enquanto minhas preferidas, as exposições de Paulo Borges, Ricardo Leite, Ricardo Baptista, Zanzim, Rúben Pellejero e Hermann como as minhas favoritas. Não obstante, sou sincero quando vos digo que todas as exposições, sem exceção, me pareceram bem concebidas.







O Programa de Apresentações
Mais uma vez, a organização preparou um conjunto de apresentações, com conversas com autores, muito pertinente e compacto.

Considero que as apresentações são sempre algo rápidas em demasia. Normalmente, duram 15 minutos. Compreendo que tal é feito para que se consiga dar a oportunidade a todos. E há mérito nessa ideia, claro. 

No entanto, acho que, do ponto de vista dos interessados, talvez se ganhasse mais com algumas apresentações mais demoradas e desenvolvidas.

Daquelas que consegui ver - pois este ano só consegui marcar presença na sexta e sábado do primeiro fim de semana - destaco as de Paulo Borges com Nuno Neves (do Notas Bedéfilas) e os lançamentos dos livros Porra... Voltei, de Álvaro Santos, e Como Flutuam as Pedras, de Pedro Moura e João Sequeira.

Mesmo assim, devo dizer que o grande momento das apresentações a que pude assistir foi quando Ricardo Leite apresentou a sua obra Em Busca do Tintin Perdido. A apresentação do autor foi absolutamente magnética. Daquelas que nos agarra do primeiro ao último minuto e que chega mesmo a comover-nos. Julgo que é justo dizer que qualquer pessoa que saia de uma apresentação assim, fica com o imediato desejo de ler Em Busca do Tintin Perdido!

Este ano tive o privilégio de estar alguns minutos à conversa com Joana Estrela, autora de Pardalita e Miau!. Pela parte que me toca, foi uma conversa que achei bastante interessante, pois Joana Estrela é uma autora que começa, cada vez mais, a merecer o devido reconhecimento por parte dos leitores portugueses. 

Aproveito para agradecer ao Paulo Monteiro pela oportunidade.





O Mercado de BD
Mais uma vez, o Festival de Beja tem uma ampla tenda onde podemos adquirir banda desenhada de todas as formas e feitios, e onde estão representadas, salvo erro, todas as editoras portuguesas de banda desenhada. Até há espaço para belíssimas edições em inglês, francês ou espanhol.

Volto a referir que lamento que não se façam promoções mais agressivas para, deste modo, impulsionar as vendas. Coisas como "pague um, leve outro", "livro do dia" ou iniciativas semelhantes fariam com que se vendesse mais livros, estou certo. 




Sugestões:

- O Festival de Beja é uma máquina bem oleada nas mãos do Comandante Paulo Monteiro e, portanto, creio que as minhas sugestões terão sempre um peso relativo porque a verdade é que o Festival continua a ser muito bem pensado e organizado.

Mas, claro, também acredito que há sempre espaço para melhorias, portanto deixo as minhas críticas construtivas:

- Continuo a achar que o palco onde se desenrolam os concertos animados está subaproveitado. Creio que faria todo o sentido que os autores de maior renome pudessem ser apresentados neste local, em vez de no pequeno auditório da Casa da Cultura. Isso faria com que mais público pudesse assistir às apresentações. Não digo que se deva deixar de usar o auditório da Casa da Cultura para apresentações. Digo apenas que faz sentido que haja dois espaços: um para os os projetos mais independentes e outro para os projetos mais mainstream. Um palco principal e um palco secundário, se preferirem. Acho que o festival merece que haja dois espaços diferentes para apresentações e, quanto a mim, isso nem requer um aumento de investimento dos meios. Porque os meios já lá estão. Se funcionam para os concertos animados, também podem funcionar para as apresentações.


- Já quanto ao volume sonoro da música dos concertos desenhados, parece-me que continua excessivamente alto. Repare-se numa coisa: enquanto baterista de rock que sou, considero que não existe algo como "volume excessivamente alto". Mas isso é quando falamos numa performance de banda. Se estivermos a pensar num tipo de concerto que não é mais do que um DJing ou uma música que funciona mais como pano de fundo para aquilo que está a ser desenhado, o que se pretende é que o som seja mais ambiente, mais agradável. Invariavelmente, os visitantes acabam a gritar uns com os outros se se querem fazer ouvir. Acho que isto merece ser repensado na próxima edição.


-/-

Em suma, foi mais um evento muito bonito, marcado pelas caras conhecidas de sempre e, felizmente, algumas novas caras. Pareceu-me que houve bastante público nesta edição, o que é algo que merece louvores.

Ainda que o fim de semana mais importante já tenha ocorrido, uma visita ao Festival de Beja para aqueles que não puderam marcar presença continua a ser merecida, já que a exposição vai estar patente até ao dia 18 de Junho.

Não deixem de visitar este evento que merece ser acarinhado por todos os que se dizem amantes da banda desenhada!

Resta-me agradecer ao Paulo Monteiro - e a toda a equipa que o acompanha - por toda a sua simpatia, generosidade e comprometimento para fazer de Beja um destino obrigatório. 

Parabéns a toda a Organização!

Para o ano há mais!