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quinta-feira, 29 de junho de 2023

Análise: Auto da Barca do Inferno

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso

Assim de caras, e com alguma facilidade, diria, Auto da Barca do Inferno, que fechou a série dos Clássicos da Literatura em BD, que a Levoir lançou em parceria com a RTP, é o melhor livro de toda a coleção. Mas de caras, mesmo!

Começo até por dizer que, infelizmente, o nível médio qualitativo desta série que, não obstante, tem tido um grande sucesso de vendas, não conseguiu superar, quase nunca, a mediania. Bem sei, ninguém precisa de mo relembrar, que esta coleção será mais direcionada a um outro público, que não os habituais leitores de banda desenhada, mas, mesmo tendo isso em conta, a qualidade média bem que poderia ser melhor.

Diria que os álbuns Alice no País das Maravilhas (de David Chauvel e Xavier Collette) e O Livro da Selva, de Djian e TieKo estiveram entre os melhores álbuns da série. E a eles poderemos juntar os álbuns de origem portuguesa, Amor de Perdição (de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge) e mesmo o mal-amado Os Maias (de José Hartvig de Freitas e Canizales) que, não sendo perfeitos, estiveram entre os melhores da coleção.

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP
Agora, com este Auto da Barca do Inferno, a coleção atingiu finalmente – ao seu 30º lançamento – a qualidade que gostaríamos de ter encontrado em todos os lançamentos.

João Miguel Lameiras volta a ser chamado para adaptar o texto original de um autor clássico da literatura nacional. Desta vez, coube-lhe transpor o texto da peça Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Uma obra que todos demos na escola, acredito.

E começa por ser na própria escolha da obra que esta empreitada funciona bem. É que, ao contrário da grande maioria dos clássicos da literatura incluídos nesta coleção, que são bastante extensos e que, em consequência disso mesmo, acabam por ser adaptados para banda desenhada de uma forma demasiadamente superficial, este Auto da Barca do Inferno é um texto relativamente pequeno e que se assumia como mais plausível para uma ingressão em banda desenhada.

É claro que havia alguns desafios e dificuldades por se tratar de um texto de teatro, onde só há diálogos, sem que sobre espaço para qualquer tipo de narração; além de ter uma linguagem arcaica, de uma outra época, que já tem poucos ou nenhuns paralelismos com a linguagem contemporânea que utilizamos para comunicar.

Vamos por partes.

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP
Em termos da adaptação dos diálogos e da própria divisão do texto, João Miguel Lameiras – também ajudado pelo trabalho de Joana Afonso, mas já lá irei – faz aqui um belo trabalho. A sensação com que ficamos é que estamos a ler o texto integral original, mas que este nos é dado de forma bem dividida, com um bom ritmo e que convida a uma leitura leve. Vou até mais longe e direi que, a partir do momento em que este livro existe, esta é a melhor forma de ler Auto da Barca do Inferno.

A outra dificuldade de ajustar – ou não – o texto clássico e arcaico original de Gil Vicente acaba por ser superada por João Miguel Lameiras. Talvez não com distinção, mas superada. Há que ser justo: o texto de Gil Vicente é demasiado pesaroso para ler. Utiliza vocábulos que foram perdendo a usabilidade com o passar dos séculos – afinal de contas passaram mais de 500 anos, desde que a obra foi escrita! – e, portanto, nos dias que correm, não é de todo fácil ler-se os textos de Gil Vicente. Aliás, se bem me lembro, parte ou a totalidade do tempo que, na disciplina de português, passávamos de volta deste Auto da Barca do Inferno era, especificadamente, no exercício de tentar decifrar cada uma das falas. Portanto, talvez tivesse sido pertinente que João Miguel Lameiras tivesse adaptado o texto à linguagem do nosso tempo. Todavia, isso também acarretaria outra grande dificuldade, que seria o potencial de se desvirtuar o texto original. Se isso acontecesse, mais valeria estar sossegado, pois estaríamos a descurar parte relevante da nossa literatura, que é a própria escrita de Gil Vicente.

Sim, eu sei, preso por ter cão e preso por não ter.

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP
Ora, portanto, se eu gostaria de ter visto uma adaptação do texto original para a linguagem dos nossos dias, também estou ciente que essa abordagem poderia ter corrido mal e isso seria infinitivamente pior do que apresentar o texto original, com o recurso a várias notas de rodapé para explicar alguns vocábulos, como acabou por ser a opção tomada por Lameiras. Fazendo uma comparação para o universo futebolístico, é verdade que João Miguel Lameiras tinha aqui a oportunidade de fazer um golaço de pontapé de bicicleta, se tivesse adaptado (com sucesso) o texto da obra, mas, pelo menos, não fazendo um “golaço”, também não rematou ao lado. Acabou por marcar golo.

