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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Análise: Elric (Volumes 3 e 4)

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo

Foi com a publicação de O Lobo Branco e A Cidade Que Sonha, respetivamente os tomos 3 e 4, que a adaptação para banda desenhada da obra-prima de Michael Moorcock, Elric, por Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo, concluiu o seu primeiro arco narrativo, encerrando de forma particularmente satisfatória e convincente uma obra que já nos dois volumes iniciais tinha demonstrado uma enorme ambição artística e narrativa, conforme escrevi por alturas em que analisei esses dois livros.

Se esses primeiros dois tomos, O Trono de Rubi e Stormbringer, funcionaram sobretudo como uma introdução ao universo de Melniboné e ao conflito entre Elric e Yyrkoon, estes dois volumes finais deste primeiro arco elevam a escala da narrativa, aprofundando a tragédia do protagonista e conduzindo a história para um desfecho simultaneamente épico, melancólico e inevitável.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
Começando por vos falar de O Lobo Branco, neste tomo encontramos um Elric profundamente transformado pelos acontecimentos anteriores. Já não estamos perante o jovem imperador dividido entre o dever para com o seu povo e as suas convicções pessoais. Depois de passar um ano em alto mar, navegando pelos Reinos Jovens, Elric tornou-se agora numa figura quase mítica, um mercenário temido por muitos, cuja reputação cresce a grande velocidade. É especialmente interessante observar esta evolução, porque a narrativa explora a forma como o antigo soberano se vai afastando progressivamente da identidade que o definiu durante os livros anteriores. 

Em A Cidade Que Sonha, por sua vez, esta componente trágica que já se poderia antever no final do terceiro tomo, atinge o seu ponto máximo, com Elric a ter que enfrentar os seus maiores inimigos em batalhas épicas e extraordinárias, voltando à sua terra para reconquistar o que é seu por direito.

Os dois livros - aliás, todo o arco narrativo - aprofundam uma das características mais fascinantes da personagem que é a sua permanente luta interior. Elric continua a ser um herói profundamente atípico no panorama da fantasia, pois não é movido pela ambição, pela glória ou pela conquista. Pelo contrário, é uma personagem dorida e melancólica que é consumida pela dúvida, pela culpa e pela reflexão moral. E até mesmo quando Elric exerce uma violência extrema sobre os demais, existe sempre uma consciência crítica relativamente aos seus próprios atos. Essa dimensão oferece profundidade e maturidade à obra e talvez seja mesmo por esse motivo que esta história se mantém atual nos dias de hoje. Como o será nos dias do amanhã.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
Houve também uma outra coisa que me agradou nestes volumes que foi o aparecimento da personagem de Smiorgan, que se torna companheiro de viagem e luta de Elric. Bem sei que se trata apenas de uma personagem secundária, mas consegue ser relevante para a história, não só pelo papel que desempenha na progressão da narrativa, mas sobretudo pela forma como complementa a personalidade de Elric. Sendo o protagonista alguém naturalmente reservado, introspetivo e emocionalmente contido, a presença de Smiorgan introduz maior dinamismo, jovialidade e emoção às interações entre personagens. Há uma humanidade e uma leveza na sua presença que ajudam a equilibrar o tom frequentemente sombrio da narrativa. Que jogada de mestre a introdução desta personagem.

Mas é claro que o tema mais central em todo este ciclo, é a relação ambígua entre Elric, Stormbringer e Arioch. A espada negra ceifadora de almas continua a ser simultaneamente uma bênção e uma maldição, pois sendo uma fonte inesgotável de poder, por um lado, também inflige sempre a Elric um elevado a preço a pagar, por outro. Já o vilão Arioch mantém-se como uma presença constante, quase omnipresente, manipulando acontecimentos e conduzindo subtilmente Elric por caminhos que talvez nunca escolhesse livremente. Esta dinâmica cria uma tensão muito eficaz, uma vez que nunca é totalmente claro - pelo menos, para mim não é - onde termina a vontade do protagonista e onde começam as influências das forças sobrenaturais que o rodeiam.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
E, claro, temos ainda a bela amada de Elric, Cymoril, por quem o protagonista atravessa todos os mares que sejam necessários atravessar, mas que, curiosamente, tem um papel que pode surpreender alguns. E mais, não digo.

