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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Análise: Brigantus #2 - O Picto

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H.

Editado por cá no início de 2025, quando ainda não tínhamos perdido Hermann, um dos autores mais prolíficos da banda desenhada europeia, que viria a falecer já em 2026, este segundo capítulo de Brigantus, intitulado O Picto, encerra o último díptico da extensa carreira do autor.

Esta é uma história que nos leva à Britânia, ao coração da Escócia picta, numa altura em que o avanço das legiões romanas ameaça esmagar os últimos focos de resistência aí presentes. A narrativa continua a acompanhar Melo Brigantus, antigo soldado romano repudiado e expulso da legião, que havia encontrado refúgio entre os pictos, mas esse refúgio é apenas inicial, pois este homem parece ser persona non grata aonde quer que vá. 

Aliás, diria que esse é o cerne da questão: Brigantus é um homem dividido entre mundos opostos, alguém que não pertence verdadeiramente a lado nenhum. Um perfeito "outcast". Essa condição de excluído e de potencial traidor torna-se, pois, o principal motor dramático do álbum.

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
O argumento desenvolve-se de forma muito direta, sem grandes adornos ou desvios narrativos. No fundo, estamos perante uma história sobre um homem rejeitado por todos aqueles que o rodeiam e que procura uma forma de redenção. A história funciona, sim, mas é algo direta em demasia, sem que haja grande profundidade no tema ou nas personagens.

Confesso que o primeiro tomo desta série, Banido, me deixou com a promessa de estarmos diante de algo mais especial. Havia elementos interessantes na construção do contexto histórico e na situação ambígua do protagonista, que pareciam apontar para um desenvolvimento mais marcante. No entanto, este segundo volume acaba por confirmar que Brigantus dificilmente figura entre os melhores trabalhos de qualquer um dos seus autores.

O argumento de Yves H. cumpre os mínimos exigíveis, mas raramente surpreende. Os acontecimentos sucedem-se de forma algo previsível e faltam momentos verdadeiramente memoráveis capazes de elevar a obra acima da média. Não me interpretem mal: a trama funciona e este livro até se lê bem, mas pouca coisa entusiasma. É uma leitura fluida, mas também algo esquecível. 

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Ainda assim, reitero que gostei da opção de abandonar os cenários do faroeste que tantas vezes marcaram as colaborações entre Hermann e Yves H., pai e filho, em detrimento de um ambiente inspirado nas guerras entre romanos e pictos, o que permitiu a exploração - ainda que superficial - de um cenário, de uma cultura e de um conflito diferentes. 

O que se calhar ainda posso referir é que senti uma clara carga emocional associada à leitura deste álbum, por este ser um livro que serve, de certa forma, para nos despedirmos de Hermann, um dos maiores mestres da banda desenhada europeia. É certo que este não foi o último álbum feito por Hermann antes do seu falecimento. A última obra a sair foi Cartagena, que acredito que a editora Arte de Autor venha a publicar junto de nós, se bem que ainda não há nenhuma confirmação oficial nesse sentido. Seja como for, e tendo eu lido este segundo tomo de Brigantus já depois do desaparecimento de Hermann, foi com um certo sentido de nostalgia e agradecimento que fiquei pelo conjunto da sua obra. A série Comanche, em especial, marcou-me bastante enquanto leitor de BD, quando ainda era criança. 

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Em termos de desenho, e em linha com o que vinha a acontecer já há alguns anos, sente-se que o autor estava menos inspirado e capaz neste Brigantus, com as suas ilustrações a evidenciarem uma perda de precisão e de exatidão. Certas proporções nas faces e corpos das personagens parecem estranhas, algumas perspectivas são construídas de forma pouco convincente e existe uma irregularidade gráfica que por vezes distrai da narrativa.

E as figuras humanas são, talvez, o exemplo mais evidente dessas fragilidades. Cabeças e corpos surgem frequentemente deformados, com traços por vezes excessivamente feios ou desadequados. Em vários momentos, as personagens parecem mal resolvidas e distantes do nível de excelência que outrora associávamos ao desenhador belga.