E por falar em “golaços” e em sucesso, Joana Afonso, de quem sou confesso fã: 1) volta a dar-nos um trabalho de primeira linha; 2) volta a superar-se a si mesma e 3) volta a surpreender-nos. Bem, para ser sincero, começo a já não me surpreender com a possibilidade de me vir a surpreender com o trabalho de Joana Afonso pois a verdade é que a autora nos tem vindo a habituar a isso. O que deixa a expetativa alta, claro, mas Joana tem sabido responder bem a isso, de livro para livro.

Tal como referi atrás, um dos desafios de adaptar esta obra era o facto de se tratar de uma peça de teatro e, por esse motivo, prender um pouco a questão cénica e das personagens a um só lugar. É meio caminho andado para, no cinema ou em banda desenhada, se tornar enfadonho. Mas “enfadonho” é tudo o que este livro não é. O que revela que Joana Afonso – por ventura ajudada pelo diálogo e preparação com João Miguel Lameiras – nos oferece um belíssimo livro que parece ultrapassar, sem problemas, esta suposta dificuldade.

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP
Já agora - embora espere que todos o saibam - a história baseia-se muito nos diálogos que algumas personagens, que são claros arquétipos da sociedade, têm com o anjo e com o diabo depois de terem morrido. Naturalmente, todas pretendem ingressar no paraíso, mas, sem surpresas, todas elas acabam por ser remetidas para a barca que ruma aos mares do inferno, com base nas ações que praticaram na sua vida terrena. Há uma clara crítica social e até um certo paternalismo católico no texto de Gil Vicente – se bem que, numa segunda leitura, seja possível encontrar um certo cinismo e uma certa crítica à própria igreja, o que acaba por tornar todo o texto muito mais saboroso, diria.

Partindo, então, desta premissa de “personagem que acaba de morrer e que se vê confrontada com a triagem elaborada pelo Anjo e pelo Demónio”, Joana Afonso tem o enorme mérito de não se repetir a si mesma, apresentando um belo conjunto de soluções visuais diferentes, que bem se apoiam numa planificação dinâmica, em planos de câmara audazes e, claro, na sua inconfundível e ternurenta forma de desenhar figuras tão belas e tão empáticas. Nota ainda para a presença de algumas ilustrações de grande dimensão, algumas delas que ocupam duas páginas, onde a autora demonstra porque é que é um dos grandes talentos nacionais na ilustração de banda desenhada.

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP
Com efeito, a forma como ambos os autores conseguiram, numa só grande ilustração, colocar vários diálogos – algo que João Miguel Lameiras já havia feito com Miguel Jorge na adaptação de Amor de Perdição - revela-se muito inteligente.

As cores de Joana Afonso também voltam a ser muito belas – embora me pareçam demasiado escuras na capa do livro, o que pode estar relacionado com a própria impressão – e isso confere uma dose (ainda) maior à expressividade das personagens.

Resta-me ainda dizer que adorei a forma como os autores terminam o livro. Se já estava satisfeito com a leitura, o final do livro levou-me a dizer para mim mesmo: “Bravo!”.

Quanto à edição da Levoir, o livro mantém as características dos outros álbuns da coleção, ou seja: capa dura, bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. No final, há um dossier, preparado em colaboração com o professor José Bernardes, que inclui 9 páginas de extras onde podemos aprofundar os conhecimentos sobre Gil Vicente, a sua obra e o seu contexto histórico-social.

Em jeito de conclusão, posso dizer-vos que este Auto da Barca do Inferno consegue a dupla proeza de adaptar com bastante rigor a obra original de Gil Vicente, enquanto que as suas belíssimas ilustrações dão personalidade e interpretação própria a um universo de personagens que continuam bastante atuais. É, de longe, o melhor livro da coleção dos Clássicos da Literatura em BD da Levoir e da RTP e, como tal, merece ser lido por todos!


NOTA FINAL (1/10):
8.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso - Levoir e RTP

Ficha técnica
Auto da Barca do Inferno
Autores: João Miguel Lameiras e Joana Afonso
Baseado na obra clássica de: Gil Vicente
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Maio de 2023

terça-feira, 16 de maio de 2023

Adaptação de Gil Vicente para BD é lançada hoje!


É hoje que sai o muito aguardado Auto da Barca do Inferno, inserido na coleção da Levoir e da RTP, Clássicos da Literatura em BD! 

E o melhor de tudo é que, para além de ser a terceira adaptação de clássicos da literatura portuguesa desta coleção, contamos com uma dupla de autores portugueses responsáveis por este livro: João Miguel Lameiras e Joana Afonso!