Sendo uma série de espadas e batalhas, uma coisa que aprecio especialmente nela é a maturidade narrativa da obra que, em vez de transformar a história numa mera sucessão de batalhas e confrontos espetaculares, tenha, também, um especial cuidado no desenvolvimento das implicações emocionais e filosóficas dos acontecimentos. As grandes revelações não servem apenas para surpreender o leitor... servem sobretudo para aprofundar o drama pessoal de Elric e o peso das suas escolhas.

Não li a obra original, mas daquilo que pude perscrutar, há nestes terceiro e quarto volumes uma maior independência na forma como a obra é adaptada. No entanto, essa liberdade parece sempre colocada ao serviço da narrativa e nunca em oposição ao espírito da obra original.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
E talvez seja mesmo esse um dos vários triunfos desta adaptação. É que adaptar não significa reproduzir mecanicamente. E isso é sentido até nas próprias declarações de Moorcock sobre esta banda desenhada. O grande feito passou por reapropriar a matéria-prima criada originalmente por Michael Moorcock para construir uma verdadeira banda desenhada, pensada para tirar partido das potencialidades específicas do meio. O resultado é uma narrativa fluida, moderna e visualmente impressionante, que sabe respeitar as bases da saga original sem ficar totalmente aprisionada por elas.

No plano gráfico, a qualidade da obra também se mantém em elevado nível. Tal como nos volumes anteriores, encontramos aqui uma obra visualmente magnífica, capaz de alternar bem entre a grandiosidade épica e a intimidade emocional das personagens. Quando a história exige escala, os desenhadores oferecem panoramas monumentais, cidades impossíveis, paisagens fantásticas, embarcações impressionantes e cenas de combate de enorme impacto. Mas quando o foco se desloca para as emoções das personagens, a expressividade dos rostos e das poses assume o papel principal.

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor
É igualmente digno de elogio o facto de uma equipa com tantos desenhadores ter conseguido preservar uma identidade visual tão consistente. Com tantos desenhadores no projeto "tinha tudo para correr mal", diria, mas a verdade é que, ao longo dos quatro volumes, a homogeneidade gráfica não é posta em causa, não havendo nunca a sensação de fragmentação ou de mudança brusca de estilo. Pelo contrário, todo o projeto apresenta uma coerência estética admirável, fruto de um evidente esforço coletivo e de uma visão artística partilhada. Vê-se que houve cuidado, logo de iníco, na preparação e concepção da obra.

As cores continuam também a desempenhar um papel fundamental, com a paleta utilizada a contribuir para reforçar a atmosfera simultaneamente gótica, melancólica e grandiosa da obra.

Em termos de edição, a Arte de Autor mantém os elevados padrões de qualidade já demonstrados nos volumes anteriores. Os livros apresentam capa dura, com textura aveludada e detalhes a verniz. No miolo, o papel utilizado é brilhante e de excelente qualidade. A impressão, encadernação e acabamentos também são de primeira linha. No final do terceiro volume, encontramos um dossier com oito páginas que reúne ilustrações, esboços e estudos de página. Por sua vez, o quarto volume, apresenta um caderno de extras, com cinco páginas, em que nos é dada bastante informação sobre Melniboné. por William Blanc. Os livros têm prefácios de Neil Gaiman e Jean-Pierre Dionnet.

Nota positiva, ainda, para o facto deste arco da série ter sido finalizado em meros dois meses, o que não é nada comum. Bem sei que a presença dos autores no Maia BD há de ter estimulado a editora portuguesa a não perder a oportunidade de editar o maior número possível de volumes. Mas, seja como for, a verdade é que os leitores portugueses puderam deitar mãos a uma mini-série de 4 volumes que foi completada em pouquíssimo tempo, o que é sempre positivo.

Sombria, gótica, violenta, bárbara, romântica, trágica e profundamente fantástica, esta adaptação de Elric afirma-se como uma das mais impressionantes obras de fantasia publicadas em banda desenhada nos últimos anos. Para os admiradores de Michael Moorcock, trata-se de leitura obrigatória. Para os fãs de fantasia épica em geral, é uma recomendação facílima. E até para todos aqueles que procuram uma BD capaz de combinar espetáculo visual, densidade temática e personagens memoráveis, esta série é uma proposta que não deve ser ignorada.