Curiosamente, esse mesmo lado grotesco acaba por funcionar melhor nas sequências mais violentas e viscerais deste Brigantus. As cenas de guerra, em concreto, até beneficiam dessa crueza expressiva, transmitindo uma sensação de brutalidade que encaixa bem no ambiente da obra. Gostei particularmente de alguns desses momentos de combate e também da sequência passada em alto-mar, uma das passagens visualmente mais conseguidas do álbum. E, claro, em termos de cores, Hermann manteve-se um mestre até ao fim dos seus dias. 

Mesmo assim, tenho que ser sincero e dizer que este Brigantus não é propriamente um trabalho que possamos considerar como memorável. Quer em termos narrativos, quer em termos de ilustração.

A edição da Arte de Autor mantém-se em linha com o volume anterior, apresentando capa dura baça, bom papel brilhante no miolo e um bom trabalho ao nível de impressão e encadernação.

Em suma, Brigantus #2 - O Picto é uma leitura competente, mas dificilmente memorável. A história nunca ultrapassa verdadeiramente os limites de um drama histórico simples e o desenho revela as debilidades de um autor já no ocaso da vida. Ainda assim, há algo de admirável na perseverança de Hermann, que continuou a trabalhar até aos seus últimos dias. Mesmo longe do seu auge, o mestre belga merece o respeito e a gratidão de todos os leitores pela extraordinária contribuição que deixou à banda desenhada europeia.


NOTA FINAL (1/10):
6.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Ficha técnica
Brigantus #2 - O Picto (2 de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 586, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2025

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Arte de Autor fecha o díptico "Brigantus"!



No dia 12 deste mês chega às livrarias o segundo (e último) volume da obra Brigantus, da autoria de Hermann & Yves H!

Depois de um primeiro volume com boas ideias e que trouxe alguma frescura face a um certo arrastamento verificado na série Duke, ambientada no faroeste e igualmente publicada pela Arte de Autor, a editora portuguesa fecha esta obra em dois volumes. O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Brigantus #2 - O Picto (2 de 2), de Hermann & Yves H.

No coração da Escócia antiga, Melo Brigantus, soldado repudiado e expulso da legião romana, é recolhido pelos habitantes de uma pequena aldeia picta.

Inicialmente desconfiados, os autóctones acabam por adoptar este intruso que parece plenamente unido à causa deles. 

Quando as tropas romanas chefiadas pelo general Agrícola se aproximam, Brigantus vai ter de fazer escolhas certas.

Acabará ele, um dia, por entrever a luz?


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Ficha técnica
Brigantus #2 - O Picto (2 de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 586, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 18,50€

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Análise: Brigantus #1 - Banido

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H.

Que bom é ver que Hermann, um dos autores mais incontornáveis da banda desenhada franco-belga, continua, já perto dos 90 anos, tão ativo e tão fiel à 9ª Arte e a esse gosto por oferecer novas histórias aos seus inúmeros seguidores! 

Quando, em 2017, Hermann começou mais um longo périplo artístico com o lançamento de Duke, uma série que chegou aos sete tomos, nada fazia prever (ou, concedo, os menos incautos poderiam disso suspeitar) que, passados alguns meses, o autor já estava a deitar mãos à obra para nos oferecer mais outra série.

E não se trata de “virar o disco e tocar o mesmo”. Brigantus, que a Arte de Autor publicou há poucas semanas – e que está pensado para ser um díptico - remete-nos para o tempo dos romanos e dos exércitos de legionários. Portanto, escusado será dizer que, face ao anterior Duke, mudam as indumentárias, mudam os cenários, muda o tipo de ação e o tipo de confrontos físicos entre as personagens.

Estamos perante algo novo e diferente de um Duke ou de um Comanche.

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Quem volta a assinar o argumento é, tal como em Duke e em vários outros álbuns, Yves H., o filho de Hermann. Nem sempre Yves H. nos consegue agarrar às tramas por si criadas, mas, pelo menos neste caso, devo dizer que a personagem de Melonius Brigantus me intrigou o suficiente para ter ficado com muita vontade de poder mergulhar no segundo e último tomo desta história que, certamente, oferecerá muitas respostas às perguntas que neste primeiro tomo, Banido, ficaram por responder.

Não sabemos muito, mas sabemos alguma coisa. Acompanhamos a ação da legião romana que se encontra nas brumas do norte da Escócia. O nevoeiro é denso e a ameaça por exércitos antagónicos de soldados Pictos, é uma constante. Brigantus é um dos soldados do exército romano.