Estou muito curioso com este livro.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais da obra.

Auto da Barca do Inferno, de João Miguel Lameiras e Joana Afonso

Depois da adaptação dos clássicos portugueses, Os Maias e Amor de Perdição, o volume 30 da coleção Clássicos da Literatura em BD, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente (1465-1536), é editado pela Levoir e RTP a 16 de maio.

Esta obra tem ilustração de Joana Afonso, adaptação do argumento de João Miguel Lameiras e o dossier tem a colaboração de José Bernardes professor da Universidade de Coimbra.

A 27 de maio às 16h, a ilustradora e o argumentista estarão presentes no Auditório Poente da Feira do Livro de Lisboa para falarem sobre a obra e sessão de autógrafos.

Esperamos por si!

Dramaturgo e poeta português, Gil Vivente é o representante maior da literatura renascentista em Portugal. Serviu na corte régia portuguesa, no primeiro terço do século XVI. Concebeu e promoveu o que hoje designamos por espetáculos de teatro. A sua atividade de dramaturgo foi desenvolvida em torno da corte portuguesa, abrangendo os reinados de D. Manuel I e de D. João III, destinava-se sobretudo a assinalar celebrações litúrgicas (Natal e Páscoa) ou acontecimentos que envolviam a família real: nascimentos de príncipes, casamentos, entradas de reis nas cidades, despedidas de infantas que partiam para casar, etc.

O Auto da Barca do Inferno, foi representado no quarto de D. Maria de Aragão, segunda mulher de D. Manuel, que, em outubro de 1516, havia dado à luz, pela décima vez e se encontrava doente, vindo a falecer, talvez de sequelas do parto, em março do ano seguinte.

Dois barqueiros, o Anjo e o Diabo recebem as almas dos passageiros que passam para o outro mundo. A cena passa-se num porto e, um dos barcos vai em direção ao céu, e o outro ao inferno. A maioria dos personagens vão para a barca do inferno. 

Durante as suas vidas não seguiram o caminho de Deus, foram trapaceiros, avarentos, interesseiros e cometeram diversos pecados. 

Por outro lado, quem seguia os preceitos de Deus e viveu de maneira simples vai para a barca.

O Auto da Barca do Inferno é um grande clássico da literatura portuguesa, possuindo diversas sátiras envolvendo a moralidade.

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Ficha técnica
Auto da Barca do Inferno
Autores: João Miguel Lameiras e Joana Afonso
Baseado na obra clássica de: Gil Vicente
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 13,90€

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Levoir anuncia novidades de BD para os próximos meses!


Tem sido a conta-gotas, de forma algo tímida, mas aparentemente em crescendo, que a Levoir tem vindo a anunciar novidades editoriais para os próximos meses.

Para já, podemos afirmar que são 4 as bandas desenhadas que a editora já prometeu para os próximos tempos: uma obra de autores portugueses, a expetável continuação da coleção Clássicos da Literatura em BD, a segunda parte de uma novela gráfica já anteriormente publicada pela editora e, para surpresa de alguns, suponho, a aposta num mangá por parte da editora.

Assim, olhemos para as obras em calha:

A editora anunciou que, à semelhança do que já havia feito na primeira coleção dos Clássicos da Literatura em BD - em que apostou no lançamento da adaptação de bandas desenhadas baseadas em obras relevantes da literatura portuguesa, neste caso, Os Maias e Amor de Perdição - a editora prepara a adaptação para bd do clássico Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. 

Essa adaptação está a cargo de João Miguel Lameiras, no argumento, e de Joana Afonso, na ilustração. Já foram tornado públicas algumas ilustrações que me parecem verdadeiramente magníficas. Bem ao jeito do traço inconfundível e adorável de Joana Afonso. Este será o 30º volume da coleção e deverá ser publicado entre Junho e Julho deste ano.

O Auto da Barca do Inferno (Gil Vicente)
Autores: João Miguel Lameiras e Joana Afonso
Lançamento previsto: Junho/Julho



Por falar em Clássicos da Literatura em BD, a editora também já anunciou que o próximo álbum desta coleção a editar é A Guerra dos Mundos, de H.G.Wells, cuja adaptação para banda desenhada é da autoria de Philippe Chanoinat e Alain Zibel. 

Este livro deverá chegar às livrarias já no próximo dia 7 de Fevereiro.

A Guerra dos Mundos (H.G. Wells)
Autores: Philippe Chanoinat e Alain Zibel
Lançamento previsto: 7 de Fevereiro


Entretanto, a editora também já confirmou que publicará no próximo mês de Março a segunda parte do livro Destemidas - Mulheres que só fazem o que Querem, da autoria de Pénelope Bagieu. Relembre-se que o primeiro livro foi publicado em 2018, na quarta coleção de Novelas Gráficas que a Levoir editou, juntamente com o jornal Público.