NOTA FINAL (1/10):
9.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor

Fichas técnicas
Elric #3 - O Lobo Branco
Autores: Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 cm
Lançamento: Maio de 2026

Elric (Volumes 3 e 4), de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo - Arte de Autor

Elric #4 - A Cidade que Sonha
Autores: Julien Blondel, Jean-Luc Cano e Julien Telo
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310
Lançamento: Maio de 2026

terça-feira, 26 de maio de 2026

Arte de Autor finaliza primeiro ciclo de "Elric"!



E fá-lo em tão pouco tempo!

Em cerca de dois meses, a Arte de Autor conseguiu editar 4(!) álbuns de banda desenhada desta série Elric, finalizando a publicação do primeiro ciclo da mesma.

Os primeiros dois tomos, que já aqui foram analisados, foram editados de uma só vez. Há cerca de duas semanas, saiu o terceiro volume e agora, ainda antes do mês de maio se findar, é editado o quarto volume da série, intitulado A Cidade que Sonha.

Os autores responsáveis por este quarto volume são Julien Blondel, Jean-Luc Cano e Julien Telo.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Elric #4 - A Cidade que Sonha, de Julien Blondel, Jean-Luc Cano e Julien Telo

Ninguém escapa ao seu destino.

Perturbado pelas últimas palavras do Imperador Saxif de Aan, Elric parte em busca das ruínas de R'lin K'ren A'a, a cidade original dos Melnibonéanos, onde espera encontrar provas de que seus ancestrais eram puros antes de serem corrompidos pelo Caos. 

Lá, Arioch confirma as premonições do imperador caído, e suas revelações obrigam Elric a abraçar o seu destino, como profetizado por Straasha, Senhor dos Oceanos: Melniboné deve ser destruído por suas próprias mãos. A Ilha dos Dragões guarda em si a fonte de um mal que precisa ser aniquilado.
Mas no coração de Imrryr, sua capital, Elric também precisa encontrar Cymoril, sua amada, que não o perdoou por fugir... 

O primeiro ciclo da fabulosa saga de Elric, com o icónico personagem da literatura fantástica, chega ao fim com o quarto volume desta adaptação, aclamada por leitores e críticos.

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Ficha técnica
Elric #4 - A Cidade que Sonha
Autores: Julien Blondel, Jean-Luc Cano e Julien Telo
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310
PVP: 19,50€

terça-feira, 12 de maio de 2026

Arte de Autor não perde tempo e lança o 3º volume de Elric!


Passados cerca de dois meses desde que a editora portuguesa apostou na série Elric, com o lançamento conjunto de dois volumes, chega-nos agora o terceiro volume desta espetacular série de fantasia.

O terceiro volume desta obra que adapta para BD a obra original de Michael Moorcock, intitula-se O Lobo Branco, e tem argumento assegurado por Julien Blondel e Jean-Luc Cano, sendo que o trabalho de desenho e cores é da autoria de Robin Recht e Julien Telo.

O livro deverá chegar às livrarias nas próximas semanas e, por agora, já se encontra em pré-venda no site da editora.

Relembro ainda, para aqueles que quiserem saber mais sobre a série, que já aqui analisei os primeiros dois volumes da obra.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse deste terceiro livro e com algumas imagens promocionais.

Elric #3 - O Lobo Branco, de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo

Uma figura lendária da fantasia adaptada para uma novela gráfica!

Um ano passou desde que Elric deixou Imrryr, o seu palácio e o seu trono, deixando para trás uma Cymoril profundamente ferida e devastada pela dor. Um ano em que deambulou pelos Reinos Jovens, sob o olhar distante, mas sempre presente, de Arioch, o seu protetor. Um ano em que negociou as suas capacidades de feiticeiro e guerreiro com o maior lance, forjando a cada batalha a lenda do guerreiro albino cuja Espada Negra ao seu lado faz tremer até os guerreiros mais corajosos. 

Hoje, já não é Elric de Melniboné, o 428º imperador do povo de R'lin K'ren A'a. Hoje, os Reinos Jovens conhecem-no como o Lobo Branco.

A fabulosa saga de Elric, figura de culto na literatura fantástica, continua nesta adaptação da banda desenhada aclamada por leitores e críticos. 

No final do livro, encontrará os bastidores da produção do álbum e homenagens gráficas à personagem por parte de grandes nomes da ilustração e da banda desenhada.



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Ficha técnica
Elric #3 - O Lobo Branco
Autores: Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Robin Recht e Julien Telo
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 232 x 310 cm
PVP: 19,50€