Ele é um verdadeiro monstro em termos físicos, sendo gigante e tendo músculos enormes. Mas isso não faz com que seja popular dentro da sua centúria. Pelo contrário, Brigantus é constantemente vítima de provocações e ostracização por parte dos seus pares. Mas há algo mais que parece maior do que estas provocações quotidianas e que aparenta agrilhoar Brigantus a uma condição de profunda depressão pessoal. Por isso, a personagem refere várias vezes que “sonha um dia poder ver a luz ao fundo do túnel”. Esta questão só é tocada ao de leve, deixando, por isso, a imaginação do leitor fazer as suas próprias especulações de enredo. É claro que o leitor pode antever e calcular cenários sobre que tipo de “luz” será esta que Brigantus espera ver ao fundo do túnel, mas, pelo menos neste primeiro tomo, Yves H. abre pouco o jogo. E talvez também seja por isso que este álbum funciona bem.

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Este é, portanto, um primeiro álbum que se preocupa mais em estabelecer um mood, apresentando a personagem e incrementando um ambiente de tensão latente, do que em grandes desenvolvimentos narrativos.

Gostei da personagem Brigantus, carregada de ódios e tristeza interior, que me remeteu para outras personagens com algumas semelhanças como o monstro de Monstros (de Barry Windsor-Smith) ou mesmo a personagem de Hulk. Às vezes, por detrás de uma grande força física, está uma enorme fragilidade emocional…

Quanto aos desenhos de Hermann, posso dizer que está bem presente a sua imagem de marca, com belas cores em aguarela que funcionam bem para criar os tons de neblina constante que circundam as personagens. O efeito é, pois, deveras sedutor com as pinceladas do autor a mostrarem-se hábeis e virtuosas, mesmo nesta sua idade tão avançada. O desenho, porém, em termos de agilidade no traço, não se apresenta tão belo como em tempos, muito embora me pareça que este desenho menos polido, com as personagens a apresentar expressões carregas de erosão, até encaixa bem na violência gutural de um período como o dos legionários romanos. Acaba por funcionar bem.

A única coisa que não funciona tão bem é que seja (demasiadamente) frequente que o leitor se perca em “quem é quem” devido às personagens serem mais semelhantes entre si do que aquilo que seria mais adequado. E isto afeta negativamente a fluidez da leitura, o que é uma pena.

Quanto à edição da Arte de Autor, estamos perante mais um bom trabalho, com capa dura baça, bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Não há nada de negativo a referir.

Em suma, depois do western demasiadamente longo que foi Duke, é bom ver o octogenário autor Hermann a arriscar-se para “fora de pé”, oferecendo-nos uma história com legionários romanos que, por isso, acaba por ser muito mais refrescante do que, por ventura, “mais um western”. Que venha o segundo e último tomo de Brigantus.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Ficha técnica
Brigantus - Banido #1 (de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2024

quinta-feira, 14 de março de 2024

Arte de Autor lança novo livro de Hermann!



Nada parece parar Hermann das suas criações! Prestes a fazer 86 anos de vida, o autor ainda demonstra ter um força e talento para continuar a produzir álbuns de banda desenhada!

Depois de ter finalizado, no ano passado, a série western Duke, o autor regressa agora ao lançamento do primeiro volume de Brigantus que, em Portugal, a editora Arte de Autor lançará na próxima semana.

Hermann volta a unir esforços criativos com o seu filho, Yves H. que assina o argumento deste díptico, tal como já o havia feito em Duke e noutros livros da dupla de criadores.

Saliento que, desta vez, a história não é com cowboys e passa-se no tempo dos legionários da Roma Antiga. 

O segundo e último tomo está previsto para o próximo ano.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Brigantus - Banido #1 (de 2), de Hermann & Yves H

Toda a gente na legião conhece Melonius Brigantus. Um monstro, uma máquina de guerra. A imagem viva da barbárie que as legiões romanas vieram combater na Escócia. 

E agora, a sobrevivência dos poucos sobreviventes de uma batalha particularmente sangrenta depende da boa vontade do homem que eles sempre mantiveram à distância. 

E só Júpiter sabe o que se passa na mente de Brigantus...

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Ficha técnica
Brigantus - Banido #1 (de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 18,50€