Tal como no primeiro livro, este segundo Destemidas procurará dar-nos 15 biografias de mulheres que ousaram triunfar perante a sua condição de mulher num mundo machista.


Destemidas - Mulheres que só fazem o que Querem - Vol. 2
Autora: Pénelope Bagieu
Lançamento previsto: Março

Finalmente, a Levoir anunciou ontem que vai lançar um mangá. 

E começá-lo-á com o clássico Os Três Mosqueteiros numa adaptação para mangá feita pelos autores Cedric Tchao e Nejib. 

O lançamento está agendado para o final do mês de Março e deverá acompanhar o lançamento de uma nova adaptação para cinema da obra original de Alexandre Dumas.




Os Três Mosqueteiros #1 - D'Artagnan
Autores: Cedric Tchao e Nejib
Lançamento previsto: Março


terça-feira, 5 de março de 2024

Passatempo Especial VINHETAS D'OURO 2023!



Conforme já aqui avancei, a 4ª edição da Gala dos Prémios de Banda Desenhada VINHETAS D' OURO 2023 será transmitida na próxima sexta-feira, dia 8 de Março, às 21h00, no seguinte link.

Até lá, e como já vai sendo hábito, lanço um passatempo que oferecerá 3 belos prémios a quem acertar nos vencedores das obras a concurso. 

Portanto, o desafio é este:


CONSEGUES ADIVINHAR QUEM SERÃO OS VENCEDORES DE CADA CATEGORIA?


A primeira pessoa que acerte quem são os vencedores de cada categoria dos VINHETAS D'OURO 2023 recebe um fantástico prémio que, este ano, é inteiramente dedicado a Tintin e se divide em três items:

1) o livro com a nova edição da obra Tintin - As Joias de Castafiore
2) o livro Dicionário Ilustrado do Professor Girassol
3) um peluche de colecionador da personagem Milu, o célebre companheiro de Tintin. O peluche é um artigo oficial Hergé/Moulinsart. 

Um passatempo que é apoiado pela ASA, e cujo valor total do prémio é aproximadamente de 60,00€.

A forma de participação é simples. Confere abaixo.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Já se conhecem os títulos da nova coleção dos Clássicos da Literatura!



Depois do sucesso comercial que foi a coleção dos Clássicos da Literatura em BD, a Levoir prepara-se para lançar mais 16 livros dessa coleção e já são conhecidas as obras.

Tal como eu já havia previsto há uns meses, não há grandes surpresas e a editora portuguesa opta por apostar nas obras de literatura mais célebres. O que é compreensível, claro.

A grande dúvida era acerca da obra clássica da literatura portuguesa que seria adaptada para a coleção. Ainda não são conhecidos quem serão os autores a fazê-lo mas já se sabe que a obra em questão será o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.

O primeiro volume, 20.000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne, sairá no próximo da 28 de Junho. Saliente-se a alteração no preço das obras que saltam de 10,90€ para 13,90€. Longe de mim tecer aqui alguma crítica quanto a isso, uma vez que todos sabemos como o aumento do preço e escassez dos materiais tem condicionado os preços de capa dos livros de banda desenhada. No entanto, e tendo especialmente em conta o tipo de público para quem esta série se destina, parece-me que estes mais de 30% de aumento em relação ao preço dos primeiros livros pode ser demasiado pesaroso para a série. Mas a ver vamos.

Abaixo, fiquem com a lista das obras e respetivas capas originais. Enquanto não conhecemos as versões portuguesas.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

À Conversa Com: Levoir - Novidades para 2024!



Com o fim do ano a aproximar-se, é tempo de olharmos para 2024 e ficarmos a conhecer quais são as propostas das várias editoras portuguesas de banda desenhada para o próximo ano editorial.

Como tal, o Vinheta 2020 já falou com muitas das editoras portuguesas e, por isso, vai publicar nos próximos dias um artigo para cada uma delas, em que se procurará falar das novas apostas para 2024, ao mesmo tempo em que se analisa um pouco o que tem estado a ser o ano 2023.

Assim sendo, arranca-se hoje com a entrevista a Silvia Reig, a responsável pela Levoir, uma das mais importantes editoras de banda desenhada em Portugal.

Nesta conversa, a editora foi muito generosa e direta na forma como apresentou as novidades da Levoir para o próximo ano, que promete ser muito rico em termos quantitativos e qualitativos. E preparem-se, pois são aqui apresentadas muitas, muitas novidades que vos poderão surpreender!

Não deixem, portanto, de ler a entrevista, mais abaixo!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

VINHETAS D'OURO 2023 - Nomeados para Melhor Álbum de Autor Português


Tal como havia prometido durante esta manhã, trago-vos agora os nomeados para a mais badalada categoria dos VINHETAS D'OURO: aquela que premeia o Melhor Álbum de Autor Português!

Eis as obras nomeadas:

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Análise: O Crime do Padre Amaro

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo

Devo confessar que estava particularmente curioso em ler este O Crime do Padre Amaro - que a editora Levoir editou há umas semanas na sua coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD - não por uma, não por duas, mas por três razões. E essas três razões são exatamente os nomes dos três autores por detrás desta obra: Eça de Queirós, André Oliveira e Ricardo Santo. 

Eça de Queirós, o autor do romance original O Crime do Padre Amaro, e nome maior da literatura, é um dos meus escritores favoritos! Não só da literatura portuguesa, como da literatura mundial. É um autor com um humor latente, irónico e subtil, carregado de uma crítica social indireta que adoro e que considero completamente atual. Quanto a André Oliveira, este é, quanto a mim, um dos melhores argumentistas da banda desenhada nacional, sendo as suas premissas originais e o seu texto especialmente inspirado e bem tecido. Finalmente, Ricardo Santo - que até lançou recentemente o também muito recomendável Boarding Pass - é um dos ilustradores de banda desenhada que mais aprecio.

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
Portanto, tudo somado, estava desejoso de ler este O Crime do Padre Amaro e confirmar se as minhas altas expetativas para este livro eram positivamente correspondidas ou não. E foram, posso dizer-vos! Ainda não li todos os livros lançados nesta coleção da Levoir (mas faltam-me poucos) e ainda serão lançadas algumas novas obras no futuro, mas, pelo menos até agora, e considerando até os livros Auto da Barca do Inferno, Os Maias ou Amor de Perdição - lançados na coleção Clássicos da Literatura em BD - este O Crime do Padre Amaro é o meu favorito!

Mas voltemos um pouco atrás.

O Crime do Padre Amaro é um dos romances mais conhecidos de Eça de Queirós e representa uma das primeiras incursões do autor no realismo literário. Publicada pela primeira vez em 1875, a obra é uma crítica feroz à hipocrisia e corrupção moral da Igreja Católica e da sociedade portuguesa da época. Através de uma narrativa que combina elementos de crítica social, análise psicológica e denúncia moral, Eça constrói uma história poderosa e polémica. Se continua a ser polémica nos dias de hoje, imagino o quão mais chocante terá sido aquando da sua publicação original! Obrigado por abalares o sistema, Eça!

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
A história gira em torno do Padre Amaro, um jovem que, devido à sua origem humilde e a uma série de influências externas, entra para o sacerdócio, mesmo sem que se lhe note uma verdadeira vocação religiosa. Após concluir os estudos no seminário, Amaro é enviado para a cidade de Leiria, onde é acolhido na casa de S. Joaneira, uma devota senhora que frequentemente abriga padres na sua casa.

E é nessa casa que Amaro conhece Amélia, uma bela e inocente jovem, filha da anfitriã. Rapidamente, Amaro é atraído por Amélia, e os dois iniciam um relacionamento secreto e ilícito, motivado tanto pelo desejo físico, quanto pela falta de escrúpulos morais de Amaro. A relação deles é complicada pelo contexto religioso e pelas pressões sociais da época e, claro, tudo se complica ainda mais quando Amélia engravida, o que leva a uma série de ações desesperadas. Para evitar o escândalo, Amaro convence Amélia a fazer tudo para assegurar que a sua reputação permanece intacta. Eventualmente, o desfecho acaba por ser trágico não para todas, mas para várias das personagens.

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
Com toda a inteligência e humor irónico pelo qual é (re)conhecido, Eça de Queirós utiliza a figura do Padre Amaro para criticar a corrupção, a hipocrisia e a falta de verdadeira espiritualidade dentro da Igreja Católica. A obra mostra padres que, em vez de serem guias morais e espirituais, estão envolvidos em escândalos, pecados e abusos de poder. A crítica não é apenas ao comportamento individual de Amaro, mas ao sistema que permite e, em certa medida, encoraja esses comportamentos.

A própria sociedade portuguesa também é alvo de crítica, sendo retratada como hipócrita. As aparências são mantidas a qualquer custo, enquanto a moralidade verdadeira é frequentemente negligenciada. Personagens como S. Joaneira, que promove encontros entre padres e mulheres, e outros membros da comunidade de Leiria, que fofocam e julgam, exemplificam essa duplicidade.

E, claro, também bem presente, como um dos temas centrais, está a tensão entre o desejo carnal e as exigências do dever religioso. A obra questiona a repressão do desejo natural imposta pela Igreja, sugerindo que tal repressão leva à hipocrisia e à corrupção. 

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
André Oliveira consegue agarrar bem na história originalmente tecida por Eça de Queirós, honrando a relevância da mesma e, ao mesmo tempo, adaptando-a de forma convincente para banda desenhada, utilizando as valências e possibilidades narrativas próprias da 9ª arte. Quem não conhece a história original poderá ficar com uma ideia muito clara da mesma, e quem já a conhece tem aqui mais uma oportunidade para um refrescante e novo mergulho nesta obra de valor incomensurável.

Nota ainda para o texto utilizado por André Oliveira que consegue manter o bom ritmo e dialética da escrita de Eça de Queirós sem o recurso a uma transcrição pura. E isto revela, lá está, a capacidade de André Oliveira para as palavras, por um lado, mas também para a narrativa em banda desenhada, por outro.

Mas se a adaptação do argumento por André Oliveira resulta, as ilustrações de Ricardo Santo também funcionam na perfeição para este O Crime do Padre Amaro. 

Tratando-se de uma história que vive muito do enredo que envolve as personagens, levando a muitos diálogos e intriga junto das mesmas, os desenhos de Ricardo Santo, com a sua característica expressividade caricatural revelam-se a cereja no topo do bolo para que o livro funcione da melhor forma possível. Nesse ponto - e embora eu seja sempre um apreciador dos desenhos do autor - até tenho que dizer que Ricardo Santo se revelou ainda melhor do que em anteriores trabalhos. É que os olhares que as personagens trocam entre si, bem como os gestos e as reações faciais das mesmas, muito contribuem para que o leitor mergulhe profundamente no enredo e na suas mensagens subliminares.

O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP
Há uma ou outra expressão facial do Padre Amaro que me parece algo menos natural, talvez devido à tentativa de colocar a personagem com uma aparência mais andrógena do que o habitual, mas não é nada que seja demasiado grave. A "regra" é que funcione muito bem.

E onde Ricardo Santo também se revela especialmente inspirado nesta obra, é na forma dinâmica como planifica os seus quadros, com várias ilustrações maiores a serem divididas por vinhetas mais pequenas, e com os desenhos a transporem os limites das próprias vinhetas. Todas estas opções tornam a narrativa visual moderna, airosa e apelativa.

Em termos de edição, este livro apresenta as habituais características dos outros livros da coleção: capa dura baça, bom papel brilhante no miolo, boa encadernação e boa impressão. Destaque para o dossier de conteúdo adicional com 6 páginas, um pouco menos páginas do que o habitual para, presumivelmente, compensar o facto de também a história em BD ter mais duas páginas do que a regra nesta coleção. Uma nota ainda, positiva, para a capa, também um das mais apelativas de toda a coleção.

Em suma, esta adaptação de O Crime do Padre Amaro, uma das mais emblemáticas obras da literatura portuguesa, conquistou-me nos seus diversos níveis: a adaptação do argumento para banda desenhada por André Oliveira está bem conseguida, as ilustrações de Ricardo Santo fazem jus a este universo Queirosiano e, bem, a história, já amplamente conhecida pelos portugueses, continua apetitosa e totalmente atual, como se a obra original tivesse sido escrita há duas semanas e não há mais de 100 anos. Quer estejam a acompanhar ou não esta coleção da Levoir, este é mesmo um livro obrigatório!

NOTA FINAL (1/10):
9.1


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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O Crime do Padre Amaro, de André Oliveira e Ricardo Santo - Levoir - RTP

Ficha técnica
O Crime do Padre Amaro
Autores: André Oliveira e Ricardo Santo
Adaptação a partir da obra original de: Eça de Queirós
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Julho de 2024

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

A obra de Camilo Castelo Branco recebe nova adaptação para BD!



A Levoir lança amanhã, em parceria com a RTP, o seu novo livro da coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD!

Desta vez, estamos perante a adaptação do clássico Maria Moisés, de Camilo Castelo Branco. Essa referida adaptação chega-nos pelas mãos de uma dupla feminina: as autoras Carina Correia e Joana Afonso.

Estou bastante curioso em ler este trabalho. Não só porque marca a estreia de Carina Correia enquanto autora de BD, como pelo simples facto de eu ser um grande admirador do trabalho de Joana Afonso.

Relembro que esta já é a segunda adaptação para banda desenhada de uma obra de Camilo Castelo Branco, visto a Levoir ter editado, em 2021, Amor de Perdição, com adaptação de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Maria Moisés, de Carina Correia e Joana Afonso

A Levoir e a RTP editam a 8 de outubro Maria Moisés, uma das oito novelas, de Camilo Castelo Branco publicadas entre 1875 e 1877, que integra o livro Novelas do Minho.

Um trabalho totalmente no feminino, com argumento de Carina Correia e ilustração de Joana Afonso.
A novela apresenta duas partes essenciais, narrando-se, na primeira, o amor trágico de Josefa da Lage e, na segunda, a vida da sua filha, Maria Moisés, fruto dos amores com António de Queirós. A primeira parte inicia-se com momentos dramáticos, pela descoberta de Josefa da Lage, moribunda, e que acaba por falecer nos braços do Luís moleiro que tentara socorrê-la. 

António de Queirós, filho do fidalgo de Cimo da Vila, apaixona-se por Josefa da Lage com quem tem uma filha, mas vai para o Brasil sem saber da sua existência. A segunda parte da novela vai centrar-se na filha do jovem casal. A criança é encontrada no rio por um pescador e, adotada pelos fidalgos da Quinta de Santa Eulália. É batizada com o nome de Maria Moisés. Após trinta e sete anos, António de Queirós regressa do Brasil. 

Ao recordar o seu antigo caso de amor, com as pessoas da terra, fica a saber que tem uma filha chamada Maria Moisés, que se dedica à caridade na Quinta de Santa Eulália. Ouvindo falar das dificuldades económicas da sua obra social, que obrigam a benfeitora a vender a sua propriedade, resolve ajudá-la, comprando-lha. O momento comovente do reconhecimento entre pai e filha é designado pelo narrador por "sublime lance".

Maria Moisés é recomenda como leitura para os alunos do 9º ano de escolaridade.

Carina Correia divide o seu trabalho entre a escrita a revisão e a coordenação editorial de diversas publicações. Joana Afonso é desenhadora e ilustradora, reconhecida pelo seu trabalho na banda desenhada, já distinguido com múltiplos prémios, entre os quais o de Melhor Álbum Português, no Amadora BD. Maria Moisés é o segundo trabalho da ilustradora para a Levoir, o primeiro foi Auto da Barca do Inferno.

O Professor Sérgio Guimarães de Sousa -Universidade do Minho – é o autor do dossier pedagógico e é o Coordenador Científico do Centro de Estudos Camilianos e da Casa-Museu de Camilo Castelo Branco.

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Ficha técnica
Maria Moisés
Autoras: Carina Correia e Joana Afonso
Baseado na obra original de: Camilo Castelo Branco
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

20 Livros de BD Portuguesa para oferecer no Natal 2023!


Ainda em tempo de compras de natal, trago-vos hoje um artigo que procura centrar-se em boas compras em termos de banda desenhada nacional. Ou banda desenhada feita por autores portugueses, vá. Isto porque - e expetavelmente - duas das propostas que vos trago não foram inicialmente feitas pelo (ou para) o mercado nacional, mas foram concebidas por autores portugueses. Portanto, e nomenclaturas à parte, também resultam da criação nacional. 

Há ainda dois livros nesta lista que são reedições e que, portanto, não trazem propriamente material novo. Mas são, ainda assim, belas obras da BD nacional que, desde este ano, voltaram a estar disponíveis para o público e que, portanto, constituem ótimos presentes de natal.

Seja para oferecermos aos que nos rodeiam, seja para os comprarmos para nós mesmos!

Relembro que, na semana passada, preparei o meu habitual Guia de Compras de Natal onde sugeri 3 livros por editora. Convido-vos a visitarem esse artigo também.

Mas, por agora, eis 20 bandas desenhadas feitas pelo talento nacional, que foram lançadas este ano, e que dão ótimos presentes de natal:

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Levoir lança clássicos da literatura portuguesa em BD!


A Levoir prepara-se para lançar, já a partir do próximo dia 23 de Janeiro, uma das suas grandes apostas para este ano de 2024!

Falo de uma coleção de adaptações para banda desenhada de Clássicos da Literatura mas, ao contrário das anteriores duas coleções, que se baseavam em adaptações da literatura internacional, e que já haviam sido publicadas pela editora francesa Glénat, - excetuando as três obras de origem portuguesa Os Maias, Amor de Perdição e Auto da Barca do Inferno - esta nova coleção é feita de raiz para o mercado português, adaptando apenas obras da literatura portuguesa e tendo autores nacionais envolvidos nessas mesmas adaptações. 

E há, portanto, uma diferença gritante entre as duas coleções anteriores e esta. E convém que isto seja sabido e compreendido por todos.
É uma iniciativa que considero verdadeiramente relevante para a banda desenhada nacional, portanto, dou os meus parabéns à editora por esta aposta. Se tivermos em conta que a Levoir - tirando algumas raras exceções - não tem apostado muito na edição de banda desenhada oriunda de Portugal, a iniciativa pode ser considerada ainda como mais marcante!

O primeiro dos volumes é a adaptação para banda desenhada da Mensagem, de Fernando Pessoa, por parte dos autores Pedro Vieira de Moura e Susa Monteiro, e deverá chegar às livrarias no próximo dia 23 de Janeiro.

Esta é uma coleção que a Levoir edita em parceria com a RTP.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora, em que apresenta a coleção e, mais concretamente, o primeiro livro da mesma.

Coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD

Os Clássicos da Literatura em BD estão de regresso!

A Levoir e a RTP editam a partir de 23 de janeiro uma coleção inédita, sobre os Clássicos da Literatura Portuguesa em BD.

Criada de raiz, tem na sua maioria argumentistas, ilustradores e responsáveis pelo dossier pedagógico portugueses, a coleção é composta por 15 volumes, dois deles serão em 2 volumes: Peregrinação e Os Lusíadas.





Lista de Obras

1. Mensagem - Fernando Pessoa

2. Farsa de Inês Pereira - Gil Vicente

3. Sermão de Santo Antonio aos peixes - Padre António Vieira

4. Carta a el-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil - Pero Vaz de Caminha

5. O Fato novo do Sultão - Guerra Junqueiro

6. Frei Luís de Sousa - Almeida Garrett

7. O Crime do Padre Amaro - Eça de Queirós

8. Crónica de D. João I - Fernão Lopes

9. Peregrinação I - Fernão Mendes Pinto

10. Peregrinação II - Fernão Mendes Pinto

11. A Dama do Pé-de-Cabra - Alexandre Herculano

12. Menina e Moça - Bernardim Ribeiro

13. Maria Moisés - Camilo Castelo Branco

14. Os Lusíadas I - Luís Vaz de Camões

15. Os Lusíadas II - Luís Vaz de Camões



No ano em que se celebra 90 anos da primeira edição, abrimos a coleção com Mensagem, um dos livros de poemas mais emblemáticos do multifacetado escritor português Fernando Pessoa.

Publicado apenas um ano antes da morte do autor,  a obra trata do glorioso passado de Portugal de forma apologética e tenta encontrar um sentido para a antiga grandeza e a decadência existente na época em que o livro foi escrito. Glorifica acima de tudo o estilo camoniano e o valor simbólico dos heróis do passado, como os Descobrimentos portugueses.

Originalmente intitulada Portugal, a obra publicada em 1934 continua tão atual hoje como quando foi publicada.

Contém 44 poemas agrupados em 3 partes, representando as três etapas do Império Português: Nascimento, Realização e Morte, seguida de um renascimento.

A obra é adaptada por Pedro Vieira de Moura, especialista em Banda Desenhada e professor universitário, e tem belas ilustrações de Susa Monteiro, sendo o dossier pedagógico da autoria do especialista em Fernando Pessoa, Ricardo Belo de Morais da Casa Fernando Pessoa. 

O Pedro e a Susa oferecem uma releitura da Mensagem, uma outra forma de ver e de revisitar a obra de Pessoa, e é nos seus mais pequenos detalhes que poderão apreciar subtis novas visões do poema.


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Ficha técnica
A Mensagem
Autores: Pedro Vieira de Moura e Susa Monteiro
Adaptação a partir da obra original de: Fernando Pessoa
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Guia de Compras de Natal 2023 - 3 Livros por Editora


Já vem sendo hábito que, chegada a quadra natalícia, eu faça um especial sobre os livros que considero mais obrigatórios para compra. Aproximamo-nos do fim do ano e, por isso, é altura de olharmos para aquilo que as editoras foram lançando ao longo do mesmo e fazer escolhas.

São muitos os lançamentos - e que bom que assim o é! - mas acredito sempre que é possível separarmos o trigo do joio. Até porque, como dificilmente há dinheiro para comprar tudo, há que escolher os livros mais imprescindíveis de cada editora!

Assim, para este Guia de Compras de Natal tentei escolher 3 livros por editora, procurando focar-me em livros lançados durante o ano de 2023. 

Não quer dizer que os livros que apresento abaixo sejam aqueles que considero os "melhores" livros de cada editora. São apenas 3 livros (ou séries) que foram lançados em 2023 e que considero excelentes compras por serem, a meu ver, excelentes adições a uma boa biblioteca de banda desenhada. Simplesmente, impus-me a regra de 3 livros/séries por editora. E, em alguns casos, foi difícil deixar de fora algumas obras de muita qualidade, acreditem!

Sem mais demoras, é este o meu Guia de Compras de Natal para 2023.